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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A MARATONA DEBUTANTE

A maratona televisiva brasileira completa 15 anos
Sonhos se tornam realidade? Em 1998 um brasileiro sonhou com uma campanha para arrecadar fundos para a AACD - Associação de Assistência à Criança Deficiente. Uma instituição sem fins lucrativos, que, desde 1950, auxilia não apenas os baixinhos, mas toda pessoa que dela precisar e, na maioria dos casos, gratuitamente. Décio Goldfarb, presidente-voluntário da AACD na época, resolveu propor a um canal de televisão a realização de uma maratona de solidariedade chamada Teleton.

O nome vem do inglês Telethon (Television Marathon, maratona televisiva). O evento nasceu nos Estados Unidos em 1954, mas o nome só surgiu em 1966, quando o comediante Jerry Lewis assumiu o comando do programa. Antes era chamado WHAS Crusade for Children (cruzada pelas crianças). O sucesso mundial não demorou a acontecer. Em 1978 o Teleton chega a América do Sul. Sob o comando de Don Francisco, o maior apresentador de TV de língua espanhola, todas as emissoras de rádio e televisão do Chile se unem a favor das crianças menos favorecidas. Até mesmo uma organização internacional foi criada para unificar os Teletons realizados em toda América Latina: a ORITEL - Organização Internacional dos Teletons. Hoje a maratona está presente em mais de 20 países pelo mundo.

De volta ao Brasil. Goldfarb precisava entrar em contato com alguma emissora que topasse a ideia. Imediatamente entrou em contato com sua amiga, a apresentadora Hebe Camargo, que tomou a causa como sua. Linda, loira, de salto alto e com o projeto em mãos, e no coração, foi até o escritório de seu patrão Silvio Santos, dono do SBT, apresentar a proposta, juntamente com Décio. Silvio tornou público o desejo de fazer algo pela população que tanto amor e carinho lhe deu ao longo dos anos pela TV desde 1987, quando tentou ser prefeito da capital paulista, governador de São Paulo e presidente da República, mas sem sucesso. Segundo Hebe, o apresentador ficou "perdidamente apaixonado" pelo Teleton, e lançou o primeiro em 16 de maio de 1998, um sábado à noite. A campanha ficaria no mínimo 24 horas no ar para atingir a meta em dinheiro que a AACD necessitava naquela época.

"Contribua com apenas R$5,00"

Da esquerda Rodrigo Rodrigues (Cultura), Luciana Gimenez
(RedeTV!), Adriane Galisteu (Band), Ellen Jabour (MTV),
Maria Cristina Poli (Cultura), a cantora Claudia Leitte e
Eliana (SBT), juntos pela AACD.
O dono do SBT queria fazer por aqui a rede de solidariedade que os chilenos fazem, mas até hoje não conseguiu alcançar este objetivo plenamente. Nos primeiros anos, a maratona era exibida integralmente ao vivo. A partir de 2001, a produção passou a gravar gincanas com artistas e programas especiais apresentados por Silvio Santos, como o "Show do Milhão", com celebridades e políticos, "Roda a Roda" e "Show de Talentos".

A maratona ocupa entre 24 e 27 horas, sem interrupção, da programação do SBT. Apenas em 2008 a emissora parou o Teleton, em seus minutos iniciais, para exibir a reprise da novela "Pantanal". Em muitas oportunidades, a marca d'agua do canal foi substituído pelo logo da campanha. A TV Cultura de São Paulo, a MTV, a RedeTV!, a TV Gazeta de São Paulo, a Rede Brasil de Televisão e a Rede TV+ são algumas das emissoras que repetiram ou repetem o sinal da rede da solidariedade, nos dias da festa. Rede Record e Rede Bandeirantes já apresentaram trechos e flash, principalmente nos anos em que o evento não era transmitido dos estúdios do SBT, como em 1999, 2000 e a abertura de 2008, direto do Auditório do Ibirapuera.

O dono do SBT sempre enfatizou que se as pessoas pudessem, que contribuíssem apenas com R$5,00, o custo de uma ligação para a maratona. Esse apelo, unido ao de outros artistas e personalidades tem tido excelentes resultados. Graças aos R$5,00, valor mínimo de doação há 15 anos, a AACD arrecadou mais de 124 milhões de dólares, construiu, reformou e mantém em atividade 16 centros de reabilitação espalhados pelo Brasil, realizando mais de 6.400 atendimentos por dia, de acordo com o site da instituição. São atendimentos, na sua maioria, realizados de graça para a população carente, com equipamentos de última geração, e por profissionais altamente capacitados, e em boa parte voluntários. A entidade também conta com parcerias com grandes empresas do setor privado. Mas a realização da campanha, hoje, é indispensável para a sobrevivência da associação.

Saudades da "dinda"

Silvio Santos e Hebe Camargo durante o Teleton 2011
A comemoração pela 15ª edição do Teleton infelizmente terá uma teimosa lágrima de saudade nos olhos dos artistas, colaboradores, pacientes e voluntários. A partida da madrinha Hebe Camargo para o andar de cima, em 29 de setembro deste ano, deixará uma certa tristeza no ar, e um vazio do tamanho de uma estrela de primeira grandeza. Juntamente com Silvio e Décio, Hebe ajudou a tornar o evento um grande sucesso, convertido em milhares de sorrisos, em milhares de corações esperançosos. A produção prepara uma grande homenagem para a apresentadora. Embora não seja uma substituição, Eliana será mais uma vez a embaixadora da jornada televisiva liderada por Silvio Santos. A maratona não pode parar.

Sonho que se sonha sozinho, é apenas sonho. Sonho que se sonha junto, se torna realidade. E no caso de Décio, Silvio e Hebe, se tornou também uma esperança para milhares de pessoas.

Para doar R$ 5,00 o telefone é 0500 12345 05. Para doar R$ 15,00 o telefone é 0500 12345 15. Para doar R$ 20,00 ou mais: 0800 775 2012. As doações (acima de R$5,00) podem ser feitas também ao longo do ano, pelo telefone 0800 771 7878, ou pelo site www.teleton.org.br

Curiosidade: o primeiro mascote da campanha, o Tonzinho, surgiu em 2004. Sua companheira, a Nina, é mais nova. Ela nasceu em 2008. Os bonecos são dados para aqueles que realizam doações acima de R$ 60,00. Neste ano, com a nova bonequinha ainda sem nome, o doador pode levar o trio por no mínimo R$160,00. Todos que trabalham no Teleton, inclusive os funcionários do SBT, estão lá voluntariamente.

Agradecimentos: IG, Café com Notícias, worldteleton, REsbtista, macsp2007, eumesmobr, teletonbrasil, SBTista1 e SBT.


A história da criação do Teleton, por Hebe Camargo


A abertura do primeiro ano, com Silvio Santos em 1998


Hebe, Nair Bello e Lolita Rodrigues em 2000


Encerramento da campanha em 1999, direto da TV Cultura


Os melhores momentos do primeiros 10 anos da campanha


Homenagem à madrinha da maratona, em 2010


O "Balança caixão" de Silvio e Portiolli em Hebe, em 2010


Final da jornada de 2011

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

CRÍTICA - AUDIÊNCIA DA QUALIDADE

Um dos últimos programas "Hebe" na RedeTV
O falecimento de Hebe Camargo coloca um ponto final em um capítulo importantíssimo na história da televisão no Brasil. Muita coisa foi publicada, exibida e falada sobre a rainha da TV. Mas algo me chamou a atenção no meio de tudo isso. Nos últimos programas, Hebe chegou a registrar 1 ponto de média na Rede TV!

Também nessa revirada no baú da história da telinha, foi ressaltado que a fase áurea da apresentadora aconteceu no final dos anos 1960, quando era contratada da TV Record. Seu dominical chegou a atingir 72 pontos de audiência. Da Record a RedeTV! , passando pelos quase 25 anos de SBT, onde sua carreira ganhou dimensões nacionais e até internacionais, seu programa não mudou muito. O mesmo sofá estava lá, acomodando personalidades, políticos, artistas e os grandes sucessos da nossa música. O que mudou apenas foi a loiruda, que só melhorou com o passar dos anos.

Então o que explica uma Hebe Camargo encerrar sua carreira com pouco mais de 60 mil telespectadores (valor equivalente a cada ponto de audiência, na Grande São Paulo, pelo IBOPE), em seu último programa inédito, em junho deste ano? Bradamos aos quatro ventos: "Queremos qualidade na televisão!!!" Será mesmo?

Em seus mais de 50 anos à frente de uma atração, Hebe jamais levou ao ar qualquer coisa que ofendesse ou agredisse a família. Talvez a única derrapada tenha acontecido em meados dos anos 1990, quando apresentou um desfile de moda praia, com modelos usando biquinis e sungas estampados com imagens de santos católicos. Tamanho foi o burburinho, que a apresentadora (católica fervorosa) se desculpou na semana seguinte. Comparado ao que vemos na televisão atualmente, isso é "café pequeno".

Outros programas de qualidade também possuem baixos índices de audiência. E quando me refiro a qualidade, não quero dizer que a atração deva ser educativa. Também sei que hoje, a audiência da televisão está muito pulverizada, pelo número de canais existentes e pela concorrência com novas mídias como a internet. Mesmo assim, alguns dos campeões de IBOPE também são os primeiros em apelação, violência e sensualidade barata e vulgar.

A categoria da nossa TV no exterior é das mais altas. E não estou falando apenas das novelas. Existe muita coisa ruim? Sim. Mas também existem opções boas que só valorizamos quando desaparecem da telinha. Hebe não se preocupava com a audiência de seu talk show. Ainda no SBT declarou, certa vez, que para ela bastava que o programa atingisse 10 pontos de média. Nunca lhe foi cobrado isso, mas essa responsabilidade era repassada aos seus diretores.

Hebe se foi. Nunca mais haverá alguém como ela. Não existe substituta à altura. Seu sofá, com sua gargalhada linda de viver agora permanece na história como uma lembrança de uma era da nossa TV. E nós? Vamos continuar a clamar por melhoria na programação, e menosprezar a qualidade que já existe, com baixos índices de audiência? Vale a reflexão.

Agradecimentos: Divulgação RedeTV!

sábado, 29 de setembro de 2012

Esses Loucos da TV... ESPECIAL - UMA ESTRELA NO AR

A primeira dama da televisão brasileira, Hebe Camargo
A rainha da TV, sempre de riso fácil, hoje deixou um país triste. O falecimento de Hebe Camargo aos 83 anos, vítima de uma parada cardíaca, pegou a todos de surpresa, e abre uma lacuna irreparável no cenário artístico nacional. Na última quinta, publicou em seu Twitter a felicidade que sentia em voltar para o SBT.

Seria muito fácil contar toda a trajetória de vida dessa ilustre filha de Taubaté-SP. Seria muito fácil contar sobre sua infância difícil, sua carreira como sambista, como grande cantora, e especialmente sobre toda sua trajetória na televisão. Muito mais complicado é descrever o tamanho da falta que Hebe fará à nossa telinha.

Se o sonho de todo artista, até 1988, era cantar no "Chacrinha", toda personalidade queria sentar-se no sofá da primeira dama da TV, ou ganhar um "selinho" da apresentadora... infelizmente até hoje. Muitos famosos e autoridades manifestaram ao longo deste triste sábado o seu pesar pelo desaparecimento da maior "gracinha" brasileira.

Existem pessoas que, por mais que saibamos que a morte é um destino certo, pensamos serem eternas. Especialmente quando estas são próximas, familiares como pai, mãe, irmãos... A partida de Hebe é tão sentida justamente porque ela se tornou muito próxima de todos os brasileiros. Viamos nela uma amiga íntima, que sempre estava pronta para nos receber na sua sala, e nós na nossa. Com o nome da deusa grega da eterna juventude, a cada noite, nossas casas eram iluminadas com a jovialidade da morena mais loiruda de que se teve notícia no país.

A "estrela de São Paulo", ao mesmo tempo que transformava o seu programa em uma grande noite de gala, de glamour, um grande espetáculo de alegria e elegância, tinha gestos muito próximos à população que lhe assistia, como beber cerveja num gole só, lavar pratos em cena para relebrar seu passado, ou até mesmo quebrar cadeira como uma roqueira, entrar no palco em uma moto...

O coração de Hebe também era grandioso. Desde o que viamos anualmente no Teleton, até o que não viamos, como quando ajudou inúmeros colegas em dificuldades financeiras (e não foram poucos), atestam a bondade da artista, que só recebeu salário regularmente durante os quase 25 anos de SBT. Está informação consta no depoimento dado para o livro "50 anos de TV no Brasil" (Editora Globo-2000), de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, ex-diretor superintendente da Rede Globo.

Poderia falar de muitos momentos da única apresentadora que conseguiu ser a melhor, sem nunca ter sido contratada pela líder Globo. Poderia falar do começo de sua carreira, substituindo Ary Barroso no programa "Calouros em Desfile", na TV Paulista. A entrevista com o médico Christiaan Barnard, o primeiro a realizar um transplante cardíaco com sucesso, no mundo, na TV Record. O encontro com Dercy, voltando para a TV Tupi. A última aparição de Mazzaropi em seu programa na TV Bandeirantes. O beijo que conseguiu arrancar de Silvio Santos, a muito custo, no "Troféu Imprensa" na sua casa, o SBT. Poderia falar da transmissão do seu talk show em HD e 3D, direto do maior estúdio do Brasil, na estreia na RedeTV!

Mas prefiro expressar meus sentimentos neste momento. O quanto será difícil ligar a TV e saber que não vamos mais ouvir uma gargalhada gostosa, solta. O horário nobre perdeu um pouco de sua nobreza, de seu brilho, a sua estrela. Nós perdemos uma "caipirinha de Taubaté", que de uma forma ou de outra, alegrava nossas noites. Uma mãe, uma cantora, uma apresentadora, uma mulher, uma estrela... Aos familiares, nossa sincera tristeza e nossos desejos de força neste momento.

Vá com Deus, Hebe. Sua trajetória foi "linda de viver".

Agradecimentos: UOL, eumesmobr.