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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O QUARENTÃO DA BARRA FUNDA

Celso Freitas e Ana Paula Padrão na bancada do "JR"
O "Jornal da Record" sempre foi a maior referência jornalística no canal 7 paulistano. Porém o que poucos sabem é que o informativo está no ar há 40 anos. É o programa mais antigo transmitido pela TV Record.

A estreia aconteceu em 1972. A emissora era a líder da REI - Rede de Emissoras Independentes, que apresentava o "Jornal da REI". Este noticiário foi cancelado e o "JR" entrou no ar , sob o comando de Hélio Ansaldo. O programa era apresentado em preto e branco, e continuava a usar a estrutura das afiliadas Independentes.

Em 1976 passou a se chamar "Jornal da Noite". Nove anos depois, volta a ser exibido entre 18h e 19h, com o nome da emissora no título. A partir de 1989, com o sucesso do primeiro âncora brasileiro Boris Casoy no SBT, Carlos Nascimento assume esta função no informativo. A REI se desfaz no mesmo ano, e a Record, agora de propriedade do líder da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, precisa montar sua própria rede.

De 1990 a 1997 vários apresentadores passaram pela bancada do jornal: Maria Lydia Flandoli, Carlos Bianchini, Adriana de Castro, Carlos Oliveira e Chico Pinheiro. Outros que também estiveram lá antes foram  Sílvia Poppovic, Celso Ming, Paulo Markun e Ricardo Carvalho.

Padrão Record de Qualidade

Quando o "Jornal da Record", que construiu uma estrutura respeitável neste sete anos, precisava de uma âncora que aliasse mais credibilidade, os dirigentes do canal não tiveram dúvida. Boris Casoy trocou o SBT pelo "JR" quando o noticiário estava completando 25 anos no ar. O jornalista permaneceu lá por oito anos, acompanhado da comentarista Salette Lemos.

Visando conquistar o primeiro lugar, e assemelhar-se ao máximo na líder Globo, a direção da emissora da Barra Funda reformulou o informativo. Após a saída de Boris, contratou os ex-globais Celso Freitas e Adriana Araújo para a apresentação. Em 2009 Adriana se torna correspondente internacional, e em seu lugar na bancada vem a jornalista Ana Paula Padrão, também com passagem pela TV da família Marinho.

Hoje o "Jornal da Record", transmitido em HD, possui uma estrutura tão boa quanto o "Jornal Nacional" da TV Globo, o primeiro colocado em audiência. Porém sua linguagem e abordagem são mais populares. O telejornal segue sendo uma das principais marcas daquilo que a TV Record sempre priorizou em sua programação: o jornalismo com qualidade para a população. Parabéns ao quarentão!!!

O Jornal está quente!!!

Curiosidades: o último princípio de incêndio da calejada história com o fogo que a Record possui foi no "JR". Boris Casoy anunciou o incidente, ocorrido por um curto circuito de uma iluminação no chão do cenário, após uma reportagem e rapidamente chamou o intervalo. As chamas foram prontamente debeladas. A redação atual do jornal, que aparece ao fundo dos apresentadores, é exclusiva para a sua equipe. Os jornalistas dos demais noticiários trabalham em um outro local ao lado.

Acompanhe nos vídeos abaixo a evolução do "Jornal da Record", desde Carlos Nascimento até os dias atuais. Agradecimentos: bizuti, krebs500, adreluisdeamorim, rubensbeoriegui, Nunoleonfonseca, alxqueiroz, 001videomix, narutero152, belohorizonte2009, rederecord, cancunsa, blog48horas e Divulgação/TV Record




































sábado, 1 de setembro de 2012

60 ANOS DO PRIMEIRO A DAR AS ÚLTIMAS

Gontijo Teodoro apresenta "O Seu Repórter Esso"
Este é um clássico da nossa telinha. Por muitos anos, os primeiros telejornais eram chamados de "repórter", graças à força do primeiro grande noticiário da nossa TV: "O Seu Repórter Esso". O informativo estreou em abril de 1952 na TV Tupi.

A trajetória de sucesso do programa começou no rádio, em 1935, nos Estados Unidos, e se espalhou por 15 países. Em 1941 o Brasil passa a produzir a sua versão do radiojornal, através da antológica Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Era a principal fonte de informação dos brasileiros durante a Segunda Guerra Mundial, além de testemunhar a queda do Nazismo alemão e do Estado Novo de Vargas, aqui no Brasil. Com esse currículo, o "Repórter" não poderia ficar de fora do novo meio de comunicação, então com apenas dois anos de vida.

Como o público do rádio migrou para a televisão, o sucesso do jornal também o acompanhou na Tupi. Embora as emissoras de Assis Chateaubriand fossem "Associadas", elas não transmitiam em rede nacional. Cada estação tinha o seu "Repórter Esso": Kalil Filho em São Paulo, Luiz Jatobá e Gontijo Teodoro no Rio, Luiz Cordeiro em BH, Helmar Hugo em Porto Alegre e Edson Almeida em Recife.

Toda a pauta era elaborada e escrita pela McCann-Erickson, a agência de publicidade que produzia o jornal. As notícias vinham da UPA (United Press Associations) e da Agência Nacional. Cabia à emissora apenas providenciar o estúdio e o locutor. O patrocínio exclusivo da atração era da Standard Oil Company of Brazil, a dona dos postos Esso.

Não deu no Esso, não é verdade

Um dos slogans, que eram seguidos à risca, era: "o primeiro a dar as últimas". Sua contribuição para o rádio e a televisão existe até hoje. A estrutura de texto importada pelo noticiário, seguindo o modelo norte americano, ainda pode ser vista em qualquer telejornal atualmente: simplicidade, notícias curtas e objetividade. O programa aboliu de suas matérias qualquer tipo de adjetivo, muito comum na época, e padronizou um modelo de escrita ideal para o ouvinte e o telespectador.

A "Testemunha ocular da história", outro lema do jornal, noticiou fatos importantes, como o suicídio do presidente Getúlio Vargas em 1954, a morte da cantora Carmem Miranda em 1955, as várias revoluções pelo planeta nos anos 1960, inclusive com o assassinato de um de seus maiores ícones, Che Guevara, em 1967. A credibilidade era tão grande que a população só acreditava na veracidade de uma notícia se ela tivesse sido dada pelo noticioso.

Antecessor do "Jornal Nacional" da TV Globo, o líder "Repórter Esso" foi duramente cesurado pelos militares, a partir do golpe de 1964. Daí em diante era comum ver reportagens sobre desfiles de moda, garotas na praia, resultados de futebol e outras trivialidades, no lugar das matérias sobre política nacional, internacional ou qualquer tema que fosse considerado subversivo pelos censores. Com a cobertura retaliada, o jornal perdeu audiência, e saiu do ar em 31 de dezembro de 1970. Nesta época o informativo era exibido pela Tupi e pela Record. Sua versão radiofônica encerrou suas atividades no último dia do ano de 1968, também pela pressão da censura federal.

Curiosidade: em quase 20 anos de apresentação, o telejornal sempre foi ao ar às 19:45h. Nos seus intervalos, o comercial das alegres gotinhas da Esso animavam a telinha. Com o surgimento do Video Tape (VT) em 1960 por aqui, só estariam acessíveis em acervo os últimos 10 anos do jornal... em tese. Como não existia a filosofia da preservação dos programas gravados, especialmente os jornalísticos, além da falta de grana das emissoras, suas fitas eram reaproveitadas para outras produções. Sem contar a destruição deste material devido aos incêndios que atingiram algumas instalações televisivas.

Rever um mestre em ação é sempre bom! Então confira a clássica abertura, alguns trecho de uma das últimas edições de 1970, exibida pela TV Tupi-Rio, e o comercial das gotinhas da Esso. Agradecimentos: ksommer90, 8desetembro, dvddatv, Arquivos1000 e integracaobrasil.blogspot.com.










sábado, 12 de fevereiro de 2011

UMA GRIFE INESQUECÍVEL


Como profissional da notícia, tenho verdadeira paixão pelo bom jornalismo. Portanto, como amante de televisão, me deleito pelo bom telejornalismo. Nesta semana me lembrei de um produto que certamente ficou na história da informação eletrônica do Brasil, pela sua competência, profissionalismo e ousadia: o "Jornal da Manchete".

Adolpho Bloch, segundo sua viúva D. Anna Bentes Bloch, não queria ter uma emissora de televisão, mas quando quis, convencido por seus sobrinhos, em especial Pedro Jack Kapeller, Bloch fez o que pôde para a emissora ser qualificada. Uma de suas exigências foi que o jornalismo fosse a grande estrela da nova emissora, já que nascia da revista Manchete, importante semanário nacional. Assim, em 1983, o "Jornal da Manchete" estreou no dia seguinte à inauguração da emissora: 6 de junho.

No início, o noticiário tinha incríveis três horas de duração! Nenhuma emissora dedicava tanto espaço para o telejornalismo. Seu maior e principal concorrente, o "Jornal Nacional" da TV Globo, durava no máximo 30 minutos. Posteriormente, esse tempo foi distribuido ao longo da programação. Foi aí que surgiram o "Edição da Tarde" e o "Jornal da Manchete - Segunda Edição". Mesmo assim, os três telejornais tinham o maior tempo de grade dentre todos os seus concorrentes nacionais: uma hora de pura informação para cada um, com qualidade e credibilidade.

Grandes nomes do jornalismo brasileiro passaram por ali como Márcia Peltier, Eliakim Araújo, Leila Cordeiro, Florestan Fernandes Jr, Augusto Xavier, e como comentaristas Alexandre Garcia e Carlos Chagas, além de vários outros. O destaque da linha editorial eram as coberturas política e econômica.

Outros detalhes que marcaram o produto foram os cenários (foi o primeiro a usar uma redação ao fundo) e a trilha de abertura, Video Game, composta pelo conjunto Roupa Nova, o mesmo que criou o tema de abertura da programação da TV Manchete.

"Jornal da Manchete" ficou no ar até 8 de maio de 1999, quando foi substituido pelo "Primeira Edição", o primeiro noticiário do canal na fase transitória para a RedeTV! Esse informativo inclusive absorveu tudo do antigo telejornal da extinta emissora, até os apresentadores. A valorização que hoje existe ao jornalismo em muito deve ser creditado a esse grande trabalho que marcou época na TV Brasileira. Uma verdadeira grife jornalística.

Assista alguns vídeos e comprove como muitas "inovações" que vemos em alguns jornais, já existiam no "Jornal da Manchete".


Agradecimentos: redemanchete.net, andreluisdeamorim, hpereira2004, carlosYOU, sfl662006




Aberturas do Jornal da Manchete


Eliakim Araújo e Leila Cordeiro na bancada


Márcia Peltier apresenta o Jornal da Manchete


Claudia Barthel revezou a apresentação do jornal com Augusto Xavier, na sua fase final





domingo, 11 de julho de 2010

O PRIMEIRO TELEJORNAL DO SBT



Todo mundo sabe que o jornalismo nunca foi o forte do SBT, embora o primeiro gênero a ir ao ar na emissora foi a reportagem que cobria a cerimônia de concessão da própria televisão, em 19 de agosto de 1981, em Brasília. Para se ter uma idéia do heroísmo dos jornalistas e técnicos, naquele dia o único retorno da qualidade da transmissão era um telefone na portaria do Ministério das Comunicações.

Antes disso, a TVS, primeira emissora de Silvio Santos, já tinha um "telejornal", feito com notícias sem atualidade. Funcionava assim: a produção lia principalmente revistas para buscar assuntos que, na linguagem jornalística eram "frios" e poderiam ser exibidos em qualquer dia que não faria diferença. O curioso desse informativo que estreou no canal 11 do Rio em 1977 é que ele era gravado em São Paulo, onde ficavam os estúdios do animador, e reprisado de segunda à sábado! Para ilustrar as reportagens, eram exibidas fotografias recortadas das prórpias revistas!

Já com a sua rede, o dono do Baú resolveu revolucionar! Lançou o primeiro telejornal matutino em rede nacional, às 7:30 da manhã, o Noticentro. O nome é uma tradução literal do seu modelo americano (News Center). O jornal adotou uma apresentação mais descontraída, os apresentadores conversavam entre si, se despediam do publico de mãos dadas e assim saíam, na penumbra, enquanto rolavam os créditos finais. Quem apresentava eram os jornalistas Gilberto Ribeiro, Antônio Casale, Lívio Carneiro e Jorge Helal, todos vindos da extinta TV Tupi. Uma das repórteres dessa época continua no SBT até hoje. É Magdalena Bonfiglioli, que hoje está no Programa do Ratinho. Outra figura conhecida do grande público era Felisberto Duarte, o Feliz, o famoso homem do tempo. O jornal conquistou o público.

O Noticentro saiu das manhãs em 25 de fevereiro de 1982 e ganhou o horário nobre, das 18 às 19h. Apesar de ser o principal telejornal da casa, a filosofia do jornal seguia a filosofia do SBT, com uma programação popularesca. Apesar de diferente, nunca o noticiário conseguiu ser uma opção real ao seu maior concorrente, o Jornal Nacional na Globo. A estrutura que a emissora dispunha era muito menor do que a da concorrente. E tinha um outro detalhe: durante sua existência, o Noticentro conviveu com a dívida que a emissora possuía desde quando foi inaugurada. Silvio Santos só se livrou dessa dor de cabeça em 1992, quando a empresa passou a gerar resultados financeiros positivos.

O primeiro telejornal do SBT ficou no ar até 1988, quando estreou o TJ Brasil, com Boris Casoy, para elevar o nível de qualidade da programação. Por ter exatamente 29 anos, é muito difícil encontrar material do Noticentro no YouTube. O que encontrei foi essa reportagem da época em que Silvio Santos queria ser candidato a prefeito da capital paulista, e havia recebido a visita do empresário Antônio Emírio de Moraes.

Agradecimento: AndreiaM30 e marioluciodefreitas
Fonte: A Fantástica História de Silvio Santos, Arlindo Silva (Ed. do Brasil, 2000)


Noticentro: Silvio Santos e Antônio Ermírio de Moraes (Parte 1)


Noticentro: Silvio Santos e Antônio Ermírio de Moraes (Parte 2)