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domingo, 9 de junho de 2013

CRÍTICA: RECRIAR É PRECISO

Segundo comunicado da Record, Gugu vai se dedicar a
"produção independente"
A última semana foi bem movimentada, graças ao repentino rompimento de Gugu Liberato com a Record. Após quatro anos de contrato, e com mais quatro pela frente, o apresentador decidiu na última quinta-feira encerrar o compromisso com a emissora da Barra Funda.

Muita coisa foi dita nestes últimos dias. Que o salário de R$3 milhões que Gugu tinha evitaria em torno de 600 demissões, que a pressão por parte dos diretores do canal estava sendo forte demais, entre muitas outras coisas. Tudo isso quem pode confirmar ou negar, um dia, é o próprio apresentador.

Ns palavras de Paraguaçu, "deixemos de lado os entretantos e falemos dos finalmentes". Vamos analisar as razões para o fim desta milionária parceria. Em 30 de agosto de 2009, estreia o "Programa do Gugu", com ares de super produção, e com muitas promessas. Após 27 anos de SBT, e 35 anos de Grupo Silvio Santos, a Record conseguiu o que nem a Globo realizou: tirou da Anhanguera o "substituto" do ex-dono do Baú nos Domingos. Os bispos prometeram programa de entrevistas na Record News, jatinho e helicóptero disponíveis para o dominical.

O então apresentador do "Domingo Legal" alegou que não se sentia prestigiado no SBT, e que não queria ser sócio da emissora com seu programa, assim como Raul Gil e Ratinho. Na rede de Edir Macedo, manteve o mesmo esquema que vinha apresentando em sua antiga casa, mas agora em horário noturno. A atração começou bem, garantia o segundo lugar fácil, mas em dezembro daquele ano começou a ser derrotada pelo "Programa Silvio Santos".

A direção trocou o horário do dominical, que passou a anteceder o jornalístico "Domingo Espetacular". Gugu passou a enfrentar o Faustão na Globo novamente, como fazia no final dos anos 1990 e saía vitorioso. Mas com o tempo, seu objetivo passou a ser a vice-liderança, e não o primeiro lugar. Eliana, que passou a ocupar o antigo horário do loirinho no SBT, cativou o público e trouxe de volta o segundo lugar para o canal.

Para tentar resgatar audiência, o animador e seu diretor, Homero Salles, tentaram de tudo. Talvez esteja aí a razão do problema. A maioria das ideias aplicadas no programa, são quadros velhos, antigos, que Gugu já tinha apresentado, ou já era conhecido do público. A "Corrida do Gugu" já fez parte da carreira do artista como "Corrida Maluca", "Sonhar mais um Sonho" e "Gugu Bate a sua Porta" foram produzidos já na fase do "Domingo Legal", "Escolinha do Gugu" é dos formatos mais antigos na TV, e o "Desafio Musical" já foi apresentado por Silvio Santos como o inesquecível "Qual é a Música?"

Acharam que o problema estava até nas roupas do Gugu, que trocou o terno por camisas polo e tênis moderno. Lembrem-se de que no começo da carreira, o animador se vestia igualzinho ao Silvio Santos. Até o mesmo microfone ele usava! No entanto, o que o diferenciava eram as novidades que trazia para o programa, sempre com um tom popular, mas distintas do que Silvio apresentava.

Gugu precisa se renovar, se redescobrir como artista e como animador. Um bom exemplo é seu mestre, Silvio Santos, que apresenta os mesmos quadros, mas de uma maneira diferente de quem os assistiu há 10 ou 20 anos atrás.

Mas a Record também errou, ao colocar tão imediatamente no ar um artista que tem a imagem fortemente associada à concorrência. Era necessário deixar esfriar a ligação Gugu-SBT, na cabeça do público. Xuxa serve de modelo para esse caso. A Rainha dos Baixinhos ficou seis meses na geladeira da Globo antes da estreia do "Xou da Xuxa", para desassocia-la da Rede Manchete, onde apresentava o "Clube da Criança".

O futuro de Augusto Liberato por enquanto é incerto. O que se sabe é que hoje vai ao ar o último "Programa do Gugu" ao vivo, pela Rede Record. Pela curiosidade do público, é bem provável que esta exibição renda bons índices para a emissora.

terça-feira, 12 de março de 2013

CIDADES MARAVILHOSAS

Antes de "Cidade", Gugu testou o "Viva a Noite" aos Domingos
Gugu Liberato teve várias atrações quando chegou a dividir o "Programa Silvio Santos" com o patrão. Uma das práticas conhecidas do SBT é resgatar um de seus inúmeros programas de auditório, dar um tapa no visual, e lançar novamente como "a volta de um grande sucesso". Com Gugu não foi diferente, e há 25 anos o apresentador estreava o "Cidade Contra Cidade".

Este programa nasceu nos primeiros anos da carreira de Silvio, ainda nos anos 1960. Foi um das primeiras atrações comandada pelo então dono do Baú, fora da Rede Globo. Alugando horário na Rede Tupi às Quartas Feiras, a disputa entre as delegações de dois municípios começava por volta de 21h e terminava além da meia-noite.

Foi nesse programa que se constatou que somente um evento de outro mundo era páreo para Silvio Santos. Em 1969, a transmissão da chegada do homem à Lua rendeu 41,1% de audiência, enquanto "Cidade Contra Cidade", exibido na mesma semana, obteve 40,1%. Tempos depois, o programa passou a se chamar "Silvio Santos Diferente", seguindo o mesmo esquema de quadros de seu irmão dominical, e saiu do ar em 1977.

Desfile de atrações

A equipe de Ribeirão Preto foi a grande recordista da atração
levando para casa 17 ambulâncias, nos tempos da Tupi.
Em 1988, o programa volta para as tardes de Domingo. Gugu comandava uma série de provas disputadas pelas delegações, sempre lideradas por uma equipe de rádio da cidade. As brincadeiras eram muitas: a mais bela moça, o melhor cantor(a), a melhor curiosidade, o chute a gol, e a torcida mais animada. Havia também as disputas realizadas no Parque do Carmo, em São Paulo, e nas futuras instalações da emissora na Anhanguera, sob o comando de Ademar de Barros.

As audiências mais altas da atração aconteciam quando Rio e São Paulo se enfrentavam. O grande prêmio de "Cidade Contra Cidade" para o município vencedor era uma ambulância, e a permanência no programa, para enfrentar outra localidade. Mas o maior ganhador era o público telespectador, que tinha a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o povo e as belezas naturais das localidades participantes. O quadro permaneceu no ar até 1989.

Curiosidades:

  • O começo da carreira profissional de Gugu como produtor está muito ligado ao "Cidade Contra Cidade". O jovem Augusto era sempre o responsável por uma das delegações que participavam da atração, na época sob o comando de Silvio Santos. O "Cidade" também foi o primeiro dominical apresentado por Gugu;
  • A apresentadora Olga Bongiovanni teve uma de suas primeiras experiências em rede nacional de televisão nesta atração. A então locutora da emissora local de Cascavel-PR fez parte da equipe que representava o município no programa;
  • "Responde ou Passe" era um quadro do dominical, nascido ainda com Silvio Santos, que virou bordão do programa "Passa ou Repassa";
  • A trilha sonora, que acompanhava todo o programa era "Happy Children", de 1984, lançada por P. Lion. Esta música foi usada de novo aproximadamente seis anos depois para o "Táxi do Gugu", dentro do "Domingo Legal". O tema de abertura era um instrumental baseada na marchinha "Cidade Maravilhosa", de André Filho;
  • "Cidade Contra Cidade" era a penúltima atração do "Programa Silvio Santos", sempre antecedendo o "Show de Calouros". 
Vamos recordar este desfile de atrações, curiosidades e cultura brasileira no dominical "Cidade Contra Cidade". Os vídeos são da participação do município de Espírito Santo do Pinhal-SP. Agradecimentos: Ricardo Mateus Olivi e claudiard1981.





















domingo, 24 de fevereiro de 2013

CRÍTICA: O DESAFIO DO GUGU

Aproveitando a estreia, Gugu adotou um visual mais esportivo
Neste Domingo, a Record estreou o quadro "Desafio Musical", a nova versão do clássico "Qual é a Música", apresentado por Silvio Santos durante quase 20 anos. A disputa entre artistas foi gravada por Gugu Liberato durante a semana, e exibida no final de seu  programa dominical. O restante da atração foi ao ar ao vivo, seguindo a mecânica usada para a "Escolinha do Gugu".

Somente duas provas eram desconhecidas do público: "Kazoo", uma espécie de apito, na qual os convidados cantarolam canções que estão ouvindo por um fone, e "Foto Musical", onde os participantes, ao escolherem uma fotografia poderiam tentar adivinhar o nome da música do artista estampado ou passar a pergunta para o time adversário.

Vale ressaltar o esforço da produção em fazer com que o "Desafio Musical" em nada lembrasse o quadro conduzido pelo dono do SBT de 1976 a 1991, com volta entre 1999 e 2002 e um último retorno em 2007. Todos os jogos receberam nova roupagem. Não tem três interpretes para o jogo dos versos (apenas uma), muito menos os famosos dubladores maquiados. Até a participação da plateia foi repaginada. Duas assistentes de palco, com um microfone cada, iam até as moças do auditório que sabiam as respostas corretas.

O visual dos quadros foi modernizado. No lugar da orquestra, um DJ disparava todas as músicas usadas nas brincadeiras, inclusive as notas do leilão, a disputa final da atração. Porém algumas coisas foram mantidas, como o trio masculino e feminino que se enfrenta, e a clássica pergunta ao DJ-maestro: qual é a música?

Não é a primeira vez que a emissora da Barra Funda adapta um programa estrangeiro, já conhecido por aqui. Em 2009, o canal 7 comprou os direitos de "O Preço Certo". Apresentado pelo ator Juan Alba e pela jornalista Débora Santilli, o game show foi exibido diariamente nas tardes da programação, até meados de 2010. Mas esta atração já havia sido produzida no Brasil também por Silvio Santos, na década de 1980, inclusive com o mesmo título. 

Silvio Brito, Silvio Santos e Fafá de Belém na versão de 1976

A aquisição de "Name That Tune" (Nome desta música), o formato original da atração, é a resposta que a Record deu a uma pesquisa com telespectadores, sobre o "Programa do Gugu". O público quer o apresentador mais presente no palco do Teatro Record, e a participação maior de artistas convidados.

A audiência correspondeu durante a "novidade". Pouco tempo depois de encerrado o dominical, o diretor Homero Salles, em seu Twitter, anunciou que a atração terminou "com o dobro da terceira colocada, a quatro décimos da líder". Mas não foi o suficiente para deter Eliana e o SBT. Segundo dados preliminares, a loirinha fechou com 6,8 de média contra 5,9 da Record. A Globo liderou no período com 12,9.

Quando o apresentador surgiu na emissora de Silvio Santos como sucessor do patrão, a imagem de Gugu era idêntica a do homem do Baú. Até mesmo o microfone era o mesmo! O que o diferenciava eram as novidades que trazia no "Viva a Noite". Os quadros bolados pela equipe e pelo ex-produtor eram diferentes, mas mantinham a essência popular de Silvio. Gugu foi contratado com 14 anos pela sua criatividade.

Ainda é muito cedo para dizer se a estratégia será vencedora. Televisão é hábito. Apostar em uma atração já conhecida e consagrada é algo arriscado. O público pode se cansar muito rapidamente, ou não. Sem contar as inevitáveis comparações. Mas já é positivo o fato do programa não encerrar com lágrimas dos quadros emocionantes que vinha trazendo ultimamente. O telespectador quer terminar seu final de semana com bom humor. Afinal, tristeza por tristeza, basta lembrar que a Segunda está chegando!

Imagens: UOL e Divulgação/TV Record.

domingo, 13 de janeiro de 2013

DUAS DÉCADAS DE DOMINGO LEGAL

Chegou a hora de fazer uma grande festa! O "Domingo Legal" completa 20 anos no ar, em 2013. Uma data histórica para o dominical e para o SBT. É um dos programas mais duradouros da emissora, ficando atrás apenas de "Hebe" (24 anos), "A Praça é Nossa" (25 anos) e do "Programa Silvio Santos" (32 anos).

O semanal estreou em 17 de janeiro de 1993, como um dos quadros do domingão do patrão. Era mais uma tentativa de Gugu Liberato de se firmar no dia mais importante da televisão brasileira. O loirinho já havia apresentado várias atrações como "Corrida Maluca", "Passa ou Repassa" e "TV Animal". O novo programa estreou em pleno verão, inspirado no modelo de sucesso do "Viva a Noite".

Seu começo foi muito parecido com seu irmão dos Sábados à noite. Vários concursos e atrações musicais recheavam o dominical. Pouco tempo depois, Gugu retomou a disputa entre artistas "Eles e Elas", com provas conhecidas como "prova do tato", "prova do desenho", "o que é, o que é", entre outras.

Gugu ao vivo

Antes de agosto de 94, Gugu também tinha o "Passa ou Repassa"
A grande virada aconteceu a partir de 1994. Em 1º de maio, o piloto Ayrton Senna morreu no autódromo de Ímola, na Itália. Enquanto a Globo tinha programas ao vivo para repercutir o assunto, o SBT estava com toda sua programação gravada. A direção da emissora decidiu que Gugu Liberato passaria a comandar o "Domingo Legal" ao vivo, ao meio-dia, em 21 de agosto daquele ano. A decisão deu certo, e aumentou a audiência.

A atração passou a produzir gincanas externas nas imediações do Teatro Silvio Santos, com a participação do público, e o "Helicóptero do Gugu", que começou distribuindo prêmios, em vários locais do Brasil. O helicóptero foi útil também para inserir o jornalismo no "Domingo Legal". Sua principal cobertura foi o acidente fatal do conjunto "Mamonas Assassinas", em 2 de março de 1996. O programa foi líder de audiência durante toda sua exibição.

A busca incansável e desmedida por audiência

Primeira visita da cantora mexicana ao programa dominical
Em 1997, a emissora de Silvio Santos muda o programa de horário. Exibido às 16h, Gugu passou a enfrentar diretamente o "Domingão do Faustão", o líder do horário na Rede Globo. Começou aí a guerra dos domingos entre Globo e SBT. "Domingo Legal" foi vitorioso em muitos dias, até 2002. Os concorrentes protagonizaram cenas lamentáveis na busca pelo IBOPE, como o sushi erótico de Faustão, e os "lobisomens" de Gugu.

Com esse pensamento, e investindo principalmente em jornalismo, o apresentador se envolveu numa falsa entrevista com supostos membros de uma facção criminosa de São Paulo. Os "bandidos" fizeram ameaças a algumas personalidades, como padre Marcelo Rossi, o então vice-prefeito da capital paulista Hélio Bicudo, e apresentadores como José Luiz Datena. O ministério público investigou a entrevista e julgou tratar-se de uma farsa. Gugu e a emissora foram processados e condenados. O programa deixou de ser exibido por um domingo.

A segunda virada

Até assumir o dominical, Celso estava disposto a deixar o SBT
Desde 2003, a atração voltou a apostar mais em entretenimento, com musicais e brincadeiras com o público. Muitos artistas nacionais e internacionais passaram pelo palco do programa nestes 20 anos. Destaque para Shakira, Ricky Martín e a chegada hollywoodiana de Thalía, com direito a limousine e tudo. Um dos grandes sucessos recentes do "Domingo Legal" é o quadro "Construindo um Sonho", que reforma a casa dos telespectadores sorteados.

Em 12 de março de 2009, o dominical passa por uma grande mudança. Gugu Liberato troca de emissora, após 28 anos de SBT e 35 anos de Grupo Silvio Santos. Celso Portiolli, com 16 anos no canal 4 paulistano, comandando a "Sessão Premiada", assume o programa e transforma o "Domingo Legal", voltando às suas origens, com brincadeiras, concursos e prêmios para os telespectadores. A "Piscina Maluca" e o game "Meu pai é melhor que o seu pai" são dois dos muitos sucessos desta nova fase. O programa voltou ao horário do almoço, e hoje é um dos maiores faturamentos da emissora.

Curiosidades:
  • Antes de entrar no ar, "Domingo Legal" foi totalmente planejado pela equipe de produtores e diretores da época, liderados por Homero Salles, atual diretor do Gugu na Record, e Roberto Manzoni, diretor do programa até hoje;
  • O "Magrão" Roberto Manzoni se afastou da atração por alguns meses, em 2002. Coincidentemente foi nesta época que aconteceu a "entrevista" polêmica com os "integrantes" do grupo que atua dentro e fora dos presídios paulistas;
  • O que hoje vemos nas telas de programas globais como "Vídeo Show" e recentemente o "The Voice Brasil" já existia no SBT. O "Domingo Legal" foi o primeiro programa de auditório a ter a participação do público pela internet, com as mensagens on-line exibidas no vídeo. O recurso começou a ser usado em 1996;
  • Os quadros mais conhecidos da atração são "Taxi do Gugu", "Banheira do Gugu", "De Volta para Minha Terra", "Telegrama Legal" e "Construindo um Sonho";
  • A primeira vítima do "Bom Dia Legal", quadro que acordava famosos, foi seu conhecido algoz: Otávio Mesquita foi acordado por Zezé di Camargo, na ocasião do seu aniversário. A brincadeira foi ao ar no programa "Perfil", e reapresentada pelo Gugu. O troco foi ao ar na semana seguinte e fez tanto sucesso, que pernaceu no ar por cinco anos. A brincadeira também foi comandada pela dupla Rodolfo e ET;
  • Homero Salles queria ter um vídeo wall no programa, um telão composto por várias telas de TV. Silvio Santos e Luciano Callegari, superintendente artístico e operacional da época,  sempre lhe negaram, por ser um equipamento muito caro. Certa vez, numa viagem ao Japão, ele e Gugu trouxeram um pequeno equipamento que poderia reproduzir em um Chroma key, uma grande tela de uma cor só, a simulação de um vídeo wall. Quando "inaugurou" o equipamento, com o telão montado no auditório, Silvio e Luciano realmente acreditaram que algum diretor havia aprovado a compra daquilo. Esse telão fez parte do auditório de 1996 a 1999, mas em 1998, no Complexo Anhanguera, o "Domingo Legal" já tinha um video wall de verdade. Confira esta e outras histórias do diretor no site Tudo Sobre TV clicando aqui.
  • Quando a saída de Gugu foi confirmada, iniciou-se uma campanha maciça no Twitter para que Celso Portiolli assumisse a atração. Às vésperas de renovar seu contrato, e longe dos auditórios há alguns anos, Celso estava decidido a sair do SBT, assim como não acreditava na partida do primeiro apresentador do "Domingo Legal". Ao se reunir com Silvio Santos, já com Gugu fora do elenco da emissora, Portiolli ouviu do patrão: "essa é a grande oportunidade de sua carreira". O programa possui uma das melhores equipes de produtores da casa.  
Vamos conferir as aberturas do programa, que mostram as mudanças no visual do "Domingo Legal" e de seus apresentadores. Dentre os vídeos você pode assistir um dos últimos programas comandados por Gugu, que na ocasião já estava contratado pela Record, e a estreia de Celso no dominical. Agradecimentos: Portal SBTista, Central de Notícias, Guilherme Guidorizzi, hkuniochi, costelinha12, tedcontatoss, Vitor Soares, rededetelevisão, kassiocdd, Elienlton Lopes, SBTonline, e SBT.



















sábado, 8 de dezembro de 2012

A RESPOSTA ESTÁ EEEEEE...

Passa ou Repassa estreou no SBT há 25 anos
Muitos Quiz Shows fizeram a história da nossa telinha. Desde "O Céu é o Limite", de 1952 na Tupi, vários programas de perguntas e respostas conquistaram o público. Em 1987, o dono do SBT queria uma atração para substituir "Domingo no Parque", após quase 20 anos no ar. Estreou dentro do "Programa Silvio Santos" o então quadro "Passa ou Repassa".

A atração podia bem se chamar TV Meleca. Seus participantes saíam do estúdio inteiramente lambuzados. No início, duas duplas, de duas escolas, se enfrentavam a cada domingo, testando seus conhecimentos gerais. Se não soubesse a resposta, passava para o adversário. Caso o concorrente também não respondesse, repassava. Cabia a dupla arriscar ou pagar uma prova. A cada desafio, uma nova maluquice, uma nova melequeira!

Silvio Santos conduziu a disputa apenas um ano. Em 1988, Gugu Liberato assumiu o comando, e acrescentou um novo quadro, o mais famoso do programa: "Torta na Cara". As duas equipes montavam times com quatro integrantes que tinham que responder as perguntas corretamente, ou então teriam seus rostos (e as vezes cabelos) lambuzados com as tortas de chantily. Este formato consagrou "Passa ou Repassa" como um dos clássicos do SBT.

Durante os seis anos em que apresentou o "Passa", o apresentador promoveu disputas também entre artistas, suas famílias e até times de futebol. Sua coleção de camisetas de agremiações aumentou e muito nesta época!

"Celso vai levar tortada!"

Gugu comandou o "Passa" por seis anos
Gugu ficou à frente do programa até 1994, quando o "Domingo Legal" passou a ser apresentado ao vivo. Iniciando a sua transição do público infantil para o público adolescente, Angélica assumiu a apresentação do Quiz em 1995, com uma novidade: a exibição passou a ser diária, e a competição era realizada entre quatro escolas diferentes.

Em 1996, a loirinha pegou seu táxi, e se transferiu para a Globo. Silvio não queria perder a boa audiência do programa, e resolveu dar uma oportunidade para um ator de pegadinhas do "Topa Tudo por Dinheiro". Celso Portiolli já era radialista, e estava batalhando por uma oportunidade na emissora desde sua chegada em 1993. A felicidade bateu à sua porta com a saída de Angélica. Celso comandou uma primeira fase do "Passa" de 1996 a 1999.

A garotada do ensino fundamental passou a ganhar dinheiro na atração a partir de agosto de 2000. E mais, as crianças podiam fazer uma pergunta para Portiolli que, se respondesse errado, levava torta na cara. Uma farra! "Passa ou Repassa" ficou no ar por 13 anos. Houve um período de reprises em 2004 da fase infantil, comandada por Celso Portiolli.

Curiosidades: o formato original do programa é baseado no americano "Double Dare", da Nickelodeon (1986). Graças às novidades criadas aqui no Brasil, a partir de 1988, a ideia hoje é do SBT. O primeiro nome do quadro era "Passe ou Repasse". A frase "responde ou passa" foi um quadro dentro do "Cidade Contra Cidade", apresentado por Silvio Santos. Angélica ficou tão marcada pelo game show que, quando chegou à Globo, tratou de "adaptar" o "Torta na Cara" ao seu "Angel Mix". Na nova emissora, a brincadeira se chamava "Pergunta Torta". Dos quatro apresentadores, o único que levou tortada no palco foi Celso Portiolli.

Vejam agora a versão original de "Passa ou Repassa", a primeira chamada com Silvio Santos, as fase com Gugu, Angélica e Celso Portiolli, além de muita torta na cara e a prova final, que definia o campeão do programa.

Agradecimentos: sundaeslide87, Tratorrgs, passaourepassasbt, pombos0, MICOSDATV5, kbwaterworld e Reprodução/SBT.













sábado, 3 de novembro de 2012

NOITES VIVAS NO SBT

Gugu Liberato no começo de "Viva a Noite"
Uma mistura de dois programas latinos, um americano e o jeitinho brasuca de fazer televisão renderam um dos maiores sucessos da nossa telinha e lançou um dos mais respeitados animadores deste país. Em 9 de novembro completam-se 30 anos da estreia de "Viva a Noite" nos sábados do SBT.

Pouco tempo depois do primeiro aniversário da então TVS, Silvio Santos queria um programa animado, alegre e descontraído para as noites de sábado. Chamou uma produtora argentina, Nelly Raymond, que já conhecia de outros trabalhos anteriores, e encomendou o projeto. Nelly pensou em reunir elementos de "Saturday Night Fever" americano, "Sabado Fiebre" e "Hoy Quien Danza es Usted" mexicanos.

Depois de algumas reuniões, ficou decidido que o programa seria dividido em três partes: um festival de música latino americana, o esotérico "Noites de Mistério" e o "Hoje Quem Dança é Você". A produtora pensou em três apresentadores conduzindo a atração. Para o festival ficou escolhido Ademar Dutra, que já apresentava provas externas no "Cidade Contra Cidade". O esotérico Jair de Ogum foi chamado para comandar o "Noites de Mistério".

Faltava um apresentador, e o diretor Homero Salles, dentro do projeto desde o início, sugeriu um nome que estava começando, atendendo aos telespectadores pelo telefone numa sessão de filmes: Augusto Liberato. Nelly gostou da evolução do garoto que conheceu como office-boy nos anos 1970 na Globo. Aceitou a sugestão. Mas Gugu não foi uma unanimidade na diretoria do SBT. Muitos executivos da empresa acharam um erro indicar um rapaz tão pouco conhecido, com tantos nomes no mercado. Em pouco tempo veriam que estavam errados. O jovem apresentador conduziria o concursos de danças. O nome da atração surgiu naturalmente: "Viva a Noite"

Sonhos de uns, diversão de outros

A cantora Joana, na segunda fase do semanal
Com o passar dos meses, o festival de músicas e o esoterismo perderam espaço para as mulatas rebolativas do carismático Gugu, que ganhou o comando do programa. A partir de então, "Viva a Noite" passou a ser a grande opção do sábado. Em seus primeiros anos, o programa era realizado ao vivo, no Teatro Silvio Santos no Carandiru, zona norte paulistana. Aproveitando-se disso, o animador pedia para que as pessoas trouxessem as mais diversas quiquilharias em troca de prêmios em dinheiro.

A "Cabine Milionária" ficou famosa nesta época. O sujeito tinha que dançar vários ritmos diferentes sem parar, durante todo o programa! Muitas eram as brincadeiras realizadas no palco, com os competidores do concurso de danças. Para auxiliar o animador no palco, belas moças estavam prontamente dispostas a ajudá-lo. Marriette, Silvinha e Alessandra Scattena ficaram famosas em todo o país graças ao programa. Também ficou conhecido o romance que o loirinho teve com Rose Miriam (a futura mãe de seus três filhos) e Silvinha, com quem quase se casou, além de um rápido namoro com Scattena.

O "Sonho Maluco nasceu nesta época. Uma fã mandava uma carta para o programa, pedindo para realizar seu mais pirado devaneio com seu artista favorito. Teve de tudo: homem casado tomando banho no palco com Rita Cadillac (com a esposa assistindo), tapinha no bumbum da jurada Wilza Carla, valsa de 15 anos com Luis Ricardo, banho de champagne com Sula Miranda, lambuzar Simony com glacê, escrever versinhos nas costas do Polegar Rafael Ilha e muitos, muitos outros. Nem Gugu escapava! Ele "salvou" uma fã de um "prédio em chamas", vestido de Superman, "casou-se" com a comediante Nhá Barbina e atravessou um túnel de fogo. Neste último o apresentador correu sério risco de morrer asfixiado com a roupa anti-chamas.

Depois dessa, o animador preferiu deixar os perigos para os candidatos a Rambo Brasileiro! Os marmanjos marombados fizeram sucesso, elevando este concurso criado no semanal ao mesmo patamar do Miss Brasil, que estava com Silvio no SBT. Os participantes bezuntados com óleo faziam poses de fisiculturismo usando o mesmo figurino consagrado por Sylvester Stallone no cinema. A mulherada delirava!!!

Passarinho quer dançar

O grupo Dominó no cenário mais marcante do programa
Também eram muito divertidas as provas disputadas pelos times masculino e feminino. As equipes formadas por artistas se enfrentavam na prova do desenho, a face oculta, torre de taças, declaração de amor, prova da bexiga, o que é o que é, mímica, e várias outras.

Todos os grandes nomes da música batiam ponto no programa. De Ronnie Von a Gretchen, passando por Léo Jaime, Sandra de Sá, Trem da Alegria, Titãs, Luis Caldas, As Paquitas, Patrícia Marx, Joana, Adriana, Jairzinho e Simony, e muitos mais. Além das crias da Promoart, empresa de Gugu: os grupos Dominó, Polegar e Banana Split. Destaque para a primeira apresentação do fenômeno Menudo no Brasil. O grupo de Porto Rico entrou no palco da atração, ao vivo, de bicicleta, com uma multidão de meninas histéricas fora e dentro do estúdio.

Gugu foi incentivado a gravar musiquinhas para animar o programa. A primeira foi "Docinho Docinho", depois veio "Baile dos Passarinhos", que encerrava o programa e virou febre nacional. O apresentador ouviu a versão em espanhol da música pela primeira vez num hotel cinco estrelas em Itaparíca na Bahia, e pensou: "Se essa gente rica não resiste, imagine o povão". Outras canções vieram como "Pega o meu Peru", "Dança da Galinha Azul" (o melhor merchandising que já vi), "Bota Talquinho" etc.

A volta dos que não foram

A cantora Gil e convidados no retorno da atração
Com o crescimento de audiência, o investimento também cresceu. "Viva a Noite" passou a desbancar os filmes exibidos pela Globo no horário. A emissora carioca não perdeu tempo, e contratou o animador no final de 1987. Mas em 1988, temendo perder sua voz, seu possível sucessor e audiência, Silvio Santos conversou pessoalmente com Roberto Marinho, com quem não falava então há 15 anos, para liberar Gugu. De volta ao SBT, o loirinho ganhou mais espaço para anunciar seus shows e produtos e foi parar no domingo, dividindo por quatro horas o "Programa Silvio Santos" com o mestre e patrão.

A chegada de Liberato aos domingos, e o desgaste natural da atração, colocaram um ponto final no "Viva a Noite" em 1992. Seu formato seria aproveitado para a criação do "Domingo Legal", em 1993. O programa seguiu sendo amado pelos seus fãs e por admiradores da cultura dos anos 80. Esse movimento fez o SBT trazer de volta o semanal em 2007, com Gilmelândia, Supla e Bruno Chateaubriand. Mas como nem tudo do passado funciona no presente, a segunda versão foi cancelada em 2008.

Curiosidade: você já deve ter notado que no começo da carreira, Gugu usava o microfone do Silvio Santos. Outros apresentadores da casa na época, como Raul Gil, J. Silvestre e Sérgio Chapellin, também o utilizaram. Porém a ideia nesta atração, que partiu do patrão, era ter a cada semana um "clone" dele apresentando o programa. O iniciante animador deixou de usar o equipamento em 1985, aproveitando a mudança de cenário, e passou a usar um microfone de lapela. Pouco tempo depois aderiu a um modelo de mão. Os "queijos", como são chamadas em cenografia as bases redondas onde ficavam as bailarinas, com bambolês que giravam em volta das moças a cada música, foi copiado do filme "Superman", de 1978.

Vale muito a pena ver e rever a abertura do programa, alguns sonhos malucos, algumas provas da gincana "eles e elas", e o Baile dos Passarinhos, que encerrava o "Viva a Noite". Agradecimentos: Abril, reprodução/SBT, hkuniochi, 8desetembro, claudiard1981, 9desetembro e FESTA388.
















domingo, 17 de julho de 2011

DE ONDE VÊM ALGUNS SUCESSOS DA TV


A televisão brasileira é uma das melhores do mundo, fato. É verdade que talvez atualmente não estejamos explorando todo o potencial criativo do profissional nacional, comprando formatos de fora. Mas engana-se quem pensa que essa prática é recente! A TV adapta programas estrangeiros desde 1955. O primeiro deles é um dos maiores sucessos da carreira de J. Silvestre: "O Céu é o Limite", na TV Tupi. Esta atração se chamava no Rio de Janeiro "Show Sem Limite", e pagava 1 milhão em dinheiro para o candidato que respondesse a uma bateria de perguntas, sobre um tema escolhido por ele mesmo. A criadora deste Quiz Show foi a CBS, nos Estados Unidos, no mesmo ano da estréia da versão brasileira. Na terra do Tio Sam atendia pelo nome de "The $64.000 Question". Como não existe VT do programa comandado por J.Silvestre, não dá para comparar, mas fica uma amostra da atração gringa.



Daí pra frente, apresentadores tupiniquins descobriram uma "fonte de idéias". Era comum chegar dezembro e ouvir dizer que tal animador viajou para "bolar novos programas", quando na verdade comprava formatos. Quem fez muito disso foi Silvio Santos. Vários de seus quadros foram comprados e adaptados para o Brasil. Um dos primeiros foi o "Qual é a Música", que nos Estados Unidos chamava-se "Name That Tune"(NBC e CBS, 1953). Só que lá a disputa era realizada entre anônimos. Uma das provas que permaneceu idêntica foi o Relógio Musical. Dá uma olhada:





O quadro Vai Dar Namoro, do "Melhor do Brasil" é baseado no "Namoro na TV" de Silvio Santos. Este, por sua vez, adaptou o formato do americano "The Dating Game" (ABC, 1965):





"Roda a Roda" já foi "Roletrando", que é um formato inspirado num sucesso mundial, o "Wheel of Fortune" (NBC, 1975):





Gugu Liberato é assumidamente um discípulo de Silvio Santos. Não apenas na condução de seus programas, mas também no bom faro para adaptar sucessos. O primeiro, que herdou do patrão no SBT, foi o "Passa ou Repassa", que era o americano "Double Dare" (Nickelodeon, 1986). Mais tarde Angélica e Celso Portiolli também comandaram a atração:





Claro que eles não foram os únicos. Em breve a gente mostra outras aquisições internacionais que fizeram sucesso por aqui.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

OS SÁBADOS MUSICAIS


Continuo a relembrar os programas sertanejos que invadiram a telinha no final dos anos 1980, com grande força. Tanto era que chegou a ter uma categoria no "Troféu Imprensa". Falando no SBT, a emissora apostou várias vezes nesse gênero. Nos seus primeiros 10 anos de vida, a TVS exibiu atrações como "Musicamp", e chegou a ter em seu elenco as duplas Don e Ravel, João Mineiro e Marciano e Chitãozinho e Xororó, que tinham seus musicais aos domingos, precedendo o "Programa Silvio Santos".

Mas o programa que foi o maior sucesso da emissora no gênero foi "Sabadão Sertanejo", comandado por Gugu Liberato. Criado em 1992, o musical veio substituir o "Viva a Noite", após 10 anos vitoriosos. Porém os tempos eram de vacas magras, o SBT passava por uma séria crise financeira. Por contrato, Gugu deveria ter, além das quatro horas das tardes de domingo, duas horas dos sábados à noite. A emissora então decidiu criar o sertanejo, aproveitando a alta desse tipo de música, fazendo o mínimo de reformas no cenário do "Viva a Noite". Gugu e suas bailarinas se vestiam à caráter, com direito a bota, chapéu e fivela no cinto.

"Sabadão Sertanejo" agradou tanto que, por muito tempo, era uma cinco atrações mais assistidas do SBT. Com o passar dos anos, o programa passou a receber artistas de vários gêneros musicais. Por isso tinha que mudar o nome. Durante pouco tempo se chamou "Paradão Sertanejo","Paradão", para finalmente consagrar o apelido "Sabadão" como título oficial.

Possuindo a grande audiência, "Sabadão" seguiu sendo o grande palco para o sucesso musical brasileiro. Os maiores nomes nacionais e internacionais tinha que bater o ponto no programa.
Em 2002, o formato passou a anteceder o "Domingo Legal", sendo então o fim do "Sabadão". Contando desde a sua estréia como apresentador, Gugu ficou à frente de uma atração noturna aos sábados por 20 anos no SBT.

Confira alguns dos artistas que passaram pelo "Sabadão Sertanejo", "Paradão" e "Sabadão".

Agradecimentos: SeraqueFoiSaudade, saulsv, blogshowklb, HIPHOPCOMPANY, lipea2007


Zezé Di Camargo & Luciano - Sabadão Sertanejo 1991


Banda Buffalo no Sabadão Sertanejo


A cantora mexicana Thalia, em 1997 no Sabadão


Latino no Sabadão


KLB canta Ela não está aqui

sábado, 8 de maio de 2010

VIVA A NOITE


O momento atual da carreira de Gugu Liberato tinha tudo para ser o melhor dos seus 35 anos de trabalho em TV. Mas não é. O apresentador agora na Record amarga sucessivas derrotas para seu ex-patrão Silvio Santos. Isso porque ele foi contratado pela emissora dos bispos para brigar pela liderança no horário!

É engraçado ver como as coisas mudam. Eu me lembro do Gugu começando como animador de auditório no Viva a Noite, ainda pela TVS, atual SBT. Que saudades dessa época... Quem nasceu nessa época sabe cantar alguns sucessos do programa como "Docinho Docinho", "A Dança da Galinha Azul" e o "Baile dos Passarinhos". A gente se divertia... e sabia! Os sábados à noite nunca mais foram os mesmos na TV.

O programa tinha três apresentadores, mas no final, o carisma de Gugu o fez titular da atração. Uma curiosidade: nos primeiros anos do Viva a Noite, o apresentador usava o mesmo microfone do dono da emissora. Já ouvi dizer que era para que o telespectador tivesse um Silvio Santos diferente, com o rodízio do trio. Mas se for assistir a outros programas do SBT na mesma época, você encontra o J. Silvestre, o Raul Gil, e até o Sérgio Chapellin com o mesmo equipamento!

O formato era uma mistura de outros dois programs internacionais, mas quem deu cara brasileira para a atração foi Gugu. A impressão que se tinha era de uma grande festa, uma grande bagunça, onde tudo podia acontecer, sem um roteiro. O telespectador participava ao vivo, atendendo as absurdas solicitações do animador, como "tragam uma tampa de privada". A porta do Teatro Silvio Santos ficava repleta de pessoas que atendiam aos mais loucos pedidos, em busca de prêmios.

Não bastava ter musicais no programa, tinha que ter algo a mais. Nasceu assim o Sonho Maluco, onde o público podia realizar os mais inusitados sonhos com seu artista preferido. Também tinha o Sonho de Última Hora, para as moças do auditório terem suas fantasias atendidas ali no palco!

A atração era uma febre nos sábados à noite. Em sua fase final, tinha a competição entre homens e mulheres famosos, com várias provas como a mímica, o desenho, os balões (bexigas em São Paulo), a torre de champanhe, o que é o que é, o artista disfarçado e várias outras. O trio vencedor levava um troféu muito legal, a lua de neon.

Todos os grandes nomes da música dos anos 80 passaram pelo palco do Viva a Noite, incluindo os artistas da Promoart, empresa de Gugu que lançou o grupo Dominó, Polegar e Banana Split. Mas o grande destaque era Gugu Liberato, que decolou como apresentador nesta época, e foi até convidado pela Globo para ocupar os domingos à tarde, horário que foi assumido pelo Faustão. Ele chegou a ser eleito pela imprensa o sucessor de Silvio Santos, rótulo que carregou até 2009.

Gugu comandou o Viva a Noite de 1982 a 1991. Junto com o Domingo Legal e o Sabadão, foi um grande sucesso de sua carreira. Nos últimos anos, pelo menos para mim, Gugu se tornou mais um apresentador do que um animador, que contagia o auditório e o telespectador. Talvez agora, precisando se reinventar, faça ressurgir o grande animador que levantava um Brasil inteiro com seu grito de VIVA A NOITE!!!

domingo, 21 de março de 2010

Esses loucos da TV...

Aqui no Loucura, quero dedicar um espaço para os diversos personagens que fazem parte deste universo chamado televisão. Não poderia começar com outro senão o maior gênio dessa maquina de fazer doidos. E como a maioria das atitudes de um gênio são consideradas loucuras para as pessoas "normais", Silvio Santos se enquadra perfeitamente nesta categoria.

Sua história é amplamente conhecida, sobretudo na internet. Nascido no Rio em 1930, foi camelô, locutor de rádio, animador de bingo, fundador da Caravana do Peru que Fala em São Paulo, locutor comercial, empresário e apresentador de TV. Graças a Manoel de Nóbrega, que lhe deu o Baú da Felicidade, Silvio construiu seu grupo de empresas. Aliás, o Baú foi uma loucura na vida de Senor Abravanel, nome verdadeiro do dono do SBT. A firma, uma sociedade entre o pai de Carlos Alberto de Nóbrega e um alemão, vendia um baú de brinquedos em 12 vezes, para ser entregue no Natal. Mas o sócio de Manoel lhe deu um calote. O prejuízo, tanto finaceiro como para a imagem de Nóbrega, seria enorme e o baú iria acabar. Então ele chamou Silvio, seu colega de rádio, para ajudar a fechar a empresa. Mas o ex-camelô viu uma boa oportunidade e decidiu continuar com o negócio através do carnê de mercadorias, que foi comercializado até 2009.

Com o tempo, Silvio se tornou dono do Baú e, por meio dele, foi para a televisão, com um horário comprado na TV Paulista, atual TV Globo. Além do canal de Roberto Marinho, o animador também comprou espaço na TV Tupi e na TV Record, sendo que da última foi sócio por quase 20 anos.

Outra grande loucura de Silvio Santos atende pelo nome de SBT. Quando a Tupi fechou, Silvio queria entrar no páreo pela rede de quatro canais que o governo colocara em concorrência. O mercado apresentava um cenário kamikaze: o presidente da república João Figueiredo, dividiu rede que foi de Assis Chateubriand em duas, a Rede Globo era líder de audiência, dominando mais de 75% do bolo publicitário, e o restante era dividido entre Bandeirantes e Record. Não era viável ter uma emissora, era melhor continuar sendo concessionário dos domingos. Silvio não deu bola, e em 19 de agosto de 1981 colocou no ar a assinatura do contrato de autorização da TVS canal 4 de São Paulo, ao vivo. A transmissão desse ato, algo inédito na história das comunicações mundial, também foi um disparate, pois a equipe que estava em Brasília durante a cerimônia só sabia como estavam chegando as imagens através de um telefone no Ministério das Comunicações!

De lá pra cá foram inumeras as sandices do homem do Baú em sua emissora: apostou em produtores como animadores (é o caso de Gugu Liberato), estreou um telejornal às 7h da manhã (feito com recortes de jornal), importou produções mexicanas (com seu cenário de papelão e isopor, Chaves foi condenado pelos diretores da TVS), já chegou a extinguir o departamento de jornalismo, e mexeu na grade de programação milhões de vezes (só o Programa Livre, de Serginho Groisman, mudou de horário 41 vezes em 7 anos).

O que faz desse louco um gênio? O SBT foi vice-líder absoluto de audiência por 25 anos consecutivos, e se a Record não briga diretamente com a Globo é porque a emissora de Silvio Santos ainda está na corrida. Nenhuma decisão passa sem o aval do animador. Em seu programa dominical foram apresentados mais de 100 atrações diferentes, ao longo de 48 anos ininterruptos no ar. Isso sem contar o lado empresarial, que fez de um baú falido, um conglomerado de mais de 30 empresas, o Grupo Silvio Santos.

Em 2010 completará 80 anos de vida. Dizem que vão fazer um filme baseado na biografia A Fantástica História de Silvio Santos, escrita por seu ex-assessor Arlindo Silva em 2001. De qualquer forma, o que muitos chamam de loucura, na verdade pode ser chamado de ousadia e coragem. O Loucura presta sua humilde homenagem a mais este louco da nossa TV!

Ah, vejam alguns dos momentos mais loucos de Silvio no palco.


A queda de Silvio Santos no tanque d'água - 1992


Silvio cai do burrinho - 1989


Silvio Santos e a esteira - 1995


A loucura de Silvio Santos, no Programa de Vídeos - 1992


Agradecimentos: costelinhada12, lsatolo, levyfioriti, memoriadatv1.


Até o próximo domingo, se Deus quiser!!!