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sábado, 17 de agosto de 2013

NÃO VAMOS PRA CAMA SEM ELE HÁ 25 ANOS

Roberto Carlos foi enrevistado por Jô no SBT
apenas uma vez
Nesta semana, um importante entrevistador comemorou seu jubileu de prata. Jô Soares completou, na última sexta, 25 anos a frente de um talk show. Não era sua primeira experiência com entrevistas na TV. Poliglota, Jô era sempre convocado para ser o interprete das entrevistas internacionais do programa "Hebe", ainda na TV Record, nos anos 1960. Já na emissora de Roberto Marinho, tentou realizar seu sonho do programa de entrevistas através do "Globo Gente", de 1973. Mas não durou nem um ano.

Em 1987, o humorista que comandava com sucesso o programa "Viva o Gordo", queria ter seu talk show, porém a direção do Jardim Botânico não lhe abria espaço para esta atração. Nesta época, o SBT estava em franco crescimento em audiência, e buscava qualificar sua programação, tida pelas agências como "popularesca". Silvio fez a proposta: além de um programa de humor, Jô realizaria seu grande sonho na TVS. O "gordo" não teve dúvidas, se mudou rapidamente para o canal 4 paulistano e, em 16 de agosto de 1988 estreava "Jô Soares Onze e Meia".

A princípio, o apresentador imaginava a atração semanal. Silvio Santos não. O dono da emissora disse que para o programa "pegar" teria que ser diário. E assim se fez. O formato era baseado nos grandes talk show dos Estados Unidos, como o "The Tonight Show". "Jô Soares Onze e Meia" nasceu num momento em que a inteligência de Jô Soares, aliada ao seu bom humor, foram fundamentais tanto para atrair a audiência qualificada que o SBT precisava, quanto para esclarecer o povo sobre os novos rumos que o Brasil estava tomando.

Entrevistas Marcantes

Babi foi escolhida para ocupar o horário do
"Onze e Meia" a partir de 2000
Muitas importantes entrevistas foram realizadas, como com o presidenciável Fernando Collor de Mello (que irritou Jô por só responder as perguntas olhando para a câmera, como num programa político), e também com muitos parlamentares de Brasília, quando estourou o escândalo do esquema PC Farias, e a queda de Collor. Uma das primeiras entrevistas de Xuxa fora da Globo foi com Jô. A última de Raul Seixas também aconteceu lá.

Mas o talk show não ficou só no Brasil. Jô e sua equipe foram até os Estados Unidos em 1994, e de lá comandaram o "Jô na Copa", a única experiência deste tipo na carreira do entrevistador. Aliás, a equipe do programa era um show à parte. O "Quinteto Onze e Meia" era o grande apoio da face humorística das entrevistas. Destaque para o saxofonista Derico (o assessor para assuntos aleatórios) e o baixista Bira, com sua risada inconfundível.

Foram ao todo 6927 entrevistas, que foram de Ayrton Senna e Pelé a Tiririca e a gata da Banheira do Gugu, Luíza Ambiel, além de muitas figuras anônimas , mas curiosas. Após 2309 edições, em 31 de dezembro de 1999, Jô Soares encerra seu ciclo no SBT e retorna para a Globo, com seu talk show mais que consagrado pelo público, com o nome de "Programa do Jô", onde permanece até hoje. Para comemorar a data, a Globo Marcas, numa parceria inédita com a emissora de Silvio Santos, anunciou que neste ano vai lançar um DVD com as melhores entrevistas realizadas pelo apresentador nestes 25 anos. É aguardar.

Curiosidades:

  • Apesar do nome, o programa nunca começou pontualmente às 23:30h, devido às constantes mudanças de horário da programação, a não ser na edição de aniversário de 10 anos, em 1998;
  • O antigo "Quinteto", hoje "Sexteto", era formado basicamente por músicos da orquestra do SBT. Bira, por exemplo, trabalhava com Silvio Santos há mais de 20 anos;
  • "Jô Soares Onze e Meia" iniciou sendo gravado nos estúdios da Vila Guilherme. No começo da década de 1990 foi transferido para os estúdios do Sumaré, e em 1996 passou ser produzido no estúdio 2 do Complexo Anhanguera;
  • Assim como Marília Gabriela, a única celebridade que Jô não conseguiu entrevistar foi Silvio Santos. O dono do SBT sempre foi avesso a entrevistas. Mas o primeiro convidado do "Programa do Jô" na nova casa foi o jornalista Roberto Marinho, presidente das Organizações Globo;
  • O garçom chileno Alex começou no programa em 1991. Em entrevista ao site "Vírgula", ele revela o que Jô Soares bebe na famosa caneca, uma marca registrada do programa. "Semana passada ele tomou um pouco de água, mas ele já tomou até uma sopinha naquela caneca, mas, geralmente, ele toma refrigerante diet", contou Alex;
  • O programa recebeu nove estatuetas do "Troféu Imprensa" como Melhor Programa de Entrevistas da TV (de 1989 a 1996 e no ano 2000).
Não dá pra selecionar uma entrevista dentre as milhares realizadas. Mas a abertura e um trechinho de uma entrevista com o palhaço Torresmo, em 1988, é sempre possível. Agradecimentos: fitasjoia, ajcomenta e rodadosfamosos.


domingo, 30 de junho de 2013

ALÔ TEREZINHAAAA!!! ERA UM BARATO VER O CHACRINHA

O Velho Guerreiro comandou seus programas por quase
30 anos
Como o tempo passa... Parece que foi ontem, mas já fazem 25 anos que Chacrinha partiu para o andar de cima. Ninguém mais ouve chamar pela Terezinha sem sentir uma saudade, que vem acompanhada de uma alegria, de um sorriso.

José Abelardo Barbosa de Medeiros nasceu em Surubim-PE, em 30 de setembro de 1917. Ali, no calor nordestino se formou um dos maiores comunicadores que a nossa TV já teve. O jovem Abelardo soube captar como ninguém a essência do povo brasileiro. Seus programas tinham tudo o que o brasileiro gosta: festa, música, dança, mulheres, barulho, gozação, riso, confusão...

Aliás, o faro para saber se uma música, um conjunto ou um cantor faria ou não sucesso, vem da sua própria raiz musical. Chacrinha foi baterista de um banda na juventude, antes de estudar medicina. Mas para entrar no curso, Abelardo adotou um estranho método de estudo, porém lógico: ao se preparar para o vestibular, o jovem se trancava no quarto de cueca, e entregava todas as roupas para a mãe. Assim não poderia pensar em sair de casa, teria que meter a cara nos livros! Depois que ingressou na faculdade, viu que não conseguiria operar nenhuma pessoa, por não suportar ver sangue, e seguiu como músico.

Seu primeiro contato com o rádio aconteceu em 1937, na Rádio Clube de Pernambuco. Mas não seria o único. Após deixar a medicina, queria viajar com o Bando Acadêmico para a Europa, porém nesta época estourou a Segunda Grande Guerra, e a turma voltou para o Brasil, sem nem pisar no velho continente. Abelardo veio para o Rio de Janeiro, capital federal de então, e se fascinou o mundo maravilhoso do rádio. Logo conseguiu emprego como locutor.

O Rancho, a Buzina e a Discoteca

A primeira fantasia foi a de "disk-jóquei", com o disco de
telefone e o boné de um jóquei
Seu primeiro programa foi o carnavalesco "Rei Momo na Chacrinha". Abelardo passou a ser conhecido então como "o louco da chacrinha", que na verdade era uma pequena chácara onde ficava o estúdio da rádio. Com o passar do tempo, o apelido virou nome artístico. Nos anos 1950 criou o "Cassino do Chacrinha", onde construía através de vários sons diferentes um cassino real nas casas dos ouvintes. Várias vezes vinham pessoas visitar o local onde era o tal cassino e encontrava Abelardo de cueca, o operador de áudio e várias bugingangas usadas para os efeitos sonoros.

A TV veio na vida de Chacrinha em 1956. "Rancho Alegre" foi o primeiro programa comandado na TV Tupi. E nunca mais parou. Seus dois programas de maior sucesso, a "Buzina do Chacrinha" e a "Discoteca do Chacrinha" passaram pelas TVs Rio, Record, Excelsior, Bandeirantes e Globo. Como no começo não existia rede, o animador apresentava dois programas no Rio e dois em São Paulo, tudo ao vivo. Isso sem contar os shows que realizava ao lado de suas inseparáveis e inesquecíveis Chacretes. As dançarinas viraram referência na telinha, por sua beleza e sensualidade.

Chacrinha era um sujeito de personalidade forte. Sua história com a TV Globo mostra bem isso. Quando o diretor José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, chegou em 1967, ele já estava lá e era responsável pelos maiores índices da emissora. O canal estava no vermelho e ele, Dercy Gonçalves, Silvio Santos e Jacinto Figueira Jr. (O Homem do Sapato Branco) garantiam o IBOPE. Os dois bateram de frente muitas vezes. Em uma ocasião, ao fazer um concurso de cachorros com maior número de pulgas deixou a sede da Globo repleta desses parasitas, e a vizinhança também. Nem Roberto Marinho entrava lá.

Descobridor de talentos 

Roberto Carlos foi lançado no Rio e em São Paulo no quadro
"Cantor Mascarado"
O apresentador sempre estourava o horário de sua atração. Numa noite, Boni Já farto com a situação e já tendo conversado com o animador, mandou pessoalmente tirar o programa do ar, estourado em cinco minutos. Foi a gota d'água. Chacrinha saiu da Globo, não apenas por isso. A emissora já estava começando a implementar o famoso "Padrão Globo de Qualidade" e, naquela época, as atrações do programa eram de baixa qualidade, popularescas. Mas Boni nunca deixou de admirar o "Velho Guerreiro".

A volta para a emissora do Jardim Botânico aconteceu por intermédio de Florinda Barbosa, esposa de Chacrinha. Ela promoveu um encontro entre o diretor da Globo e o animador, e selaram o momento com a criação do "Cassino do Chacrinha", nos sábados globais. Foram mais seis anos de insuperável sucesso e audiência, que até hoje nenhum outro programa, seja da Globo ou não, jamais atingiu. Como ele mesmo definia, "uma bagunça organizada".

A lista de nomes de cantores que passaram por aquele palco, ou que começaram lá, é muito grande. De Gretchen a Roberto Carlos, de Chiclete com Banana aos Titãs, de Fábio Júnior a Nelson Ned, tudo o que era ou poderia ser sucesso estava no "Cassino", na "Discoteca" ou na "Buzina". Aliás, falando em "Buzina", Chacrinha também trouxe para a TV grandes talentos como jurados de calouros. O maestro Edson Santana, Elke Maravilha e Pedro de Lara são os mais famosos.

O "Papa" da comunicação

As famosas chacretes já foram chamadas de "TVzinhas" e
"Vitaminas"
A frase "na TV nada se cria, tudo se copia", criada por Abelardo Barbosa, não se aplica a ele. Seu estilo segue com único e inimitável, tamanha originalidade. Saiu da vida e entrou para a história. Jô Soares declarou em 2000 que a televisão alemã veio gravar o programa para tentar entender e explicar o fenômeno de comunicação que era o "Velho Guerreiro".

Hoje 25 anos depois, temos a oportunidade de rever, seja pelo canal a cabo Viva, seja pela internet, imagens preciosas de divertidos momentos da nossa TV, onde uma platéia delirava com bacalhaus, pepinos, e outras delícias. Os vídeos na web permitem que as novas gerações conheçam quem foi o animador que se comunicava, e não se trumbicava. Roda, roda, roda e avisa à Terezinha: como faz falta o "Cassino do Chacrinha".

Curiosidade:

  • A famosa "Terezinha" nunca existiu. Na verdade ela substituiu um merchandising que o apresentador fazia no começo da carreira: a água sanitária Clarinha. Chacrinha brincava com o nome deste patrocinador com seu auditório, mas o anunciante saiu do programa, e o bordão já tinha caído no gosto do povo. Então, o animador trocou a Clarinha pela inesquecível Terezinha;
  • O apelido "Velho Guerreiro" foi dado por Gilberto Gil, na canção "Aquele Abraço".
Vamos curtir os melhores momentos dos musicais do "Cassino do Chacrinha". Agradecimentos: microfone.jor.br, mundoonlineaqui.blogspot.com, radioemrevista.com, MegaMarina2 e Divulgação/TV Globo.


quinta-feira, 16 de maio de 2013

OS 25 ANOS DE VALE TUDO


Beatriz Segall como a eterna vilã
"Não me convidaram, pra esta festa pobre, que os homens armara pra me convencer". Com este verso, composto por Cazuza e com a inesquecível interpretação de Gal Costa, o país parava para assistir a mais um capítulo da novela "Vale Tudo". No dia 16 de maio de 1988 a trama de Gilberto Braga foi lançada às 20h (na verdade 20h30, 20h45, dependendo do "Jornal Nacional") para entrar para a história da teledramaturgia brasileira.

Com o país se redescobrindo, após duas décadas de regime militar, a grande pergunta da novela era se valia a pena ser honesto no Brasil. Tudo porque Maria de Fátima (Glória Pires) queria ser rica de qualquer maneira. Ela era filha de Raquel Accioli, recém-separada do marido Rubinho (Daniel Filho). As duas moram em Foz do Iguaçú-PR, na casa de Salvador (Sebastião Vasconcelos), avô paterno de Maria de Fátima, que passa o imóvel para o nome da neta, para lhe garantir o futuro. Assim que o pai de Raquel morreu, sua filha vende a residência sem consultá-la, e parte para o Rio de Janeiro, em busca de fortuna.

A ex-guia de turismo consegue duplicar sua falta de escrúpulos ao encontrar com César (Carlos Alberto Riccelli), um ex-modelo que vive como garoto de programa. O bonitão faz de Maria de Fátima uma modelo famosa, que quer casar com Afonso Roitman (Cássio Gabus Mendes), herdeiro de uma das maiores fortunas do país, que namorava com a jornalista Solange Duprat (Lídia Brondi). Afonso era filho de Odete Roitman (Beatriz Segall), dona de uma empresa de aviação, a TCA, e mantinha um caso com César. A megera entrou para o seleto clube de piores vilãs da história da TV brasileira.

Raquel não desiste da filha, e parte para a cidade maravilhosa. Lá conhece Ivan (Antônio Fagundes), e também o sucesso. Para sobreviver na capital fluminense, a mãe de Maria de Fátima resolve vender sanduíches naturais nas badaladas praias cariocas. Uma das cenas antológicas da trama é quando mãe e filha se reencontram nas areias mais famosas do país, e fingem não se conhecerem. Ao lado do novo companheiro, Fátima vira dona de uma cadeia de restaurantes, a "Paladar".

Raquel ganha o mundo

A dupla de protagonista se repetiu em 2002, em
"Desejo de Mulher" (Globo) 
Muitas tramóias e esquemas de corrupção e jogo sujo acontecem na história, até o final feliz de Raquel e Ivan, que no meio da conversa até se casou com a filha de Odete, a alcoólatra Heleninha (Renata Sorrah), por causa de mais uma arapuca criada pela empresária e a norinha Maria de Fátima.

Mas o que o país inteiro queria saber mesmo era "Quem matou Odete Roitman???" A identidade do autor dos três disparos era mais importante do que os motivos, afinal a empresária era odiada por toda a novela, e mais o país inteiro! O mistério começou no capítulo 193, no dia 24 de dezembro. A milionária foi assassinada com três tiros, e a dúvida ficou no ar até o fianl da trama. Falando assim, parece que a revelação do assassino levou un 50 dias para acontecer, mas na verdade, o público ficou sabendo que Leila (Cassia Kiss) havia cometido o crime por engano apenas 13 dias depois do ocorrido.

"Vale Tudo" conquistou o Brasil e o mundo. Foi exibida em mais de 30 países. Por aqui, o folhetim foi reapresentado em 1992, no "Vale a pena ver de novo". Esta novela foi uma das primeiras a ser adaptada para o mercado latino. "Vale Todo" foi resultado da parceria entre a Globo e a Telemundo, emissora com programação em espanhol da rede americana NBC nos Estados Unidos, em 2002. A história não repetiu o mesmo êxito da versão original.

Curiosidades:

  • Laís (Cristina Prochaska) e Cecília (Lala Deheinzelin) viveram um casal homossexual. Embora fosse 1988, e estivéssemos às portas da nova Constituição e da nova República, a velha censura deu o ar da sua graça, e retalhou vários diálogos das personagens;
  • Beatriz Segall e Glória Pires ganharam, entre outros, o Troféu Imprensa como melhor atriz de 1988. A melhor novela também ficou com "Vale Tudo";
  • A rede de restaurantes naturais de Raquel inspirou os cubanos. O sucesso da novela, exibida por lá em 1995, fez com que os patriotas de Fidel montassem estabelecimentos iguais aos da personagem, assim que o presidente de Cuba autorizou a população a abrir pequenos negócios. Esse modelo de restaurante é conhecido na ilha por "Paladar";
  • O assassinato da maior vilã da teledramaturgia nacional rendeu uma audiência de 81 pontos, com picos de 92. No último capítulo, quando o mistério seria revelado, o Brasil parou e a Globo marcou 86 com picos de 94. Até caldo de galinha fez concurso para premiar o telespectador que acertasse o nome da assassina! A média geral da novela foi de 56 pontos no IBOPE.
É bom ver que, de lá pra cá, algumas coisas melhoraram no Brasil. Já existe político quase indo pra cadeia por corrupção. Mas talvez a pergunta de Gilberto Braga, diante de certas situações, ainda é pertinente: "Vale a pena ser honesto no Brasil?" Que a sua consciência responda. Enquanto isso, vamos rever a abertura e algumas cenas deste clássico da nossa TV. Fonte: Guia Ilustrado TV Globo Novelas e Minisséries. Agradecimentos: Paula Rabello, Aurélio Araújo, cesarbrandi, gilbertobragaonline, cantinhodenotícias e Divulgação/TV Globo.











sábado, 13 de abril de 2013

PROMESSA DE SUCESSO

Gravada em dois meses, "O Pagador de Promessas" teve
supervisão de Daniel Filho
Neste mês de Abril, uma minissérie de grande sucesso na telinha e na telona completa 25 anos de sua exibição pela Globo. "O Pagador de Promessas" tem autoria do dramaturgo Dias Gomes, com direção da cineasta Tizuka Yamasaki. A estreia aconteceu em 5 de Abril de 1988.A trama foi inspirada na peça, de mesmo autor, originalmente escrita em 1960.

Zé do Burro (José Mayer) vê seu burro Nicolau sofrer um grave acidente, e ficar entre a vida e a morte. Desesperado, faz uma promessa para Iansã (Santa Bárbara, na religião católica): se o burro ficasse bem,  carregaria uma cruz nas costas, desde a sua roça, no interior da Bahia, até a Igreja de Santa Bárbara, na capital do estado. Nicolau se salvou e começa a saga de Zé do Burro para pagar a promessa.

O posseiro não estava sozinho. Sua esposa, Rosa (Denise Milfont) o acompanhou durante toda a jornada. O padre Olavo (Walmor Chagas), responsável pela igreja da santa em Salvador, impede Zé de entrar no templo. O sacerdote alegava que a promessa fora realizada num terreiro de candomblé. Nem adiantou o homem dizer que era temente a Deus. O padre foi firme em sua decisão, mas Zé também era, e não iria embora sem cumprir o que havia prometido.

O bafafá se instalou. Zé do Burro ganha apoio popular, especialmente de membros do candomblé, que até começam a aclamá-lo como santo e mártir. Padre Olavo decide ouvir outras opiniões de colegas sacerdotes. Uns veem a atitude do pároco da Igreja de Santa Bárbara como um ato político, mas também havia quem criticasse o sincretismo religioso do marido de Rosa.

Censura impiedosa

 A minissérie teve locações em Monte Santo e Salvador, na Bahia 
O problema se arrasta até o dia da festa da padroeira do templo, em 4 de dezembro. Uma procissão é realizada e Zé vé aí a oportunidade de finalmente pagar sua promessa. A essa altura do campeonato até a polícia local já estava envolvida na história. O padre novamente impediu a entrada do peregrino. Em meio a toda essa confusão na porta da igreja, Zé é baleado e morre na escadaria. O povo comovido coloca o corpo em cima da cruz que ele carregou, e o leva para dentro da igreja.

Em 1988 a censura também foi tão dura quanto o sacerdote baiano da história. A princípio com 12 capítulos, "O Pagador de Promessas" teve 4  cortados pelos censores. A produção tratava de temas delicados como as lutas contra grandes latifundiários. O debate também se instalou dentro da Igreja, entre os padres conservadores e os padres progressistas, representados na telinha pelo padre Mário (Felipe Pinheiro).

Curiosidades:

  • A TV Globo já havia apresentado este texto antes como teleteatro, em 1974, dentro do "Fantástico";
  • A história ganhou fama graças a sua versão cinematográfica, realizada em 1962. Com direção de Anselmo Duarte, o filme que tem o mesmo título da peça teatral e da minissérie, ganhou a Palma de Ouro em Cannes naquele ano;
  • José Mayer sabia do projeto e queria estrelar a produção. Não teve dúvidas: ao encontrar com Dias Gomes na emissora ao telefone, interrompeu a ligação e tentou convencer o autor a lhe dar o papel. Diante da insistência do ator, o encaminhou para fazer um teste para o protagonista, e passou;
  • A minissérie foi o primeiro trabalho de Tizuka Yamasaki na televisão;
  • "O Pagador de Promessas" foi vendida para vários países, reapresentada em 1991 e em 1999, como homenagem ao seu autor, que falecera no mesmo ano. Está disponível em DVD desde 2010.
Vamos conferir a abertura deste sucesso da nossa TV! Fontes: Guia Ilustrado TV Globo - Novelas e Minisséries e Memória Globo. Agradecimentos: minisserietv e TV Globo.

terça-feira, 12 de março de 2013

CIDADES MARAVILHOSAS

Antes de "Cidade", Gugu testou o "Viva a Noite" aos Domingos
Gugu Liberato teve várias atrações quando chegou a dividir o "Programa Silvio Santos" com o patrão. Uma das práticas conhecidas do SBT é resgatar um de seus inúmeros programas de auditório, dar um tapa no visual, e lançar novamente como "a volta de um grande sucesso". Com Gugu não foi diferente, e há 25 anos o apresentador estreava o "Cidade Contra Cidade".

Este programa nasceu nos primeiros anos da carreira de Silvio, ainda nos anos 1960. Foi um das primeiras atrações comandada pelo então dono do Baú, fora da Rede Globo. Alugando horário na Rede Tupi às Quartas Feiras, a disputa entre as delegações de dois municípios começava por volta de 21h e terminava além da meia-noite.

Foi nesse programa que se constatou que somente um evento de outro mundo era páreo para Silvio Santos. Em 1969, a transmissão da chegada do homem à Lua rendeu 41,1% de audiência, enquanto "Cidade Contra Cidade", exibido na mesma semana, obteve 40,1%. Tempos depois, o programa passou a se chamar "Silvio Santos Diferente", seguindo o mesmo esquema de quadros de seu irmão dominical, e saiu do ar em 1977.

Desfile de atrações

A equipe de Ribeirão Preto foi a grande recordista da atração
levando para casa 17 ambulâncias, nos tempos da Tupi.
Em 1988, o programa volta para as tardes de Domingo. Gugu comandava uma série de provas disputadas pelas delegações, sempre lideradas por uma equipe de rádio da cidade. As brincadeiras eram muitas: a mais bela moça, o melhor cantor(a), a melhor curiosidade, o chute a gol, e a torcida mais animada. Havia também as disputas realizadas no Parque do Carmo, em São Paulo, e nas futuras instalações da emissora na Anhanguera, sob o comando de Ademar de Barros.

As audiências mais altas da atração aconteciam quando Rio e São Paulo se enfrentavam. O grande prêmio de "Cidade Contra Cidade" para o município vencedor era uma ambulância, e a permanência no programa, para enfrentar outra localidade. Mas o maior ganhador era o público telespectador, que tinha a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o povo e as belezas naturais das localidades participantes. O quadro permaneceu no ar até 1989.

Curiosidades:

  • O começo da carreira profissional de Gugu como produtor está muito ligado ao "Cidade Contra Cidade". O jovem Augusto era sempre o responsável por uma das delegações que participavam da atração, na época sob o comando de Silvio Santos. O "Cidade" também foi o primeiro dominical apresentado por Gugu;
  • A apresentadora Olga Bongiovanni teve uma de suas primeiras experiências em rede nacional de televisão nesta atração. A então locutora da emissora local de Cascavel-PR fez parte da equipe que representava o município no programa;
  • "Responde ou Passe" era um quadro do dominical, nascido ainda com Silvio Santos, que virou bordão do programa "Passa ou Repassa";
  • A trilha sonora, que acompanhava todo o programa era "Happy Children", de 1984, lançada por P. Lion. Esta música foi usada de novo aproximadamente seis anos depois para o "Táxi do Gugu", dentro do "Domingo Legal". O tema de abertura era um instrumental baseada na marchinha "Cidade Maravilhosa", de André Filho;
  • "Cidade Contra Cidade" era a penúltima atração do "Programa Silvio Santos", sempre antecedendo o "Show de Calouros". 
Vamos recordar este desfile de atrações, curiosidades e cultura brasileira no dominical "Cidade Contra Cidade". Os vídeos são da participação do município de Espírito Santo do Pinhal-SP. Agradecimentos: Ricardo Mateus Olivi e claudiard1981.





















sábado, 8 de dezembro de 2012

A RESPOSTA ESTÁ EEEEEE...

Passa ou Repassa estreou no SBT há 25 anos
Muitos Quiz Shows fizeram a história da nossa telinha. Desde "O Céu é o Limite", de 1952 na Tupi, vários programas de perguntas e respostas conquistaram o público. Em 1987, o dono do SBT queria uma atração para substituir "Domingo no Parque", após quase 20 anos no ar. Estreou dentro do "Programa Silvio Santos" o então quadro "Passa ou Repassa".

A atração podia bem se chamar TV Meleca. Seus participantes saíam do estúdio inteiramente lambuzados. No início, duas duplas, de duas escolas, se enfrentavam a cada domingo, testando seus conhecimentos gerais. Se não soubesse a resposta, passava para o adversário. Caso o concorrente também não respondesse, repassava. Cabia a dupla arriscar ou pagar uma prova. A cada desafio, uma nova maluquice, uma nova melequeira!

Silvio Santos conduziu a disputa apenas um ano. Em 1988, Gugu Liberato assumiu o comando, e acrescentou um novo quadro, o mais famoso do programa: "Torta na Cara". As duas equipes montavam times com quatro integrantes que tinham que responder as perguntas corretamente, ou então teriam seus rostos (e as vezes cabelos) lambuzados com as tortas de chantily. Este formato consagrou "Passa ou Repassa" como um dos clássicos do SBT.

Durante os seis anos em que apresentou o "Passa", o apresentador promoveu disputas também entre artistas, suas famílias e até times de futebol. Sua coleção de camisetas de agremiações aumentou e muito nesta época!

"Celso vai levar tortada!"

Gugu comandou o "Passa" por seis anos
Gugu ficou à frente do programa até 1994, quando o "Domingo Legal" passou a ser apresentado ao vivo. Iniciando a sua transição do público infantil para o público adolescente, Angélica assumiu a apresentação do Quiz em 1995, com uma novidade: a exibição passou a ser diária, e a competição era realizada entre quatro escolas diferentes.

Em 1996, a loirinha pegou seu táxi, e se transferiu para a Globo. Silvio não queria perder a boa audiência do programa, e resolveu dar uma oportunidade para um ator de pegadinhas do "Topa Tudo por Dinheiro". Celso Portiolli já era radialista, e estava batalhando por uma oportunidade na emissora desde sua chegada em 1993. A felicidade bateu à sua porta com a saída de Angélica. Celso comandou uma primeira fase do "Passa" de 1996 a 1999.

A garotada do ensino fundamental passou a ganhar dinheiro na atração a partir de agosto de 2000. E mais, as crianças podiam fazer uma pergunta para Portiolli que, se respondesse errado, levava torta na cara. Uma farra! "Passa ou Repassa" ficou no ar por 13 anos. Houve um período de reprises em 2004 da fase infantil, comandada por Celso Portiolli.

Curiosidades: o formato original do programa é baseado no americano "Double Dare", da Nickelodeon (1986). Graças às novidades criadas aqui no Brasil, a partir de 1988, a ideia hoje é do SBT. O primeiro nome do quadro era "Passe ou Repasse". A frase "responde ou passa" foi um quadro dentro do "Cidade Contra Cidade", apresentado por Silvio Santos. Angélica ficou tão marcada pelo game show que, quando chegou à Globo, tratou de "adaptar" o "Torta na Cara" ao seu "Angel Mix". Na nova emissora, a brincadeira se chamava "Pergunta Torta". Dos quatro apresentadores, o único que levou tortada no palco foi Celso Portiolli.

Vejam agora a versão original de "Passa ou Repassa", a primeira chamada com Silvio Santos, as fase com Gugu, Angélica e Celso Portiolli, além de muita torta na cara e a prova final, que definia o campeão do programa.

Agradecimentos: sundaeslide87, Tratorrgs, passaourepassasbt, pombos0, MICOSDATV5, kbwaterworld e Reprodução/SBT.













sexta-feira, 12 de outubro de 2012

UM MALLANDRO EM FORMA DE GURI

Sérgio Mallandro em "Oradukapeta", no SBT, há 25 anos
O irreverente Sérgio Mallandro começou em televisão por acaso, convidado por Wilton Franco, o diretor de "O Povo na TV", no ar pela TVS-Rio. Não demorou muito até Silvio Santos chamá-lo para integrar o júri do "Show de Calouros". O animador viu naquele jurado um promissor apresentador de programas infantis.

Um verdadeiro sheik no harem da TV para baixinhos, repleto de apresentadoras, Sérgio estreou em 1987 o programa "Oradukapeta", um dos grandes sucessos de sua carreira e do SBT. Foi o primeiro apresentador masculino de programas infantis da emissora a aparecer "de cara limpa", ou seja, que não era um personagem como o Bozo. Mallandro no palco era tão criança, ou mais, do que a platéia que frequentou os estúdios da Vila Guilherme.

Além de vários desenhos animados, brincadeiras e sorteios, o programa tinha quadros como o goleiro Mallandroviski, o maior frangueiro de todos os tempos, que desafiava os meninos no chute a gol no palco. Também tinha o Super Mallandro, um super heroi atrapalhado, que sempre acabava arrumando confusão. Além dos bonecos anjinho, capetinha e o carteirinho, que trazia as correspondências da atração.

O quadro que mais marcou a trajetória do apresentador nasceu neste programa: "Porta dos Desesperados". Essa sátira ao quadro "Porta da Esperança" de Silvio Santos proporcionava para as crianças muitos brinquedos, jogos e bicicletas, ou um baita susto com um dos dois monstros que podiam sair das três portas. A molecada podia participar no palco ou em casa através de cartas. Mas para ser escolhido tinha que estar muito desesperado, gritar, se jogar no mar e se esgoelar depois de ver um tubarão, uma baleia, um polvo, um caranguejo, uma cobra, uma aranha (essa liberdade criativa é do Sérgio, não minha!!!) e muitos outros.

Não demorou muito e o apresentador também estava gravando discos para a garotada. Canções recheadas de "glu-glu", "yeah-yeah", "chu-chu", os bordões de Sérgio no programa, em pouco tempo estavam na boca da galerinha. Aliás, se nessa época, auge do "Xou da Xuxa" na Globo, era comum encontrar na rua várias "xuxinhas", graças ao "Oradukapeta" era possível encontrar diversos "mallandrinhos", usando macacão, tênis e boné de lado.

Mallandro sempre encerrava seu programa "deixando o seu coração" através de uma mensagem de otimismo e confiança no futuro dos brasileirinhos. O infantil ficou no ar nas manhãs do SBT até 1990, quando Sérgio Mallandro foi convidado pela Globo para ocupar o horário de Chacrinha, falecido em 1988, nos sábados.

Curiosidade: Xuxa e Sérgio Mallandro se conhecem desde muito jovens, no Rio de Janeiro. Os dois participaram juntos de "Cidade Contra Cidade", onde Silvio deu o nome artístico do futuro jurado e apresentador. Essa amizade permitiu que a Rainha dos Baixinhos levasse a "Porta dos Desesperados" para o seu programa "El Show de Xuxa" na Argentina.

Quem não viu vai ver, e quem já viu var de novo a abertura, alguns trechos e a famosa porta de prêmios e sustos de "Oradukapeta"

Agradecimentos: hkuniochi, elvisn, BAUDATV e Geração8090/SBT






sábado, 29 de setembro de 2012

MARAVILHA PARA CRIANÇAS

Mara comandou o "Show Maravilha" por quase sete anos
Num universo eletrônico, onde somente as loiras brilhavam, uma baianinha morena fez história e marcou a vida de milhares de crianças que sintonizavam o SBT. Em 1987 entrou no ar o infantil "Show Maravilha".

Os anos 1980 foram férteis em atrações para a garotada. Disputar a atenção deste exigente público não era tarefa fácil. Silvio Santos precisava de uma apresentadora para comandar uma atração, seguindo os moldes do "Xou da Xuxa" na Globo, e de seu "Domingo no Parque". O animador se lembrou de Mara, que já era contratada da então TVS desde 1983.

O Homem Sorriso da TV conheceu Eliemary Silva da Silveira, seu nome de batismo, com 15 anos, apresentando o infantil "Clube do Mickey" na TV Itapoan, na época afiliada do SBT, hoje com a Rede Record. A morena começou cedo na telinha, com apenas 8 anos de idade. Mara tinha carisma diante das câmeras, e com os pequenos também. Silvio a trouxe da Bahia para São Paulo para integrar o júri do "Show de Calouros". O apelido "Maravilha" foi dado pelo apresentador. A baiana também conduziu outros programas na casa como "TV Powww", "Vamos Nessa", "O Preço Certo", além de ser repórter especial do "Viva a Noite" de Gugu Liberato.

O "Show Maravilha" estreou em 6 de abril. A atração caiu como uma luva para Mara, que já tinha experiência com infantis antes de Xuxa aparecer na Manchete, em 1983. O programa começava às 16:30, e passou a concorrer com a "Rainha do Baixinhos" na Globo quando o Bozo saiu do ar, e o Sérgio Mallandro se transferiu para o plim-plim, em 1991. O "Show" permaneceu nas manhãs, a partir das 10:30, até o seu fim.

Um Maroto Maquinista

Mara no trenzinho conduzido por Paulinho Lima
A principal característica do cenário do programa era um Sol, sempre sorridente. Em seus primeiros anos, a apresentadora chegava à bordo de um trenzinho, conduzido por um pequeno maquinista. No palco, Mara brincava, cantava, dançava, recebia atrações musicais e crianças "ilustres". Os filhos de Leila Cordeiro, Christina Rocha, Sônia Abrão, Claudete Troiano, Cínthia e Íris Abravanel (as duas, filha e esposa de Silvio Santos, respectivamente) batiam ponto no programa.

Assim como Xuxa tinha suas Paquitas e Paquitos, Mara teve suas Maravilhas e Marotos, que também cantavam e dançavam. Destaque para Paulo Lima, o Paulinho, que foi seu maquinista mirim, e anos depois, casou-se com a apresentadora. Naquela época, o sonho de toda garota era ser uma das assistentes de palco desses programas infantis. Para matar essa vontade, no "Show Maravilha" foram criadas as "Borboletas", admiradas por Mara, que eram menininhas escolhidas a cada programa para serem assistentes por um dia.

A fórmula da atração, com brincadeiras, música e desenhos animados, permaneceu a mesma durante toda a sua existência. O programa era campeão de audiência e faturamento, até que em 1994, Mara decide não renovar seu contrato. "Show Maravilha" sai do ar em 28 de fevereiro daquele ano, mas o carinho de seus fãs dura até hoje. Em uma pesquisa realizada pelo portal UOL, na ocasião dos 25 anos do SBT, o infantil foi eleito pelos internautas o melhor programa produzido pela emissora, desbancando Gugu, Hebe e o próprio Silvio Santos.

Curiosidades: o nome "Show Maravilha"foi criado pelo próprio Silvio. Foi o único programa que passou por todos os antigos núcleos de produção do SBT. Começou na Vila Guilherme, após uma enchente foi para o Teatro Silvio Santos, numa breve temporada, e encerrou suas atividades nos estúdios do Sumaré. O tema de abertura "Maravilha" foi composto pelo saudoso Renato Barbosa, o rei da paródia do "Show de Calouros" e, anos mais tarde, apresentador do "Quem Sabe... Sábado!" na Record.

Você confere agora a primeira abertura do infantil, e o resgate de momentos inesquecíveis do "Show Maravilha" realizado pelo "Festival SBT 30 Anos", no ano passado.

Agradecimentos: Divulgação/SBT, hkuniochi e TVMUSEU1.



quinta-feira, 20 de setembro de 2012

OS 25 ANOS DE "QUEM PROCURA ACHA AQUI"

Slogan do SBT entre 1987 e 1989
O ano de 1987 foi muito importante na história do SBT. Com logotipo novo, o famoso com cilindros coloridos, completando seu primeiro aniversário, a emissora de Silvio Santos inicia uma estratégia para tirar do mercado publicitário a imagem de "popularesca", que a acompanhava desde sua inauguração, 6 anos antes. Além de iniciar um processo de qualificação da programação, ressaltada com as chegadas de Hebe Camargo e Carlos Alberto de Nóbrega, a então TVS lança a campanha "Quem Procura Acha Aqui".

Silvio queria que o jingle caísse no gosto do povo, e se aproveitou do ditado popular "quem procura acha" para garantir a aceitação da proposta pelo público. Rick Medeiros era o responsável pelas compras e adaptações de formatos estrangeireiros e vinhetas, principalmente americanas, para as telinhas brasucas. Mas neste caso, o dono do SBT não queria muitas alterações das versões Yankees. As redes de televisão norte americanas são craques também nesse setor. Sabem como poucos no mundo criar um institucional envolvente e empolgante.

Vamos todos achar aqui!

A campanha escolhida foi "Be There" (está lá), produzida pela NBC em 1983. Mário Lúcio de Freitas, produtor musical, trabalhava com o Homem do Baú desde os tempos das caravanas de circo que o animador fazia pela capital paulista. Ele foi o responsável pela letra em português da vinheta. A marcante voz feminina é de Sarah Regina, intérprete do tema de abertura da novela mexicana "Chispita" (SBT, 1984). Um sucesso estrondoso. Em 1988 foi lançada a segunda versão de "Quem Procura Acha Aqui", em cima da americana "Let's All Be There" (vamos todos estar lá) de 1984, também da NBC. Com a consolidação da vice-liderança em audiência, de ponta a ponta, o institucional ganhou uma nova versão em 1989, inspirada na mesma trilogia gringa, só que agora no filme produzido em 1985.

Muitos que eram crianças naquela época, ou os fãs mais apaixonados pela emissora, se lembram com carinho da musiquinha, e em alguns casos ainda sabem cantá-la! Em 1990 o slogan foi trocado pelo "Vem que é bom pro SBT", mas o "Acha Aqui" virou marca do canal. Curiosidades: Silvio Santos gravou sua participação apenas na vinheta de 1987, uma raridade. Nas demais foram usadas imagens de seu programa. Em 1988 foram realizadas duas versões do vídeo: uma sem e outra com Gugu. A primeria aconteceu quando o apresentador tinha sido contratado pela Globo, e a segunda, foi editada meses depois do seu retorno à TVS. Mário Lúcio foi responsável por vários outros trabalhos, como as aberturas de "Hebe", "TJ Brasil", "Programa Livre", "Chaves" e outras campanhas do SBT até 1996, quando o "Acha Aqui" foi usado para comemorar os 15 anos da estação. Ah, e como o nome da emissora local era TVS e a rede era SBT, era necessário produzir duas versões da música promocional, uma para cada nome!

Vamos matar as saudades deste promocional que marcou época, e as suas inspirações americanas. Agradecimentos: VintageTelevision, Jorgeshow, marioluciodefreitas, apotheounSTK, BAUDATV, tvemvideos, rcrocha e SBT.


Primeira vinheta - TVS (1987)


Primeira vinheta - versão SBT (1987)


Be There (1983) da rede americana NBC


Segunda vinheta - sem Gugu Liberato (1988)


Segunda vinheta - com Gugu Liberato (1988)


Let's All Be There (1984), da NBC


Terceira vinheta - versão SBT (1989)


Terceira vinheta - versão TVS (1989)


Vinheta curta - 1989


Última da série "Let's All Be There", de 1985

sábado, 8 de setembro de 2012

DE CARA A CARA COM GABI

A fórmula que consagrou Gabi nasceu na TV Bandeirantes
Marília Gabriela é o tipo da profissional completa. Faz de tudo: é atriz, cantora, apresentadora, escritora, jornalista... Mas sua faceta mais conhecida e reconhecida é a de entrevistadora. O programa "Cara a Cara", da TV Bandeirantes, consagrou o modelo de entrevista olho no olho e também sua condutora. Sua estreia aconteceu em 1987.

Por incrível que pareça, a ausência de cenário era a característica principal do programa. Seu fundo preto, sem nem mesmo mostrar a bancada, faziam com que o público ficasse atento somente na entrevista. Muitas vezes o "Cara a Cara" ganhava repercussão nacional.

Convivendo com um momento conturbado da política brasileira, e com a visita de astros e estrelas da música pop, a atração era referência para quem sonhava em ser um entrevistador. Gabi conseguia arrancar de seus convidados sempre uma declaração forte, ou entrar na intimidade e conseguir a confissão de alguns segredos.

Atores, atrizes, cantores, compositores, políticos, esportistas, líderes religiosos, enfim. Toda personalidade nacional e internacional tinha que bater um papo contundente e intimista (pelo close da câmera no entrevistado) com a jornalista. De Madonna a Fidel Castro, passando pelo líder palestino Yasser Arafat e pela conselheira sexual e apresentadora Sue Johanson.

Uma ministra, um violão...

"Cara a Cara" consolidou Marília Gabriela como a principal entrevistadora do Brasil. O programa foi indicado cinco vezes (de 1989 a 1994) ao Troféu Imprensa como melhor programa de entrevistas. A atração saiu do ar em 1994, mas seu formato acompanha Gabi em todas as emissoras por onde passou, inclusive no SBT, onde atualmente comanda o "De Frente com Gabi".

Curiosidade: uma das entrevistas mais marcantes deste programa foi com a então ministra da fazenda Zélia Cardoso de Mello. Depois de (tentar) explicar o confisco da poupança dos brasileiros em 1990, Zélia confessou estar vivendo um "amor platônico". O amado, que não foi revelado no ar, era o ministro da justiça, Bernardo Cabral. O pior (ou melhor) foi que o programa também teve um recital de violão da futura esposa de Chico Anysio!!!

Vamos conferir trechos de entrevistas com três grandes nomes da nossa música: Gal Costa, Maria Betânia e Rita Lee. Veja também a abertura do programa de entrevistas. Vídeos: You Tube. Imagem: reprodução.





sábado, 14 de julho de 2012

O FARO DA BAND

Os apresentadores de ZYBem Bom, na Band, em 1987
Poucas pessoas sabem, mas a Band não quis levar o mérito de lançar Xuxa como apresentadora. Na década de 1980, Maurício Shermann estava na emissora, e vislumbrou na então modelo uma futura estrela para as crianças. A direção não topou e a loirinha acabou sendo contratada pela Manchete em 1983. O resto é história mais que conhecida...

Porém a Band não cometeu o mesmo erro duas vezes. Ainda na área infantil, o canal de João Saad pode se orgulhar de lançar um dos grandes talentos dos auditórios na atualidade. Em 1987, Rodrigo Faro apresentou seu primeiro programa de TV: o "ZYBem Bom - A Rede Infantil do ano 2000".

Com um nome que brincava com os prefixos de emissoras de TV (ZYB), este infantil se passava nos bastidores de um canal de televisão comandado apenas por crianças. O apresentador de "O Melhor do Brasil" estreou com apenas 14 anos. Mas ele não estava sozinho, e outras crianças igualmente talentosas dividiam a apresentação do "ZYBem Bom".

 Jefferson, Juliana, Samantha (que se tornou a atriz Samantha Monteiro, que participou de "Fascinação" em 1998, no SBT), Aretha (a cantora Aretha Marcos, figurinha fácil dos musicais infantis de Augusto César Vannucci, na TV Globo, e diretor do "ZYBem Bom") e Rafael (filho da cantora Vanusa, Rafael Vannucci, irmão de Aretha) comandavam o programa. A atração ia ao ar de segunda a sexta, a partir das 16h.

Cantando com a turma

Entre brincadeiras, musicais e outras curiosidades, a turma ensinava a garotada a construir brinquedos usando sucata! O pensamento sustentável já vem desta época, vejam vocês!!! Entre os desenhos animados apresentados, destacaram-se "Dom Pixote", "Esquilo Sem Grilo", "Pac-Man" (baseado no sucesso do video game) e "Os Herculóides".

O programa agradou em cheio e, como a moda era gravar músicas para crianças, o sexteto aproveitou a onda. Foram lançados dois discos: "ZYBem Bom", que incluía o tema de abertura da TV, e "ZYBem Bom - Caçadores de Aventura". Como tudo o que é bom dura pouco, o programa ficou no ar só dois anos.

Curiosidade: a grafia correta do nome do infantil é "ZYB Bom", mas com um til (~) em cima do primeiro B, para ser pronunciado como "Bem". Vamos rever os amigos da Rede Infantil do ano 2000 na abertura do programa, a primeira parte do especial de natal "Alô Papai, Alô Mamãe", e a chamada da atração da TV Bandeirantes.

Agradecimentos: poboxpixuca, 9desetembro e infantv.com.br