Mostrando postagens com marcador 30 anos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 30 anos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 5 de junho de 2013

QUE SAUDADES...

Cena final da vinheta de abertura
da programação
Hoje completa-se 30 anos do primeiro pouso um "M" voador no edifício projetado por Oscar Niemeyer, na Rua da Glória 744. Há três décadas a trajetória do imigrante ucraniano Adolpho Bloch atingia seu ápice com a estreia da Rede Manchete de Televisão. Era o que faltava para completar seu império de comunicações, iniciado a partir de uma gráfica e, em 1952, com a Revista Manchete.

É um dia em que milhares de ex-baixinhos se lembram de onde Xuxa veio e, sozinha num palco sem nave e repleto de crianças, construía seu reinado. Também não se esquecem de um anjinho loiro, com uma pinta na perna, que brincava às tardes num clube inesquecível. Ela não estava sozinha. Trazia consigo as aventuras de heróis japoneses, que povoam o imaginário de muito marmanjo atualmente.

Como era gostoso o carnaval... Uma cobertura com a cara do Brasil, com a cara do Rio, com a cara do povo. Dos desfiles na Marquês de Sapucai, aos bailes nos clubes e o glamuroso concurso de fantasias. Ampla, alegre e completa, que sempre deixava um gostinho de "quero mais", saciado nas bancas de jornais pela sua irmã impressa.

Quanta comunicação, e quantos comunicadores nasceram ou foram para lá. Raul Gil, Clodovil, J. Silvestre, Bruna Lombardi, César Filho, Claudete Troiano, Beth Russo, Astrid Fontenelle, Otávio Mesquita, Sérgio Mallandro e muitos outros.

O sonho da "volta"

E foram tantas histórias contadas. De escravas a pantanais, passando por tocaias, pela Amazônia, banhando Beijas, brilhante como um raio e estrondosa como um trovão. Muitas figurinhas nasceram lá e hoje seguem contando e fazendo história em outras janelas.

Adolpho Bloch, pai de Manchete
Aliás, como alguns definem, a TV é uma janela para o mundo. E a informação de qualidade, completa, objetiva também tinha seu espaço, e privilegiado. Eram horas e mais horas em que uma trilha de video game prenunciava os conflitos reais dos homens, os avanços da ciência e tecnologia, explicava a economia em tempos finais de ditadura, Sarney, Collor, Itamar e FHC. Vivemos tempos difíceis, mas já passamos por coisas muito piores.

O aniversário de alguém querido, que deixou boas lembranças, em algum momento vai ter este lamento-título. A "TV do ano 2000" não chegou nem ao fim de 1999. Se viva fosse, seus funcionários, artistas, jornalistas, colaboradores e telespectadores estariam comemorando o aniversário de 30 anos. Uma história de lutas, conquistas, decepções, tristeza, descaso e sucesso hoje é recordada por milhares de fãs que acordavam cedo para ver em suas casa um "M" voador iniciar um novo dia.

Embora haja quem queira que a Manchete volte, e não são poucos na internet, isso não é totalmente possível na prática. Não será a mesma coisa. A emissora era uma grife, um diferencial de ousadia e qualidade milionárias, que a matou (e com isso gerou centenas de processos trabalhistas, que andam mais lentos do que tartarugas) mas que marcou os corações dos brasileiros que assistiam a Rede Manchete de Televisão. Que saudades, Manchete... Que saudades...

Curiosidades:
  • A Rede Manchete contou com a consultoria de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. O então vice presidente operacional e criador do padrão Globo de qualidade atendeu a uma ordem de seu patrão, Roberto Marinho. Bloch não entendia de televisão e foi aconselhado por Marinho a não se envolver nesta área, mas aceitou ajudá-lo. Os dois empresários eram amigos de longa data. A consideração era tanta que as Organizações Globo não investiam em revistas semanais em respeito ao pai de Manchete. Quando ganhou a TV, Adolpho garantiu ao dono da Globo que não faria novelas, em troca do auxílio de profissionais globais para a implementação da nova rede. Mas experimentou pequenas coisas com teledramaturgia e gostou do resultado. Quando cismou em fazer novelas, nunca mais voltou a falar com Roberto Marinho. Anos depois, já com a emissora afundada em dívidas, o dono da Manchete resolve pedir socorro ao amigo. Marinho nem quis ouvir o que Bloch tinha a dizer. O empresário ucraniano saiu sem ajuda e sem amigo. Este relato está escrito no livro "Os Irmãos Karamabloch" (Companhia das Letras, 2008), do jornalista Arnaldo Bloch, sobrinho neto de Adolpho, indispensável para quem quer saber mais sobre a trajetória de toda a família Bloch.
  • A vinheta de abertura e encerramento da programação (veja no vídeo abaixo) marcou tanto que foi construído o logotipo prateado da emissora, e colocado no alto do Edifício Manchete. Diferente do vídeo, o "M" ficou posicionado do lado direito do prédio, destinado às emissoras de rádio e TV do grupo Bloch. No outro lado ficava a Bloch Editores.
Agradecimentos: redemanchete.net e AARS







sábado, 9 de fevereiro de 2013

A ESTREIA DE FLÁVIO CAVALCANTI NO SBT

Flávio Cavalcanti foi repórter de jornal e estreou na TV em 1955
Em seu segundo ano de existência, o SBT, atendendo popularmente pelo nome de TVS, já era vice líder de audiência em todo o Brasil. Mas seu faturamento não correspondia a todo esse IBOPE. A razão estava no mercado publicitário e em sua programação. A grade da emissora era considerada popularesca, e não popular. Os anunciantes não queriam ver seus produtos associados a atrações como "O Povo na TV" e "O Homem do Sapato Branco". Silvio Santos disse, certa vez, que fazia televisão para vender carnês do Baú, e que agora era necessário vender anúncios para sustentar o canal.

A direção monta uma boa equipe de comercialização e passa a qualificar sua programação. Para isso, resolveu contratar os melhores comunicadores do país. Um dos primeiros a integrar o novo time do SBT, em 1983, foi o apresentador Flávio Cavalcanti. Conhecido de outras emissoras, polêmico e amado ao mesmo tempo, Flávio aceita o convite de Silvio, e passa a apresentar um programa que levava o seu nome, às quintas feiras. Antes, o comunicador comandou o "Boa Noite Brasil" por um ano, na TV Bandeirantes.

Na TVS, trás de volta quadros de grande sucesso de sua trajetória, como "Um Instante, Maestro". Este espaço era dedicado principalmente à crítica musical. No passado, ficaram famosas as cenas do apresentador quebrando discos no palco, que considerasse de má qualidade. Pioneiro no uso de um júri em TV, os membros desta bancada também participavam do "Flávio Debate", onde discutiam um assunto de repercussão nacional. Ex-repórter do jornal carioca "A Manhã", o apresentador sempre fez questão de trazer o jornalismo ao seu programa. O semanal também apresentava diversas curiosidades ao público, como desfiles e revelações do cenário musical.

Em 1986, o desejo do apresentador era encerrar sua carreira artística e curtir a aposentadoria no seu futuro hotel, numa praia brasileira. Não deu tempo. Durante o programa, Flávio chama o intervalo como sempre fez: ergue o dedo indicador para o alto e diz "nossos comerciais, por favor". No bloco seguinte, ele não havia voltado. Wagner Montes foi pego de última hora, e encerrou a atração. O titular sofreu uma isquemia miocárdia aguda no palco, foi levado ao hospital e, quatro dias depois, faleceu, aos 63 anos. Como homenagem ao colega, o SBT de luto, saiu do ar por quase 24 horas. A programação só voltou a ser exibida após o sepultamento de Flávio Cavalcanti.

Curiosidades:

  • Não era a primeira vez que Flávio trabalhava para Silvio Santos. Em 1976 o apresentador comandava o programa de calouros "Um Instante, Maestro", na TVS-Rio;
  • José Messias, hoje jurado de Raul Gil, foi produtor e diretor de Flávio em algumas emissoras;
  • Sônia Abrão participou muitas vezes dos debates do programa, quando ainda era apenas uma colunista do jornal "Notícias Populares".
Veja abaixo alguns trechos do "Programa Flávio Cavalcanti", além do resumo feito pelo "Festival SBT 30 anos" e o depoimento de Sônia Abrão, que estava presente no último programa do apresentador. Como estamos no carnaval, assista também uma apresentação de marchinhas clássicas, exibido na atração com a orquestra regida pelo maestro Milani. Agradecimentos: claudiard1981, Ricardo Lippi, Estudio Danças do Mundo, Monica Poplawski, Guilherme Guidorizzi e SBT.











sábado, 3 de novembro de 2012

NOITES VIVAS NO SBT

Gugu Liberato no começo de "Viva a Noite"
Uma mistura de dois programas latinos, um americano e o jeitinho brasuca de fazer televisão renderam um dos maiores sucessos da nossa telinha e lançou um dos mais respeitados animadores deste país. Em 9 de novembro completam-se 30 anos da estreia de "Viva a Noite" nos sábados do SBT.

Pouco tempo depois do primeiro aniversário da então TVS, Silvio Santos queria um programa animado, alegre e descontraído para as noites de sábado. Chamou uma produtora argentina, Nelly Raymond, que já conhecia de outros trabalhos anteriores, e encomendou o projeto. Nelly pensou em reunir elementos de "Saturday Night Fever" americano, "Sabado Fiebre" e "Hoy Quien Danza es Usted" mexicanos.

Depois de algumas reuniões, ficou decidido que o programa seria dividido em três partes: um festival de música latino americana, o esotérico "Noites de Mistério" e o "Hoje Quem Dança é Você". A produtora pensou em três apresentadores conduzindo a atração. Para o festival ficou escolhido Ademar Dutra, que já apresentava provas externas no "Cidade Contra Cidade". O esotérico Jair de Ogum foi chamado para comandar o "Noites de Mistério".

Faltava um apresentador, e o diretor Homero Salles, dentro do projeto desde o início, sugeriu um nome que estava começando, atendendo aos telespectadores pelo telefone numa sessão de filmes: Augusto Liberato. Nelly gostou da evolução do garoto que conheceu como office-boy nos anos 1970 na Globo. Aceitou a sugestão. Mas Gugu não foi uma unanimidade na diretoria do SBT. Muitos executivos da empresa acharam um erro indicar um rapaz tão pouco conhecido, com tantos nomes no mercado. Em pouco tempo veriam que estavam errados. O jovem apresentador conduziria o concursos de danças. O nome da atração surgiu naturalmente: "Viva a Noite"

Sonhos de uns, diversão de outros

A cantora Joana, na segunda fase do semanal
Com o passar dos meses, o festival de músicas e o esoterismo perderam espaço para as mulatas rebolativas do carismático Gugu, que ganhou o comando do programa. A partir de então, "Viva a Noite" passou a ser a grande opção do sábado. Em seus primeiros anos, o programa era realizado ao vivo, no Teatro Silvio Santos no Carandiru, zona norte paulistana. Aproveitando-se disso, o animador pedia para que as pessoas trouxessem as mais diversas quiquilharias em troca de prêmios em dinheiro.

A "Cabine Milionária" ficou famosa nesta época. O sujeito tinha que dançar vários ritmos diferentes sem parar, durante todo o programa! Muitas eram as brincadeiras realizadas no palco, com os competidores do concurso de danças. Para auxiliar o animador no palco, belas moças estavam prontamente dispostas a ajudá-lo. Marriette, Silvinha e Alessandra Scattena ficaram famosas em todo o país graças ao programa. Também ficou conhecido o romance que o loirinho teve com Rose Miriam (a futura mãe de seus três filhos) e Silvinha, com quem quase se casou, além de um rápido namoro com Scattena.

O "Sonho Maluco nasceu nesta época. Uma fã mandava uma carta para o programa, pedindo para realizar seu mais pirado devaneio com seu artista favorito. Teve de tudo: homem casado tomando banho no palco com Rita Cadillac (com a esposa assistindo), tapinha no bumbum da jurada Wilza Carla, valsa de 15 anos com Luis Ricardo, banho de champagne com Sula Miranda, lambuzar Simony com glacê, escrever versinhos nas costas do Polegar Rafael Ilha e muitos, muitos outros. Nem Gugu escapava! Ele "salvou" uma fã de um "prédio em chamas", vestido de Superman, "casou-se" com a comediante Nhá Barbina e atravessou um túnel de fogo. Neste último o apresentador correu sério risco de morrer asfixiado com a roupa anti-chamas.

Depois dessa, o animador preferiu deixar os perigos para os candidatos a Rambo Brasileiro! Os marmanjos marombados fizeram sucesso, elevando este concurso criado no semanal ao mesmo patamar do Miss Brasil, que estava com Silvio no SBT. Os participantes bezuntados com óleo faziam poses de fisiculturismo usando o mesmo figurino consagrado por Sylvester Stallone no cinema. A mulherada delirava!!!

Passarinho quer dançar

O grupo Dominó no cenário mais marcante do programa
Também eram muito divertidas as provas disputadas pelos times masculino e feminino. As equipes formadas por artistas se enfrentavam na prova do desenho, a face oculta, torre de taças, declaração de amor, prova da bexiga, o que é o que é, mímica, e várias outras.

Todos os grandes nomes da música batiam ponto no programa. De Ronnie Von a Gretchen, passando por Léo Jaime, Sandra de Sá, Trem da Alegria, Titãs, Luis Caldas, As Paquitas, Patrícia Marx, Joana, Adriana, Jairzinho e Simony, e muitos mais. Além das crias da Promoart, empresa de Gugu: os grupos Dominó, Polegar e Banana Split. Destaque para a primeira apresentação do fenômeno Menudo no Brasil. O grupo de Porto Rico entrou no palco da atração, ao vivo, de bicicleta, com uma multidão de meninas histéricas fora e dentro do estúdio.

Gugu foi incentivado a gravar musiquinhas para animar o programa. A primeira foi "Docinho Docinho", depois veio "Baile dos Passarinhos", que encerrava o programa e virou febre nacional. O apresentador ouviu a versão em espanhol da música pela primeira vez num hotel cinco estrelas em Itaparíca na Bahia, e pensou: "Se essa gente rica não resiste, imagine o povão". Outras canções vieram como "Pega o meu Peru", "Dança da Galinha Azul" (o melhor merchandising que já vi), "Bota Talquinho" etc.

A volta dos que não foram

A cantora Gil e convidados no retorno da atração
Com o crescimento de audiência, o investimento também cresceu. "Viva a Noite" passou a desbancar os filmes exibidos pela Globo no horário. A emissora carioca não perdeu tempo, e contratou o animador no final de 1987. Mas em 1988, temendo perder sua voz, seu possível sucessor e audiência, Silvio Santos conversou pessoalmente com Roberto Marinho, com quem não falava então há 15 anos, para liberar Gugu. De volta ao SBT, o loirinho ganhou mais espaço para anunciar seus shows e produtos e foi parar no domingo, dividindo por quatro horas o "Programa Silvio Santos" com o mestre e patrão.

A chegada de Liberato aos domingos, e o desgaste natural da atração, colocaram um ponto final no "Viva a Noite" em 1992. Seu formato seria aproveitado para a criação do "Domingo Legal", em 1993. O programa seguiu sendo amado pelos seus fãs e por admiradores da cultura dos anos 80. Esse movimento fez o SBT trazer de volta o semanal em 2007, com Gilmelândia, Supla e Bruno Chateaubriand. Mas como nem tudo do passado funciona no presente, a segunda versão foi cancelada em 2008.

Curiosidade: você já deve ter notado que no começo da carreira, Gugu usava o microfone do Silvio Santos. Outros apresentadores da casa na época, como Raul Gil, J. Silvestre e Sérgio Chapellin, também o utilizaram. Porém a ideia nesta atração, que partiu do patrão, era ter a cada semana um "clone" dele apresentando o programa. O iniciante animador deixou de usar o equipamento em 1985, aproveitando a mudança de cenário, e passou a usar um microfone de lapela. Pouco tempo depois aderiu a um modelo de mão. Os "queijos", como são chamadas em cenografia as bases redondas onde ficavam as bailarinas, com bambolês que giravam em volta das moças a cada música, foi copiado do filme "Superman", de 1978.

Vale muito a pena ver e rever a abertura do programa, alguns sonhos malucos, algumas provas da gincana "eles e elas", e o Baile dos Passarinhos, que encerrava o "Viva a Noite". Agradecimentos: Abril, reprodução/SBT, hkuniochi, 8desetembro, claudiard1981, 9desetembro e FESTA388.
















sábado, 18 de agosto de 2012

TRÊS DÉCADAS DO MÉXICO NA TV

Verônica Castro, protagonista da primeira novela mexicana no SBT
Embora este blog conte sobre a trajetória da televisão brasileira, em alguns momentos é necessário falar sobre certos produtos estrangeiros que marcaram a nossa telinha nesse pouco mais de meio século. Nos 31 anos do SBT, que serão completos em 19 de agosto, uma de suas marcas registradas são as novelas mexicanas, que fazem 30 anos de aceitação nacional em 2012. A primeira produção importada para cá por Silvio Santos foi "Los Ricos También Lloran", que ganhou a tradução brasileira "Os Ricos Também Choram".

Mas por que comprar novelas prontas, e não produzí-las aqui no Brasil? Vamos entender: antes da emissora nascer, a empresa do apresentador, a Studios Silvio Santos, contratou um elenco de peso e a novelista Ivani Ribeiro, autora de "A Viagem" na Tupi, para realizar folhetins e vender para canais de TV brasileiros. Acontece que a trama "O Espantalho" foi muito cara e pouco lucrativa. Em breve nós vamos falar dela com mais detalhes.

Diante deste trauma, o animador precisava de um sucesso garantido para sua nova rede, mas que lhe custasse barato. Sempre antenado no que acontece no universo televisivo mundo afora, soube de uma trama mexicana que estava sendo muito bem aceita em vários países. Imediatamente entrou em contato com a Televisa, a emissora produtora, e comprou os direitos de exibição de "Os Ricos Também Choram", que estreou em 5 de abril de 1982.

Junto com "Os Ricos", a TVS produziu a novela "Destino", adaptação de um texto latino, com Ana Rosa, Flávio Galvão e Denis Derkian. Mas também não foi muito bem sucedida. Enquanto a trama brasileira teve 55 capítulos, a estrangeira teve 300. Um sucesso absoluto, nunca antes visto em terras tupiniquins. A protagonista mexicana, a atriz Verônica Castro virou celebridade por aqui, batendo ponto em alguns programas da casa, ao longo dos anos. Foi até jurada no concurso Miss Brasil 82.

Maria la del barrío soy...

A novela conta a história de Mariana Villareal, uma moça pobre criada na fazenda por seu pai e sua madrasta. Após o falecimento do pai, a jovem fica aos cuidados da madrasta e de seu amante. Sem saber que tinha uma fortuna a receber, Mariana decide ir para a capital, onde encontra abrigo com um padre. Sensibilizado, o sacerdote convence um bondoso milionário a levar a órfã para sua casa. Lá ela encontra a esposa do velho rico e seus dois filhos, além da inveja de uma prima, que vai se casar com o filho mais novo do senhor endinheirado. Quis o destino que este jovem rebelde se apaixonasse por Mariana, com quem se casaria, deixando a priminha mimada furiosa. Porém o casal ainda sofreria e choraria muito até descobrirem que os ricos também choram, mas no final vivem felizes para sempre.

Ficou meio difícil de entender o enredo? Embora esta novela tenha sido reprisada pelo SBT algumas vezes, na década de 1980, a emissora comprou e exibiu o remake mexicano deste folhetim, "Maria do Bairro", em 1997. A versão estrelada pela cantora mexicana Thalía tem algumas diferenças, entre elas a prima (Soraya) que não volta para atormentar o casal na versão original, e a herança, que Maria do Bairro nunca teve. A mais recente reapresentação da última novela da "trilogia das marias" acabou há pouco tempo, totalizando cinco exibições (1997, 1998, 2004, 2007 e 2012).

"Os Ricos Também Choram" foi produzida originalmente em 1979, e foi apresentada em 180 países. Seu sucesso criou uma tradição na emissora de Silvio Santos, que sempre recorreu às produções latinas para seu horário de novelas do SBT. Desde então toda e qualquer novela dublada, vinda de qualquer lugar da América Latina é chamada por aqui de "novela mexicana". Seus enredos dramáticos, lacrimósos e carregados na emoção (a essência do gênero novela) são um contra-ponto às tramas modernas da TV Globo. Sempre houve períodos em que a antiga TVS quis se livrar das "mexicanas", mas a emissora criou um hábito e um público, que gosta de uma novela mais clássica, com amores impossíveis.

Curiosidade: a primeira novela da Televisa comprada pelo ex-dono do Baú foi refeita por aqui em 2005, com Thaís Fersoza, Márcio Kieling, Ludmila Dayer, Jonas Bloch e Glauce Graieb. A diferença foi o "abrasileiramento" que a trama sofreu. Sua história se passava em 1930, época dos barões paulistas do café, na cidade de Ouro Verde. Até mesmo este jornalista que vos escreve foi figurante nesta produção!

Vejam abaixo as aberturas brasileira, mexicana (com o tema interpretado por Verônica Castro), e a vinheta da versão brasileira deste sucesso. Ah, e antes que perguntem, não tem na internet nenhum vídeo com a minha participação na trama (lamentavelmente, pois nem eu pude gravar na época da exibição). Agradecimentos: Mgbrasil1982, stephen5g, ricardosantosal






domingo, 13 de maio de 2012

AS SETE DAS SETE

Reencontros, na maioria das vezes, são bons momentos. E a vida sempre nos reserva surpresas ao rever alguém de antigamente. Várias novelas já retrataram de forma diferente essa situação.

Neste mês de maio um grande sucesso das 19h completa 30 anos. "Elas por Elas" (TV Globo) foi escrita por Cassiano Gabus Mendes e dirigida por Paulo Ubiratan. Sete amigas se reúnem 20 anos depois por coincidências do presente e histórias passadas mal resolvidas. Natália (Joana Fomm), Marlene (Mila Moreira), Carmem (Maria Helena Dias), Wanda (Sandra Bréa), Adriana (Ester Góes), Helena (Aracy Balabanian) e Márcia (Eva Wilma) decidem esclarecer fatos vividos nos tempos de colégio, como a paixão de Helena e Adriana pelo mesmo homem. Mas também existiam acontecimentos atuais que atormentavam a vida das protagonistas, como a traição de Wanda com o marido de Márcia, Átila (Mauro Mendonça), o casamento mal sucedido de Carmem e a má sorte no amor de Marlene.

Wanda tinha um irmão investigador, que foi contratado por Márcia para descobrir a identidade da amante, e possível assassina de Átila, morto depois em um quarto de Motel. Entra em cena um dos mais folclóricos personagens da teledramaturgia brasileira: Mário Fofoca (Luís Gustavo). Esse detetive muito atrapalhado, com seu terno xadrez e gravata colorida, fez tanto sucesso na época, que ganhou um programa solo na grade da Globo e um filme: "As Aventuras de Mário Fofoca". "Elas por Elas" também tinha um mulherengo incorrigível e interesseiro, René (Reginaldo Faria), parceiro de Mário.

A novela teve uma das aberturas mais bacanas do "plim-plim". O time do "mago" Hans Donner, responsável pelas vinhetas da emissora, montou uma festa onde eram tiradas fotos das sete personagens principais em preto e branco, duas décadas atrás. Da imagem surgem colorida, em movimento, cada uma das sete atrizes protagonistas. O tema de abertura, cantado pelo grupo The Fevers ("Hey, hey, bandeira pouca é bobagem") estourou nas paradas de sucesso, e se tornou um dos "hits" da década de 1980.

Curiosidade: a novela também sofreu com a censura militar. Mário Fofoca paquerava a mulherada usando o repertório de Roberto Carlos. Mas os censores não permitiram que o detetive usasse a música "Falando Sério". Tudo por causa da frase "e apenas ser mais um na sua cama". Luís Gustavo voltou a interpretar o famoso detetive em duas vezes: em 1996, num dos episódios do humorístico "Sai de Baixo", e em 2010, no remake de "Ti ti ti", como uma grande homenagem da autora Maria Adelaide a Cassiano Gabus Mendes, escritor do roteiro original da trama.

Vamos relembrar um pouco deste sucesso com a abertura de "Elas por Elas", uma das primeiras a usar o recurso da animação por computador, com o The Fevers cantando o tema homônimo.

Agradecimentos: pararecordarnovelasefamosos.blogspot.com, marcatudo22 e TV Globo.

sábado, 27 de agosto de 2011

AGORA SIM, VOCÊ VAI VER 30 ANOS DE ATRAÇÕES

No dia 24 de agosto, o muBA (Museu Brasileiro de Belas Artes) lançou a exposição SBT 30 anos. A mostra reúne fotos, cenários e objetos originais de vários programas que fizeram a história da emissora.

Personalidades estiveram presentes no lançamento, como Moacyr Franco, Karyn Bravo e Mara Maravilha. A exposição é dividida em 7 ambientes: Dramaturgia, Jornalismo, Programas de auditório, Shows, Humor e Realities, Infantis e Institucional - que apresentam a trajetória da rede fundada em 1981.

As famosas fotos dos astros e estrelas em tamanho real, presentes no Hall da Fama do Complexo Anhanguera, podem ser vistas lá. E não são apenas os atuais contratados do canal de Silvio Santos que são encontrados. Grandes nomes da história do SBT, como Gugu Liberato e Hebe Camargo não foram esquecidos.

O visitante pode conhecer os microfones usados pelo jornalismo, posar ao lado da cobiçada maleta do "Show do Milhão", rodar o pião do "Festival da Casa Própria", sentar no sofá da apresentadora mais gracinha da TV, ou no banco da Praça mais famosa do Brasil, tentar a sorte na roleta do "Bom Dia & Cia", tirar foto na bancada do "Aqui Agora", e conhecer muitos outros objetos cenográficos e equipamentos, como uma das primeiras câmeras com que Silvio Santos iniciou sua carreira na televisão. Além disso são mostrados vídeos do arquivo, utilizados no "Festival SBT 30 anos", e cenários como da novela "Éramos Seis" e o barril do "Chaves".

Em entrevista ao "Jornal do SBT-Manhã", o curador da mostra, Levy Fioriti, declarou que buscou ser fiel nos detalhes dos programas representados. "A gente quis fazer uma exposição que fosse interativa e com objetos originais dos programas para deixar o mais real possível", afirmou Levy, estudioso da carreira do dono do SBT e da emissora há mais de dez anos, além de autor da "Página do Silvio Santos" (www.paginadosilviosantos.com).

Para quem pode ir, o Museu Brasileiro de Belas Artes fica na Rua Dr. Álvaro Alvim, 76 - Vila Mariana - São Paulo - SP(perto da estação Vila Mariana do metrô), e a mostra está aberta de segunda à sexta das 9h às 21h, sábados das 9h às 16h e fechado aos domingos e feriados, até o dia 24/10. Entrada gratuita.

Para quem não pode, pois mora fora da capital paulista, o "Loucura por TeVer" traz para você fotos exclusivas, para se divertir viajando pelos 30 anos do Sistema Brasileiro de Televisão!!!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Há 30 anos Quem Procura a TV mais feliz do Brasil, Acha Aqui!


Como explicar 30 anos de carinho? Exatamente neste dia 19 de agosto, em 1981, entrava no ar a TVS canal 4 de São Paulo. Esta é a data oficial do nascimento da rede, ou melhor, do Sistema Brasileiro de Televisão (que já teve a TV Record como integrante). Antes disso, existia a TVS-Rio canal 11, inaugurada em 14 de maio de 1976. O significado de sua sigla era TV Studios, mas o povo carioca, conterrâneo de seu proprietário, a chamava de TV Silvio Santos. Essa pequena emissora, cujo primeiro prédio no bairro de São Cristóvão ficava ao lado de um matadouro, surgiu de uma outra empresa: a Studios Silvio Santos Cinema e Televisão Ltda. Esta firma era responsável pela mais bem sucedida produção independente do país: o "Programa Silvio Santos".

O SBT nasceu no povo. Seus primeiros estúdios ficavam na zona norte paulistana, na famosa Vila Guilherme (a antiga sede da TV Excelsior, o maior complexo de televisão do Brasil por quase 30 anos) e na Avenida Gal. Ataliba Leonel, o Teatro Silvio Santos.

Mas estar no meio do povo não é o suficiente para garantir o sucesso. É necessário conhecê-lo e trazê-lo para a telinha. Reconhecer nas crianças um público futuro, e agradá-las com até 8 horas do palhaço Bozo. Descobrir numa baianinha maravilha um talento incrível para amar as crianças. Revelar talentos desse universo de magia como Mariane, Simony, Jacky, Yudi, Priscila. Apostar na "banana nanica" de um grupo musical, e ver despontar uma Eliana e sua fórmula educativa e divertida. Abrir espaço para novos talentos como os palhaços Patati e Patatá e o prodígio Maísa Silva,

Mas as crianças crescem... e querem liberdade. O SBT ofereceu essa liberdade com conteúdo inteligente e muita música no "Programa Livre". Nessa fase começamos a descobrir que a vida não é tão cor de rosa assim, e nos identificamos com as novelas. Um bom brasileiro curtiu ao menos uma, e essa emissora investiu sempre em histórias que falavam ao coração do público. Fossem as mexicanas "Carrossel", "Maria Mercedes", "Marimar", "Maria do Bairro", "Os Ricos Também Choram", "Rebelde", ou as nacionais "Éramos Seis", "Sangue do meu Sangue", "As Pupilas do Senhor Reitor", "Uma Rosa com Amor", "Pérola Negra", as histórias contadas pelo canal sempre emocionaram, divertiam e agradavam o povo.

Porém só isso não basta! Tem que ter informação. Engana-se quem pensa que o SBT não gosta de jornalismo. O primeiro evento a ser transmitido ao vivo foi a cobertura da cerimônia de outorga da concessão da emissora, em Brasília. Lá estava, por exemplo, a repórter Madalena Bonfiglioli, que ficaria marcada por outro grande sucesso, 10 anos depois: o telejornal "Aqui Agora", que revolucionou jeito de se fazer jornalismo popular, e é referência até hoje. Outra inovação foi o âncora, o jornalista que edita, comenta e apresenta o jornal. Boris Casoy estreou em TV com o "TJ Brasil". O Jornalismo do canal hoje é reforçado com nomes como Carlos Nascimento, Hermano Henning, Roberto Cabrini, Rodolfo Gamberini, Joseval Peixoto, Raquel Sherazade, César filho, Cinthia Benini, Analice Nicolau, Karin Bravo, Joyce Ribeiro e um time de competentes profissionais da informação.

Não podemos esquecer do humor, sem isso não há TV que possa dar certo. E está muito bem representado pelo humorístico "A Praça é Nossa", de Carlos Alberto de Nóbrega que completa no ano que vem 25 anos. Também teve a "Feira do Riso", "Reapertura", "Alegria", "Veja o Gordo", "Ô... Coitado" e muitos mais.

Mas também tem que ter esporte, o povo gosta! Se hoje a Copa do Brasil tem esse destaque, isso se deve ao SBT, que também transmitiu Copas do Mundo, Olimpíadas, Fórmula Indy, Campeonato Paulista e outros. Sem contar as espinhadinhas da pioneira "Casa dos Artistas" e tantos outros shows de realidade como "Ídolos", "Popstar", "Ilha da Sedução", "O Grande Perdedor", "Esquadrão da Moda", "Esquadrão do Amor"...

Contudo, ainda falta algo para essa receita ser sucesso... Talvez a maior característica desses 30 anos se resuma a uma palavra: auditório. Foram vários nomes de sucesso que passaram e foram revelados: Gugu Liberato, Hebe Camargo, Raul Gil, Ratinho, Celso Portiolli, Jô Soares, Adriane Galisteu, Christina Rocha, Lígia Mendes, Beto Marden, André Vasco, Flávio Cavalcanti, Airton e Lolita Rodrigues, Angélica, Babi, Silvia Popovic, Regina Volpato. Esses e muitos outros, que estão ou não estão no SBT, têm um mestre na condução de programas de auditório.

O grande feito de Silvio Santos foi, com sua televisão e seus programas, construir o maior auditório do país. Cada poltrona diante da TV se tornou uma cadeira da platéia reunida pelo ex-camelô. Todos os brasileiros têm ao menos uma boa lembrança, vivida por estar sentado nesta cadeira particular, um lugar VIP, criado sob medida.

Talvez a receita do sucesso seja essa. Uma emissora contruída por alguém do povo, mas que não esqueceu dele. Que aprendeu nas ruas a falar a linguagem popular, saber o que ele gosta e, acima de tudo: ganhar o coração e o carinho da população. O SBT nasceu no povo e hoje ele é do povo.

Parabéns a todos os funcionários e colaboradores pelos 30 anos de sucesso.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

SS 50 ANOS - A PRIMEIRA VEZ


O ano de 2011 reserva muitas alegrias para Silvio Santos, e ainda há motivos para comemorar! Se engana quem pensa que vou falar dos 30 anos do SBT. Calma, tudo a seu tempo, ainda é muito cedo. Neste ano, Silvio completa incríveis 50 anos ininterruptos comandando programas de auditório na televisão brasileira. Mais um recorde para sua coleção.

A história começou assim: em 1961, o "Peru que Fala", apelido que ganhou de Manoel de Nóbrega, já tinha o Baú da Felicidade desde 1958, como sócio de Nóbrega no princípio. Silvio também já comandava um programa na Rádio Nacional de São Paulo. Após um calote que o pai de Carlos Alberto de Nóbrega levara do primeiro sócio do Baú, ele viu no jovem locutor carioca a salvação de seu negócio. A princípio, Silvio não queria ir, mas o fez pelo respeito, gratidão e admiração que sentia por Nóbrega, que o acolhera na capital paulista como um pai, sem nenhum tostão no bolso. Já naquele tempo ele demonstrava grande aptidão para os negócios: fazia shows em circo, com a "Caravana do Peru Que Fala", vendia anúncios em uma revista de passatempos chamada "Brincadeiras para Você", e tinha um bar chamado "Nosso Cantinho", em sociedade com um cunhado de Hebe Camargo.

Ao assumir o Baú, Silvio tratou de torná-lo conhecido em São Paulo, através de sua caravana e dos anúncios na Nacional. Deu certo, mas a empresa estava crescendo muito, e necessitava de mais publicidade. Foi então que resolveu apostar num veículo recém-chegado ao país, e que poucos o entendiam bem: a televisão. O locutor decide alugar um horário noturno na TV Paulista, canal 5 (atual TV Globo SP). A idéia era bem simples, um jogo de forca com os fregueses do Baú, que concorriam a vários prêmios. Esse era o "Vamos Brincar de Forca".

Engana-se quem pensa que essa foi a estréia de Silvio Santos na TV. Antes ele havia sido locutor de comerciais das extintas Lojas Clipper. O começo na telinha também marca o início do Grupo Silvio Santos. O animador pensou que a propaganda exaustiva do Baú iria cansar o telespectador. Para isso criou a Publicidade Silvio Santos Ltda. Para muitos essa empresa, encarregada de todas as cotas de comerciais dos programas do animador, seria o embrião do SBT.

"Vamos Brincar de Forca" ia ao ar às Quartas-feiras. Ficou em atividade apenas um ano, quando o dono da emissora, Victor Costa, pediu que Silvio comandasse uma atração de duas horas, a partir do meio-dia, com jogos, brincadeiras e prêmios aos domingos, já que não tinha nada na programação da TV Paulista nesse horário. O dono do Baú topou, e estreou o "Programa Silvio Santos".

Claro que não existe nenhum vídeo desse programa, talvez nem o SBT possua. Muita coisa antiga do seu arquivo se perdeu nas enchentes que castigaram sua antiga sede, no bairro da Vila Guilherme. Mas no aniversário de 15 anos da emissora, por ocasião da inauguração do Complexo Anhanguera em 1996, Silvio relembra esse início de carreira e cita o programa "Vamos Brincar de Forca". No discurso, ele credita todo o sucesso na TV e fora dela ao Baú da Felicidade.

E isso é apenas o começo dos posts especiais que faremos sobre esses 30 anos de SBT e 50 anos de Silvio Santos na telinha!

Assista!

Agradecimentos: 1980Russo, SBT.


Inauguração do CDT e discurso de Silvio Santos