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sábado, 5 de janeiro de 2013

A TV DO APARTAMENTO AO LADO

Anúncio da nova emissora de 1952
Em 2012, o canal 5 de São Paulo completou 60 anos de atividade. É a sintonia a mais tempo no ar na capital paulista, uma das mais antigas do Brasil. Esta frequência abrigou duas emissoras: a TV Paulista e a TV Globo. Vamos saber um pouco mais sobre a primeira.

A segunda estação de televisão paulistana tinha sua sede no edifício Liége, na Rua da Consolação. Era a menor emissora do país, com seus estúdios montados na garagem daquele prédio. Os programas tinham que ser pensados sem grandes movimentos de câmera, por causa do espaço apertadinho. Grandes espetáculos? Nem pensar!!! Para se ter uma ideia de como eram poucos os recursos, o programa inaugural foi a telenovela "Helena", baseada na obra de Machado de Assis. No elenco, Paulo Goulart, Vera Nunes e Hélio Souto. Para economizar com o figurino de época, a trama de 1850 avançou cem anos, e foi ambientada nos anos 1950.

Os primeiros proprietários da TV Paulista eram empresários liderados por Luiz Fonseca de Souza Meirelles e Nestor Bressane Filho. Eles queriam inaugurar a TV antes da Tupi de Chateaubrind, mas problemas alfandegários no porto de Santos, e outros contratempos, atrasaram a estreia. Essas dificuldades acompanhariam o canal até 1954, quando Victor Costa assume a emissora.

O novo dono também era proprietário da Rádio Nacional de São Paulo, a maior força radiofônica da época. Montou um elenco estrelar, com Walter Forster, Álvaro Moya, Hebe Camargo, Manoel de Nóbrega, e muitos outros, além de transferir as instalações para a Rua das Palmeiras, onde a rádio já estava operando. No novo endereço, passou a contar com dois estúdios de verdade: um com palco giratório e piscina e outro com auditório.

A chegada de Roberto Marinho

Hebe em "Calouros Toddy", um de seus cinco programas no canal
Merecem destaque nesta época os programas "Hit Parade", com os maiores nomes da música brasileira, "O Mundo é das Mulheres", primeiro programa feminino da TV com a participação de Hebe Camargo,  "Praça da Alegria" criada por Manoel de Nóbrega, e "Bate Papo com Silveira Sampaio". O jornalismo estava representado com o "Mappin Movietone", com muitas notícias apenas lidas, sem imagens externas. Foi este telejornal inovou ao lançar três apresentadores para o seu noticiário. As novelas e as peças do "Teledrama" também fizeram parte da programação. Para as crianças, existia o "Circo do Arrelia" e a sessão "Zás Trás", um grande sucesso repleto de desenhos animados.

A nova década começa com as concorrentes crescendo e renovando seus equipamentos, e o falecimento de seu proprietário em 1960. A TV Paulista, ainda com dívidas, não consegue acompanhar a evolução tecnológica. Embora ainda invista em novas atrações, como "Vamos Brincar de Forca", atração na qual Silvio Santos se lançou como animador, os herdeiros de Victor Costa decidem vender a emissora para Roberto Marinho. Em 1966, o canal passou a produzir programas também para a recém inaugurada TV Globo, canal 4 do Rio de Janeiro.

Em 1968 um incêndio nos estúdios da Rua das Palmeiras destruiu a emissora, forçando a direção da Globo a buscar uma nova sede, na Praça Marechal Deodoro. Aliado a isso, o plano de montagem de uma rede de televisão sepultou a produção paulista, centralizando toda a programação no Rio. O canal 5 passou a se chamar TV Globo  - São Paulo, exibindo em rede os programas da matriz carioca e produzindo apenas telejornais locais. Isso mudou no final dos anos 1990, quando Serginho Groisman, Jô Soares e Ana Maria Braga passaram a conduzir seus programas direto dos modernos estúdios da Berrini. Os telejornais "Hoje" e "Jornal da Globo" também passaram a ser produzidos e apresentados direto da capital paulista.

Curiosidades:

  • O "Circo do Arrelia" foi o primeiro circo eletrônico da telinha;
  • Hebe comandou ao todo cinco programas semanais na TV Paulista;
  • A ideia do dominical "Programa Silvio Santos" foi de Victor Costa, que queria ocupar o horário vago com uma atrção com brincadeiras e prêmios;
  • A primeira novela da história da Globo era produzida pela TV Paulista: "Ilusões Perdidas";
  • Após 1968, o único programa produzido e transmitido pela Globo, direto da capital paulista, era o "Programa Silvio Santos". Nos anos 1980, os programas "TV Mulher" e "Balão Mágico" eram gravados nos estúdios da Marechal Deodoro;
  • Recentemente a TV Record tornou pública as investigações sobre a venda do canal 5 para Roberto Marinho. A família Ortiz Monteiro, herdeiros de um dos empresários que possuíam a TV antes de Victor Costa, queixava-se de irregularidades nos documentos de aquisição, e queriam assumir o controle da Globo-SP. Após julgamento, os Marinho foram julgados inocentes das acusações;
  • A única lembrança da TV Paulista presente na programação da Globo é a sessão de filmes "Corujão". A antiga sessão "Coruja" foi mantida na grade, e está no ar desde os anos 1960, portanto a mais antiga da TV brasileira.
  • Atualmente, o antigo prédio da TV, na Rua das Palmeiras, serve de estacionamento para os funcionários da Rádio Globo-SP, a antiga Nacional, também comprada por Marinho junto com a televisão.
Agradecimentos: horarionobre.tv.br, arquiamigos.org.br.

domingo, 25 de abril de 2010

Esses loucos da TV...


Este homem foi um magnata da televisão. Nascido em 1904, viu seu pai, Irineu Marinho, inaugurar o jornal O Globo quando tinha apenas 20 anos de idade. Depois de 21 dias de lançado, o jornal perde seu fundador. Roberto Marinho, o mais velho dos cinco filhos de Irineu, foi pressionado a assumir imediatamente a empresa. Ele não foi louco, e quis primeiro aprender como se faz jornalismo, e fez de O Globo o mais importante jornal do país.

Marinho era visionário, e resolveu ampliar a rede de comunicações, inaugurando a Rádio Globo, em 1944. Em 1965 lança a TV Globo, canal 4 do Rio de Janeiro. É aí que começa um império de mídia que, no dia 26 de abril completa 45 anos. As Organizações Globo só cresceram desde então. O poder de Roberto Marinho também se tornou gigante. Certa vez, Tancredo Neves disse que enfrentaria qualquer pessoa neste país, menos o dono da Globo!

A parte política da trajetória do fundador da TV Globo, apesar de inseparável, não é o foco principal deste artigo. Três aspectos são importantes para se compreender como Roberto Marinho conquistou seu conglomerado, e principalmente como a Rede Globo nasceu e se tornou a líder na preferência do público.

Quando a Globo nasceu, o único que poderia rivalizar com seu proprietário era outro magnata das comunicações, Assis Chateubriand, dono dos Diários e Emissoras Associadas. O poder de influência de Chatô era grandioso. Tanto que ele impediu, num primeiro momento, que o governo desse uma emissora de TV para o dono da Rádio Nacional, Victor Costa, no Rio de Janeiro. A Nacional era líder de audiência, com seus programas de auditório, e o dono da TV Tupi sabia que o elenco famoso da rádio concorrente jogaria seu canal na lama. Tudo isso aconteceu antes de 1958, quando Chateubriand foi acometido por uma trombose, que o deixou paralítico por dez anos, até sua morte. Suas empresas ficaram nas mãos de funcionários de sua confiança que não se entediam muito bem na hora de administrar os negócios. Como diz o ditado, "rei morto, rei posto". Com o declínio da Tupi, surgiu espaço para aparecer uma nova líder. Ganhou a mais rápida, a Globo.

Outro fator importante foi a profissionalização da TV Globo. Todas as outras emissoras eram comandadas por famílias, dentro e fora da telinha. O jornalista confiou a direção da TV para Walter Clark, o arquiteto da hegemonia global, e José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, pai do diretor Boninho. A idéia de televisão em rede, que não existia no Brasil, já estava na cabeça de Marinho, que soube transmitir para quem tinha (e tem até hoje, no caso de Boni) talento e capacidade para executá-la da melhor forma possível. O resultado é o que se vê hoje no ar.

Mas o ítem principal, que é uma loucura, foi a determinação do jornalista. A TV foi inaugurada quando Marinho tinha 60 anos de idade. Quem se aventura a empreender um negócio novo, muito moderno para época, que desconhecia seu funcionamento, em plena terceira idade? Ele se aventurou, e se tornou proprietário da 4º maior emissora de televisão do mundo, uma referência no assunto.

Roberto Marinho faleceu em 2003, aos 98 anos. Figura polêmica, especialmente nas discussões sobre o poder da mídia na sociedade e na história brasileira, imprimiu uma importante marca na trajetória da TV. Só foi o dono da Globo, e isso basta. Mas também demonstrou que é possível empreender independente da idade. Mais do que um louco por TV, Roberto Marinho era louco pela comunicação e tudo o que a envolve.

Através de seu fundador, o Loucura comemora os 45 anos da Rede Globo de Televisão. Parabéns Plim Plim!!! Agradecimentos: TV Globo.