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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

CRÍTICA - O "SHOW DA VIDA" DEVE RECOMEÇAR AOS 40

Isadora Ribeiro na famosa abertura do "Fantástico" de 1987
No último dia 5 de agosto o "Fantástico" completou quatro décadas no ar, pela Rede Globo de Televisão. Quando nasceu, em 1973, era uma novidade, um formato novo, nunca antes visto em nossas telinhas. A ideia surgiu quando nem se cogitava em tratá-lo como "revista eletrônica".

O programa surgiu a partir do casamento das centrais Globo de produção e jornalismo. Era a primeira vez que uma atração reunia reportagens com humor e números musicais. O "Show da Vida" estreou às 20h, logo após o "Programa Silvio Santos", substituindo o lacrimoso "Só o Amor Constroi". Muitos atores importantes da emissora apresentaram a revista, assim como os locutores noticiaristas e jornalistas ficavam com as reportagens e as informações do fim de semana.

A fórmula parecia ideal para um programa de TV: reunir tudo o que o povo gosta numa embalagem moderna e sofisticada. "Fantástico" inovou em uma série de coisas: introduziu o video-clipe, além dos shows exclusivos, gravados no teatro Fênix, padronizou a grande reportagem para TV, serviu de laboratório para muitos programas e humoristas, além de trazer para o Brasil muitas produções internacionais de sucesso, como algumas séries dos canais "National Geographic" e "Discovery Channel".

Durante muitos anos o dominical não teve concorrência com outros programas semelhantes. Na maior parte das vezes, seus concorrentes eram programas de auditório, como Flávio Cavalcanti e Silvio Santos, e debates esportivos. Somente depois de dez anos de vida, surgiu uma atração que se assemelhava a ele. O "Programa de Domingo" estreou na Rede Manchete em 1983, e ficou no ar até 1998, quase apagando as luzes junto com a emissora, que fechou no ano seguinte.

Seu atual concorrente foi lançado quando o "Fantástico" atingia os 21 anos. O "Domingo Espetacular" (2004) da Record nasceu para antecipar o que seria notícia à noite na Globo. A emissora da Barra Funda por muito tempo preferiu evitar o confronto direto, mas em 2010 foi à luta, e passou a incomodar a líder. Com reportagens mais longas, investindo em temas de apelo popular como celebridades e matérias policiais, a emissora de Edir Macedo consegue, a cada domingo, chamar a atenção do público, antes toda voltada para o "Show da Vida".

Há um ditado que diz que a vida começa aos 40. Pois é, o "Fantástico" precisa se renovar. Isso não é uma tarefa das mais difíceis, já que também é uma característica do programa. A urgência do momento se deve pela concorrência. Diferente do "Programa de Domingo", voltado para as classes A e B, a revista eletrônica do canal 7 paulistano conseguiu encontrar um público cativo, que garante médias acima dos dois dígitos no IBOPE. O "Domingo Espetacular" se tornou uma opção de jornalismo ao "Show da Vida". É bom deixar claro que sua liderança continua inalterada. Embora tenha sofrido com a "Casa dos Artistas"(SBT) em 2001, as quedas foram muito pontuais. Mas os índices continuam caindo ano após ano.

Neste aniversário de 40 anos, é claro que há mais para celebrar do que para lamentar. O dominical estabeleceu um padrão para as revistas eletrônicas na TV. Com ou sem bancada, com ou sem jornalistas, com ou sem música, com ou sem humor, "da idade da pedra ao homem de plástico", a atração virou uma tradição da família brasileira no final de semana. Um hábito "Fantástico".

Veja abaixo um clipe com os principais momentos do programa. Agradecimentos: LRFMaester e Extra.


quarta-feira, 3 de abril de 2013

QUARENTA ANOS DE GRANDES REPORTAGENS

Chapellin apresenta o jornalístico há 16 anos consecutivos
Mais do que um programa, o "Globo Repórter" estabeleceu um padrão para a grande reportagem em televisão. O jornalístico completa hoje 40 anos no ar. A equipe da emissora queria mais liberdade para mostrar o Brasil aos brasileiros, diferente da visão militarista de "Amaral Neto Repórter".

Com a guerra do Vietnã acontecendo, o diretor Paulo Gil e seus profissionais resolveram produzir um documentário sobre o combate, utilizando apenas imagens fornecidas pela embaixada americana. O programa foi ao ar em 3 de abril de 1973, após passar pelo crivo dos censores da época. Mesmo assim, no dia seguinte, militares foram até a TV Globo questionar o documentário, que exibia imagens dos derrotados e abatidos soldados do "Tio Sam". Quem salvou a pele dos jornalistas foi o Marechal Odílio Denys que ligou para Roberto Marinho e pedia para que repetissem a atração. O militar queria que seus netos vestibulandos assistíssem ao programa para estarem prontos para a prova.

Um dos temas mais curiosos das primeiras edições foi o Odorico Paraguaçú da vida real. Teodorico Bezerra era dono de uma fazenda em Pernambuco. A propriedade foi transformada por ele em vila e "curral eleitoral". Os moradores viviam de graça, em troca de obediência cega a Teodorico. O coronel estabeleceu regras como a proibição de bebidas, danças, cigarro, jogo e a obrigação de votar nele. As "leis" eram anunciadas por alto-falantes no alto de todos os postes da fazenda, e estavam pintadas em todas as casas do local. A censura não barrou a exibição da reportagem.

Até o seu primeiro ano, os temas abordados eram produzidos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Os documentários eram todos narrados por um único locutor. Em 1982 os repórteres e cinegrafistas, como testemunhas oculares da reportagem, passaram a conduzir as reportagens. José Hamilton Ribeiro, jornalista respeitado por todas as suas matérias realizadas na revista "Realidade", foi o primeiro a aparecer no "Globo Repórter".

Edições especiais

O jornalístico passou a contar também com a emoção do repórter diante do imprevisto. Em 1998 Rodrigo Vianna realizava uma reportagem sobre profissionais que se arriscavam em operações de salvamento. Seu cinegrafista José de Arimatéia registrava imagens de um experiente policial civil suspenso por um helicóptero, enquanto Vianna preparava seu texto para ler no ar. De repente o policial cai de uma altura equivalente a um prédio de dez andares. A câmera gravou a queda e a reação espantada do repórter. A matéria foi ao ar, sem mostrar o impacto no chão.

"Globo Repórter" viaja pelo Brasil e o mundo a fora, em busca de histórias e curiosidades inteeressantes. O jornalístico também apresentou furos, como a denúncia da ex-primeira dama do município de São Paulo Nicéa Pitta. Na entrevista concedida a Chico Pinheiro, a ex-esposa do então prefeito Celso Pitta declarou que o antigo companheiro comprou vereadores para "abafar" um processo de impeachment, além de dar vantagens para determinadas empresas em licitações públicas.

O programa nem sempre é exibido em rede nacional. Em ocasiões especiais, a Globo abre espaço para que as afiliadas apresentem edições especiais, como nos casos das comemorações dos aniversários da RPC-TV do Paraná, e da RBS-TV no Rio Grande do Sul. Embora ultimamente o jornalistico tenha dado muita ênfase a temas que envolvam saúde ou natureza, "Globo Repórter" se tornou uma referência, sendo copiado pelas emissoras concorrentes.

Curiosidades:
  • Inspirado no programa "60 Minutes", da americana CBS, o jornalístico começou seguindo o modelo de "Globo Shell Especial";
  • A primeira edição foi apresentada por Sérgio Chapellin. Outros apresentadores passaram por lá, como Eliakim Araújo e Celso Freitas;
  • "Globo Repórter" era um programa mensal, e já foi apresentado às terças e quintas-feiras;
  • "Freedom of expression", de J.B. Pickers é a canção usada como tema de abertura;
  • O programa ficou fora do ar por cinco meses em 1981, e seis meses em 1982, devido a outros eventos comprados pela Globo, como a Copa do Mundo.
Vamos rever algumas das aberturas deste programa. Fontes: Almanaque da TV Globo, Almanaque da TV, g1.com/globoreporter. Agradecimentos: Agentev12 e TV Globo.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

AS GÊMEAS DE TUPI E GLOBO

Eva Wilma, Carlos Zara e a dublê da atriz em 1973
Uma das obras primas da novelista Ivani Ribeiro terá dupla comemoração neste ano: "Mulheres de Areia". A trama estreou originalmente em 26 de março de 1973, pela Rede Tupi de Televisão. Vinte anos depois, a Globo produz um remake, com elementos da novela "O Espantalho"(TV Record, 1977), escrita pela mesma autora. O primeiro capítulo da nova versão foi ao ar em 1º de fevereiro de 1993, com Glória Pires interpretando as gêmeas Ruth e Raquel. As irmãs litorâneas foram vividas por Eva Wilma nos anos 1970.

Duas mulheres lindas, de aparência absolutamente idêntica mas de personalidades totalmente contrárias, e um só amor: o empresário Marcos Assunção (Carlos Zara na Tupi, e Guilherme Fontes na Globo). Enquanto Ruth é doce, amável, compreensiva e ama de verdade o jovem milionário, Raquel é fria, má, egoísta e é realmente apaixonada pelo dinheiro do rapaz. A ambiciosa moça enfrenta tudo e todos, inclusive sua bondosa irmã e o pai de Marcos, o prepotente Virgílio Assunção (Em 1973 Cláudio Correa e Castro e em 1993 Raul Cortez).

Guilherme Fontes e Glória Pires estrelaram versão de 1993
As gêmeas sofrem um acidente em alto mar, e Raquel é dada como morta. Ruth ocupa seu lugar para não ver jovem viúvo triste pela morte da esposa, já que acreditava que Marcos de fato gostava da vilã, e também desfrutar um pouco do seu amor. Mas a gêmea má está mais viva do que nunca, e quer vingança contra todos que estiverem no seu caminho, principalmente sua irmã, a usurpadora (calma, ainda estamos tratando de Ivani Ribeiro)!!!


"Rutinha" ganha prêmio

Marcos Frota viveu o escultor apaixonado



Merece destaque o personagem Tonho da Lua, um rapaz com deficiência mental, que tinha duas paixões na vida: esculpir mulheres na areia da praia e sua protetora Ruth, que o defendia de Raquel. Quem deu vida ao Tonho da primeira versão foi Gianfrancesco Guarnieri. O ator Marcos Frota interpretou o escultor nos anos 1990. No final da história, mesmo com as tentativas da gêmea materialista de separar sua irmã de Marcos, o casal termina junto, e a víbora morre num acidente de carro. Vaso ruim é difícil de quebrar, mas quebra!!!

Tanto Eva quanto Glória tiveram que trabalhar pelo menos 4 vezes a mais do que qualquer ator na novela. Elas viveram as gêmeas, Ruth se passando por Raquel e vice-versa! Quando as irmãs apareciam juntas, suas cenas eram sempre mais complicadas e demoradas para gravar. Em 1973, a técnica era o cartão. Com a câmera travada, tapava-se com um cartão preto metade da lente, e gravava somente um lado da cena, com apenas uma personagem. Depois cobria-se o lado contrário da lente, para captar a outra protagonista. O trabalho maior era do editor de VT para montar a cena completa. A tecnologia ajudou um pouquinho, na versão global. Glória gravava usando uma tela azul de fundo que, na edição, era substituída pela sua imagem gravada antes. É o chamado Chroma key (cor chave), técnica muito usada em TV pela previsão do tempo dos telejornais.

Curiosidades:

  • As duas artistas que protagonizaram "Mulheres de Areia" ganharam, entre outros, o Troféu Imprensa de melhor atriz. Em 1973, Regina Duarte foi eleita pela votação dos jornalista pelo papel de Cecília em "Carinhoso" (TV Globo, 1973), mas deu seu prêmio para Eva Wilma como reconhecimento pelo trabalho pioneiro na TV;
  • A trilha sonora da novela da Tupi foi um sucesso de vendas, porém os temas de alguns  personagens como Alaor e Raquel (cantado por Elis Regina) não foram incluídos no disco;
  • Infelizmente restaram poucos capítulos completos do folhetim de 1973. Dos 253 produzidos pela emissora associada, 21 se encontram na Cinemateca Brasileira;
  • A história de Ivani Ribeiro rompeu fronteiras, e foi sucesso até na Rússia! Quando chegou a  eleição de lá, para impedir que as pessoas viajassem no dia do pleito, um feriado, o governo russo programou a exibição do último capítulo da trama para o dia da votação;
  • O remake global foi reapresentado duas vezes, em 1996 e 2011.
  • Em cenas onde Ruth e Raquel contracenavam, Glória gravava primeiro como Ruth. O profissionalismo e atenção da atriz foram fundamentais para uma continuidade e edição perfeitas das cenas.
Vamos conferir a primeira abertura, cenas da primeira versão, a abertura da Globo e cenas da produção de 1993. Agradecimentos: Victor Santos, Marcio Uchôa, Elizeubonitao, e TV Globo.








quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

ODORICO: QUATRO DÉCADAS DO MAIS AMADO

O personagem mais famoso de Paulo Gracindo
Nunca o Brasil foi tão bem representado na televisão. Hoje, a estreia da novela "O Bem Amado" (TV Globo) completa 40 anos. Uma das mais lembradas obras do dramaturgo Dias Gomes.

Inspirada na peça "Odorico, o Bem Amado ou Os Mistérios do Amor e da Morte" (1962), escrita pelo mesmo novelista e censurada pelo regime militar, a trama global das 22h era ambientada na fictícia Sucupira. Esse município baiano refletia a nação brasileira que os militares queriam esconder.

O folhetim fugiu da estrutura clássica, cuja história principal é o amor impossível de um jovem casal. Seu protagonista era o prefeito da cidade do litoral da Bahia, Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo). Demagogo, populista e corrupto, o político amado pela população chegou ao poder prometendo a construção de um cemitério. Os moradores de Sucupira tinham que enterrar seus mortos no município vizinho.

Ao tomar posse e cumprir sua principal meta de campanha, começa a espera do prefeito pelo primeiro defunto que vai inaugurar a obra. Mas ninguém na cidade morre, nem mesmo um suicida famoso no local topou estrear sua cova. Para não perder a popularidade entre seus eleitores, Odorico resolve contratar o matador Zeca Diabo (Lima Duarte) para dar fim à vida de alguém. O problema é que o assassino redimiu-se, e não comete mais crimes.

Os tipos de Sucupira

As Cajazeira: solteironas e "moralistas"
Não podemos esquecer de figuras antológicas desta novela, como o puxa-saco oficial e secretário do prefeito, Dirceu Borboleta (Emiliano Queiroz), as irmãs Cajazeira Doroteia (Ida Gomes), Dulcineia (Dorinha Durval) e Judiceia (Dirce Migliaccio), o pescador Zelão das Asas (Milton Gonçalves) empenhado em construir suas próprias asas para voar, o jornalista Neco Pedreira (Carlos Eduardo Dolabella) que fazia oposição ao prefeito em seu jornal "A Trombeta", e muitos outros.

Odorico era mulherengo, e todas as noites aparecia na casa das solteironas Cajazeira para tomar um famoso "licor de Jenipapo". As irmãs, defensoras públicas da moral e dos bons costumes da cidade, não resistiam às investidas do assanhado político.

O secretário colecionador de borboletas
Mesmo em tempos de censura, Dias Gomes sempre criticou a política brasileira, e nunca deixou de falar em atualidades. Durante a exibição de "O Bem Amado", explodiu na imprensa mundial o caso Watergate, um esquema de espionagem que derrubou o então presidente dos EUA, Richard Nixon. O prefeito baiano também protagonizou caso semelhante, o "Sucupiragate". Paraguaçu foi acusado de instalar microfones ocultos no confessionário da igreja para descobrir as intimidades dos moradores da cidade. A armação foi denunciada por Dirceu Borboleta, que colhendo as confissões descobriu que Odorico era o verdadeiro pai de seu filho com Dulcineia, sua esposa.

O "inauguramento" do cemitério

O figurino de Zeca foi criado
pelo ator
O brilhantismo de Paulo Gracindo não se resume apenas a "dar corpo" ao personagem. São de sua autoria alguns dos eufemismos, neologismos e outras barbaridades gramaticais, ditas pelo prefeito falastrão: "Pra frentemente, pra trasmente", "deverasmente", "a imprensa escrita, falada e televisada", e o clássico "botando de lado os entretantos e partindo pros finalmentes".

Quem inaugura o cemitério é o próprio Odorico, já no final da trama, assassinado por Zeca Diabo. O matador descobre que foi ele o responsável por uma falsa acusação que o levou para a cadeia. "O Bem Amado", além de ser a primeira novela colorida da TV brasileira, também marca o começo da exportação de novelas para outros países. Até então, apenas os textos eram vendidos para emissoras estrangeiras. O folhetim de Dias Gomes foi exibido em quase toda a América Latina, Estados Unidos e Portugal. Foram 30 países que acompanharam o dia a dia de Sucupira.

Curiosidades:

  • Tecnologia nova para os técnicos da Globo, os profissionais enfrentaram diversos problemas com as câmeras em cores. Em certa cena, Ida Gomes teve que maquiar suas pernas muito brancas, para não "saturar" a imagem. Emiliano Queiroz não pode usar seus óculos, devido ao reflexo de suas lentes. Os cenários, figurinos e até mesmo cabelos de alguns atores, abusavam dos tons mais fortes, mas havia certo contraste com cores mais suaves;
  • As gravações externas eram realizadas em Sepetiba, zona oeste do Rio. Os atores eram levados de ônibus do Jardim Botânico, onde fica a sede da emissora, até a locação. Lá foi alugada uma casa que servia de camarim para o elenco;
  • A trilha sonora nacional da trama foi composta especialmente para a novela, por Toquinho e Vinicius de Moraes. O tema de abertura original era "Paiol de Pólvora", mas foi proibido pelos militares por causa do verso "Estamos sentados em um paiol de pólvora".
  • Comunista declarado, Dias Gomes era considerado subversivo pela ditadura da época, portanto uma "carta marcada" pela Censura Federal. A história de Odorico Paraguaçu teve 37 dos seus 178 capítulos proibidos de ir ao ar na íntegra. As palavras "coronel" e "capitão" foram cortadas. Em reportagem ao UOL, o doutor em teledramaturgia brasileira e latino-americana pela USP, Mauro Alencar, contou que o capítulo 115, por exemplo, teve 14 páginas inteiramente censuradas. Um capítulo de novela tem aproximadamente entre 22 e 32 páginas;
  • A emissora realizou um compacto da novela em 1977, para ganhar tempo, já que "Despedida de Casado", de Walter Jorge Durst, foi vetada pelos militares. Entre 1980 e 1984, "O Bem Amado" voltou à telinha da Globo como uma série. Para isso, foi necessário que Odorico ressuscitasse do descanso eterno;
  • Em 2010, Sucupira foi para a telona, com Marco Nanini na pele do inesquecível prefeito e José Wilker como o matador arrependido. No ano passado, a Globo Marcas lançou um box com 10 DVDs, contendo quase 36 horas remasterizadas da novela de 1973, além de extras com entrevistas exclusivas.
Vamos conferir uma cena de um dos famosos e inflamados discursos de Odorico, e a abertura da novela. Fontes: Memória Globo, Guia Ilustrado TV Globo e UOL. Agradecimentos: Emanunes, Lucio Enrique e TV Globo.



sábado, 27 de outubro de 2012

ALEGRIA DA VIDA É APRENDER

Sônia Braga e Garibaldo em Vila Sésamo


Imagine ensinar para as crianças as cores, através da televisão em preto e branco? Loucura? Não, realidade desenvolvida com sucesso pela produção de "Vila Sésamo". O lançamento da primeira versão completa 40 anos em 2012.

O projeto vitorioso em diversos países nasceu nos Estados Unidos, criado pela Children's Television Workshop, em 1969. Os grandes protagonistas, em todas as edições realizadas, eram os bonecos criados por Jim Henson, o "pai" dos Muppets. A versão americana tem 37 temporadas, com 4.135 episódios.

A TV Cultura e a Rede Globo tinham interesse em fazer a versão brasileira do infantil. A co-produção entre as duas emissoras nasceu para preencher faltas que ambas tinham para produzir a atração sozinhas. A Cultura não tinha grana suficiente, mas a Globo não dispunha de estúdios livres para gravar no Rio de Janeiro. Então, a emissora educativa entrou com suas dependências em São Paulo, além de uma parceria com a Xerox, e o canal de Roberto Marinho entrava com o restante do valor pelo pagamento de direitos.

Mas nem tudo foi fácil. Os diretores americanos queriam que o programa brasileiro chama-se Rua Sésamo. A ideia era fazer a tradução literal do original gringo, "Sesame Street". Cláudio Petraglia, diretor da TV Cultura, pediu para o cenógrafo Ferrara fazer umas fotos de algumas vilas no bairro paulistano do Bexiga. Petraglia achava que "Rua" não ficava bem para o Brasil. A partir das fotos e do projeto cenográfico produzido por Ferrara, o diretor defendeu que aqui, a realidade era mais comum em vilas.

Atores e bonecos na mesma vila

O infantil tinha uma produção nacional, e exibia trechos dublados do programa dos Estados Unidos. São conhecidos dos baixinhos brasileiros o sapo Caco, a dupla Ênio e Beto, e muitos outros. Em terras tupiniquins, os atores Paulo José, Flávio Migliaccio, Milton Gonçalves, Aracy Balabanian, Armando Bogus e Sônia Braga contracenavam com bonecos como o mal-humorado Gugu, o rato-elefante Funga-Funga, além da participação de crianças carentes no programa.

O Garibaldo brasileiro, vivido pelo ator Laerte Morrone, merece um destaque especial. O pássaro gigante, na versão yankee Big Bird, tinha um monitor dentro da fantasia, para o manipulador ver o que acontecia em cena. No formato brasuca, sem muita verba, Laerte passava muito calor dentro do boneco, e enxergava o mundo em sua volta por uma pequena abertura na roupa da ave. Por isso, Garibaldo era maluquinho, bem diferente de seu primo americano.

"Vila Sésamo" ensinava as letras, as cores, os números, além de transmitir noções de higiene, saúde,  convivência social e valores humanos de maneira alegre e divertida. A parceria Globo/Cultura durou até 1974, quando a emissora carioca pôde assumir sozinha a produção. Esta primeira versão ficou no ar até 04 de março de 1977. Muitos adultos, que cresceram assistindo o programa, pediam a sua volta. Foram atendidos, e em 29 de outubro de 2007, a TV Cultura traz novamente o infantil, repetindo a parceria com a produtora americana.

O pássaro azul

Até hoje a atração tem milhares de telespectadores espalhados pelo Brasil, através das emissoras educativas que exibem o programa. A fórmula continua a mesma, porém foram acrescentados elementos novos, como a linguagem da internet. Juntamente com "Cocoricó", "Vila Sésamo" é um dos campeões em licenciamento pela emissora da Fundação Padre Anchieta.

Vale a pena assistir alguns trechos do programa nas fases da Cultura, da Globo e a volta de "Vila Sésamo" nos anos 2000. Criatividade pura, em nome da educação! Curiosidade: o Garibaldo de 1972 era azul. 35 anos depois, o pássaro ganhou sua cor original, o amarelo.

Agradecimentos: Tiago43, BAUDATV, bobshuttle, RogerioAndre, davicurygomes, meubebenaweb, maxwell705, Veja e Reprodução/TV Cultura/TV Globo















quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O QUARENTÃO DA BARRA FUNDA

Celso Freitas e Ana Paula Padrão na bancada do "JR"
O "Jornal da Record" sempre foi a maior referência jornalística no canal 7 paulistano. Porém o que poucos sabem é que o informativo está no ar há 40 anos. É o programa mais antigo transmitido pela TV Record.

A estreia aconteceu em 1972. A emissora era a líder da REI - Rede de Emissoras Independentes, que apresentava o "Jornal da REI". Este noticiário foi cancelado e o "JR" entrou no ar , sob o comando de Hélio Ansaldo. O programa era apresentado em preto e branco, e continuava a usar a estrutura das afiliadas Independentes.

Em 1976 passou a se chamar "Jornal da Noite". Nove anos depois, volta a ser exibido entre 18h e 19h, com o nome da emissora no título. A partir de 1989, com o sucesso do primeiro âncora brasileiro Boris Casoy no SBT, Carlos Nascimento assume esta função no informativo. A REI se desfaz no mesmo ano, e a Record, agora de propriedade do líder da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, precisa montar sua própria rede.

De 1990 a 1997 vários apresentadores passaram pela bancada do jornal: Maria Lydia Flandoli, Carlos Bianchini, Adriana de Castro, Carlos Oliveira e Chico Pinheiro. Outros que também estiveram lá antes foram  Sílvia Poppovic, Celso Ming, Paulo Markun e Ricardo Carvalho.

Padrão Record de Qualidade

Quando o "Jornal da Record", que construiu uma estrutura respeitável neste sete anos, precisava de uma âncora que aliasse mais credibilidade, os dirigentes do canal não tiveram dúvida. Boris Casoy trocou o SBT pelo "JR" quando o noticiário estava completando 25 anos no ar. O jornalista permaneceu lá por oito anos, acompanhado da comentarista Salette Lemos.

Visando conquistar o primeiro lugar, e assemelhar-se ao máximo na líder Globo, a direção da emissora da Barra Funda reformulou o informativo. Após a saída de Boris, contratou os ex-globais Celso Freitas e Adriana Araújo para a apresentação. Em 2009 Adriana se torna correspondente internacional, e em seu lugar na bancada vem a jornalista Ana Paula Padrão, também com passagem pela TV da família Marinho.

Hoje o "Jornal da Record", transmitido em HD, possui uma estrutura tão boa quanto o "Jornal Nacional" da TV Globo, o primeiro colocado em audiência. Porém sua linguagem e abordagem são mais populares. O telejornal segue sendo uma das principais marcas daquilo que a TV Record sempre priorizou em sua programação: o jornalismo com qualidade para a população. Parabéns ao quarentão!!!

O Jornal está quente!!!

Curiosidades: o último princípio de incêndio da calejada história com o fogo que a Record possui foi no "JR". Boris Casoy anunciou o incidente, ocorrido por um curto circuito de uma iluminação no chão do cenário, após uma reportagem e rapidamente chamou o intervalo. As chamas foram prontamente debeladas. A redação atual do jornal, que aparece ao fundo dos apresentadores, é exclusiva para a sua equipe. Os jornalistas dos demais noticiários trabalham em um outro local ao lado.

Acompanhe nos vídeos abaixo a evolução do "Jornal da Record", desde Carlos Nascimento até os dias atuais. Agradecimentos: bizuti, krebs500, adreluisdeamorim, rubensbeoriegui, Nunoleonfonseca, alxqueiroz, 001videomix, narutero152, belohorizonte2009, rederecord, cancunsa, blog48horas e Divulgação/TV Record