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quinta-feira, 25 de julho de 2013

ESPECIAL RECORD 60 - "LUGAR DE CRIANÇA É NA RECORD"

Waldemar Seyssel (1905-2005), o Arrelia formou-se em Direito
Se hoje a programação infantil da Record limita-se a exibição da série "Todo Mundo Odeia o Cris" e o desenho "Pica Pau", a grande aniversariante da TV brasileira deste ano já teve muitos clássicos programas que animaram a garotada!

Um dos primeiros foi o "Cirquinho do Arrelia" (1955-1966), um dos maiores sucessos, e mais lembrados, do canal 7. Mas o moderno também tinha espaço, e um super-heroi brasileiro foi criado na emissora. O "Capitão 7"(1954-1966), com Ayres Campos e Idalina de Oliveira, viveu diversas aventuras, combatendo o mal ao vivo, contando com a torcida de seus fieis telespectadores mirins.

A molecada também contou com programas de auditório inesquecíveis, como "Pullman Jr.", com Cidinha Campos e Durval de Souza (1953-1969) e "Grande Gincana Kibon" com Vicente Leporace e Clarisse Amaral (1955-1971), uma espécie de avô do "Ídolos Kids". Com a chegada de Silvio Santos à Record, em 1977, os pequenos também contavam com alguns programas do homem do Baú dedicados a eles, como "Domingo no Parque".

Mas esta não foi a única influência do futuro dono do SBT na programação infantil. Poucos se lembram, mas o Bozo estreou em telinhas brasucas na Record, em 1980. Pegando embalo na onda de Xuxa na Globo, a emissora lançou o "Pintando o 7"(1988) com Andréa Veiga, a primeira paquita. Gugu Liberato também foi o responsável por uma atração para crianças. "Casa Mágica" com Alan Frank (do grupo Polegar) e Silvinha (ex-assistente de palco do "Viva a Noite"), realizada com auxílio do apresentador, estreou na década de 1990 no canal 7.

Parques, Mundos e Vilas das crianças

Eliana apresentou infantis na Record por 7 anos
Quando Edir Macedo comprou a empresa, muitos foram os investimentos realizado neste setor da programação. Por lá passaram Gerson de Abreu, o "Agente G"(1995-2000), Mariane e a "Tarde Criança" (1995-1996), Mara Maravilha com "Mara Maravilha Show"(1995) e "Mundo Maravilha"(1997), e a Vovó Mafalda vivida por Valentino Guzzo com os "Desenhos da Vovó"(1997).

Mas quem deixou uma grande marca na emissora foi a apresentadora Eliana. Contratada em 1998 para apresentar o "Eliana e Alegria", a "miss dedinhos" seguiu levando educação e diversão para a garotada, mas inovou ao conduzir o programa diariamente ao vivo, realizando inumeras brincadeiras fora do estúdio, e com apenas um desenho animado: "Pokemón". A loirinha também apresentou "Eliana no Parque"(1999), "Eliana na Fábrica Maluca"(2001) e o infanto-juvenil "Eliana"(2004), antes de migrar para o público adulto.

A emissora também apostou em propostas educativas como o "Vila Esperança" (1998) ou de puro entretenimento como o "Programa da Hora" (1999), com a cantora mirim Thaís Pina, lembra dela? A sessão "Record Kids", que exibe atualmente o único desenho da casa, já foi chamada de "Domingo Alegria". Mas a tendência de mercado, que deixa os programas infantis para a TV paga, reduziu a quase zero a produção de atrações deste gênero, não só na Barra Funda como em quase todas as emissoras. Porém fica a saudade e o carinho por estes profissionais e seus inesquecíveis programas.

Curiosidades:
  • O slogan que serve de título para este especial foi usado pela primeira vez em 1995, quando a programação infantil estava em alta no canal;
  • Atual coringa da emissora, o "Pica Pau" é exibido desde 2006. Mas não é a primeira vez que o pássaro criado por Walter Lantz passa pelo canal 7. O primeiro pouso na Record aconteceu na década de 1960, ainda em preto e branco.  

Vamos conferir três atrações infantis da Record: uma homenagem ao Arrelia, um trecho do "Agente G" e a estreia de "Eliana & Alegria". Agradecimentos: primeboxbrazil.tv.br, musicasinfantis80.xpg.com.br, Rubens Faria Gonçalves, z80s e Blog Eliana & Diego.








quinta-feira, 27 de junho de 2013

ESPECIAL RECORD 60 - NOTÍCIAS E BATE BOLA DO 7

Adriana Araújo e Celso Freitas na bancada do "JR"
Nos últimos dias, jornalismo e esporte nunca estiveram tão em evidência na TV. E esses dois pilares de uma programação de TV estão presentes também na história da TV Record, que completa 60 anos em setembro deste ano.

Desde sua inauguração, em 1953, a informação sempre teve espaço garantido no canal 7. A base principal de sua grade sempre foram os noticiosos, que com o passar dos anos ganharam cada vez mais espaço. Um dos primeiros telejornais foi o "Mappin Movietone", que tinha apenas um locutor lendo as notícias diante de uma câmera de TV. Como a maioria dos programas da época, era comum as atrações serem totalmente produzidas por algumas agências de propaganda. Por isso este jornal levava o nome da grande loja de departamentos de São Paulo, na época.

A emissora também contou com a ilustre presença do "Repórter Esso" nos anos 1960. Mas, rendendo-se ao formato vitorioso do "Jornal Nacional" na Globo, nasceu o "Jornal da REI", a Rede de Emissoras Independentes. A cadeia era liderada pela Record e, mais tarde, pela TVS-Rio. O noticiário não durou muito, e foi substituído pelo "Jornal da Record"(1972), que está no ar até hoje, como o carro-chefe do jornalismo da emissora.

Grandes jornalistas passaram pela casa: Ferreira Netto, Maria Lydia Flandoli, Carlos Bianchini, Adriana de Castro, Carlos Oliveira, Chico Pinheiro, Sílvia Poppovic, Celso Ming, Paulo Markun e Ricardo Carvalho. Para atrair anunciantes e trazer mais credibilidade, Boris Casoy também fez parte do time.

O povo na TV

Ney Gonçalves Dias ficou no "Cidade Alerta" de 1995 a 1997
Mas o forte da emissora é chamado jornalismo popular. "Cidade Alerta" sempre mostrou a violência das ruas e as necessidades do povo. O informativo estreou com Ney Gonçalves Dias em 1995, e por lá já passaram João Leite Netto, Gilberto Barros, José Luis Datena, Oscar Roberto Goddoy, Milton Neves, Reinaldo Gottino e Marcelo Rezende.

O jornalismo local esteve presente na Record através do "Informe Praça", do início dos anos 1990, "Praça no Ar"(2001) e "Praça Record"(2006), nos anos 2000. Hoje o grande sucesso local da casa é o "Balanço Geral"(2007), que possui sua edição municipal em cada cidade onde há uma afiliada da rede.

As grandes reportagens também ganharam espaço quando Edir Macedo assumiu o controle do canal. "Repórter Record"(1995) e "Câmera Record"(2008) foram comandados por Goulart de Andrade, Celso Freitas, Marcos Hummel, Marcelo Rezende e Roberto Cabrini. Atualmente as grandes referências do jornalismo da casa são o matinal "Fala Brasil"(1998) e "Domingo Espetacular"(2005).

O jornalismo tem uma importância tão grande no negócio da Record que, em 2007 foi lançada a Record News, o canal de notícias 24h do grupo, totalmente gratuito. Nesta emissora, é possível ver produções próprias, a reapresentação de programas da Rede Record, além de ser um braço importante na cobertura esportiva dos jogos comprados com exclusividade.

A força do esporte

Imagem do "Desafio ao Galo, torneio de futebol famoso nos
anos 1980, transmitido aos domingos pelo canal 7
Contudo, uma das marcas dos primeiros 20 anos do canal 7 foi o esporte. E não é pra menos. A emissora foi pioneira nas transmissões de futebol. A partida entre Santos e Palmeiras foi a primeira transmissão externa de um jogo, em 1955. No ano seguinte, mais uma inovação: a Record transmitiu o Grande Prêmio Brasil ao vivo, direto do Rio para São Paulo. Uma loucura, pois não existia a rede de transmissão para emissoras de televisão.

A TV do "Marechal da Vitória", como ficou conhecido o fundador Paulo Machado de Carvalho pelas campanhas do Brasil nas Copas de 1958 e 1962 era imbatível na área esportiva. Um dos primeiros programas de debate sobre futebol nasceu na Record. "Mesa Redonda" era apresentado por Geraldo José de Almeida e Raul Tabajara, no ano seguinte a inauguração. Por muitos anos, a estação conquistou altos índices de audiência exibindo as partidas dos times paulistas. Tanto que foi acusada de esvaziar os estádios, e em meados dos anos 1960 foi proibida, junto com outros canais, de transmitir os jogos.

Não tinha jeito! Assistir ao esporte bretão no conforto do seu lar virou mania nacional. Pela Record então, era quase uma obrigação. A emissora é a única que viu as cinco vitórias da seleção brasileira, em Copas do Mundo. Em 1958 na Suíça e em 1962 no Chile em filme. Já em 1970, como integrante da REI, a Record transmitiu o tricampeonato ao vivo, direto do México, num pool que reunia a também a Rede Tupi e a Rede Globo.

Já nos anos 1970, Silvio Luíz passa a integrar o time do canal 7 com os programas "De Olho no Lance"(1977) e "Clube dos Esportistas"(1982). A partir desta época, até meado dos anos 1990, as transmissões esportivas foram diminuindo. Algumas modalidades como Vôlei e Basquete ganharam destaque.

Datena, Indy e exclusividades olímpicas

Mylena Ciribelli comandou de Londres a cobertura exclusiva
da Olimpíada de 2012
A nova força do esporte surgiu em 1995, quando a emissora passou a transmitir os campeonatos paulista e carioca. Nesta época surgiu o "Com a Bola Toda", que trouxe José Luíz Datena da Band. No ano seguinte, a Record conseguiu transmitir, juntamente com Globo, SBT e Bandeirantes, os Jogos Olímpicos de Atlanta-EUA. Em 1998, numa polêmica envolvendo a compra dos direitos de transmissão, a rede ficou de fora da Copa da França.

O automobilismo não poderia faltar, já que a Fórmula Indy esteve lá em 2001, por duas temporadas. No mesmo ano, Milton Neves chegou para comandar "Debate Bola" e "Terceiro Tempo". Porém o grande salto aconteceu com a compra da exclusividade dos direitos de exibição dos Jogos Olímpicos de Inverno (Vancouver-2010), a Olimpíada de Londres (2012) e os Jogos PanAmericanos de Guadalajara (2011), sem contar que em TV aberta já está garantido pela emissora o Pan de Toronto em 2015. Desde quando a emissora de Roberto Marinho atingiu a liderança, nunca a Rede Globo deixou de exibir uma olimpíada.

Curiosidades

Murilo Antunes Alves trabalhou 63 anos na TV Record
Neste capítulo deste mês, merece destaque o jornalista que mais tempo trabalhou na Record: Murilo Antunes Alves. Formado em Direito, iniciou sua carreira ainda na Rádio Record, em 1947. Foi um dos elementos da emissora convocados para implementar a caçula da organização, o canal 7, em 1953. E nunca mais se afastou dela. Em 1973 estreou o jornal "Record em Notícias", ao lado de Hélio Ansaldo, que ficou no ar por 23 anos. Mesmo sem aparecer no vídeo, Murilo atuou na produção dos jornalísticos da estação até 2010, quando faleceu aos 91 anos.

O "Record em Notícias" era conhecido como "Jornal da Tosse", já que sempre um de seus comentaristas tossia frente às câmeras, além da idade avançada de todos os participantes.

Vamos conferir algumas imagens dos bastidores do jornalismo atual da emissora, a inauguração da Record News e a estrutura montada pela rede em Londres. Agradecimentos: historiasdopari.wordpress.com, ribeiro111, aprovacaotv, Lucas Maester e Divulgação/TV Record.









sábado, 27 de abril de 2013

ESPECIAL RECORD 60 - HUMOR PRESENTE HÁ 60 ANOS

Manoel de Nóbrega e Golias eternizaram a "Praça" no canal 7
Rir é sempre o melhor remédio, mas também é uma receita antiga na televisão brasileira. Nos 60 anos que a TV Record completa em 2013, muitos dos maiores nomes passaram pela emissora e deixaram sua marca registrada com muitas gargalhadas.

Humoristas do nível de Chico Anysio e Pagano Sobrinho já alegraram noites especiais do canal 7 paulistano. O pioneiro do stand-up brasileiro, José Vasconcellos também se apresentou nos palcos da estação. Mas alguns dos clássicos do humor televisivo nacional nasceram ou se consagraram na Record.

Enquanto hoje em dia todo mundo sai de baixo quando uma família muito unida e ouriçada aparece por aí, o público já rolou de rir, e muito, com a "Família Trapo". Com redação de Carlos Alberto de Nóbrega e Jô Soares, o humorístico tinha um elenco de feras: Otello Zeloni, Renata Fronzi, Ricardo Corte Real, Cidinha Campos, Jô Soares e Ronald Golias. O programa ia ao ar ao vivo, direto do Teatro Record, e fez tanto sucesso que várias personalidades participaram da atração. Até Pelé teve uma passagem pra lá de especial, sendo aluno de Golias.

A "Praça" não nasceu no canal 7, mas se consolidou por lá! Manoel de Nóbrega trouxe todo seu elenco e o banco mais famoso do Brasil. Entre os personagens mais famosos, estão a Velha Surda, o Homem de Itú, o Letrado, o mendigo Caro Colega, e muitos outros. Este programa também era escrito pelo atual apresentador da "Praça é Nossa" do SBT, assim como "Bronco Total", estrelado por Golias e Carlos Alberto de Nóbrega.

Dercy e Tom

Tom Cavalcanti ficou na Record de 2004 a 2011
Um programa que misturava música e humor era "Corte Rayol Show". Comandado pelo humorista Renato Corte Real e o cantor Aguinaldo Rayol, a atração era exibida às sextas-feiras, e fez muito sucesso nos dois anos em que esteve no ar. Enquanto um levava o público às lágrimas através da emoção da sua voz, o outro fazia a platéia chorar de rir.

Nem mesmo a primeira dama da comédia poderia faltar na trajetória brilhante da Record. Dercy Gonçalves fez uma paródia do clássico teatral "A Dama das Camélias" no centro da capital paulista, em 1982. Outro marco da nossa telinha que passou pela emissora da Barra Funda foi a "Escolinha do Barulho", trazendo  de volta à ativa figurinhas inesquecíveis do humor nacional.

Já que o formato de "sitcom" familiar nasceu na casa, a emissora lançou dois programas do gênero, nos anos 2000: "Família Record", que reunia todo o elenco da TV, e "Louca Família", com um grupo de atores e comediantes integrantes do "Show do Tom". Aliás, Tom Cavalcanti foi o último grande humorista a brilhar no canal. Este cearense fez muito sucesso com as paródias "Bofe de Elite" (Tropa de Elite), onde colocou o ator Alexandre Frota usando botas cor-de-rosa, "De Mais Pra Você" (Mais Você, da Globo) com Ana Maria Bela, "Ridículos" (Ídolos, da Record) e outros.

Curiosidades:

  • Jô Soares e Carlos Alberto escreviam juntos a "Família Trapo", mas separados. Após decidirem o tema central do programa, cada um ia pra sua casa e escrevia a metade exata do roteiro. Nunca houve nenhum problema;
  • A "Escolinha do Barulho" era uma produção independente, realizada em parceria com a GGP, empresa de Gugu Liberato, na época no SBT, hoje nos domingos da Record.


Após seis décadas de muitas risadas, o canal 7 paulistano tem muito o que comemorar, e gargalhar por seu sucesso. Mas ainda tem muita piada para ser contada. Por enquanto, vamos rever a participação de Pelé na "Família Trapo" e a "Dama das Camélias" de Dercy Gonçalves. Agradecimentos: 93Fr1, SpeedMerchants e TV Record.




quarta-feira, 27 de março de 2013

ESPECIAL RECORD 60 - PALMAS PARA ELES!!!

Mestre de cerimônias, Blota tem a cara da Record

Alô, Terezinhaaaa!!! A Record é coisa nossa!!! Nestes 60 anos milhares de telespectadores conheceram os auditórios da emissora. Outros milhões assistiram e se divertiram com os programas produzidos nos teatros que a estação já ocupou. Por suas telas, os melhores apresentadores e animadores já passaram e fizeram história. Mais fácil é dizer quem não começou ou não esteve na Record.

Dois nomes são muito lembrados na história do canal 7 paulistano, quando falamos de shows com plateia: Blota Jr. e Randhal Juliano. Esses profissionais já eram contratados pela Rádio Record e passaram a comandar atrações com o público admirador dos cantores e dos comunicadores. Em especial, Blota comandou "Esta Noite Se Improvisa", uma competição entre artistas que fazia muito sucesso nos anos 1960. Também apresentava a entrega do "Troféu Roquete Pinto", os festivais e o mensal "Show do dia 7".

A atriz Bibi Ferreira comandava o "Bibi Sempre aos Domingos", um grande sucesso na TV. Mas a filha do ator Procópio Ferreira precisou se ausentar. Para substitui-la, Hebe Camargo foi convidada a voltar para a telinha, após ter se casado e ter seu único filho Marcelo. Assim, em 1966, a Record lança "Hebe Sempre aos Domingos", que virou o famoso "Hebe". Suas entrevistas no sofá, uma novidade na época, renderam 80% de audiência.

O Velho Guerreiro também esteve lá. Após sair da Globo em 1971, Chacrinha passou por várias emissoras, e uma delas foi o canal 7. Seu substituto na Excelsior, Edson Cury, levou suas boletes para a Record e lançou "A Hora do Bolinha". Esse programa de calouros e números músicais foi o modelo para seu maior sucesso, o "Clube do Bolinha", na Band. Um instante, maestro! Flávio Cavalcanti, o criador do júri na TV, deixou sua marca na Record nos anos 1970.

Ana, Fausto e Silvio

Gugu na inauguração do Teatro Record no "Programa Ana Maria Braga"
Em 1977, o homem do Baú torna-se mais do que apresentador do "Programa Silvio Santos" e "Silvio Santos Diferente". Sócio de Paulo Machado de Carvalho, Silvio foi dono do canal, até 1989. O animador possuía secretamente as ações da empresa desde 1971. Neste período, era possível ver seus programas transmitidos pela Tupi, e depois pelo SBT, além da Record em São Paulo.

Mas este não foi o único membro da atual guerra dos domingos que esteve na emissora da Barra Funda. Fausto Silva, o Faustão, levou o "Perdidos na Noite" para a estação em 1984, meses após a estreia na TV Gazeta. O sucesso o encaminhou para a Rede Bandeirantes.

Cantores que apresentam não são novidade em TV. Ronnie Von comandou programas em duas oportunidades: nos anos 1960, com "O Pequeno Mundo de Ronnie Von" e "Sinal de Vida". Outra cantora que animou auditórios foi Sula Miranda, já nos anos 1990. Fábio Jr. esteve à frente de "Sem Limites Pra Sonhar" (1998), que posteriormente ganhou seu nome.

Seguindo a linha da Rainha da TV, Ana Maria Braga teve seu talk show, ou mehor, seu "big show" como dizia a chamada da época, sempre nas noites de terça-feira. Coube a apresentadora inaugurar o novo Teatro Record, na Barra Funda, em 1998. Márcio Garcia e Rodrigo Faro são dois atores que viraram apresentadores comandando "O Melhor do Brasil", programa das tardes de sábado que substituiu uma quase "prata da casa".

Pegue seu banquinho...e ligue na Record!

Raul Gil no comando de "Tamanho Família"
Raul Gil possui aproximadamente 50 anos de carreira na TV. Alguns deles na Record. Foram várias passagens ao longo desse período. A importância de Raul na emissora era tamanha, que seu programa foi escolhido para ser o primeiro exibido em cores pelo canal 7.

A mais importante contratação nesta área da Record sem dúvida foi Gugu Liberato, em 2009. Após 28 anos de SBT, e 35 anos ao lado ex-dono do canal 7, Gugu foi apontado como o sucessor natural de Silvio Santos. Sua chegada à nova casa foi cercada de muitos comentários na mídia especializada, e no palco, repleta de novidades tecnologicas e investimentos pesados. Tudo para brigar pelo primeiro lugar.

Muitas emoções foram vividas nos auditórios da Record. Muitos outros nomes passaram por lá, tantos que um post apenas é muito pouco, talvez até mesmo um blog. Nestes 60 anos, o canal 7 conquistou uma legião de admiradores, e frequentadores assíduos de seus programas. A emissora merece uma salva de palmas de todos os telespectadores!

Curiosidades:
  • O primeiro programa de auditório de Eliana na casa foi "Eliana no Parque", em 1998, também aos domingos;
  • Milton Neves comandou um game show com plateia, onde os participantes que errassem as perguntas caiam num buraco. "Roleta Russa" (2003) tem um formato muito parecido com o usado pelo "Quem Fica em Pé?", de José Luiz Datena na Band.
  • O programa "Ratinho Livre", que lançou Carlos Massa nacionalmente em 1997, não começou com auditório. No começo, poucas pessoas acompanhavam a atração no estúdio. O número de espectadores começou a aumentar gradativamente, até que foi necessária a mudança para um estúdio com plateia, construido para o programa;
  • Alexandre Frota comandou o juvenil "Galera", diretamente do novo Teatro Record na Barra Funda, em 1998, com Juliana Garavatti;
  • O canal 7 paulistano foi a última estação onde Otaviano Costa comandou um programa de auditório, o "Bahia 50 graus", em 2004. Antes havia comandado "Domínio Público" (2001), "Jogos de Família" (2002) e "No Vermelho" (2002);
  • O quadro "A Sua Festa é Nossa", hoje comandado por Rodrigo Faro, foi criado dentro do "É Show" (2000) com Adriane Galisteu.

A gente já conferiu rapidamente em vídeos a participação de Blota nos Festivais, ao lado de sua esposa e também apresentadora Sônia Ribeiro. Vamos agora rever esse grande comunicador conduzindo a entrega do "Troféu Roquete Pinto". Agradecimentos: CanalMemória e Divulgação/TV Record.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

ESPECIAL RECORD 60 - A MÚSICA ESTÁ NO AR

Elis e Jair em "O Fino da Bossa"
"Prepare o seu coração, para as coisas que eu vou contar". A Record deve muito dos seus 60 anos de sucesso à música popular brasileira, mas o cenário musical também deve ser muito grato ao canal 7 paulistano. Desde o seu começo em 1953, a emissora sempre valorizou e revelou cantores, cantoras e conjuntos nacionais e internacionais.

Já na sua inauguração, Sandra Amaral e Hélio Ansaldo apresentam o musical "Grandes Espetáculos União" (naquela época o patrocinador dava o nome para muitas atrrações, como o "Repórter Esso"). Os primeiros anos do canal foram marcados pelo glamour dos grandes nomes que se apresentavam pelos quatro cantos do mundo, e vinham para a Record com absoluta exclusividade: Bill Halley e seus Cometas, Sarah Vaughan, Louis Armstrong, Steve Wonder, Nat King Cole, Marlene Dietrich, Rita Pavone, Amália Rodrigues e muito mais.

A Rádio Record já possuía sob contrato grandes cantores brasileiros, e eles também garantiram seu espaço no programa "Astros do Disco", com Randal Juliano. A atração trazia também os grandes campeões de venda para cantar seus sucessos nas noites de Sábado da TV. Foi em "Astros do Disco" que surgiu o Troféu Chico Viola, um dos mais importantes da música, na época.

Os anos 1960 foram dourados, graças ao casamento entre a Record e a MPB. A partir de 1963, quando a novela brasileira passou a ter capítulos diários, os folhetins viraram uma febre, da qual o Brasil não se curou até hoje. Na época, Tupi e Excelsior eram as grandes produtoras do gênero. Paulo Machado de Carvalho Filho, herdeiro do fundador e diretor artístico da casa, juntamente com sua equipe de produtores, dentre eles o autor Manoel Carlos e o diretor Nilton Travesso, criou uma faixa de musicais que entrou para a história da televisão.

É uma "brasa" cantar no 7!!!

Roberto Carlos no palco do Teatro Record
A "pimentinha" Elis Regina e Jair Rodrigues comandavam "O Fino da Bossa". Os novos nomes da MPB, surgindo pela Bossa Nova, se apresentavam semanalmente no Teatro Record. Artistas como Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maysa, Vinícius de Moraes, Nara Leão, Maria Bethânia etc, marcavam presença na atração. Os saudosistas se deliciavam com os convidados dos cantores Elizete Cardoso e Ciro Monteiro em "Bossaudade". Elizete também comandou o "Sambão", onde o ritmo do morro tomava conta da telinha. Outro cantor que também ganhou programa na Record foi Wilson Simonal, que apresentava o "Show em Si...monal".

A moçada curtia carrões, brilhantina, e iê-iê-iê no programa "Jovem Guarda". Roberto Carlos, Erasmo Carlos (o "tremendão) e Wanderlea (a "ternurinha") traziam todos os domingos os lançamentos que a galera ouvia no rádio. Jerry Adriani, Waldirene, Eduardo Araújo, Os Vips, Silvinha, Martinha, e muitos outros eram recebidos aos gritos pela histérica plateia juvenil. Este programa nasceu em 1965 para preencher a lacuna deixada pelo futebol à tarde, já que a emissora tinha sido proibida de transmitir os jogos para não esvaziar os estádios. A atração foi tão forte que o movimento ganhou o nome de Jovem Guarda.

Não dá pra falar em MPB na TV sem ao menos citar os Festivais da Música Popular Brasileira. Até hoje, os melhores foram produzidos pelo canal 7 paulistano. De 1966 a 1969 o cenário musical nacional foi transformado, e nunca mais foi o mesmo. Grandes nomes e inesquecíveis canções nasceram naqueles teatros e são referência para novos talentos até hoje. De Hebe Camargo a Tom Zé, de Agnaldo Rayol a Chico Buarque, de Elis Regina a Roberto Carlos, todos os "mosntros sagrados" passaram por aqueles palcos.

"'Caba' não, mundão!!!"

Marcelo Costa recebe Wanderlea no "Especial Sertanejo"
Os comunicadores populares, que ganharam fama trazendo cantores em seus programas, também tiveram espaço na Record. Chacrinha e Bolinha, com seus inigualáveis estilos, também deram suas contribuições a essa história.

O sertanejo também não foi esquecido pela emissora. Inezita Barroso foi a primeira mulher a ter um programa solo no canal 7, trazendo seus convidados que cantavam o que havia de melhor na chamada "música raíz". Com a evolução do gênero, outros apresentadores surgem como Geraldo Meireles e, mais tarde, o cantor Marcelo Costa com seu "Especial Sertanejo". Renato Barbosa apresentou a parada de sucessos "Quem Sabe... Sábado" e também produziu "Amigos & Sucessos", onde um artista apresentava os maiores êxitos de sua carreira, recebia convidados, e ganhava uma homenagem de amigos e familiares.

Nos últimos dez anos, a televisão deixou um pouco de lado o gênero puro deste tipo de atração. Os cantores Chitãozinho & Xororó foram os últimos a apresentar na emissora um programa neste estilo, o "Raízes do Campo". Mas a história da Record mostra que, se bem produzido, uma musical pode valer muito mais do que mil imagens. No mês que vem, falamos sobre os programas de auditório.

Pra matar a saudade, vamos ver a apresentação de "Disparada", com Jair Rodrigues, e "A Banda", de Chico Buarque, as finalistas do festival de 1966. Diante do impasse, os jurados decidiram que as duas músicas eram as vencedoras daquele ano, um empate que nunca mais se repetiu na história. Agradecimentos: Bruno Kampel, naramaielis e TV Record.






domingo, 27 de janeiro de 2013

ESPECIAL RECORD 60 - OS SÍMBOLOS DE UMA HISTÓRIA

Logotipo da emissora em 2012
Este é um ano muito importante para a televisão brasileira. A TV Record, a mais antiga emissora em atividade, completa 60 anos de inauguração. Para celebrar a data, o blog Loucura por TeVer vai relembrar momentos marcantes do canal 7 paulistano, sempre no dia 27 de cada mês, até o dia do aniversário, em setembro.

Como toda empresa, todo produto, e até mesmo todas as pessoas, o visual de uma emissora deve acompanhar as tendências de moda, além de transmitir a sua mensagem para o público. Uma das maneiras de se alcançar isto é através de seu logotipo, ou símbolo como muitos preferem chamar. E a Record teve vários


1953
O primeiro deles é de 1953, ano da fundação. Era simplesmente uma rosa dos ventos, ao fundo da sigla TV, e com o nome da emissora abaixo. Há uma outra versão deste logotipo, mas com o número 7 embaixo, sem a palavra RECORD. Vale lembrar que naquela época, as estações de televisão eram mais conhecidas pelos telespectadores pelos números de seus canais do que por seus "nomes de batismo". Em 1960, comemorando 7 anos, seus diretores lançaram um logo comemorativo. De certa forma, isso é uma tradição da Record, já que outros logos especiais foram criados ao longo de sua história.

O Logo e os loucos anos 1970

Logos de 1970 e 1971
A marca é totalmente transformada, valorizando o 7, canal da emissora na capital paulista, já em 1970. Em 1971 foi criado o conceito visual que acompanharia a Record por quase toda a década. O logo "Record 7", com o número do canal dentro da letra O, surgiu ainda em preto e branco.

1972
Um ano após, passou a ter o desenho da torre transmissora, localizada na Avenida Paulista até hoje.


1973
A televisão brasileira ganha cores em 1972, e o logo da Record também, nas letras C, O e R, em azul, vermelho e verde (nesta ordem), o famoso RGB (red-vermelho, green-verde e blue-azul) necessários para formar a imagem colorida da TV.


Símbolos de 1975 e 1976
Dois anos depois, o tigrinho, que antes era apenas um mascote da emissora, se tornou símbolo do canal. Em 1976, a marca voltou a ter a sigla TV no nome, e ganhou um "sol" estilizado.

A marca da Record aos 30 anos

1980
1985
Os anos 1980 chegam , e a Record transforma seu logo, adotando um arco íris acima do nome da emissora. No ano de 1985 o dourado predominou no novo símbolo do canal, um losângo arredondado, formado por quatro prismas.

 Nova gestão, novo símbolo

1990
A Record inicia a década de 1990 com muitas novidades. Seu logotipo não poderia ficar de fora. Três "faixas", nas cores do RGB, em volta de uma esfera azulada, representando o mundo, é o conceito de marca mais antigo da emissora, com 23 anos. O nome "Rede Record" entrou no logo nesta época, e foi usado até 2003.

1993

Desde então, os designers do canal apenas modernizam o símbolo com o passar do tempo. Em 1993 surge a versão prateada.

Uma nova Record

1995
2003
De 1995 até 2003 a cor dourada prevalece novamente na marca, quando a esfera central passa a ser o globo terrestre mesmo. O símbolo acompanhava o slogan da emissora na época: "A TV que todo mundo pode ver". Também marca o nascimento da Record Internacional.

2007
Em 2007, ano de lançamento da TV digital no Brasil, as "faixas" ganham cores mais uniformes, o globo passa a ser azul e ganha destaque apenas a América do Sul.

No ano passado aconteceu a mais recente evolução no logotipo. O lançamento foi ao ar no dia 26 de fevereiro, no programa "Domingo Espetacular". A marca se tornou redonda, mantendo o conceito criado em 1990. A estreia foi muito divulgada pela Record. Vale a pena conferir a reportagem exibida pela revista eletrônica. Fontes: Mundo iD, rederecord.com.br . Agradecimentos: TV Record.

Curiosidade:

  • O canal 7 da rede de televisão americana ABC possui um logo muito semelhante ao usado pela Record de 1971 a 1980.


sábado, 5 de janeiro de 2013

A TV DO APARTAMENTO AO LADO

Anúncio da nova emissora de 1952
Em 2012, o canal 5 de São Paulo completou 60 anos de atividade. É a sintonia a mais tempo no ar na capital paulista, uma das mais antigas do Brasil. Esta frequência abrigou duas emissoras: a TV Paulista e a TV Globo. Vamos saber um pouco mais sobre a primeira.

A segunda estação de televisão paulistana tinha sua sede no edifício Liége, na Rua da Consolação. Era a menor emissora do país, com seus estúdios montados na garagem daquele prédio. Os programas tinham que ser pensados sem grandes movimentos de câmera, por causa do espaço apertadinho. Grandes espetáculos? Nem pensar!!! Para se ter uma ideia de como eram poucos os recursos, o programa inaugural foi a telenovela "Helena", baseada na obra de Machado de Assis. No elenco, Paulo Goulart, Vera Nunes e Hélio Souto. Para economizar com o figurino de época, a trama de 1850 avançou cem anos, e foi ambientada nos anos 1950.

Os primeiros proprietários da TV Paulista eram empresários liderados por Luiz Fonseca de Souza Meirelles e Nestor Bressane Filho. Eles queriam inaugurar a TV antes da Tupi de Chateaubrind, mas problemas alfandegários no porto de Santos, e outros contratempos, atrasaram a estreia. Essas dificuldades acompanhariam o canal até 1954, quando Victor Costa assume a emissora.

O novo dono também era proprietário da Rádio Nacional de São Paulo, a maior força radiofônica da época. Montou um elenco estrelar, com Walter Forster, Álvaro Moya, Hebe Camargo, Manoel de Nóbrega, e muitos outros, além de transferir as instalações para a Rua das Palmeiras, onde a rádio já estava operando. No novo endereço, passou a contar com dois estúdios de verdade: um com palco giratório e piscina e outro com auditório.

A chegada de Roberto Marinho

Hebe em "Calouros Toddy", um de seus cinco programas no canal
Merecem destaque nesta época os programas "Hit Parade", com os maiores nomes da música brasileira, "O Mundo é das Mulheres", primeiro programa feminino da TV com a participação de Hebe Camargo,  "Praça da Alegria" criada por Manoel de Nóbrega, e "Bate Papo com Silveira Sampaio". O jornalismo estava representado com o "Mappin Movietone", com muitas notícias apenas lidas, sem imagens externas. Foi este telejornal inovou ao lançar três apresentadores para o seu noticiário. As novelas e as peças do "Teledrama" também fizeram parte da programação. Para as crianças, existia o "Circo do Arrelia" e a sessão "Zás Trás", um grande sucesso repleto de desenhos animados.

A nova década começa com as concorrentes crescendo e renovando seus equipamentos, e o falecimento de seu proprietário em 1960. A TV Paulista, ainda com dívidas, não consegue acompanhar a evolução tecnológica. Embora ainda invista em novas atrações, como "Vamos Brincar de Forca", atração na qual Silvio Santos se lançou como animador, os herdeiros de Victor Costa decidem vender a emissora para Roberto Marinho. Em 1966, o canal passou a produzir programas também para a recém inaugurada TV Globo, canal 4 do Rio de Janeiro.

Em 1968 um incêndio nos estúdios da Rua das Palmeiras destruiu a emissora, forçando a direção da Globo a buscar uma nova sede, na Praça Marechal Deodoro. Aliado a isso, o plano de montagem de uma rede de televisão sepultou a produção paulista, centralizando toda a programação no Rio. O canal 5 passou a se chamar TV Globo  - São Paulo, exibindo em rede os programas da matriz carioca e produzindo apenas telejornais locais. Isso mudou no final dos anos 1990, quando Serginho Groisman, Jô Soares e Ana Maria Braga passaram a conduzir seus programas direto dos modernos estúdios da Berrini. Os telejornais "Hoje" e "Jornal da Globo" também passaram a ser produzidos e apresentados direto da capital paulista.

Curiosidades:

  • O "Circo do Arrelia" foi o primeiro circo eletrônico da telinha;
  • Hebe comandou ao todo cinco programas semanais na TV Paulista;
  • A ideia do dominical "Programa Silvio Santos" foi de Victor Costa, que queria ocupar o horário vago com uma atrção com brincadeiras e prêmios;
  • A primeira novela da história da Globo era produzida pela TV Paulista: "Ilusões Perdidas";
  • Após 1968, o único programa produzido e transmitido pela Globo, direto da capital paulista, era o "Programa Silvio Santos". Nos anos 1980, os programas "TV Mulher" e "Balão Mágico" eram gravados nos estúdios da Marechal Deodoro;
  • Recentemente a TV Record tornou pública as investigações sobre a venda do canal 5 para Roberto Marinho. A família Ortiz Monteiro, herdeiros de um dos empresários que possuíam a TV antes de Victor Costa, queixava-se de irregularidades nos documentos de aquisição, e queriam assumir o controle da Globo-SP. Após julgamento, os Marinho foram julgados inocentes das acusações;
  • A única lembrança da TV Paulista presente na programação da Globo é a sessão de filmes "Corujão". A antiga sessão "Coruja" foi mantida na grade, e está no ar desde os anos 1960, portanto a mais antiga da TV brasileira.
  • Atualmente, o antigo prédio da TV, na Rua das Palmeiras, serve de estacionamento para os funcionários da Rádio Globo-SP, a antiga Nacional, também comprada por Marinho junto com a televisão.
Agradecimentos: horarionobre.tv.br, arquiamigos.org.br.

sábado, 1 de setembro de 2012

60 ANOS DO PRIMEIRO A DAR AS ÚLTIMAS

Gontijo Teodoro apresenta "O Seu Repórter Esso"
Este é um clássico da nossa telinha. Por muitos anos, os primeiros telejornais eram chamados de "repórter", graças à força do primeiro grande noticiário da nossa TV: "O Seu Repórter Esso". O informativo estreou em abril de 1952 na TV Tupi.

A trajetória de sucesso do programa começou no rádio, em 1935, nos Estados Unidos, e se espalhou por 15 países. Em 1941 o Brasil passa a produzir a sua versão do radiojornal, através da antológica Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Era a principal fonte de informação dos brasileiros durante a Segunda Guerra Mundial, além de testemunhar a queda do Nazismo alemão e do Estado Novo de Vargas, aqui no Brasil. Com esse currículo, o "Repórter" não poderia ficar de fora do novo meio de comunicação, então com apenas dois anos de vida.

Como o público do rádio migrou para a televisão, o sucesso do jornal também o acompanhou na Tupi. Embora as emissoras de Assis Chateaubriand fossem "Associadas", elas não transmitiam em rede nacional. Cada estação tinha o seu "Repórter Esso": Kalil Filho em São Paulo, Luiz Jatobá e Gontijo Teodoro no Rio, Luiz Cordeiro em BH, Helmar Hugo em Porto Alegre e Edson Almeida em Recife.

Toda a pauta era elaborada e escrita pela McCann-Erickson, a agência de publicidade que produzia o jornal. As notícias vinham da UPA (United Press Associations) e da Agência Nacional. Cabia à emissora apenas providenciar o estúdio e o locutor. O patrocínio exclusivo da atração era da Standard Oil Company of Brazil, a dona dos postos Esso.

Não deu no Esso, não é verdade

Um dos slogans, que eram seguidos à risca, era: "o primeiro a dar as últimas". Sua contribuição para o rádio e a televisão existe até hoje. A estrutura de texto importada pelo noticiário, seguindo o modelo norte americano, ainda pode ser vista em qualquer telejornal atualmente: simplicidade, notícias curtas e objetividade. O programa aboliu de suas matérias qualquer tipo de adjetivo, muito comum na época, e padronizou um modelo de escrita ideal para o ouvinte e o telespectador.

A "Testemunha ocular da história", outro lema do jornal, noticiou fatos importantes, como o suicídio do presidente Getúlio Vargas em 1954, a morte da cantora Carmem Miranda em 1955, as várias revoluções pelo planeta nos anos 1960, inclusive com o assassinato de um de seus maiores ícones, Che Guevara, em 1967. A credibilidade era tão grande que a população só acreditava na veracidade de uma notícia se ela tivesse sido dada pelo noticioso.

Antecessor do "Jornal Nacional" da TV Globo, o líder "Repórter Esso" foi duramente cesurado pelos militares, a partir do golpe de 1964. Daí em diante era comum ver reportagens sobre desfiles de moda, garotas na praia, resultados de futebol e outras trivialidades, no lugar das matérias sobre política nacional, internacional ou qualquer tema que fosse considerado subversivo pelos censores. Com a cobertura retaliada, o jornal perdeu audiência, e saiu do ar em 31 de dezembro de 1970. Nesta época o informativo era exibido pela Tupi e pela Record. Sua versão radiofônica encerrou suas atividades no último dia do ano de 1968, também pela pressão da censura federal.

Curiosidade: em quase 20 anos de apresentação, o telejornal sempre foi ao ar às 19:45h. Nos seus intervalos, o comercial das alegres gotinhas da Esso animavam a telinha. Com o surgimento do Video Tape (VT) em 1960 por aqui, só estariam acessíveis em acervo os últimos 10 anos do jornal... em tese. Como não existia a filosofia da preservação dos programas gravados, especialmente os jornalísticos, além da falta de grana das emissoras, suas fitas eram reaproveitadas para outras produções. Sem contar a destruição deste material devido aos incêndios que atingiram algumas instalações televisivas.

Rever um mestre em ação é sempre bom! Então confira a clássica abertura, alguns trecho de uma das últimas edições de 1970, exibida pela TV Tupi-Rio, e o comercial das gotinhas da Esso. Agradecimentos: ksommer90, 8desetembro, dvddatv, Arquivos1000 e integracaobrasil.blogspot.com.










sábado, 18 de setembro de 2010

UMA "SEX" COM TUDO A VER!

Eu a conheço praticamente desde que nasci. Ela tinha 33 anos então, mas era linda, me fascinou desde o primeiro encontro. Apesar de passado tanto tempo, continua muito bonita.

Foram muitos momentos incríveis que passamos juntos. Quantos domingos no parque! Eram tardes bem gostosas. Viagens a bordo de naves, trenzinhos e balões que não saem da memória. Fomos ao circo diversas vezes. As palhaçadas, as trapalhadas corriam soltas. A ordem era sempre rir. Conheci castelos onde a senha era a alegria e a educação divertida. Eram xous diários, mas que aconteciam também nos fins de semana, tornando sábados e domingos animados.


Ela acompanhou minha adolescência, meus anos incríveis, minhas confissões. Eram tantos programas livres que curtíamos juntos. A galera que não dispensa azaração, milk shake, malhação também estava junta até altas horas. Na hora H estava todo mundo lá.


Assisti muitos esportes com ela. Futebol, Vôlei, Fórmula 1, e vários outros. Sempre me deixou de olho no lance. Esporte é algo espetacular. Não há sensação melhor do que bola na rede, o gol, o grande momento do seu time, ou o apito final que decreta a vitória.


Mas ela sempre me mantém informada, sobre tudo o que acontece no Brasil e no mundo. A notícia nos une a milhões de brasileiros aqui e agora. Vimos coisas ótimas e péssimas. Fatos que nos dão vergonha e orgulho. Somos testemunhas oculares da história. Isso é fantástico para mim.


Vivemos muitos dramas juntos. Conhecemos um monte de Helenas que, coincidentemente, moravam no Leblon. Tinha uma viúva que foi sem nunca ter sido, um prefeito que se elegeu prometendo a construção de um cemitério, mutantes com poderes incríveis, as gêmeas que moravam numa praia e pensavam de forma tão diferente. Foram muitos Ti-ti-tis, brasileiras e brasileiros, rainhas de sucata, pantanais, donos e fins de mundo que nos fizeram imigrantes em universos de pura emoção.


Por ela, as mulheres conquistaram seu espaço, fizeram o melhor da tarde em cozinhas maravilhosas. Porém o “sexo frágil” de hoje é muito mais ligado ao que acontece no mundo que o cerca. Ela e eu estamos muito grudados. Não consigo me afastar dela. O que sentimos um pelo outro continua vivo. Até hoje ela me diz “sou muito mais você”.


Esse amor também se deve às pessoas que conheci por ela. O dono sorridente de um Baú, uma loira gracinha, um palhaço que se comunicava e não se trumbicava, aquela dona que curtia uma marvada pinga, um homem que gosta de banquinhos e chapéus, um senhor que quebrava discos, e muitos outros que lotam um auditório fácil. Um não, vários.


Nós conhecemos uma praça engraçada. Era uma zorra sempre que chegávamos lá. Parecia que as pessoas estavam em pânico, em um prédio de quinta categoria, que balançava mas não caía. Porém estavam apenas rindo e fazendo rir em quinze minutos.


Quantas vozes embalaram esse relacionamento. Rainhas e reis da voz, ternurinhas e tremendões, pimentinhas e saputis, e tantos outros... Velhos tempos, belos dias.


Esse caso de amor não é exclusivo meu. Também existe com outros milhões de brasileiros.


Ela completa hoje 60 anos. Está moderna, fez plástica, está mais bonita, usa cores muito mais vivas. Quando chegou, em 1950 só usava preto e branco. Coitada, ainda foi confundida, sendo considerada uma nova modalidade de rádio. Também pudera, ninguém a conhecia. Mas depois que a compreenderam se apaixonaram.


Ela é muito criticada atualmente. O amor tem dessas coisas. Sempre se quer o melhor de um relacionamento. Mas ela é sem dúvida, junto com o futebol e o carnaval, uma grande paixão nacional. Mais do que isso, uma loucura.


Parabéns, TV brasileira. O Brasil tem Loucura por TeVer!

Veja o clip do lançamento da TV digital, em 2007, que reúne alguns dos nomes e momentos inesquecíveis dessa SEXagenária apaixonante!

Agradecimentos: koball222



TV no Brasil: 60 anos de muita história, talento, amor e loucuras.