Mostrando postagens com marcador Angélica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Angélica. Mostrar todas as postagens

sábado, 8 de dezembro de 2012

A RESPOSTA ESTÁ EEEEEE...

Passa ou Repassa estreou no SBT há 25 anos
Muitos Quiz Shows fizeram a história da nossa telinha. Desde "O Céu é o Limite", de 1952 na Tupi, vários programas de perguntas e respostas conquistaram o público. Em 1987, o dono do SBT queria uma atração para substituir "Domingo no Parque", após quase 20 anos no ar. Estreou dentro do "Programa Silvio Santos" o então quadro "Passa ou Repassa".

A atração podia bem se chamar TV Meleca. Seus participantes saíam do estúdio inteiramente lambuzados. No início, duas duplas, de duas escolas, se enfrentavam a cada domingo, testando seus conhecimentos gerais. Se não soubesse a resposta, passava para o adversário. Caso o concorrente também não respondesse, repassava. Cabia a dupla arriscar ou pagar uma prova. A cada desafio, uma nova maluquice, uma nova melequeira!

Silvio Santos conduziu a disputa apenas um ano. Em 1988, Gugu Liberato assumiu o comando, e acrescentou um novo quadro, o mais famoso do programa: "Torta na Cara". As duas equipes montavam times com quatro integrantes que tinham que responder as perguntas corretamente, ou então teriam seus rostos (e as vezes cabelos) lambuzados com as tortas de chantily. Este formato consagrou "Passa ou Repassa" como um dos clássicos do SBT.

Durante os seis anos em que apresentou o "Passa", o apresentador promoveu disputas também entre artistas, suas famílias e até times de futebol. Sua coleção de camisetas de agremiações aumentou e muito nesta época!

"Celso vai levar tortada!"

Gugu comandou o "Passa" por seis anos
Gugu ficou à frente do programa até 1994, quando o "Domingo Legal" passou a ser apresentado ao vivo. Iniciando a sua transição do público infantil para o público adolescente, Angélica assumiu a apresentação do Quiz em 1995, com uma novidade: a exibição passou a ser diária, e a competição era realizada entre quatro escolas diferentes.

Em 1996, a loirinha pegou seu táxi, e se transferiu para a Globo. Silvio não queria perder a boa audiência do programa, e resolveu dar uma oportunidade para um ator de pegadinhas do "Topa Tudo por Dinheiro". Celso Portiolli já era radialista, e estava batalhando por uma oportunidade na emissora desde sua chegada em 1993. A felicidade bateu à sua porta com a saída de Angélica. Celso comandou uma primeira fase do "Passa" de 1996 a 1999.

A garotada do ensino fundamental passou a ganhar dinheiro na atração a partir de agosto de 2000. E mais, as crianças podiam fazer uma pergunta para Portiolli que, se respondesse errado, levava torta na cara. Uma farra! "Passa ou Repassa" ficou no ar por 13 anos. Houve um período de reprises em 2004 da fase infantil, comandada por Celso Portiolli.

Curiosidades: o formato original do programa é baseado no americano "Double Dare", da Nickelodeon (1986). Graças às novidades criadas aqui no Brasil, a partir de 1988, a ideia hoje é do SBT. O primeiro nome do quadro era "Passe ou Repasse". A frase "responde ou passa" foi um quadro dentro do "Cidade Contra Cidade", apresentado por Silvio Santos. Angélica ficou tão marcada pelo game show que, quando chegou à Globo, tratou de "adaptar" o "Torta na Cara" ao seu "Angel Mix". Na nova emissora, a brincadeira se chamava "Pergunta Torta". Dos quatro apresentadores, o único que levou tortada no palco foi Celso Portiolli.

Vejam agora a versão original de "Passa ou Repassa", a primeira chamada com Silvio Santos, as fase com Gugu, Angélica e Celso Portiolli, além de muita torta na cara e a prova final, que definia o campeão do programa.

Agradecimentos: sundaeslide87, Tratorrgs, passaourepassasbt, pombos0, MICOSDATV5, kbwaterworld e Reprodução/SBT.













quarta-feira, 21 de abril de 2010

A LOUCA INVESTIDA DE BLOCH: A TV MANCHETE


Neste ano, se viva fosse, a Rede Manchete de Televisão completaria 27 anos. Essa emissora não sai do coração e da lembrança daqueles que acompanharam os seus 16 anos no ar.

A Manchete nasceu da divisão da pioneira Rede Tupi, em 1980. A cadeia de televisão foi dividida em duas. A outra rede virou o SBT, que entrou no ar no mesmo ano da assinatura do contrato, em 1981. Adolpho Bloch, dono da revista Manchete, não tinha pressa em inaugurar sua TV, nem experiência. Mas tinha dinheiro, e estava disposto a investir. Os lemas da emissora eram "A TV do ano 2000" e "TV de primeira classe". De fato a realidade acontecia dessa forma: dos equipamentos até a programação, o canal era de primeira linha!

O prédio sede ficava na Glória, bairro nobre do Rio de Janeiro. O projeto foi assinado por Oscar Niemayer. Coisa fina! A estrutura montada para a Manchete era pra deixar a concorrência babando. Eram as mais modernas câmeras, ampla redação para o jornalismo, e um departamento exclusivo e futurista para a criação de suas vinhetas. Chic, não é? A vinheta do M sobrevoando varios pontos do país, que ficou no ar durante toda a existência da emissora dos Bloch, foi criada neste setor.

A TV ficou pronta dois anos depois do canal de Silvio Santos, em 5 de junho 1983, dia da estréia. Um domingo inesquecível, muito esperado e anunciado pela imprensa. A Rede Manchete entrou no ar com afiliadas em São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e a TV Pampa no Rio Grande do Sul.

Mas o nosso assunto é loucura, e isso não faltou na história da emissora. Uma das primeiras atende pelo nome de Xuxa. Na época ela era conhecida pelos "filmes" que fez, seu trabalho como modelo fotográfico e por ser a namorada de Pelé. Nunca havia segurado um microfone na vida. A sexy simbol foi convidada para comandar uma atração infantil, o Clube da Criança, já com roupas que fariam o biquini de bolinha amarelinha ser muito comportado! Como televisão não é uma ciência exata, deu no que deu!

Também apostou na audiência garantida com programas eruditos, como concertos de música clássica. Mas já nos primeiros anos, desistiu da insana idéia ao ver o baixo IBOPE e a alta dívida que já possuía antes de completar 5 anos de vida. Foi investindo em programas populares que a Manchete conheceu o sucesso. As novelas, com orçamentos astronômicos, histórias grandiosas, são marcos da teledramaturgia brasileira. Kananga do Japão, Amazônia (a primeira novela produzida por kilômetro rodado, já que tinha como cenário o Brasil gigante por natureza), Tocaia Grande, Xica da Silva ("Xica qué sê Sinhá!!!), e claro Pantanal, que abalou a então inabalável audiência global, e foi reprisada quase como Chaves, nos anos seguintes. O jornalismo da emissora fez escola, já que seu forte era a transmissão ao vivo. Se acontecesse algo muito importante, a Manchete parava a programação e cobria o fato o dia inteiro, se fosse preciso . O principal noticiário da casa, o Jornal da Manchete, chegou a ter três edições diárias, com uma hora cada!!! Na mesma época, o Jornal Nacional, na Globo, tinha apenas 30 minutos. Que diferença!

Mas a grande marca era a transmissão do carnaval do Rio de Janeiro! A TV Manchete dava show na cobertura. Experiência herdada da irmã impressa, a revista Manchete, e de Fatos e Fotos, outra publicação da Bloch Editores. Porém o que se via na telinha era uma overdose carnavalesca! A programação parava para as folias de Momo de 31 de dezembro até 28 de fevereiro, isso se a festa não caísse em março!

Eu tenho um carinho especial pela programação infantil do canal. Já que os desenhos animados da Disney, da Warner e Hanna-Barbera estavam na Globo e no SBT, a Manchete investiu em séries japonesas. Ponto para os Bloch!!! Quem viveu aquela época se lembra com saudades de Jaspion, Changeman, Flashman, Black Kamen Rider, Jiraya, Spielvan, Cavaleiros do Zodíaco, Sailor Moon e outros. Foram manhãs e tardes que fizeram muitas crianças felizes. Há quem diga que não se fazem programas ou desenhos como aqueles, mas é difícil afirmar sem o sentimento e o pertencimento àquela época.

No final de sua vida, o que se via na Manchete era a programação alugada para o inesquecível Grupo Imagem, aquele do (011) 1406, das meias Vivarina, das facas Ginsu, mas isso é outra loucura...

A Rede Manchete encerrou suas atividades em 1999, afundada em uma dívida estimada em US$ 300 milhões. No seu lugar entrou a RedeTV! Mas seus fãs não deixaram a história morrer e criam sites que contam a trajetória da Manchete, além de vários vídeos postados no Youtube. Falando em vídeos, fica o protesto pela falta de cuidado com o acervo da emissora, que está se perdendo desde a lacração do prédio da Gloria, no início dos anos 2000. As fitas, com imagens históricas como a estréia de Xuxa, Angélica ou Taís Araújo, em Xica da Silva, estão se deteriorando por causa da ação do tempo e dos fungos, já que não há climatização adequada. Uma loucura para a memória da TV. Apenas as novelas reprisadas pelo SBT e Band foram restauradas. O restante do arquivo está entregue ao mofo.

A Manchete, apesar das decisões erradas, é mais um exemplo de que loucura muitas vezes é confundida com ousadia e inovação. E só não se destaca quem não ousa, quem não cria.