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quinta-feira, 16 de maio de 2013

OS 25 ANOS DE VALE TUDO


Beatriz Segall como a eterna vilã
"Não me convidaram, pra esta festa pobre, que os homens armara pra me convencer". Com este verso, composto por Cazuza e com a inesquecível interpretação de Gal Costa, o país parava para assistir a mais um capítulo da novela "Vale Tudo". No dia 16 de maio de 1988 a trama de Gilberto Braga foi lançada às 20h (na verdade 20h30, 20h45, dependendo do "Jornal Nacional") para entrar para a história da teledramaturgia brasileira.

Com o país se redescobrindo, após duas décadas de regime militar, a grande pergunta da novela era se valia a pena ser honesto no Brasil. Tudo porque Maria de Fátima (Glória Pires) queria ser rica de qualquer maneira. Ela era filha de Raquel Accioli, recém-separada do marido Rubinho (Daniel Filho). As duas moram em Foz do Iguaçú-PR, na casa de Salvador (Sebastião Vasconcelos), avô paterno de Maria de Fátima, que passa o imóvel para o nome da neta, para lhe garantir o futuro. Assim que o pai de Raquel morreu, sua filha vende a residência sem consultá-la, e parte para o Rio de Janeiro, em busca de fortuna.

A ex-guia de turismo consegue duplicar sua falta de escrúpulos ao encontrar com César (Carlos Alberto Riccelli), um ex-modelo que vive como garoto de programa. O bonitão faz de Maria de Fátima uma modelo famosa, que quer casar com Afonso Roitman (Cássio Gabus Mendes), herdeiro de uma das maiores fortunas do país, que namorava com a jornalista Solange Duprat (Lídia Brondi). Afonso era filho de Odete Roitman (Beatriz Segall), dona de uma empresa de aviação, a TCA, e mantinha um caso com César. A megera entrou para o seleto clube de piores vilãs da história da TV brasileira.

Raquel não desiste da filha, e parte para a cidade maravilhosa. Lá conhece Ivan (Antônio Fagundes), e também o sucesso. Para sobreviver na capital fluminense, a mãe de Maria de Fátima resolve vender sanduíches naturais nas badaladas praias cariocas. Uma das cenas antológicas da trama é quando mãe e filha se reencontram nas areias mais famosas do país, e fingem não se conhecerem. Ao lado do novo companheiro, Fátima vira dona de uma cadeia de restaurantes, a "Paladar".

Raquel ganha o mundo

A dupla de protagonista se repetiu em 2002, em
"Desejo de Mulher" (Globo) 
Muitas tramóias e esquemas de corrupção e jogo sujo acontecem na história, até o final feliz de Raquel e Ivan, que no meio da conversa até se casou com a filha de Odete, a alcoólatra Heleninha (Renata Sorrah), por causa de mais uma arapuca criada pela empresária e a norinha Maria de Fátima.

Mas o que o país inteiro queria saber mesmo era "Quem matou Odete Roitman???" A identidade do autor dos três disparos era mais importante do que os motivos, afinal a empresária era odiada por toda a novela, e mais o país inteiro! O mistério começou no capítulo 193, no dia 24 de dezembro. A milionária foi assassinada com três tiros, e a dúvida ficou no ar até o fianl da trama. Falando assim, parece que a revelação do assassino levou un 50 dias para acontecer, mas na verdade, o público ficou sabendo que Leila (Cassia Kiss) havia cometido o crime por engano apenas 13 dias depois do ocorrido.

"Vale Tudo" conquistou o Brasil e o mundo. Foi exibida em mais de 30 países. Por aqui, o folhetim foi reapresentado em 1992, no "Vale a pena ver de novo". Esta novela foi uma das primeiras a ser adaptada para o mercado latino. "Vale Todo" foi resultado da parceria entre a Globo e a Telemundo, emissora com programação em espanhol da rede americana NBC nos Estados Unidos, em 2002. A história não repetiu o mesmo êxito da versão original.

Curiosidades:

  • Laís (Cristina Prochaska) e Cecília (Lala Deheinzelin) viveram um casal homossexual. Embora fosse 1988, e estivéssemos às portas da nova Constituição e da nova República, a velha censura deu o ar da sua graça, e retalhou vários diálogos das personagens;
  • Beatriz Segall e Glória Pires ganharam, entre outros, o Troféu Imprensa como melhor atriz de 1988. A melhor novela também ficou com "Vale Tudo";
  • A rede de restaurantes naturais de Raquel inspirou os cubanos. O sucesso da novela, exibida por lá em 1995, fez com que os patriotas de Fidel montassem estabelecimentos iguais aos da personagem, assim que o presidente de Cuba autorizou a população a abrir pequenos negócios. Esse modelo de restaurante é conhecido na ilha por "Paladar";
  • O assassinato da maior vilã da teledramaturgia nacional rendeu uma audiência de 81 pontos, com picos de 92. No último capítulo, quando o mistério seria revelado, o Brasil parou e a Globo marcou 86 com picos de 94. Até caldo de galinha fez concurso para premiar o telespectador que acertasse o nome da assassina! A média geral da novela foi de 56 pontos no IBOPE.
É bom ver que, de lá pra cá, algumas coisas melhoraram no Brasil. Já existe político quase indo pra cadeia por corrupção. Mas talvez a pergunta de Gilberto Braga, diante de certas situações, ainda é pertinente: "Vale a pena ser honesto no Brasil?" Que a sua consciência responda. Enquanto isso, vamos rever a abertura e algumas cenas deste clássico da nossa TV. Fonte: Guia Ilustrado TV Globo Novelas e Minisséries. Agradecimentos: Paula Rabello, Aurélio Araújo, cesarbrandi, gilbertobragaonline, cantinhodenotícias e Divulgação/TV Globo.











quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

AS GÊMEAS DE TUPI E GLOBO

Eva Wilma, Carlos Zara e a dublê da atriz em 1973
Uma das obras primas da novelista Ivani Ribeiro terá dupla comemoração neste ano: "Mulheres de Areia". A trama estreou originalmente em 26 de março de 1973, pela Rede Tupi de Televisão. Vinte anos depois, a Globo produz um remake, com elementos da novela "O Espantalho"(TV Record, 1977), escrita pela mesma autora. O primeiro capítulo da nova versão foi ao ar em 1º de fevereiro de 1993, com Glória Pires interpretando as gêmeas Ruth e Raquel. As irmãs litorâneas foram vividas por Eva Wilma nos anos 1970.

Duas mulheres lindas, de aparência absolutamente idêntica mas de personalidades totalmente contrárias, e um só amor: o empresário Marcos Assunção (Carlos Zara na Tupi, e Guilherme Fontes na Globo). Enquanto Ruth é doce, amável, compreensiva e ama de verdade o jovem milionário, Raquel é fria, má, egoísta e é realmente apaixonada pelo dinheiro do rapaz. A ambiciosa moça enfrenta tudo e todos, inclusive sua bondosa irmã e o pai de Marcos, o prepotente Virgílio Assunção (Em 1973 Cláudio Correa e Castro e em 1993 Raul Cortez).

Guilherme Fontes e Glória Pires estrelaram versão de 1993
As gêmeas sofrem um acidente em alto mar, e Raquel é dada como morta. Ruth ocupa seu lugar para não ver jovem viúvo triste pela morte da esposa, já que acreditava que Marcos de fato gostava da vilã, e também desfrutar um pouco do seu amor. Mas a gêmea má está mais viva do que nunca, e quer vingança contra todos que estiverem no seu caminho, principalmente sua irmã, a usurpadora (calma, ainda estamos tratando de Ivani Ribeiro)!!!


"Rutinha" ganha prêmio

Marcos Frota viveu o escultor apaixonado



Merece destaque o personagem Tonho da Lua, um rapaz com deficiência mental, que tinha duas paixões na vida: esculpir mulheres na areia da praia e sua protetora Ruth, que o defendia de Raquel. Quem deu vida ao Tonho da primeira versão foi Gianfrancesco Guarnieri. O ator Marcos Frota interpretou o escultor nos anos 1990. No final da história, mesmo com as tentativas da gêmea materialista de separar sua irmã de Marcos, o casal termina junto, e a víbora morre num acidente de carro. Vaso ruim é difícil de quebrar, mas quebra!!!

Tanto Eva quanto Glória tiveram que trabalhar pelo menos 4 vezes a mais do que qualquer ator na novela. Elas viveram as gêmeas, Ruth se passando por Raquel e vice-versa! Quando as irmãs apareciam juntas, suas cenas eram sempre mais complicadas e demoradas para gravar. Em 1973, a técnica era o cartão. Com a câmera travada, tapava-se com um cartão preto metade da lente, e gravava somente um lado da cena, com apenas uma personagem. Depois cobria-se o lado contrário da lente, para captar a outra protagonista. O trabalho maior era do editor de VT para montar a cena completa. A tecnologia ajudou um pouquinho, na versão global. Glória gravava usando uma tela azul de fundo que, na edição, era substituída pela sua imagem gravada antes. É o chamado Chroma key (cor chave), técnica muito usada em TV pela previsão do tempo dos telejornais.

Curiosidades:

  • As duas artistas que protagonizaram "Mulheres de Areia" ganharam, entre outros, o Troféu Imprensa de melhor atriz. Em 1973, Regina Duarte foi eleita pela votação dos jornalista pelo papel de Cecília em "Carinhoso" (TV Globo, 1973), mas deu seu prêmio para Eva Wilma como reconhecimento pelo trabalho pioneiro na TV;
  • A trilha sonora da novela da Tupi foi um sucesso de vendas, porém os temas de alguns  personagens como Alaor e Raquel (cantado por Elis Regina) não foram incluídos no disco;
  • Infelizmente restaram poucos capítulos completos do folhetim de 1973. Dos 253 produzidos pela emissora associada, 21 se encontram na Cinemateca Brasileira;
  • A história de Ivani Ribeiro rompeu fronteiras, e foi sucesso até na Rússia! Quando chegou a  eleição de lá, para impedir que as pessoas viajassem no dia do pleito, um feriado, o governo russo programou a exibição do último capítulo da trama para o dia da votação;
  • O remake global foi reapresentado duas vezes, em 1996 e 2011.
  • Em cenas onde Ruth e Raquel contracenavam, Glória gravava primeiro como Ruth. O profissionalismo e atenção da atriz foram fundamentais para uma continuidade e edição perfeitas das cenas.
Vamos conferir a primeira abertura, cenas da primeira versão, a abertura da Globo e cenas da produção de 1993. Agradecimentos: Victor Santos, Marcio Uchôa, Elizeubonitao, e TV Globo.








sábado, 10 de abril de 2010

BRASIL, MOSTRA A SUA... LOUCURA!

Novela é uma loucura nacional. Todo mundo curte, apesar da crise atual que o formato vive. Foram muitas obras memoráveis, dentre elas Vale Tudo, exibida pela Globo entre 1988 e 1989.

O Brasil vivia uma época bem complicada, com o fim da ditadura, e o país aprendendo a ser uma democracia. A grande pergunta dessa trama de Gilberto Braga, autor do grande sucesso Escrava Isaura, era o quanto vale a pena ser honesto nesta nação.

Quem tem aproximadamente 30 anos, assim como eu (que loucura...), deve ser lembrar do show de interpretação de Regina Duarte e Glória Pires. Elas interpretavam Raquel Accioli e Maria de Fátima, mãe e filha respectivamente. Raquel era trabalhadora enquanto Maria de Fátima queria ser rica a qualquer custo, tanto que vendeu a casa onde a mãe morava para fugir com a grana para o Rio de Janeiro. Não satisfeita, topou separar a mãe e seu novo amor, para se casar com o filho da milionária Odete Roitman, brilhantemente vivida por Beatriz Segall. Até hoje as pessoas a reconhecem pela personagem, inclusive trocando o nome da atriz.

É justamente em Odete que está a loucura desta novela. A mulher era o cão chupando manga. Uma das maiores vilãs da história da teledramaturgia brasileira. Seu assassinato na novela foi o grande mistério de 1988. O crime só foi desvendado em janeiro de 1989, mas até aí o Brasil só queria saber QUEM MATOU ODETE ROITMAN!!! Claro que matar um personagem marcante e levar meses para revelar não era algo novo na TV, tanto que continuou a ser feito após Vale Tudo. Mas a loucura está na mobilização comercial em torno da pergunta. Diversas promoções de emissoras de rádio, revistas, bolões e até mesmo empresas alimentícias, pagariam prêmios incríveis para quem acertasse o nome da criatura que tornou mais feliz a vida da personagem de Regina Duarte.

Foram gravados cinco finais diferentes. A edição do capítulo tão esperado foi realizada minutos antes de ir ao ar. Mais uma vez o país parou para ver um capítulo de novela. Me lembro que ninguém perto de casa estava vendo outra coisa, a não ser a resposta da famosa questão QUEM MATOU ODETE ROITMAN. De outra coisa que me lembro é que nessa trama só a personagem de Beatriz Segall se deu mal. Os outros vilões ficaram muito bem. Maria de Fátima ficou rica, casada com um italiano e levou o cúmplice-amante-brazuca César, vivido por Carlos Alberto Ricelli, a tira-colo. E claro, a cena clássica da banana (o gesto!) de Marco Aurélio, interpretado por Reginaldo Faria, que fugiu após aplicar um golpe financeiro com malas de dinheiro num jatinho (puxa, naquela época não se tinha a criatividade de hoje, com dinheiro em cuecas e meias!).

As loucurasprovocadas por Vale Tudo romperam fronteiras. Na novela, após ficar sem a casa, Raquel vai vender sanduíche na praia e, como era de se esperar, vence na vida e monta um restaurante chamado "Paladar". Em Cuba, quando aconteceu a abertura econômica, a história estava sendo exibida. E em 1990 os primeiros restaurantes privados, ainda pequenos, foram batizados de "Paladar"!

Mas afinal, QUEM MATOU ODETE ROITMAN??? Para quem não sabe, não lembra, ou não foi procurar no Youtube, quem assassinou a jararaca com três tiros, por engano, foi Leila, vivida por Cássia Kiss. Que motivo ela tinha? Nenhum. Ela achou que Odete na verdade era Maria de Fátima, que também tinha um caso com seu marido Marco Aurélio. Que bela alpinista social essa Maria, não é?

Vale Tudo marcou uma geração, está na memória daqueles que assistiram depois do JN, e sua reprise no Vale a Pena Ver de Novo, tem seu espaço garantido estre as principais novelas da teledramaturgia brasileira e, é claro, foi uma grande loucura deste povo alucinado por uma boa novela. Agradecimentos: TV Globo.