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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

CRÍTICA - AUDIÊNCIA DA QUALIDADE

Um dos últimos programas "Hebe" na RedeTV
O falecimento de Hebe Camargo coloca um ponto final em um capítulo importantíssimo na história da televisão no Brasil. Muita coisa foi publicada, exibida e falada sobre a rainha da TV. Mas algo me chamou a atenção no meio de tudo isso. Nos últimos programas, Hebe chegou a registrar 1 ponto de média na Rede TV!

Também nessa revirada no baú da história da telinha, foi ressaltado que a fase áurea da apresentadora aconteceu no final dos anos 1960, quando era contratada da TV Record. Seu dominical chegou a atingir 72 pontos de audiência. Da Record a RedeTV! , passando pelos quase 25 anos de SBT, onde sua carreira ganhou dimensões nacionais e até internacionais, seu programa não mudou muito. O mesmo sofá estava lá, acomodando personalidades, políticos, artistas e os grandes sucessos da nossa música. O que mudou apenas foi a loiruda, que só melhorou com o passar dos anos.

Então o que explica uma Hebe Camargo encerrar sua carreira com pouco mais de 60 mil telespectadores (valor equivalente a cada ponto de audiência, na Grande São Paulo, pelo IBOPE), em seu último programa inédito, em junho deste ano? Bradamos aos quatro ventos: "Queremos qualidade na televisão!!!" Será mesmo?

Em seus mais de 50 anos à frente de uma atração, Hebe jamais levou ao ar qualquer coisa que ofendesse ou agredisse a família. Talvez a única derrapada tenha acontecido em meados dos anos 1990, quando apresentou um desfile de moda praia, com modelos usando biquinis e sungas estampados com imagens de santos católicos. Tamanho foi o burburinho, que a apresentadora (católica fervorosa) se desculpou na semana seguinte. Comparado ao que vemos na televisão atualmente, isso é "café pequeno".

Outros programas de qualidade também possuem baixos índices de audiência. E quando me refiro a qualidade, não quero dizer que a atração deva ser educativa. Também sei que hoje, a audiência da televisão está muito pulverizada, pelo número de canais existentes e pela concorrência com novas mídias como a internet. Mesmo assim, alguns dos campeões de IBOPE também são os primeiros em apelação, violência e sensualidade barata e vulgar.

A categoria da nossa TV no exterior é das mais altas. E não estou falando apenas das novelas. Existe muita coisa ruim? Sim. Mas também existem opções boas que só valorizamos quando desaparecem da telinha. Hebe não se preocupava com a audiência de seu talk show. Ainda no SBT declarou, certa vez, que para ela bastava que o programa atingisse 10 pontos de média. Nunca lhe foi cobrado isso, mas essa responsabilidade era repassada aos seus diretores.

Hebe se foi. Nunca mais haverá alguém como ela. Não existe substituta à altura. Seu sofá, com sua gargalhada linda de viver agora permanece na história como uma lembrança de uma era da nossa TV. E nós? Vamos continuar a clamar por melhoria na programação, e menosprezar a qualidade que já existe, com baixos índices de audiência? Vale a reflexão.

Agradecimentos: Divulgação RedeTV!

sábado, 11 de agosto de 2012

CRÍTICA: A MEDALHA DE PRATA DA RECORD

Slogan da emissora para a Olimpíada 2012
O canal 7 paulistano cresceu 35% em audiência, segundo o IBOPE, com a Olimpíada, mas ficou longe da média da concorrente do Jardim Botânico. Por quê? Não foi apenas a fraca participação brasileira que afastou o público da telinha da Record, a detentora dos exclusivos direitos de transmissão dos Jogos Olímpicos de Londres. E olha que não estou falando do futebol! Alguns outros fatores colaboraram para isso.

Televisão é hábito. Esta frase, repetida quase como um mantra dentro da Globo por Walter Clark e Boni nos anos 1970, explica o segundo lugar de audiência, com vantagem de apenas dois pontos de média, durante algumas transmissões, para o terceiro. O público está acostumado a assistir eventos esportivos pela Rede Globo, no máximo pela Rede Bandeirantes, e olhe lá!

A falta de tradição da emissora do bispo Edir Macedo no gênero também influencia, em certo grau, o distanciamento do público. Apenas a apresentação do programa "Esporte Fantástico" aos sábados pela manhã (!) não representa para o telespectador um sinal de que aquele canal é uma opção para quem busca se informar ou acompanhar esportes.

Nas redes sociais, algumas pessoas reclamaram da falta de ânimo de narradores e comentaristas. Sentiu-se frieza diretamente da cidade olímpica, que neste momento está em pleno verão. O horário dos jogos também não favoreceu muito a Record. Devido ao fuso, quatro horas a mais do que Brasília, a exibição das modalidades se concentrou nas manhãs e tardes da programação. Restou apenas para o jornalismo noturno a promoção e cobertura mais caprichada do evento para o público do horário nobre.

Mais Olimpíada no ar

A Record enviou 330 profissionais para a capital britânica 
O momento atual da estação também jogou contra. A instabilidade da grade de programação, por decisões próprias e pelo renascimento do SBT na disputa pela vice liderança, afastaram uma parcela significativa de fãs das competições olímpicas.

A Globo conseguiu manter sua larga distância do segundo colocado, embora a Record tenha em alguns momentos alcançado a liderança com folga. Graças a esses momentos, e ao reality "A Fazenda", a emissora leva a medalha de prata do ranking de audiência do IBOPE, mesmo que por décimos a mais que o bronze, em certas oportunidades na média diária.

Porém também tivemos pontos positivos, para o canal e para o público. A exclusividade da cobertura do evento entra para a história da televisão brasileira. Houve um avanço importante na qualidade das transmissões, principalmente por parte de seus narradores, comentaristas e repórteres, em comparação com o Pan de Guadalajara em 2010. O público teve acesso gratuito a um número maior de modalidades não tão conhecidas ou transmitidas. Uma vantagem foi ter a Record News disponibilizando toda sua grade para a Olimpíada (foram mais de 300 horas seguidas, um recorde), aliado ao R7, portal de notícias do grupo. Mesmo assim, jogos mais populares como futebol, vôlei ou basquete tiveram mais audiência. A televisão deve sempre fazer uma cobertura mais ampla de um evento como esse, mas o público tem as suas preferências e seus hábitos.

A emissora da Barra Funda pode ter levado "Londres 2012" sozinha, mas o "olé" que a Vênus Platinada deu para fazer a cobertura sem mostrar o logotipo da concorrente, usando até mesmo fotografias em suas reportagens, sinceramente é digno de ouro! Em 2016, no Rio, Globo, Record e Bandeirantes vão transmitir juntas os jogos olímpicos. Contudo, a emissora da família Marinho não quer ver novamente as palavras "Record" e "Olimpíada" associada a "exclusividade". Nem se sabe qual será a cidade sede, no entanto a corrida pelos direitos de transmissão de 2020 já começou. Quem leva a melhor? Tomara que seja o telespectador!

Curiosidades: Na noite da cerimônia de abertura, Ana Paula Padrão voltou no tempo e, ao vivo, anunciou que o telespectador estava acompanhando o "Jornal da Globo". Mylena Ciribelli se atrapalhou com uma informação que não foi passada pelo ponto eletrônico, o aparelho no ouvido dos apresentadores e jornalistas por onde o diretor mantém comunicação sem que sua voz apareça. A apresentadora ficou brava e, quando pensou que estava fora do ar, seu áudio ainda estava aberto e disse: "Fala aqui na p**** do ponto". TV ao vivo tem dessas... Vamos rever essas falhas técnicas.

Agradecimentos: Marcio Santos, Fábio Pereira e Divulgação/TV Record