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quarta-feira, 17 de julho de 2013

CRÍTICA: O REAL VALOR DE CHIQUITITAS

A autora Íris Abravanel: "Quero gerar empregos"
No último dia 15 de julho, mês de férias escolares, estreou a segunda adaptação infantil de Íris Abravanel no SBT. "Chiquititas", sucesso no final da década de 1990, conseguiu superar a média do mesmo período de sua antecessora "Carrossel", também adaptada pela esposa de Silvio Santos e que ainda está no ar. Manter as duas novelas no ar por algum tempo é uma estratégia para que os órfãos das aventuras da turma da professora Helena se acostumem com as travessuras dos órfãos do "Raio de Luz". Ponto para o SBT.

Porém o grande valor de "Chiquititas" não está somente na audiência e nos lucros com os futuros CDs, DVDs e uma infinidade de produtos licenciados. A importância desta produção está na manutenção de um público que não tinha mais o que assistir na TV, desde a estreia da nova versão da mexicana "Carrusel".

Os investimentos aumentaram. É visível aos olhos dos telespectadores o capricho que a equipe da emissora teve com cenários, figurinos, iluminação e seleção de atores, especialmente o elenco infanto-juvenil. E isso também é mérito do consagrado diretor Reynaldo Boury, experiente no ramo e responsável por diversos sucessos em sua extensa lista de novelas.

Se "Chiquititas" der tão certo quanto "Carrossel", será mais um mercado de trabalho aberto para um número grande de profissionais paulistas que poderiam estar desempregados. São roteiristas, iluminadores, técnicos, câmeras, assistentes de estúdio, figurinistas, continuístas, maquiadores, cenógrafos e muito mais, trabalhando, movendo a economia.

Num mercado que já é fechado e concorrido, com a Globo no Rio, a Record reduzindo custos e Band desistindo de dramaturgia, é uma grande alegria para os profissionais da área ouvir a autora Íris Abravanel declarar, em entrevista concedida a Marília Gabriela, que seu principal objetivo é gerar empregos.

Como profissional de comunicação, minha torcida para que a novelinha seja um sucesso vai além da disputa pela vice-liderança no IBOPE. Só será possível medir o quanto o público realmente gostou da trama após o fim do folhetim da "Escola Mundial", embora a emissora tenha feito a lição de casa quanto à estratégia de divulgação, exibição, além do cuidado com o produto. Torço, acima de tudo, para que o SBT consiga firmar novamente na capital paulista, uma central de produção de novelas, coisa que deixou de existir com o fechamento da TV Tupi em 1980.

Confira a nova abertura de "Chiquititas". Agradecimentos: Quem Acontece e SBTonline.



quarta-feira, 19 de junho de 2013

CRÍTICA - UM DESABAFO, PARA NÃO SER INDIFERENTE

Ninguém da equipe se feriu
Fonte: UOL
Não dá pra ficar alheio à onde de manifestações que tomaram conta do Brasil desde a semana passada. Especialmente porque o alvo de alguns se tornou a televisão. Como todos sabem, milhares de pessoas foram às ruas em várias capitais e grandes cidades brasileiras protestar contra o aumento das tarifas de transporte público. A reação violenta da polícia em São Paulo foi a gota d'água para eclodir um super movimento contra uma série de abusos dos governos estaduais e federal. Os valores astronômicos gastos com a Copa das Confederações e a Copa do Mundo de 2014 são um dos motivos da revolta da população.

Não vou fazer a defesa da TV, já que teve emissora, na semana passada, tratando os manifestantes como vândalos. Somente após o apoio retumbante da população à causa e aos protestos pacíficos, que a postura dos grandes canais mudou, e passou a fazer a cobertura do movimento, até com mais intensidade. Sem contar que, para boa parte do público, algumas históricas omissões televisivas jamais foram esquecidas. O povo não é bobo!

Mas como jornalista, não posso ficar calado diante do vandalismo praticado ontem (18/06) contra uma equipe da TV Record, diante da sede da prefeitura de São Paulo. Um pequeno grupo de marginais (sim, pois é assim que se chama quem pratica crimes como este) atirou pedras e ateou fogo em uma UMJ (Unidade Móvel de Jornalismo). Uma outra jornalista da TV Bandeirantes foi agredida no mesmo local. Um carro do SBT foi pichado. Isso sem contar as agressões a repórteres e fotógrafos, praticados na última semana.

A imprensa se rendeu aos manifestantes, quando viu que suas reivindicações eram justas e mais do que corretas. Seu papel é registrar o fato, e quem não gostar da linha editorial deste ou daquele veículo, vá para a internet. O que não pode é impedir os órgãos de imprensa de trabalhar e atacar jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas, que são tão trabalhadores quanto os manifestantes. Assistindo a uma das inúmeras reportagens durante os protestos, vi um repórter abordar um participante que se recusou a falar com o jornalista. Simples assim. É um direito dele. Essa é uma postura civilizada.

Claro que não é possível generalizar. A grande maioria das pessoas que foram lutar pelos direitos de todos, foram pacificamente. O que não pode é deixar que atitudes estúpidas de pequenos grupelhos manchem um movimento que já entrou para a história. E as ações que me refiro não são apenas as agressões às equipes de televisão, mas pelo vandalismo e os saques.

Este é um momento histórico em que, como dizem nas ruas, o gigante acordou. A força deste movimento também aumentou graças às imagens exibidas nos telejornais para todo o Brasil. Muitas emissoras abriram mão de suas programações normais para dar voz aos protestos país a fora. Vivemos mais de 20 anos sob censura. Tentar calar os meios de comunicação é uma atitude covarde de quem quer o poder à força, e tivemos exemplos do que se conquista com e sem violência nestas últimas duas semanas.


domingo, 9 de junho de 2013

CRÍTICA: RECRIAR É PRECISO

Segundo comunicado da Record, Gugu vai se dedicar a
"produção independente"
A última semana foi bem movimentada, graças ao repentino rompimento de Gugu Liberato com a Record. Após quatro anos de contrato, e com mais quatro pela frente, o apresentador decidiu na última quinta-feira encerrar o compromisso com a emissora da Barra Funda.

Muita coisa foi dita nestes últimos dias. Que o salário de R$3 milhões que Gugu tinha evitaria em torno de 600 demissões, que a pressão por parte dos diretores do canal estava sendo forte demais, entre muitas outras coisas. Tudo isso quem pode confirmar ou negar, um dia, é o próprio apresentador.

Ns palavras de Paraguaçu, "deixemos de lado os entretantos e falemos dos finalmentes". Vamos analisar as razões para o fim desta milionária parceria. Em 30 de agosto de 2009, estreia o "Programa do Gugu", com ares de super produção, e com muitas promessas. Após 27 anos de SBT, e 35 anos de Grupo Silvio Santos, a Record conseguiu o que nem a Globo realizou: tirou da Anhanguera o "substituto" do ex-dono do Baú nos Domingos. Os bispos prometeram programa de entrevistas na Record News, jatinho e helicóptero disponíveis para o dominical.

O então apresentador do "Domingo Legal" alegou que não se sentia prestigiado no SBT, e que não queria ser sócio da emissora com seu programa, assim como Raul Gil e Ratinho. Na rede de Edir Macedo, manteve o mesmo esquema que vinha apresentando em sua antiga casa, mas agora em horário noturno. A atração começou bem, garantia o segundo lugar fácil, mas em dezembro daquele ano começou a ser derrotada pelo "Programa Silvio Santos".

A direção trocou o horário do dominical, que passou a anteceder o jornalístico "Domingo Espetacular". Gugu passou a enfrentar o Faustão na Globo novamente, como fazia no final dos anos 1990 e saía vitorioso. Mas com o tempo, seu objetivo passou a ser a vice-liderança, e não o primeiro lugar. Eliana, que passou a ocupar o antigo horário do loirinho no SBT, cativou o público e trouxe de volta o segundo lugar para o canal.

Para tentar resgatar audiência, o animador e seu diretor, Homero Salles, tentaram de tudo. Talvez esteja aí a razão do problema. A maioria das ideias aplicadas no programa, são quadros velhos, antigos, que Gugu já tinha apresentado, ou já era conhecido do público. A "Corrida do Gugu" já fez parte da carreira do artista como "Corrida Maluca", "Sonhar mais um Sonho" e "Gugu Bate a sua Porta" foram produzidos já na fase do "Domingo Legal", "Escolinha do Gugu" é dos formatos mais antigos na TV, e o "Desafio Musical" já foi apresentado por Silvio Santos como o inesquecível "Qual é a Música?"

Acharam que o problema estava até nas roupas do Gugu, que trocou o terno por camisas polo e tênis moderno. Lembrem-se de que no começo da carreira, o animador se vestia igualzinho ao Silvio Santos. Até o mesmo microfone ele usava! No entanto, o que o diferenciava eram as novidades que trazia para o programa, sempre com um tom popular, mas distintas do que Silvio apresentava.

Gugu precisa se renovar, se redescobrir como artista e como animador. Um bom exemplo é seu mestre, Silvio Santos, que apresenta os mesmos quadros, mas de uma maneira diferente de quem os assistiu há 10 ou 20 anos atrás.

Mas a Record também errou, ao colocar tão imediatamente no ar um artista que tem a imagem fortemente associada à concorrência. Era necessário deixar esfriar a ligação Gugu-SBT, na cabeça do público. Xuxa serve de modelo para esse caso. A Rainha dos Baixinhos ficou seis meses na geladeira da Globo antes da estreia do "Xou da Xuxa", para desassocia-la da Rede Manchete, onde apresentava o "Clube da Criança".

O futuro de Augusto Liberato por enquanto é incerto. O que se sabe é que hoje vai ao ar o último "Programa do Gugu" ao vivo, pela Rede Record. Pela curiosidade do público, é bem provável que esta exibição renda bons índices para a emissora.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

CRÍTICA: O DESAFIO DO GUGU

Aproveitando a estreia, Gugu adotou um visual mais esportivo
Neste Domingo, a Record estreou o quadro "Desafio Musical", a nova versão do clássico "Qual é a Música", apresentado por Silvio Santos durante quase 20 anos. A disputa entre artistas foi gravada por Gugu Liberato durante a semana, e exibida no final de seu  programa dominical. O restante da atração foi ao ar ao vivo, seguindo a mecânica usada para a "Escolinha do Gugu".

Somente duas provas eram desconhecidas do público: "Kazoo", uma espécie de apito, na qual os convidados cantarolam canções que estão ouvindo por um fone, e "Foto Musical", onde os participantes, ao escolherem uma fotografia poderiam tentar adivinhar o nome da música do artista estampado ou passar a pergunta para o time adversário.

Vale ressaltar o esforço da produção em fazer com que o "Desafio Musical" em nada lembrasse o quadro conduzido pelo dono do SBT de 1976 a 1991, com volta entre 1999 e 2002 e um último retorno em 2007. Todos os jogos receberam nova roupagem. Não tem três interpretes para o jogo dos versos (apenas uma), muito menos os famosos dubladores maquiados. Até a participação da plateia foi repaginada. Duas assistentes de palco, com um microfone cada, iam até as moças do auditório que sabiam as respostas corretas.

O visual dos quadros foi modernizado. No lugar da orquestra, um DJ disparava todas as músicas usadas nas brincadeiras, inclusive as notas do leilão, a disputa final da atração. Porém algumas coisas foram mantidas, como o trio masculino e feminino que se enfrenta, e a clássica pergunta ao DJ-maestro: qual é a música?

Não é a primeira vez que a emissora da Barra Funda adapta um programa estrangeiro, já conhecido por aqui. Em 2009, o canal 7 comprou os direitos de "O Preço Certo". Apresentado pelo ator Juan Alba e pela jornalista Débora Santilli, o game show foi exibido diariamente nas tardes da programação, até meados de 2010. Mas esta atração já havia sido produzida no Brasil também por Silvio Santos, na década de 1980, inclusive com o mesmo título. 

Silvio Brito, Silvio Santos e Fafá de Belém na versão de 1976

A aquisição de "Name That Tune" (Nome desta música), o formato original da atração, é a resposta que a Record deu a uma pesquisa com telespectadores, sobre o "Programa do Gugu". O público quer o apresentador mais presente no palco do Teatro Record, e a participação maior de artistas convidados.

A audiência correspondeu durante a "novidade". Pouco tempo depois de encerrado o dominical, o diretor Homero Salles, em seu Twitter, anunciou que a atração terminou "com o dobro da terceira colocada, a quatro décimos da líder". Mas não foi o suficiente para deter Eliana e o SBT. Segundo dados preliminares, a loirinha fechou com 6,8 de média contra 5,9 da Record. A Globo liderou no período com 12,9.

Quando o apresentador surgiu na emissora de Silvio Santos como sucessor do patrão, a imagem de Gugu era idêntica a do homem do Baú. Até mesmo o microfone era o mesmo! O que o diferenciava eram as novidades que trazia no "Viva a Noite". Os quadros bolados pela equipe e pelo ex-produtor eram diferentes, mas mantinham a essência popular de Silvio. Gugu foi contratado com 14 anos pela sua criatividade.

Ainda é muito cedo para dizer se a estratégia será vencedora. Televisão é hábito. Apostar em uma atração já conhecida e consagrada é algo arriscado. O público pode se cansar muito rapidamente, ou não. Sem contar as inevitáveis comparações. Mas já é positivo o fato do programa não encerrar com lágrimas dos quadros emocionantes que vinha trazendo ultimamente. O telespectador quer terminar seu final de semana com bom humor. Afinal, tristeza por tristeza, basta lembrar que a Segunda está chegando!

Imagens: UOL e Divulgação/TV Record.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

CRÍTICA: VALE A PENA FAZER DE NOVO?

A família Bozo está de volta aos sábados do SBT
A estreia do "novo" palhaço Bozo no SBT, na manhã deste sábado, não é apenas mais uma das decisões incompreendidas de Silvio Santos. O resgate do infantil, que foi sucesso há 30 anos, é uma tendência de algumas emissoras no mundo: não arriscar em novidades.

De uns anos pra cá, vários canais de televisão tem lançado mão de textos antigos, formatos engavetados, e em algumas situações reprises puras e simples, para suprir a falta de criatividade de seus atuais roteiristas, ou a aposta em sangue novo. Você pode alegar que sempre fizeram isso. E mais, pode até me criticar: "como um jornalista que escreve sobre história da TV pode achar ruim o resgate de programas antigos?"

Calma, eu me explico. Entrevistando a ex-repórter do "Aqui Agora" Magdalena Bonfiglioli, em um dado momento, ela me disse por que não sentia saudades do telejornal popular do SBT. "Não posso sentir saudades de algo que cumpriu o seu papel e fez sucesso no seu tempo. O passado é útil demais para pautar o presente e criar o futuro. Mas o futuro deve ser criado", disse a jornalista.

Diante de um novo público, conectado à internet e com uma variedade de opções muito maior do que há 20 anos atrás, a TV aberta prefere recorrer à memória afetiva dos telespectadores. Os mais recentes remakes de novelas da Globo são antigos sucessos das 19h, uma faixa dedicada principalmente a um público mais jovem. Seus clássicos, como "O Astro", "Gabriela" e futuramente "Saramandaia" são exibidas após a primeira linha de shows, às 23h, próximo do horário da reprise de outros novelões no canal pago Viva, também da Globo.

Muitas pessoas assistem a essas produções também por influência de quem já as viu antes. Aqueles que já conhecem, querem ver se vai haver algo novo, ou se a história será mantida como a original. No caso do SBT, produtos do seu principal gênero, os programas de auditório, vez por outra voltam com nova roupagem. São vários os exemplos: "Fantasia", "TV Animal", "Roda a Roda", e o sucesso que surpreendeu a todos, a novelinha "Carrossel".

O crescimento das novelas da Record aconteceu com o remake de "A Escrava Isaura". Em seus auditórios, também já voltou a antiga "Corrida Maluca" com Gugu, e o apresentador se prepara para assumir o formato original do "Qual é a Música" de Silvio Santos. A Band também tem planos de resgatar um dos programas do dono do SBT, passando para José Luiz Datena o comando de "Quem Quer Ser um Miionário", conhecido por aqui como "Show do Milhão".

Não há problema algum em trazer de volta atrações que foram sucesso. Isso atrai ao mesmo tempo um público novo e os eternos fãs, como é o caso do Bozo. Mas também mostra que os executivos das emissoras possuem receio de apostar em novidades. Não dá pra viver só de passado, e não investir em novos talentos, capazes de reinventar a televisão. Serão esses profissionais que farão TV para seus contemporâneos, e as futuras gerações, e que poderão deter a queda livre da audiência.

Em tempo: o palhaço mais famoso do mundo estreou seu programa solo na vice-liderança. Segundo dados prévios, a atração empatou com a Record, com 4,3 pontos de média. A Globo liderou com 7,2. Imagem: Divulgação/SBT.

sábado, 20 de outubro de 2012

CRÍTICA - SANGUE NOVO, PÚBLICO NOVO, TRADIÇÃO RENOVADA

Um fenômeno. Esse foi o adjetivo mais utilizado para definir "Avenida Brasil", novela de João Emanuel Carneiro, que teve seu último capítulo apresentado pela Globo na última sexta (19/10). Não concordo tanto com esse termo. O sucesso de Nina, Carminha e cia. foi resultado creditado mais na pesquisa de mercado, no conhecimento do seu público, e claro no talento de seus profissionais, do que uma mera obra do acaso.

Muitos apostavam, e há quem ainda aposte, que o gênero novela como o conhecemos é demasiadamente ultrapassado, ninguém mais se dispõe a ficar de seis a oito meses acompanhando uma história etc, etc. Atualmente, com a chegada da internet e suas redes sociais, segundo esses mesmos críticos, a tendência é a audiência desses produtos cair gradualmente. Os índices davam mais força para essa opinião. "Laços de Família" (Globo,2000), de Manoel Carlos, registrou média de 45 pontos. Dez anos depois, "Passione" (Globo, 2010), de Silvio de Abreu, fechou com 35 durante sua exibição, segundo dados do IBOPE.

Neste intervalo também aconteceram suas exceções, como "Senhora do Destino". Escrita por Aguinaldo Silva em 2004, a novela alcançou em média 50 pontos. Mas como explicar o sucesso dessas duas histórias em especial, junto a uma geração que não tem na televisão a sua única diversão? O roteiro e o reconhecimento da transformação de uma sociedade pela emissora.

A ascensão da chamada classe C sacudiu a economia nacional em todos os sentidos. Não poderia ser diferente com a televisão. As novelas produzidas pela Globo sempre mostraram um Brasil rico, calcado no pensamento de que todo mundo gosta do luxo, especialmente quem não vive nele. A estabilidade monetária e o aumento do poder aquisitivo do trabalhador, permitiu uma renovação no público consumidor de novela. O povo quer se ver na TV, mas não como figurante, como acontecia antes, e sim protagonista. Os bairros do Leblon e Ipanema agora devem dar espaço para o subúrbio carioca, assim como as demais periferias brasileiras.

"Avenida" parou a presidente do Brasil

Quanto ao reconhecimento regional, a emissora dos Marinho já avançou um pouco. "Cheias de Charme" foi uma trama produzida com elementos atrativos especialmente ao povo de Belém do Pará, onde a audiência do horário das 19h estava numa séria crise. "Avenida Brasil" colocou o brasileiro comum como estrela principal de seu enredo. João Emanuel vem provar que é necessário sangue novo no time de autores da teledramaturgia nacional. Sua novela também mostrou que sim, um folhetim ainda é capaz de prender a atenção do público por sete meses, mesmo com internet! Aliás, as redes sociais eram um complemento para os telespectadores. Milhares de pessoas assistiram ao seu desfecho fazendo comentários em suas páginas pessoais nestes sites.

Porém a maior confirmação de que o formato ainda é forte foi a mobilização nacional que provocou. Bolões de apostas foram feitos aos milhares, para adivinhar quem foi o assassino de Max (Marcelo Novaes). Várias pessoas saíram apressadas de seus trabalhos para chegar mais cedo em suas casas, para não perder a novela. Até a presidente Dilma Rousseff deu um jeitinho na agenda para assistir a conclusão da trama do fictício bairro do Divino.

O público que consome novela mudou, e a Globo despertou para essa realidade. Claro que sua iniciativa não foi pioneira. A Record já havia dado o "tratamento global" para novelas mais populares, como "Prova de Amor"(2005) e "Vidas Opostas"(2006). Mas como a líder de audiência possui o chamado "know-how"(conhecimento) e o talento, não apenas artístico, mas também técnico, os reflexos dessas implementações ganham dimensões gigantescas. O segredo está em conhecer o público para quem se está falando, e um bom roteiro sempre, pois no caso das novelas, o hábito já está mais que consolidado e seguirá assim por muitos anos. Até a reviravolta do próximo capítulo. Agradecimentos: TV Globo.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

CRÍTICA - AUDIÊNCIA DA QUALIDADE

Um dos últimos programas "Hebe" na RedeTV
O falecimento de Hebe Camargo coloca um ponto final em um capítulo importantíssimo na história da televisão no Brasil. Muita coisa foi publicada, exibida e falada sobre a rainha da TV. Mas algo me chamou a atenção no meio de tudo isso. Nos últimos programas, Hebe chegou a registrar 1 ponto de média na Rede TV!

Também nessa revirada no baú da história da telinha, foi ressaltado que a fase áurea da apresentadora aconteceu no final dos anos 1960, quando era contratada da TV Record. Seu dominical chegou a atingir 72 pontos de audiência. Da Record a RedeTV! , passando pelos quase 25 anos de SBT, onde sua carreira ganhou dimensões nacionais e até internacionais, seu programa não mudou muito. O mesmo sofá estava lá, acomodando personalidades, políticos, artistas e os grandes sucessos da nossa música. O que mudou apenas foi a loiruda, que só melhorou com o passar dos anos.

Então o que explica uma Hebe Camargo encerrar sua carreira com pouco mais de 60 mil telespectadores (valor equivalente a cada ponto de audiência, na Grande São Paulo, pelo IBOPE), em seu último programa inédito, em junho deste ano? Bradamos aos quatro ventos: "Queremos qualidade na televisão!!!" Será mesmo?

Em seus mais de 50 anos à frente de uma atração, Hebe jamais levou ao ar qualquer coisa que ofendesse ou agredisse a família. Talvez a única derrapada tenha acontecido em meados dos anos 1990, quando apresentou um desfile de moda praia, com modelos usando biquinis e sungas estampados com imagens de santos católicos. Tamanho foi o burburinho, que a apresentadora (católica fervorosa) se desculpou na semana seguinte. Comparado ao que vemos na televisão atualmente, isso é "café pequeno".

Outros programas de qualidade também possuem baixos índices de audiência. E quando me refiro a qualidade, não quero dizer que a atração deva ser educativa. Também sei que hoje, a audiência da televisão está muito pulverizada, pelo número de canais existentes e pela concorrência com novas mídias como a internet. Mesmo assim, alguns dos campeões de IBOPE também são os primeiros em apelação, violência e sensualidade barata e vulgar.

A categoria da nossa TV no exterior é das mais altas. E não estou falando apenas das novelas. Existe muita coisa ruim? Sim. Mas também existem opções boas que só valorizamos quando desaparecem da telinha. Hebe não se preocupava com a audiência de seu talk show. Ainda no SBT declarou, certa vez, que para ela bastava que o programa atingisse 10 pontos de média. Nunca lhe foi cobrado isso, mas essa responsabilidade era repassada aos seus diretores.

Hebe se foi. Nunca mais haverá alguém como ela. Não existe substituta à altura. Seu sofá, com sua gargalhada linda de viver agora permanece na história como uma lembrança de uma era da nossa TV. E nós? Vamos continuar a clamar por melhoria na programação, e menosprezar a qualidade que já existe, com baixos índices de audiência? Vale a reflexão.

Agradecimentos: Divulgação RedeTV!

sábado, 11 de agosto de 2012

CRÍTICA: A MEDALHA DE PRATA DA RECORD

Slogan da emissora para a Olimpíada 2012
O canal 7 paulistano cresceu 35% em audiência, segundo o IBOPE, com a Olimpíada, mas ficou longe da média da concorrente do Jardim Botânico. Por quê? Não foi apenas a fraca participação brasileira que afastou o público da telinha da Record, a detentora dos exclusivos direitos de transmissão dos Jogos Olímpicos de Londres. E olha que não estou falando do futebol! Alguns outros fatores colaboraram para isso.

Televisão é hábito. Esta frase, repetida quase como um mantra dentro da Globo por Walter Clark e Boni nos anos 1970, explica o segundo lugar de audiência, com vantagem de apenas dois pontos de média, durante algumas transmissões, para o terceiro. O público está acostumado a assistir eventos esportivos pela Rede Globo, no máximo pela Rede Bandeirantes, e olhe lá!

A falta de tradição da emissora do bispo Edir Macedo no gênero também influencia, em certo grau, o distanciamento do público. Apenas a apresentação do programa "Esporte Fantástico" aos sábados pela manhã (!) não representa para o telespectador um sinal de que aquele canal é uma opção para quem busca se informar ou acompanhar esportes.

Nas redes sociais, algumas pessoas reclamaram da falta de ânimo de narradores e comentaristas. Sentiu-se frieza diretamente da cidade olímpica, que neste momento está em pleno verão. O horário dos jogos também não favoreceu muito a Record. Devido ao fuso, quatro horas a mais do que Brasília, a exibição das modalidades se concentrou nas manhãs e tardes da programação. Restou apenas para o jornalismo noturno a promoção e cobertura mais caprichada do evento para o público do horário nobre.

Mais Olimpíada no ar

A Record enviou 330 profissionais para a capital britânica 
O momento atual da estação também jogou contra. A instabilidade da grade de programação, por decisões próprias e pelo renascimento do SBT na disputa pela vice liderança, afastaram uma parcela significativa de fãs das competições olímpicas.

A Globo conseguiu manter sua larga distância do segundo colocado, embora a Record tenha em alguns momentos alcançado a liderança com folga. Graças a esses momentos, e ao reality "A Fazenda", a emissora leva a medalha de prata do ranking de audiência do IBOPE, mesmo que por décimos a mais que o bronze, em certas oportunidades na média diária.

Porém também tivemos pontos positivos, para o canal e para o público. A exclusividade da cobertura do evento entra para a história da televisão brasileira. Houve um avanço importante na qualidade das transmissões, principalmente por parte de seus narradores, comentaristas e repórteres, em comparação com o Pan de Guadalajara em 2010. O público teve acesso gratuito a um número maior de modalidades não tão conhecidas ou transmitidas. Uma vantagem foi ter a Record News disponibilizando toda sua grade para a Olimpíada (foram mais de 300 horas seguidas, um recorde), aliado ao R7, portal de notícias do grupo. Mesmo assim, jogos mais populares como futebol, vôlei ou basquete tiveram mais audiência. A televisão deve sempre fazer uma cobertura mais ampla de um evento como esse, mas o público tem as suas preferências e seus hábitos.

A emissora da Barra Funda pode ter levado "Londres 2012" sozinha, mas o "olé" que a Vênus Platinada deu para fazer a cobertura sem mostrar o logotipo da concorrente, usando até mesmo fotografias em suas reportagens, sinceramente é digno de ouro! Em 2016, no Rio, Globo, Record e Bandeirantes vão transmitir juntas os jogos olímpicos. Contudo, a emissora da família Marinho não quer ver novamente as palavras "Record" e "Olimpíada" associada a "exclusividade". Nem se sabe qual será a cidade sede, no entanto a corrida pelos direitos de transmissão de 2020 já começou. Quem leva a melhor? Tomara que seja o telespectador!

Curiosidades: Na noite da cerimônia de abertura, Ana Paula Padrão voltou no tempo e, ao vivo, anunciou que o telespectador estava acompanhando o "Jornal da Globo". Mylena Ciribelli se atrapalhou com uma informação que não foi passada pelo ponto eletrônico, o aparelho no ouvido dos apresentadores e jornalistas por onde o diretor mantém comunicação sem que sua voz apareça. A apresentadora ficou brava e, quando pensou que estava fora do ar, seu áudio ainda estava aberto e disse: "Fala aqui na p**** do ponto". TV ao vivo tem dessas... Vamos rever essas falhas técnicas.

Agradecimentos: Marcio Santos, Fábio Pereira e Divulgação/TV Record




segunda-feira, 25 de junho de 2012

CRÍTICA: A GLOBO PENSA EM SEU FUTURO?

Hoje pela manhã, ao estrear o programa "Encontros com Fátima Bernardes", a TV Globo pôs fim a um ciclo de 47 anos de produções diárias de infantis. Quem quiser ver desenhos animados na emissora dos Marinho deve esperar até o sábado, se não tiver evento esportivo programado, para assistir a "TV Globinho", ou pelas madrugadas. Os proprietários de antenas parabólicas pelo país afora também assistem ao "Festival de Desenhos", no horário da primeira edição do jornal local.

No programa, Fátima segue um dos princípios básicos do jornalismo: toda pessoa tem uma boa história para contar. Basta saber como extraí-la. Para isso, nada melhor do que um encontro. A atração ficou 1:30h no ar e, apesar de pequenos problemas comuns em estreias ao vivo, parece ser uma boa companhia. Mas é necessário escolher melhor os temas a serem abordados.

Segundo os primeiros dados, a jornalista trouxe novamente os dois dígitos no IBOPE, para as manhãs globais. Os números prévios indicam 10 pontos para "Encontros" contra 7 do SBT e 6 da Record. A estratégia da emissora carioca era clara: fisgar o público do "Hoje em Dia". E conseguiu. A revista eletrônica do canal 7 paulistano investiu em brincadeiras valendo prêmios, e na presença de seus ex-apresentadores Britto Júnior e Ana Hickmann.

O plano global fortaleceu a rede de Silvio Santos, com sua programação infantil, e complicou ainda mais a situação já não muito confortável na Barra Funda. Embora o jornal "Fala Brasil" alcance ótimos índices, o programa comandado por Celso Zucatteli, Chris Flores e Edu Guedes nem sempre consegue manter o mesmo fôlego. E o próprio "Hoje em Dia" passou por mudanças que o descaracterizaram, mudando um pouco a proposta original da atração.

O público infantil e a TV aberta

Abandonar as crianças é um caminho muito arriscado para qualquer emissora aberta. A médio e longo prazo, a Globo pode sentir na sua audiência os reflexos desta decisão. Televisão é hábito, disso sabem todos os diretores e executivos de TV. Ao acabarem com a faixa diária infantil, os programadores globais estão acabando também com o hábito dos baixinhos de assistirem a emissora.

Um bom exemplo de que ainda existe público infantil para a TV aberta é a novela "Carrossel". O remake do SBT, escrito por Íris Abravanel, prova a cada noite, que criança gosta de ver televisão. Basta produzir algo que elas gostem, e se identifiquem. Por incrível que pareça, as crianças viam em apresentadoras como Xuxa, Mara, Angélica, Eliana, em palhaços como Bozo, Atchim, Espirro, Carequinha, Arrelia, e nas fábulas de Monteiro Lobato, grandes companhias, divertidas amizades, que estimulavam sua imaginação, ou simplesmente falavam a mesma língua.

Os executivos no Jardim Botânico devem estar festejando os resultados da estreia de Fátima Bernardes. Mas esses mesmos diretores também festejaram os bons números no começo de "Bem Estar" e da versão matutina do "Mais Você". As duas atrações têm forte concorrência com a Record. E as preocupações não param por aí. Julho é mês de férias escolares, período em que a audiência das manhãs do SBT cresce muito. É aguardar e conferir se as projeções da Globo estão corretas.

Confira a chamada para o tão esperado "Encontros com Fátima Bernardes".

Agradecimentos: Abril e iffmay

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

CRÍTICA: ÚTIL E FÚTIL


Na madrugada de 20 de janeiro, Carlos Nascimento criticou o destaque que temas como o suposto estupro do BBB e a frase "... menos Luiza, que está no Canadá" ganharam nos noticiários brasileiros. Muitas pessoas, nas redes sociais, se ofenderam com a indignação do jornalista que iniciou o "Jornal do SBT" com a frase: "Ou os problemas brasileiros estão todos resolvidos, ou nós nos tornamos perfeitos idiotas". Houve quem entendesse aquilo como uma agressão à todos aqueles que brincaram com a frase dita num comercial imobiliário por um colunista social da Paraíba.

O problema não está na brincadeira que virou meme na internet. Afinal, essa não foi a primeira e nem será a última. Nem mesmo no Big Brother, já que reunir gotosas, saradões e muita bebida nunca acaba bem. A questão é o espaço que essas pautas ganham nos importantes noticiários do país. Temas deste tipo são perfeitamente aceitáveis em atrações vespertinas, como "A Tarde é Sua" (RedeTV!), "Muito+" (Band), ou especializadas como o "TV Fama" (RedeTV!). E sem nenhum demérito a qualquer programa do gênero, pois são programas de entretenimento, ou seja, feitos para divertir o público, que podem trazer informação, mas sem o mesmo compromisso de um telejornal.

Não é a primeira vez que acontece essa discussão. Em 1998, o "Jornal Nacional" foi apedrejado por dar quase dez minutos para o nascimento de Sasha, filha única da apresentadora Xuxa, com direito a entrada ao vivo e tudo. Este é apenas um exemplo de vários que podem ser citados.

Nascimento não quis ofender ninguém gratuitamente (seu comentário está na primeira pessoa do plural, atentem), mas alertar sobre o perigo que a sede por vender mais jornal, garantir mais acessos ou, no caso dele, dar mais audiência, traz para um veículo informativo: exaltar o fútil e excluir o útil. Com este comentário "polêmico", o jornalista também deu uma clara demonstração da importância da liberdade de expressão. Temos o direito de brincar, mas também temos o direito de não gostar da brincadeira. Quem dera todos os jornalistas que trabalham em grandes empresas de comunicação tivessem essa mesma oportunidade.



Comentário de Carlos Nascimento no "Jornal do SBT"

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

CRÍTICA: NÃO VÁ PRA CAMA, SEM ELA!


Ontem estreou a nova temporada do programa "Amor e Sexo", na TV Globo. Acompanhei a atração, que tinha como convidados os atores Julia Lemmertz, Alexandre Borges, Letícia Spiller e Marcelo Novaes. Foram abordados vários temas como o sexo entre os filhos adolescentes e o diálogo entre pais separados. Nem senti a hora passar.

A Globo acertou na maneira como tratar os assuntos, num programa de auditório e repleto de jovens. Normalmente o assunto cai na vulgaridade ou na piada chula. Fernanda Lima conduz muito bem, dosando humor para que a conversa não seja a mesma de um consultório médico ou se encaminhe pelo mau gosto. Sem contar a música ao vivo de Léo Jaime e sua banda.

"Amor e Sexo" é uma prova de que dá pra falar sobre sexo sem constrangimento ou malícia barata na TV. Tanto é que na plateia também estavam presentes pais e mães acompanhados de seus filhos, falando abertamente sobre os temas propostos. Os quadros do programa visam divertir e levar informação sem preconceito. Claro que o horário em que é apresentado, após às 23h, permite uma maior liberdade, mas esta não é confundida com libertinagem. Até mesmo em seu modo de exibição, em temporadas curtas ao longo do ano, favorece o programa.

Uma boa opção para as noites de Quinta!

Agradecimentos: Divulgação TV Globo