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segunda-feira, 22 de julho de 2013

A MANIA DA EXCELSIOR FAZ 50 ANOS

Anúncio de uma das primeiras novelas a
utilizar o vídeo tape (VT)
Parece que foi ontem, mas a telenovela diária brasileira completa hoje 50 anos. Uma verdadeira mania nacional, a primeira trama a realizar tamanha ousadia para a época foi "2-5499 Ocupado", exibida pela TV Excelsior a partir de 22 de julho de 1963, às 19:30h.

Um engano telefônico foi o pontapé inicial de uma história simples, porém envolvente. Uma presidiária, Emily (Glória Menezes), vai trabalhar como telefonista na cadeia onde cumpre pena, graças a seu bom comportamento. Na primeira ligação, ela conhece Larry (Tarcísio Meira), um importante advogado, ao discar um número de telefone errado. Mas as vozes encantam mutuamente e aí começa a trama amorosa.

Entre outras estrelas, participaram dessa aventura do antigo canal 9 paulistano os atores Gilberto Salvio, Lolita Rodrigues, Neuza Amaral, Maria Aparecida Alves e Lídia Costa.

Essa novela tem vários marcos para a história da teledramaturgia. Até 1963 era comum as novelas serem apresentadas duas ou três vezes por semana. Mas a Excelsior percebeu que para essa produção ganhar o gosto do público era preciso fidelizar o telespectador, apresentando capítulos diários. Esta decisão foi tomada dias depois da estreia.

O par romantico favorito dos brasileiros

Depois desta novela, o casal seria escalado em várias
novelas da Rede Globo
Embora tivessem gravadas cenas em cadeias reais, muitas imagens "externas" foram realizadas em estúdio, com direito a vento, chuva e tudo!!! A trama também consagrou Tarcísio e Glória como o grande casal das novelas brasileiras. Como a maioria das novelas daquela época, "2-5499 Ocupado" foi  realizada em parceria com a "Grande Novela Colgate".

Hoje, cinco décadas depois, a telenovela passou por várias transformações, e ganhou diversos formatos. Porém o passar do tempo não diminuiu o interesse e a repercussão que essas histórias tem em nossa sociedade. Boas ou ruins, polêmicas ou singelas, curtas ou compridas, a verdade é que o gênero não passa despercebido pelo público, sendo o único a fazer a diferença na audiência de uma emissora.

Ah, e claro que a presidiária e o advogado, após enfrentarem muitos conflitos, ficaram juntos no final!!!

Curiosidades:

  • "2-5499 Ocupado" foi apresentada em todo o Brasil, e causou um tremendo problema para um gaúcho. O número de seu telefone era o mesmo que era título da novela. Várias pessoas ligavam para este número para saber se existia de verdade! O dono desta linha teve que mudar de telefone.
  • O texto original era do argentino Alberto Migré, e foi adaptado por Dulce Santucci. A TV Record, através da produtora JPO, realizou o remake desta trama. "Louca Paixão", com Maurício Mattar e Karina Barum foi ao ar em 1999.
Vamos rever o remake de "2-5499 Ocupado", já que não existem na internet imagens da primeira versão. Você assiste a abertura de "Louca Paixão" e a cena da ligação errada. Agradecimentos: Blog do Curioso, M de Mulher, rederaiuga e Célia Ferreira.




domingo, 30 de junho de 2013

ALÔ TEREZINHAAAA!!! ERA UM BARATO VER O CHACRINHA

O Velho Guerreiro comandou seus programas por quase
30 anos
Como o tempo passa... Parece que foi ontem, mas já fazem 25 anos que Chacrinha partiu para o andar de cima. Ninguém mais ouve chamar pela Terezinha sem sentir uma saudade, que vem acompanhada de uma alegria, de um sorriso.

José Abelardo Barbosa de Medeiros nasceu em Surubim-PE, em 30 de setembro de 1917. Ali, no calor nordestino se formou um dos maiores comunicadores que a nossa TV já teve. O jovem Abelardo soube captar como ninguém a essência do povo brasileiro. Seus programas tinham tudo o que o brasileiro gosta: festa, música, dança, mulheres, barulho, gozação, riso, confusão...

Aliás, o faro para saber se uma música, um conjunto ou um cantor faria ou não sucesso, vem da sua própria raiz musical. Chacrinha foi baterista de um banda na juventude, antes de estudar medicina. Mas para entrar no curso, Abelardo adotou um estranho método de estudo, porém lógico: ao se preparar para o vestibular, o jovem se trancava no quarto de cueca, e entregava todas as roupas para a mãe. Assim não poderia pensar em sair de casa, teria que meter a cara nos livros! Depois que ingressou na faculdade, viu que não conseguiria operar nenhuma pessoa, por não suportar ver sangue, e seguiu como músico.

Seu primeiro contato com o rádio aconteceu em 1937, na Rádio Clube de Pernambuco. Mas não seria o único. Após deixar a medicina, queria viajar com o Bando Acadêmico para a Europa, porém nesta época estourou a Segunda Grande Guerra, e a turma voltou para o Brasil, sem nem pisar no velho continente. Abelardo veio para o Rio de Janeiro, capital federal de então, e se fascinou o mundo maravilhoso do rádio. Logo conseguiu emprego como locutor.

O Rancho, a Buzina e a Discoteca

A primeira fantasia foi a de "disk-jóquei", com o disco de
telefone e o boné de um jóquei
Seu primeiro programa foi o carnavalesco "Rei Momo na Chacrinha". Abelardo passou a ser conhecido então como "o louco da chacrinha", que na verdade era uma pequena chácara onde ficava o estúdio da rádio. Com o passar do tempo, o apelido virou nome artístico. Nos anos 1950 criou o "Cassino do Chacrinha", onde construía através de vários sons diferentes um cassino real nas casas dos ouvintes. Várias vezes vinham pessoas visitar o local onde era o tal cassino e encontrava Abelardo de cueca, o operador de áudio e várias bugingangas usadas para os efeitos sonoros.

A TV veio na vida de Chacrinha em 1956. "Rancho Alegre" foi o primeiro programa comandado na TV Tupi. E nunca mais parou. Seus dois programas de maior sucesso, a "Buzina do Chacrinha" e a "Discoteca do Chacrinha" passaram pelas TVs Rio, Record, Excelsior, Bandeirantes e Globo. Como no começo não existia rede, o animador apresentava dois programas no Rio e dois em São Paulo, tudo ao vivo. Isso sem contar os shows que realizava ao lado de suas inseparáveis e inesquecíveis Chacretes. As dançarinas viraram referência na telinha, por sua beleza e sensualidade.

Chacrinha era um sujeito de personalidade forte. Sua história com a TV Globo mostra bem isso. Quando o diretor José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, chegou em 1967, ele já estava lá e era responsável pelos maiores índices da emissora. O canal estava no vermelho e ele, Dercy Gonçalves, Silvio Santos e Jacinto Figueira Jr. (O Homem do Sapato Branco) garantiam o IBOPE. Os dois bateram de frente muitas vezes. Em uma ocasião, ao fazer um concurso de cachorros com maior número de pulgas deixou a sede da Globo repleta desses parasitas, e a vizinhança também. Nem Roberto Marinho entrava lá.

Descobridor de talentos 

Roberto Carlos foi lançado no Rio e em São Paulo no quadro
"Cantor Mascarado"
O apresentador sempre estourava o horário de sua atração. Numa noite, Boni Já farto com a situação e já tendo conversado com o animador, mandou pessoalmente tirar o programa do ar, estourado em cinco minutos. Foi a gota d'água. Chacrinha saiu da Globo, não apenas por isso. A emissora já estava começando a implementar o famoso "Padrão Globo de Qualidade" e, naquela época, as atrações do programa eram de baixa qualidade, popularescas. Mas Boni nunca deixou de admirar o "Velho Guerreiro".

A volta para a emissora do Jardim Botânico aconteceu por intermédio de Florinda Barbosa, esposa de Chacrinha. Ela promoveu um encontro entre o diretor da Globo e o animador, e selaram o momento com a criação do "Cassino do Chacrinha", nos sábados globais. Foram mais seis anos de insuperável sucesso e audiência, que até hoje nenhum outro programa, seja da Globo ou não, jamais atingiu. Como ele mesmo definia, "uma bagunça organizada".

A lista de nomes de cantores que passaram por aquele palco, ou que começaram lá, é muito grande. De Gretchen a Roberto Carlos, de Chiclete com Banana aos Titãs, de Fábio Júnior a Nelson Ned, tudo o que era ou poderia ser sucesso estava no "Cassino", na "Discoteca" ou na "Buzina". Aliás, falando em "Buzina", Chacrinha também trouxe para a TV grandes talentos como jurados de calouros. O maestro Edson Santana, Elke Maravilha e Pedro de Lara são os mais famosos.

O "Papa" da comunicação

As famosas chacretes já foram chamadas de "TVzinhas" e
"Vitaminas"
A frase "na TV nada se cria, tudo se copia", criada por Abelardo Barbosa, não se aplica a ele. Seu estilo segue com único e inimitável, tamanha originalidade. Saiu da vida e entrou para a história. Jô Soares declarou em 2000 que a televisão alemã veio gravar o programa para tentar entender e explicar o fenômeno de comunicação que era o "Velho Guerreiro".

Hoje 25 anos depois, temos a oportunidade de rever, seja pelo canal a cabo Viva, seja pela internet, imagens preciosas de divertidos momentos da nossa TV, onde uma platéia delirava com bacalhaus, pepinos, e outras delícias. Os vídeos na web permitem que as novas gerações conheçam quem foi o animador que se comunicava, e não se trumbicava. Roda, roda, roda e avisa à Terezinha: como faz falta o "Cassino do Chacrinha".

Curiosidade:

  • A famosa "Terezinha" nunca existiu. Na verdade ela substituiu um merchandising que o apresentador fazia no começo da carreira: a água sanitária Clarinha. Chacrinha brincava com o nome deste patrocinador com seu auditório, mas o anunciante saiu do programa, e o bordão já tinha caído no gosto do povo. Então, o animador trocou a Clarinha pela inesquecível Terezinha;
  • O apelido "Velho Guerreiro" foi dado por Gilberto Gil, na canção "Aquele Abraço".
Vamos curtir os melhores momentos dos musicais do "Cassino do Chacrinha". Agradecimentos: microfone.jor.br, mundoonlineaqui.blogspot.com, radioemrevista.com, MegaMarina2 e Divulgação/TV Globo.


quinta-feira, 2 de maio de 2013

A REDENÇÃO DA EXCELSIOR

Fernando (Francisco Cuoco) e Ângela (Miriam
Mehler): final feliz
Num  dia 2 de maio, de 1968, chegava ao fim um grande sucesso da teledramaturgia brasileira, e um recorde para a história da nossa TV. A novela "Redenção" foi planejada para ter apenas cem capítulos, mas a trama de Raimundo Lopes, com direção de Waldemar de Moraes e Reynaldo Boury, caiu nas graças do público telespectador da TV Excelsior.

A novela tinha como personagem principal o médico Fernando Silveira (Francisco Cuoco). Ele chegava ao município de Redenção, e a pose de galã arrebatou três corações de uma vez só: Lola (Márcia Real), Marisa (Lourdes Rocha) que era a filha má do prefeito Juvenal (Rodolfo Meyer), e Ângela (Miriam Mehler), a filha do sapateiro Carlo (Vicente Leporace).

Um mistério rondava o médico recém chegado a cidade: o que queria o jovem doutor naquele lugar? Esse segredo foi mantido durante todo o folhetim. Fernando havia ido embora de lá muito pequeno, após o assassinato de seu pai. Formou-se em medicina e retornou a localidade com o objetivo de descobrir quem havia matado o pai. Silveira conseguiu desvendar o crime: o alcoólatra Mário (Newton Prado) foi o assassino.

Pioneirismo médico

"Redenção" também foi responsável por avanços da medicina ainda inéditos no Brasil da época. Durante a história, a carismática fofoqueira Dona Maroca (Maria Aparecida Baxter) morreu, e o público reclamou. A personagem dava graça à novela, com suas intrigas e fuxicos. O autor Raimundo Lopes resolver repetir na ficção o feito do renomado doutor Christiaan Barnard, através do médico protagonista. Barnard foi o responsável, em 1967, pelo primeiro transplante de coração do mundo. Aqui no Brasil, mesmo que na ficção, doutor Fernando foi o primeiro a realizar
tal cirurgia, e a primeira paciente foi Dona Maroca, que voltou à vida de fofocas em Redenção. Na vida real, o doutor Euryclides de Jesus Zerbini foi pioneiro nos transplantes cardíacos em nosso país, em 25 de maio de 1968, meses depois da novela.

Maroca (Maria Aparecida Baxter):
primeira transplantada na ficção
A produção também é responsável pela primeira cidade cenográfica da televisão brasileira. Era composta por três ruas, algumas casas, prefeitura, praça com um obelisco, igreja, delegacia, mercearia, um pequeno hotel e um boteco. A área total era de nove mil metros quadrados, e ficava localizada atrás dos estúdios de cinema da Vera Cruz, em São Bernardo do Campo-SP.

O sucesso desta novela da TV Excelsior foi tamanho que , até hoje, nenhum outro folhetim atingiu o mesmo número de capítulos. São 596 no total. A estreia aconteceu em 16 de maio de 1966. Você pode pensar: "Ah, mas já tiveram novelas que duraram mais tempo, como "Chiquititas" no SBT, e a "Malhação", que está há 18 anos no ar!!!" Sim, mas essas produções tiveram seus elencos e histórias renovadas a cada temporada, e "Redenção" segue o estilo clássico de novela. O elenco principal foi mantido do começo ao fim.

Curiosidades:

Extensão da Estrada de Ferro Sorocaba custou ao município 100 milhões de cruzeiros
  • A prefeitura do município de São Bernardo pagou a construção de uma extensão da Estrada de Ferro Sorocaba até a cidade cenográfica da novela. A intenção era fazer do local um ponto turístico, após o fim das gravações. E assim foi. Hoje, no local, existem a Cidade da Criança e a Cidade da TV;
  • Uma vila de casas construídas próximas da cidade cenográfica ganhou o nome da novela: Vila Redenção.
Vamos rever algumas imagens da mais longa novela brasileira. Ah, e sabe com quem ficou o médico, no final da história? Fernando casou-se com Ângela. Também vale a pena conhecer um pouco mais da trajetória da nossa telinha na Cidade da TV. Saiba mais em http://www.museudatv.com.br/cidadedatv/site/. Agradecimentos: Arquivos1000 e Museu da TV.