quarta-feira, 27 de março de 2013

ESPECIAL RECORD 60 - PALMAS PARA ELES!!!

Mestre de cerimônias, Blota tem a cara da Record

Alô, Terezinhaaaa!!! A Record é coisa nossa!!! Nestes 60 anos milhares de telespectadores conheceram os auditórios da emissora. Outros milhões assistiram e se divertiram com os programas produzidos nos teatros que a estação já ocupou. Por suas telas, os melhores apresentadores e animadores já passaram e fizeram história. Mais fácil é dizer quem não começou ou não esteve na Record.

Dois nomes são muito lembrados na história do canal 7 paulistano, quando falamos de shows com plateia: Blota Jr. e Randhal Juliano. Esses profissionais já eram contratados pela Rádio Record e passaram a comandar atrações com o público admirador dos cantores e dos comunicadores. Em especial, Blota comandou "Esta Noite Se Improvisa", uma competição entre artistas que fazia muito sucesso nos anos 1960. Também apresentava a entrega do "Troféu Roquete Pinto", os festivais e o mensal "Show do dia 7".

A atriz Bibi Ferreira comandava o "Bibi Sempre aos Domingos", um grande sucesso na TV. Mas a filha do ator Procópio Ferreira precisou se ausentar. Para substitui-la, Hebe Camargo foi convidada a voltar para a telinha, após ter se casado e ter seu único filho Marcelo. Assim, em 1966, a Record lança "Hebe Sempre aos Domingos", que virou o famoso "Hebe". Suas entrevistas no sofá, uma novidade na época, renderam 80% de audiência.

O Velho Guerreiro também esteve lá. Após sair da Globo em 1971, Chacrinha passou por várias emissoras, e uma delas foi o canal 7. Seu substituto na Excelsior, Edson Cury, levou suas boletes para a Record e lançou "A Hora do Bolinha". Esse programa de calouros e números músicais foi o modelo para seu maior sucesso, o "Clube do Bolinha", na Band. Um instante, maestro! Flávio Cavalcanti, o criador do júri na TV, deixou sua marca na Record nos anos 1970.

Ana, Fausto e Silvio

Gugu na inauguração do Teatro Record no "Programa Ana Maria Braga"
Em 1977, o homem do Baú torna-se mais do que apresentador do "Programa Silvio Santos" e "Silvio Santos Diferente". Sócio de Paulo Machado de Carvalho, Silvio foi dono do canal, até 1989. O animador possuía secretamente as ações da empresa desde 1971. Neste período, era possível ver seus programas transmitidos pela Tupi, e depois pelo SBT, além da Record em São Paulo.

Mas este não foi o único membro da atual guerra dos domingos que esteve na emissora da Barra Funda. Fausto Silva, o Faustão, levou o "Perdidos na Noite" para a estação em 1984, meses após a estreia na TV Gazeta. O sucesso o encaminhou para a Rede Bandeirantes.

Cantores que apresentam não são novidade em TV. Ronnie Von comandou programas em duas oportunidades: nos anos 1960, com "O Pequeno Mundo de Ronnie Von" e "Sinal de Vida". Outra cantora que animou auditórios foi Sula Miranda, já nos anos 1990. Fábio Jr. esteve à frente de "Sem Limites Pra Sonhar" (1998), que posteriormente ganhou seu nome.

Seguindo a linha da Rainha da TV, Ana Maria Braga teve seu talk show, ou mehor, seu "big show" como dizia a chamada da época, sempre nas noites de terça-feira. Coube a apresentadora inaugurar o novo Teatro Record, na Barra Funda, em 1998. Márcio Garcia e Rodrigo Faro são dois atores que viraram apresentadores comandando "O Melhor do Brasil", programa das tardes de sábado que substituiu uma quase "prata da casa".

Pegue seu banquinho...e ligue na Record!

Raul Gil no comando de "Tamanho Família"
Raul Gil possui aproximadamente 50 anos de carreira na TV. Alguns deles na Record. Foram várias passagens ao longo desse período. A importância de Raul na emissora era tamanha, que seu programa foi escolhido para ser o primeiro exibido em cores pelo canal 7.

A mais importante contratação nesta área da Record sem dúvida foi Gugu Liberato, em 2009. Após 28 anos de SBT, e 35 anos ao lado ex-dono do canal 7, Gugu foi apontado como o sucessor natural de Silvio Santos. Sua chegada à nova casa foi cercada de muitos comentários na mídia especializada, e no palco, repleta de novidades tecnologicas e investimentos pesados. Tudo para brigar pelo primeiro lugar.

Muitas emoções foram vividas nos auditórios da Record. Muitos outros nomes passaram por lá, tantos que um post apenas é muito pouco, talvez até mesmo um blog. Nestes 60 anos, o canal 7 conquistou uma legião de admiradores, e frequentadores assíduos de seus programas. A emissora merece uma salva de palmas de todos os telespectadores!

Curiosidades:
  • O primeiro programa de auditório de Eliana na casa foi "Eliana no Parque", em 1998, também aos domingos;
  • Milton Neves comandou um game show com plateia, onde os participantes que errassem as perguntas caiam num buraco. "Roleta Russa" (2003) tem um formato muito parecido com o usado pelo "Quem Fica em Pé?", de José Luiz Datena na Band.
  • O programa "Ratinho Livre", que lançou Carlos Massa nacionalmente em 1997, não começou com auditório. No começo, poucas pessoas acompanhavam a atração no estúdio. O número de espectadores começou a aumentar gradativamente, até que foi necessária a mudança para um estúdio com plateia, construido para o programa;
  • Alexandre Frota comandou o juvenil "Galera", diretamente do novo Teatro Record na Barra Funda, em 1998, com Juliana Garavatti;
  • O canal 7 paulistano foi a última estação onde Otaviano Costa comandou um programa de auditório, o "Bahia 50 graus", em 2004. Antes havia comandado "Domínio Público" (2001), "Jogos de Família" (2002) e "No Vermelho" (2002);
  • O quadro "A Sua Festa é Nossa", hoje comandado por Rodrigo Faro, foi criado dentro do "É Show" (2000) com Adriane Galisteu.

A gente já conferiu rapidamente em vídeos a participação de Blota nos Festivais, ao lado de sua esposa e também apresentadora Sônia Ribeiro. Vamos agora rever esse grande comunicador conduzindo a entrega do "Troféu Roquete Pinto". Agradecimentos: CanalMemória e Divulgação/TV Record.

terça-feira, 12 de março de 2013

CIDADES MARAVILHOSAS

Antes de "Cidade", Gugu testou o "Viva a Noite" aos Domingos
Gugu Liberato teve várias atrações quando chegou a dividir o "Programa Silvio Santos" com o patrão. Uma das práticas conhecidas do SBT é resgatar um de seus inúmeros programas de auditório, dar um tapa no visual, e lançar novamente como "a volta de um grande sucesso". Com Gugu não foi diferente, e há 25 anos o apresentador estreava o "Cidade Contra Cidade".

Este programa nasceu nos primeiros anos da carreira de Silvio, ainda nos anos 1960. Foi um das primeiras atrações comandada pelo então dono do Baú, fora da Rede Globo. Alugando horário na Rede Tupi às Quartas Feiras, a disputa entre as delegações de dois municípios começava por volta de 21h e terminava além da meia-noite.

Foi nesse programa que se constatou que somente um evento de outro mundo era páreo para Silvio Santos. Em 1969, a transmissão da chegada do homem à Lua rendeu 41,1% de audiência, enquanto "Cidade Contra Cidade", exibido na mesma semana, obteve 40,1%. Tempos depois, o programa passou a se chamar "Silvio Santos Diferente", seguindo o mesmo esquema de quadros de seu irmão dominical, e saiu do ar em 1977.

Desfile de atrações

A equipe de Ribeirão Preto foi a grande recordista da atração
levando para casa 17 ambulâncias, nos tempos da Tupi.
Em 1988, o programa volta para as tardes de Domingo. Gugu comandava uma série de provas disputadas pelas delegações, sempre lideradas por uma equipe de rádio da cidade. As brincadeiras eram muitas: a mais bela moça, o melhor cantor(a), a melhor curiosidade, o chute a gol, e a torcida mais animada. Havia também as disputas realizadas no Parque do Carmo, em São Paulo, e nas futuras instalações da emissora na Anhanguera, sob o comando de Ademar de Barros.

As audiências mais altas da atração aconteciam quando Rio e São Paulo se enfrentavam. O grande prêmio de "Cidade Contra Cidade" para o município vencedor era uma ambulância, e a permanência no programa, para enfrentar outra localidade. Mas o maior ganhador era o público telespectador, que tinha a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o povo e as belezas naturais das localidades participantes. O quadro permaneceu no ar até 1989.

Curiosidades:

  • O começo da carreira profissional de Gugu como produtor está muito ligado ao "Cidade Contra Cidade". O jovem Augusto era sempre o responsável por uma das delegações que participavam da atração, na época sob o comando de Silvio Santos. O "Cidade" também foi o primeiro dominical apresentado por Gugu;
  • A apresentadora Olga Bongiovanni teve uma de suas primeiras experiências em rede nacional de televisão nesta atração. A então locutora da emissora local de Cascavel-PR fez parte da equipe que representava o município no programa;
  • "Responde ou Passe" era um quadro do dominical, nascido ainda com Silvio Santos, que virou bordão do programa "Passa ou Repassa";
  • A trilha sonora, que acompanhava todo o programa era "Happy Children", de 1984, lançada por P. Lion. Esta música foi usada de novo aproximadamente seis anos depois para o "Táxi do Gugu", dentro do "Domingo Legal". O tema de abertura era um instrumental baseada na marchinha "Cidade Maravilhosa", de André Filho;
  • "Cidade Contra Cidade" era a penúltima atração do "Programa Silvio Santos", sempre antecedendo o "Show de Calouros". 
Vamos recordar este desfile de atrações, curiosidades e cultura brasileira no dominical "Cidade Contra Cidade". Os vídeos são da participação do município de Espírito Santo do Pinhal-SP. Agradecimentos: Ricardo Mateus Olivi e claudiard1981.





















quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

ESPECIAL RECORD 60 - A MÚSICA ESTÁ NO AR

Elis e Jair em "O Fino da Bossa"
"Prepare o seu coração, para as coisas que eu vou contar". A Record deve muito dos seus 60 anos de sucesso à música popular brasileira, mas o cenário musical também deve ser muito grato ao canal 7 paulistano. Desde o seu começo em 1953, a emissora sempre valorizou e revelou cantores, cantoras e conjuntos nacionais e internacionais.

Já na sua inauguração, Sandra Amaral e Hélio Ansaldo apresentam o musical "Grandes Espetáculos União" (naquela época o patrocinador dava o nome para muitas atrrações, como o "Repórter Esso"). Os primeiros anos do canal foram marcados pelo glamour dos grandes nomes que se apresentavam pelos quatro cantos do mundo, e vinham para a Record com absoluta exclusividade: Bill Halley e seus Cometas, Sarah Vaughan, Louis Armstrong, Steve Wonder, Nat King Cole, Marlene Dietrich, Rita Pavone, Amália Rodrigues e muito mais.

A Rádio Record já possuía sob contrato grandes cantores brasileiros, e eles também garantiram seu espaço no programa "Astros do Disco", com Randal Juliano. A atração trazia também os grandes campeões de venda para cantar seus sucessos nas noites de Sábado da TV. Foi em "Astros do Disco" que surgiu o Troféu Chico Viola, um dos mais importantes da música, na época.

Os anos 1960 foram dourados, graças ao casamento entre a Record e a MPB. A partir de 1963, quando a novela brasileira passou a ter capítulos diários, os folhetins viraram uma febre, da qual o Brasil não se curou até hoje. Na época, Tupi e Excelsior eram as grandes produtoras do gênero. Paulo Machado de Carvalho Filho, herdeiro do fundador e diretor artístico da casa, juntamente com sua equipe de produtores, dentre eles o autor Manoel Carlos e o diretor Nilton Travesso, criou uma faixa de musicais que entrou para a história da televisão.

É uma "brasa" cantar no 7!!!

Roberto Carlos no palco do Teatro Record
A "pimentinha" Elis Regina e Jair Rodrigues comandavam "O Fino da Bossa". Os novos nomes da MPB, surgindo pela Bossa Nova, se apresentavam semanalmente no Teatro Record. Artistas como Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maysa, Vinícius de Moraes, Nara Leão, Maria Bethânia etc, marcavam presença na atração. Os saudosistas se deliciavam com os convidados dos cantores Elizete Cardoso e Ciro Monteiro em "Bossaudade". Elizete também comandou o "Sambão", onde o ritmo do morro tomava conta da telinha. Outro cantor que também ganhou programa na Record foi Wilson Simonal, que apresentava o "Show em Si...monal".

A moçada curtia carrões, brilhantina, e iê-iê-iê no programa "Jovem Guarda". Roberto Carlos, Erasmo Carlos (o "tremendão) e Wanderlea (a "ternurinha") traziam todos os domingos os lançamentos que a galera ouvia no rádio. Jerry Adriani, Waldirene, Eduardo Araújo, Os Vips, Silvinha, Martinha, e muitos outros eram recebidos aos gritos pela histérica plateia juvenil. Este programa nasceu em 1965 para preencher a lacuna deixada pelo futebol à tarde, já que a emissora tinha sido proibida de transmitir os jogos para não esvaziar os estádios. A atração foi tão forte que o movimento ganhou o nome de Jovem Guarda.

Não dá pra falar em MPB na TV sem ao menos citar os Festivais da Música Popular Brasileira. Até hoje, os melhores foram produzidos pelo canal 7 paulistano. De 1966 a 1969 o cenário musical nacional foi transformado, e nunca mais foi o mesmo. Grandes nomes e inesquecíveis canções nasceram naqueles teatros e são referência para novos talentos até hoje. De Hebe Camargo a Tom Zé, de Agnaldo Rayol a Chico Buarque, de Elis Regina a Roberto Carlos, todos os "mosntros sagrados" passaram por aqueles palcos.

"'Caba' não, mundão!!!"

Marcelo Costa recebe Wanderlea no "Especial Sertanejo"
Os comunicadores populares, que ganharam fama trazendo cantores em seus programas, também tiveram espaço na Record. Chacrinha e Bolinha, com seus inigualáveis estilos, também deram suas contribuições a essa história.

O sertanejo também não foi esquecido pela emissora. Inezita Barroso foi a primeira mulher a ter um programa solo no canal 7, trazendo seus convidados que cantavam o que havia de melhor na chamada "música raíz". Com a evolução do gênero, outros apresentadores surgem como Geraldo Meireles e, mais tarde, o cantor Marcelo Costa com seu "Especial Sertanejo". Renato Barbosa apresentou a parada de sucessos "Quem Sabe... Sábado" e também produziu "Amigos & Sucessos", onde um artista apresentava os maiores êxitos de sua carreira, recebia convidados, e ganhava uma homenagem de amigos e familiares.

Nos últimos dez anos, a televisão deixou um pouco de lado o gênero puro deste tipo de atração. Os cantores Chitãozinho & Xororó foram os últimos a apresentar na emissora um programa neste estilo, o "Raízes do Campo". Mas a história da Record mostra que, se bem produzido, uma musical pode valer muito mais do que mil imagens. No mês que vem, falamos sobre os programas de auditório.

Pra matar a saudade, vamos ver a apresentação de "Disparada", com Jair Rodrigues, e "A Banda", de Chico Buarque, as finalistas do festival de 1966. Diante do impasse, os jurados decidiram que as duas músicas eram as vencedoras daquele ano, um empate que nunca mais se repetiu na história. Agradecimentos: Bruno Kampel, naramaielis e TV Record.






domingo, 24 de fevereiro de 2013

CRÍTICA: O DESAFIO DO GUGU

Aproveitando a estreia, Gugu adotou um visual mais esportivo
Neste Domingo, a Record estreou o quadro "Desafio Musical", a nova versão do clássico "Qual é a Música", apresentado por Silvio Santos durante quase 20 anos. A disputa entre artistas foi gravada por Gugu Liberato durante a semana, e exibida no final de seu  programa dominical. O restante da atração foi ao ar ao vivo, seguindo a mecânica usada para a "Escolinha do Gugu".

Somente duas provas eram desconhecidas do público: "Kazoo", uma espécie de apito, na qual os convidados cantarolam canções que estão ouvindo por um fone, e "Foto Musical", onde os participantes, ao escolherem uma fotografia poderiam tentar adivinhar o nome da música do artista estampado ou passar a pergunta para o time adversário.

Vale ressaltar o esforço da produção em fazer com que o "Desafio Musical" em nada lembrasse o quadro conduzido pelo dono do SBT de 1976 a 1991, com volta entre 1999 e 2002 e um último retorno em 2007. Todos os jogos receberam nova roupagem. Não tem três interpretes para o jogo dos versos (apenas uma), muito menos os famosos dubladores maquiados. Até a participação da plateia foi repaginada. Duas assistentes de palco, com um microfone cada, iam até as moças do auditório que sabiam as respostas corretas.

O visual dos quadros foi modernizado. No lugar da orquestra, um DJ disparava todas as músicas usadas nas brincadeiras, inclusive as notas do leilão, a disputa final da atração. Porém algumas coisas foram mantidas, como o trio masculino e feminino que se enfrenta, e a clássica pergunta ao DJ-maestro: qual é a música?

Não é a primeira vez que a emissora da Barra Funda adapta um programa estrangeiro, já conhecido por aqui. Em 2009, o canal 7 comprou os direitos de "O Preço Certo". Apresentado pelo ator Juan Alba e pela jornalista Débora Santilli, o game show foi exibido diariamente nas tardes da programação, até meados de 2010. Mas esta atração já havia sido produzida no Brasil também por Silvio Santos, na década de 1980, inclusive com o mesmo título. 

Silvio Brito, Silvio Santos e Fafá de Belém na versão de 1976

A aquisição de "Name That Tune" (Nome desta música), o formato original da atração, é a resposta que a Record deu a uma pesquisa com telespectadores, sobre o "Programa do Gugu". O público quer o apresentador mais presente no palco do Teatro Record, e a participação maior de artistas convidados.

A audiência correspondeu durante a "novidade". Pouco tempo depois de encerrado o dominical, o diretor Homero Salles, em seu Twitter, anunciou que a atração terminou "com o dobro da terceira colocada, a quatro décimos da líder". Mas não foi o suficiente para deter Eliana e o SBT. Segundo dados preliminares, a loirinha fechou com 6,8 de média contra 5,9 da Record. A Globo liderou no período com 12,9.

Quando o apresentador surgiu na emissora de Silvio Santos como sucessor do patrão, a imagem de Gugu era idêntica a do homem do Baú. Até mesmo o microfone era o mesmo! O que o diferenciava eram as novidades que trazia no "Viva a Noite". Os quadros bolados pela equipe e pelo ex-produtor eram diferentes, mas mantinham a essência popular de Silvio. Gugu foi contratado com 14 anos pela sua criatividade.

Ainda é muito cedo para dizer se a estratégia será vencedora. Televisão é hábito. Apostar em uma atração já conhecida e consagrada é algo arriscado. O público pode se cansar muito rapidamente, ou não. Sem contar as inevitáveis comparações. Mas já é positivo o fato do programa não encerrar com lágrimas dos quadros emocionantes que vinha trazendo ultimamente. O telespectador quer terminar seu final de semana com bom humor. Afinal, tristeza por tristeza, basta lembrar que a Segunda está chegando!

Imagens: UOL e Divulgação/TV Record.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

CRÍTICA: VALE A PENA FAZER DE NOVO?

A família Bozo está de volta aos sábados do SBT
A estreia do "novo" palhaço Bozo no SBT, na manhã deste sábado, não é apenas mais uma das decisões incompreendidas de Silvio Santos. O resgate do infantil, que foi sucesso há 30 anos, é uma tendência de algumas emissoras no mundo: não arriscar em novidades.

De uns anos pra cá, vários canais de televisão tem lançado mão de textos antigos, formatos engavetados, e em algumas situações reprises puras e simples, para suprir a falta de criatividade de seus atuais roteiristas, ou a aposta em sangue novo. Você pode alegar que sempre fizeram isso. E mais, pode até me criticar: "como um jornalista que escreve sobre história da TV pode achar ruim o resgate de programas antigos?"

Calma, eu me explico. Entrevistando a ex-repórter do "Aqui Agora" Magdalena Bonfiglioli, em um dado momento, ela me disse por que não sentia saudades do telejornal popular do SBT. "Não posso sentir saudades de algo que cumpriu o seu papel e fez sucesso no seu tempo. O passado é útil demais para pautar o presente e criar o futuro. Mas o futuro deve ser criado", disse a jornalista.

Diante de um novo público, conectado à internet e com uma variedade de opções muito maior do que há 20 anos atrás, a TV aberta prefere recorrer à memória afetiva dos telespectadores. Os mais recentes remakes de novelas da Globo são antigos sucessos das 19h, uma faixa dedicada principalmente a um público mais jovem. Seus clássicos, como "O Astro", "Gabriela" e futuramente "Saramandaia" são exibidas após a primeira linha de shows, às 23h, próximo do horário da reprise de outros novelões no canal pago Viva, também da Globo.

Muitas pessoas assistem a essas produções também por influência de quem já as viu antes. Aqueles que já conhecem, querem ver se vai haver algo novo, ou se a história será mantida como a original. No caso do SBT, produtos do seu principal gênero, os programas de auditório, vez por outra voltam com nova roupagem. São vários os exemplos: "Fantasia", "TV Animal", "Roda a Roda", e o sucesso que surpreendeu a todos, a novelinha "Carrossel".

O crescimento das novelas da Record aconteceu com o remake de "A Escrava Isaura". Em seus auditórios, também já voltou a antiga "Corrida Maluca" com Gugu, e o apresentador se prepara para assumir o formato original do "Qual é a Música" de Silvio Santos. A Band também tem planos de resgatar um dos programas do dono do SBT, passando para José Luiz Datena o comando de "Quem Quer Ser um Miionário", conhecido por aqui como "Show do Milhão".

Não há problema algum em trazer de volta atrações que foram sucesso. Isso atrai ao mesmo tempo um público novo e os eternos fãs, como é o caso do Bozo. Mas também mostra que os executivos das emissoras possuem receio de apostar em novidades. Não dá pra viver só de passado, e não investir em novos talentos, capazes de reinventar a televisão. Serão esses profissionais que farão TV para seus contemporâneos, e as futuras gerações, e que poderão deter a queda livre da audiência.

Em tempo: o palhaço mais famoso do mundo estreou seu programa solo na vice-liderança. Segundo dados prévios, a atração empatou com a Record, com 4,3 pontos de média. A Globo liderou com 7,2. Imagem: Divulgação/SBT.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

A ESTREIA DE FLÁVIO CAVALCANTI NO SBT

Flávio Cavalcanti foi repórter de jornal e estreou na TV em 1955
Em seu segundo ano de existência, o SBT, atendendo popularmente pelo nome de TVS, já era vice líder de audiência em todo o Brasil. Mas seu faturamento não correspondia a todo esse IBOPE. A razão estava no mercado publicitário e em sua programação. A grade da emissora era considerada popularesca, e não popular. Os anunciantes não queriam ver seus produtos associados a atrações como "O Povo na TV" e "O Homem do Sapato Branco". Silvio Santos disse, certa vez, que fazia televisão para vender carnês do Baú, e que agora era necessário vender anúncios para sustentar o canal.

A direção monta uma boa equipe de comercialização e passa a qualificar sua programação. Para isso, resolveu contratar os melhores comunicadores do país. Um dos primeiros a integrar o novo time do SBT, em 1983, foi o apresentador Flávio Cavalcanti. Conhecido de outras emissoras, polêmico e amado ao mesmo tempo, Flávio aceita o convite de Silvio, e passa a apresentar um programa que levava o seu nome, às quintas feiras. Antes, o comunicador comandou o "Boa Noite Brasil" por um ano, na TV Bandeirantes.

Na TVS, trás de volta quadros de grande sucesso de sua trajetória, como "Um Instante, Maestro". Este espaço era dedicado principalmente à crítica musical. No passado, ficaram famosas as cenas do apresentador quebrando discos no palco, que considerasse de má qualidade. Pioneiro no uso de um júri em TV, os membros desta bancada também participavam do "Flávio Debate", onde discutiam um assunto de repercussão nacional. Ex-repórter do jornal carioca "A Manhã", o apresentador sempre fez questão de trazer o jornalismo ao seu programa. O semanal também apresentava diversas curiosidades ao público, como desfiles e revelações do cenário musical.

Em 1986, o desejo do apresentador era encerrar sua carreira artística e curtir a aposentadoria no seu futuro hotel, numa praia brasileira. Não deu tempo. Durante o programa, Flávio chama o intervalo como sempre fez: ergue o dedo indicador para o alto e diz "nossos comerciais, por favor". No bloco seguinte, ele não havia voltado. Wagner Montes foi pego de última hora, e encerrou a atração. O titular sofreu uma isquemia miocárdia aguda no palco, foi levado ao hospital e, quatro dias depois, faleceu, aos 63 anos. Como homenagem ao colega, o SBT de luto, saiu do ar por quase 24 horas. A programação só voltou a ser exibida após o sepultamento de Flávio Cavalcanti.

Curiosidades:

  • Não era a primeira vez que Flávio trabalhava para Silvio Santos. Em 1976 o apresentador comandava o programa de calouros "Um Instante, Maestro", na TVS-Rio;
  • José Messias, hoje jurado de Raul Gil, foi produtor e diretor de Flávio em algumas emissoras;
  • Sônia Abrão participou muitas vezes dos debates do programa, quando ainda era apenas uma colunista do jornal "Notícias Populares".
Veja abaixo alguns trechos do "Programa Flávio Cavalcanti", além do resumo feito pelo "Festival SBT 30 anos" e o depoimento de Sônia Abrão, que estava presente no último programa do apresentador. Como estamos no carnaval, assista também uma apresentação de marchinhas clássicas, exibido na atração com a orquestra regida pelo maestro Milani. Agradecimentos: claudiard1981, Ricardo Lippi, Estudio Danças do Mundo, Monica Poplawski, Guilherme Guidorizzi e SBT.











quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

AS GÊMEAS DE TUPI E GLOBO

Eva Wilma, Carlos Zara e a dublê da atriz em 1973
Uma das obras primas da novelista Ivani Ribeiro terá dupla comemoração neste ano: "Mulheres de Areia". A trama estreou originalmente em 26 de março de 1973, pela Rede Tupi de Televisão. Vinte anos depois, a Globo produz um remake, com elementos da novela "O Espantalho"(TV Record, 1977), escrita pela mesma autora. O primeiro capítulo da nova versão foi ao ar em 1º de fevereiro de 1993, com Glória Pires interpretando as gêmeas Ruth e Raquel. As irmãs litorâneas foram vividas por Eva Wilma nos anos 1970.

Duas mulheres lindas, de aparência absolutamente idêntica mas de personalidades totalmente contrárias, e um só amor: o empresário Marcos Assunção (Carlos Zara na Tupi, e Guilherme Fontes na Globo). Enquanto Ruth é doce, amável, compreensiva e ama de verdade o jovem milionário, Raquel é fria, má, egoísta e é realmente apaixonada pelo dinheiro do rapaz. A ambiciosa moça enfrenta tudo e todos, inclusive sua bondosa irmã e o pai de Marcos, o prepotente Virgílio Assunção (Em 1973 Cláudio Correa e Castro e em 1993 Raul Cortez).

Guilherme Fontes e Glória Pires estrelaram versão de 1993
As gêmeas sofrem um acidente em alto mar, e Raquel é dada como morta. Ruth ocupa seu lugar para não ver jovem viúvo triste pela morte da esposa, já que acreditava que Marcos de fato gostava da vilã, e também desfrutar um pouco do seu amor. Mas a gêmea má está mais viva do que nunca, e quer vingança contra todos que estiverem no seu caminho, principalmente sua irmã, a usurpadora (calma, ainda estamos tratando de Ivani Ribeiro)!!!


"Rutinha" ganha prêmio

Marcos Frota viveu o escultor apaixonado



Merece destaque o personagem Tonho da Lua, um rapaz com deficiência mental, que tinha duas paixões na vida: esculpir mulheres na areia da praia e sua protetora Ruth, que o defendia de Raquel. Quem deu vida ao Tonho da primeira versão foi Gianfrancesco Guarnieri. O ator Marcos Frota interpretou o escultor nos anos 1990. No final da história, mesmo com as tentativas da gêmea materialista de separar sua irmã de Marcos, o casal termina junto, e a víbora morre num acidente de carro. Vaso ruim é difícil de quebrar, mas quebra!!!

Tanto Eva quanto Glória tiveram que trabalhar pelo menos 4 vezes a mais do que qualquer ator na novela. Elas viveram as gêmeas, Ruth se passando por Raquel e vice-versa! Quando as irmãs apareciam juntas, suas cenas eram sempre mais complicadas e demoradas para gravar. Em 1973, a técnica era o cartão. Com a câmera travada, tapava-se com um cartão preto metade da lente, e gravava somente um lado da cena, com apenas uma personagem. Depois cobria-se o lado contrário da lente, para captar a outra protagonista. O trabalho maior era do editor de VT para montar a cena completa. A tecnologia ajudou um pouquinho, na versão global. Glória gravava usando uma tela azul de fundo que, na edição, era substituída pela sua imagem gravada antes. É o chamado Chroma key (cor chave), técnica muito usada em TV pela previsão do tempo dos telejornais.

Curiosidades:

  • As duas artistas que protagonizaram "Mulheres de Areia" ganharam, entre outros, o Troféu Imprensa de melhor atriz. Em 1973, Regina Duarte foi eleita pela votação dos jornalista pelo papel de Cecília em "Carinhoso" (TV Globo, 1973), mas deu seu prêmio para Eva Wilma como reconhecimento pelo trabalho pioneiro na TV;
  • A trilha sonora da novela da Tupi foi um sucesso de vendas, porém os temas de alguns  personagens como Alaor e Raquel (cantado por Elis Regina) não foram incluídos no disco;
  • Infelizmente restaram poucos capítulos completos do folhetim de 1973. Dos 253 produzidos pela emissora associada, 21 se encontram na Cinemateca Brasileira;
  • A história de Ivani Ribeiro rompeu fronteiras, e foi sucesso até na Rússia! Quando chegou a  eleição de lá, para impedir que as pessoas viajassem no dia do pleito, um feriado, o governo russo programou a exibição do último capítulo da trama para o dia da votação;
  • O remake global foi reapresentado duas vezes, em 1996 e 2011.
  • Em cenas onde Ruth e Raquel contracenavam, Glória gravava primeiro como Ruth. O profissionalismo e atenção da atriz foram fundamentais para uma continuidade e edição perfeitas das cenas.
Vamos conferir a primeira abertura, cenas da primeira versão, a abertura da Globo e cenas da produção de 1993. Agradecimentos: Victor Santos, Marcio Uchôa, Elizeubonitao, e TV Globo.