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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A MARATONA DEBUTANTE

A maratona televisiva brasileira completa 15 anos
Sonhos se tornam realidade? Em 1998 um brasileiro sonhou com uma campanha para arrecadar fundos para a AACD - Associação de Assistência à Criança Deficiente. Uma instituição sem fins lucrativos, que, desde 1950, auxilia não apenas os baixinhos, mas toda pessoa que dela precisar e, na maioria dos casos, gratuitamente. Décio Goldfarb, presidente-voluntário da AACD na época, resolveu propor a um canal de televisão a realização de uma maratona de solidariedade chamada Teleton.

O nome vem do inglês Telethon (Television Marathon, maratona televisiva). O evento nasceu nos Estados Unidos em 1954, mas o nome só surgiu em 1966, quando o comediante Jerry Lewis assumiu o comando do programa. Antes era chamado WHAS Crusade for Children (cruzada pelas crianças). O sucesso mundial não demorou a acontecer. Em 1978 o Teleton chega a América do Sul. Sob o comando de Don Francisco, o maior apresentador de TV de língua espanhola, todas as emissoras de rádio e televisão do Chile se unem a favor das crianças menos favorecidas. Até mesmo uma organização internacional foi criada para unificar os Teletons realizados em toda América Latina: a ORITEL - Organização Internacional dos Teletons. Hoje a maratona está presente em mais de 20 países pelo mundo.

De volta ao Brasil. Goldfarb precisava entrar em contato com alguma emissora que topasse a ideia. Imediatamente entrou em contato com sua amiga, a apresentadora Hebe Camargo, que tomou a causa como sua. Linda, loira, de salto alto e com o projeto em mãos, e no coração, foi até o escritório de seu patrão Silvio Santos, dono do SBT, apresentar a proposta, juntamente com Décio. Silvio tornou público o desejo de fazer algo pela população que tanto amor e carinho lhe deu ao longo dos anos pela TV desde 1987, quando tentou ser prefeito da capital paulista, governador de São Paulo e presidente da República, mas sem sucesso. Segundo Hebe, o apresentador ficou "perdidamente apaixonado" pelo Teleton, e lançou o primeiro em 16 de maio de 1998, um sábado à noite. A campanha ficaria no mínimo 24 horas no ar para atingir a meta em dinheiro que a AACD necessitava naquela época.

"Contribua com apenas R$5,00"

Da esquerda Rodrigo Rodrigues (Cultura), Luciana Gimenez
(RedeTV!), Adriane Galisteu (Band), Ellen Jabour (MTV),
Maria Cristina Poli (Cultura), a cantora Claudia Leitte e
Eliana (SBT), juntos pela AACD.
O dono do SBT queria fazer por aqui a rede de solidariedade que os chilenos fazem, mas até hoje não conseguiu alcançar este objetivo plenamente. Nos primeiros anos, a maratona era exibida integralmente ao vivo. A partir de 2001, a produção passou a gravar gincanas com artistas e programas especiais apresentados por Silvio Santos, como o "Show do Milhão", com celebridades e políticos, "Roda a Roda" e "Show de Talentos".

A maratona ocupa entre 24 e 27 horas, sem interrupção, da programação do SBT. Apenas em 2008 a emissora parou o Teleton, em seus minutos iniciais, para exibir a reprise da novela "Pantanal". Em muitas oportunidades, a marca d'agua do canal foi substituído pelo logo da campanha. A TV Cultura de São Paulo, a MTV, a RedeTV!, a TV Gazeta de São Paulo, a Rede Brasil de Televisão e a Rede TV+ são algumas das emissoras que repetiram ou repetem o sinal da rede da solidariedade, nos dias da festa. Rede Record e Rede Bandeirantes já apresentaram trechos e flash, principalmente nos anos em que o evento não era transmitido dos estúdios do SBT, como em 1999, 2000 e a abertura de 2008, direto do Auditório do Ibirapuera.

O dono do SBT sempre enfatizou que se as pessoas pudessem, que contribuíssem apenas com R$5,00, o custo de uma ligação para a maratona. Esse apelo, unido ao de outros artistas e personalidades tem tido excelentes resultados. Graças aos R$5,00, valor mínimo de doação há 15 anos, a AACD arrecadou mais de 124 milhões de dólares, construiu, reformou e mantém em atividade 16 centros de reabilitação espalhados pelo Brasil, realizando mais de 6.400 atendimentos por dia, de acordo com o site da instituição. São atendimentos, na sua maioria, realizados de graça para a população carente, com equipamentos de última geração, e por profissionais altamente capacitados, e em boa parte voluntários. A entidade também conta com parcerias com grandes empresas do setor privado. Mas a realização da campanha, hoje, é indispensável para a sobrevivência da associação.

Saudades da "dinda"

Silvio Santos e Hebe Camargo durante o Teleton 2011
A comemoração pela 15ª edição do Teleton infelizmente terá uma teimosa lágrima de saudade nos olhos dos artistas, colaboradores, pacientes e voluntários. A partida da madrinha Hebe Camargo para o andar de cima, em 29 de setembro deste ano, deixará uma certa tristeza no ar, e um vazio do tamanho de uma estrela de primeira grandeza. Juntamente com Silvio e Décio, Hebe ajudou a tornar o evento um grande sucesso, convertido em milhares de sorrisos, em milhares de corações esperançosos. A produção prepara uma grande homenagem para a apresentadora. Embora não seja uma substituição, Eliana será mais uma vez a embaixadora da jornada televisiva liderada por Silvio Santos. A maratona não pode parar.

Sonho que se sonha sozinho, é apenas sonho. Sonho que se sonha junto, se torna realidade. E no caso de Décio, Silvio e Hebe, se tornou também uma esperança para milhares de pessoas.

Para doar R$ 5,00 o telefone é 0500 12345 05. Para doar R$ 15,00 o telefone é 0500 12345 15. Para doar R$ 20,00 ou mais: 0800 775 2012. As doações (acima de R$5,00) podem ser feitas também ao longo do ano, pelo telefone 0800 771 7878, ou pelo site www.teleton.org.br

Curiosidade: o primeiro mascote da campanha, o Tonzinho, surgiu em 2004. Sua companheira, a Nina, é mais nova. Ela nasceu em 2008. Os bonecos são dados para aqueles que realizam doações acima de R$ 60,00. Neste ano, com a nova bonequinha ainda sem nome, o doador pode levar o trio por no mínimo R$160,00. Todos que trabalham no Teleton, inclusive os funcionários do SBT, estão lá voluntariamente.

Agradecimentos: IG, Café com Notícias, worldteleton, REsbtista, macsp2007, eumesmobr, teletonbrasil, SBTista1 e SBT.


A história da criação do Teleton, por Hebe Camargo


A abertura do primeiro ano, com Silvio Santos em 1998


Hebe, Nair Bello e Lolita Rodrigues em 2000


Encerramento da campanha em 1999, direto da TV Cultura


Os melhores momentos do primeiros 10 anos da campanha


Homenagem à madrinha da maratona, em 2010


O "Balança caixão" de Silvio e Portiolli em Hebe, em 2010


Final da jornada de 2011

sábado, 27 de outubro de 2012

ALEGRIA DA VIDA É APRENDER

Sônia Braga e Garibaldo em Vila Sésamo


Imagine ensinar para as crianças as cores, através da televisão em preto e branco? Loucura? Não, realidade desenvolvida com sucesso pela produção de "Vila Sésamo". O lançamento da primeira versão completa 40 anos em 2012.

O projeto vitorioso em diversos países nasceu nos Estados Unidos, criado pela Children's Television Workshop, em 1969. Os grandes protagonistas, em todas as edições realizadas, eram os bonecos criados por Jim Henson, o "pai" dos Muppets. A versão americana tem 37 temporadas, com 4.135 episódios.

A TV Cultura e a Rede Globo tinham interesse em fazer a versão brasileira do infantil. A co-produção entre as duas emissoras nasceu para preencher faltas que ambas tinham para produzir a atração sozinhas. A Cultura não tinha grana suficiente, mas a Globo não dispunha de estúdios livres para gravar no Rio de Janeiro. Então, a emissora educativa entrou com suas dependências em São Paulo, além de uma parceria com a Xerox, e o canal de Roberto Marinho entrava com o restante do valor pelo pagamento de direitos.

Mas nem tudo foi fácil. Os diretores americanos queriam que o programa brasileiro chama-se Rua Sésamo. A ideia era fazer a tradução literal do original gringo, "Sesame Street". Cláudio Petraglia, diretor da TV Cultura, pediu para o cenógrafo Ferrara fazer umas fotos de algumas vilas no bairro paulistano do Bexiga. Petraglia achava que "Rua" não ficava bem para o Brasil. A partir das fotos e do projeto cenográfico produzido por Ferrara, o diretor defendeu que aqui, a realidade era mais comum em vilas.

Atores e bonecos na mesma vila

O infantil tinha uma produção nacional, e exibia trechos dublados do programa dos Estados Unidos. São conhecidos dos baixinhos brasileiros o sapo Caco, a dupla Ênio e Beto, e muitos outros. Em terras tupiniquins, os atores Paulo José, Flávio Migliaccio, Milton Gonçalves, Aracy Balabanian, Armando Bogus e Sônia Braga contracenavam com bonecos como o mal-humorado Gugu, o rato-elefante Funga-Funga, além da participação de crianças carentes no programa.

O Garibaldo brasileiro, vivido pelo ator Laerte Morrone, merece um destaque especial. O pássaro gigante, na versão yankee Big Bird, tinha um monitor dentro da fantasia, para o manipulador ver o que acontecia em cena. No formato brasuca, sem muita verba, Laerte passava muito calor dentro do boneco, e enxergava o mundo em sua volta por uma pequena abertura na roupa da ave. Por isso, Garibaldo era maluquinho, bem diferente de seu primo americano.

"Vila Sésamo" ensinava as letras, as cores, os números, além de transmitir noções de higiene, saúde,  convivência social e valores humanos de maneira alegre e divertida. A parceria Globo/Cultura durou até 1974, quando a emissora carioca pôde assumir sozinha a produção. Esta primeira versão ficou no ar até 04 de março de 1977. Muitos adultos, que cresceram assistindo o programa, pediam a sua volta. Foram atendidos, e em 29 de outubro de 2007, a TV Cultura traz novamente o infantil, repetindo a parceria com a produtora americana.

O pássaro azul

Até hoje a atração tem milhares de telespectadores espalhados pelo Brasil, através das emissoras educativas que exibem o programa. A fórmula continua a mesma, porém foram acrescentados elementos novos, como a linguagem da internet. Juntamente com "Cocoricó", "Vila Sésamo" é um dos campeões em licenciamento pela emissora da Fundação Padre Anchieta.

Vale a pena assistir alguns trechos do programa nas fases da Cultura, da Globo e a volta de "Vila Sésamo" nos anos 2000. Criatividade pura, em nome da educação! Curiosidade: o Garibaldo de 1972 era azul. 35 anos depois, o pássaro ganhou sua cor original, o amarelo.

Agradecimentos: Tiago43, BAUDATV, bobshuttle, RogerioAndre, davicurygomes, meubebenaweb, maxwell705, Veja e Reprodução/TV Cultura/TV Globo















quinta-feira, 5 de julho de 2012

A COPA DA GLOBO... E DA CULTURA

Há trinta anos, o mundo via uma das melhores seleções de craques brasileiros reunidos para uma Copa do Mundo voltando para casa. Waldir Peres, Oscar, Edinho, Luisinho, Toninho Cerezo, Júnior, Renato, Sócrates, Leandro, Juninho, Carlos, Edevaldo, Zico, Paulo Isidoro, Batista, Serginho Chulapa, Paulo Sérgio, Dirceu, Éder, Careca, Pedrinho e Falcão, sob a brilhante regência do técnico Telê Santana, tinham tudo para trazer o caneco para terras tupiniquins. Mas a Itália e o furacão Paolo Rossi adiaram o sonho do Tetra, que se realizaria doze anos depois. A bota europeia se consagraria Tri-campeã naquele ano.

Mas por que um blog sobre história da televisão está falando do Mundial de 1982? Foi nesse torneio que Rede Globo liberou o seu exclusivo sinal de transmissão do evento para outro canal: a TV Cultura de São Paulo.

Em tempos passados, até mesmo pela falta de recursos técnicos e de grana, a situação poderia acontecer sem maiores problemas. A Globo transmitiu a gloriosa Copa de 1970 juntamente com a Rede de Emissoras Independentes, a REI (da qual a Record fazia parte), e a Rede Tupi de Televisão. Existia apenas um sinal de vídeo e um áudio. Os três locutores, cada um por uma rede, dividiam a cabine e o microfone ao vivo, durante a partida. Sorte de quem estivesse narrando o momento exato de um gol de Pelé! Em 1974 e 1978 as estações transmitiram juntas, mas cada uma com a sua equipe e sua cabine. Essa união de emissoras para a cobertura de eventos internacionais como Copa do Mundo e Olimpíadas é chamada de pool.

Quem paga, leva!

O primeiro mundial de futebol da década de 1980 aconteceu com um cenário nada animador na TV brasileira. A Globo era a líder, a Tupi tinha fechado há pouco tempo, a Record trabalhava em conjunto com a novata TVS que não podia investir em tal evento neste momento, e a Bandeirantes começava a expandir a sua rede. Dinheiro não estava muito fácil entre os donos de televisão.

De acordo com a revista Veja, de 22 de julho de 1981 (edição 672), a OTI (Organização das Televisões Ibero-americanas) vendeu os direitos da Copa 82 para o "plim-plim" e a Cultura pois foram as únicas que, juntas, pagaram o valor cobrado para o grupo de TVs brasileiras: 100 milhões de cruzeiros, uma fortuna! A conta foi divida entre as duas, já que as outras desistiram. Com tanta desvalorização monetária que se deu de lá pra cá, nem vale a pena dizer o quanto isso vale atualmente, de tão pequeno que é o valor! Além disso, quem transmitisse as Olimpídas de Moscou (1980), teria direito a televisonar o evento máximo do futebol mundial. Só deu Globo também.

A RTC (Rádio e Televisão Cultura), como era denominado o canal da Fundação Padre Anchieta, não tinha equipe para enviar para a Espanha. A Rede Globo liberou então o seu sinal totalmente, com locução de Luciano do Valle, estreia da Câmera Exclusiva e tudo, para ser retransmitido, não apenas por São Paulo, mas por todas as emissoras educativas do país. Assim, a Globo garantiu que a Copa do Mundo fosse assistida por (quase) todo o Brasil, seja pela sua rede ou pela rede educativa.

Censura cultural

Os técnicos da Cultura tiveram um certo trabalho em "censurar" os patrocinadores globais, que surgiam durante a transmissão. Uma tarja preta aparecia sobre as marcas dos anunciantes da emissora carioca. Também durante as partidas, os profissionais da TV educativa buscavam colocar no alto do vídeo o logotipo da RTC, sempre no lado oposto ao da Globo. Este foi o último mundial transmitido pela Fundação Padre Anchieta.

Confira algumas imagens resgatadas pelo programa "Grandes Momentos do Esporte", da Cultura, da partida que carimbou o passaporte de volta da seleção canarinho. O jogo acabou Brasil 2X3 Itália. Neste vídeo você confere o logo da RTC e da Globo.

Tá certo, não é das melhores recordações para a torcida brasileira, mas é um registro importante de um momento da nossa TV. Tudo tem seu lado positivo, por menor que seja!

Agradecimentos: parmaf12 e wn.com, TV Globo/TV Culura

sexta-feira, 15 de junho de 2012

JORNAL AMBIENTAL

Já pensou num telejornal que falasse só em ecologia? Pois ele já existe, e completa neste ano 20 anos no ar. Lançado para ser um boletim informativo sobre a Rio 92, a Conferência Mundial das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, o Repórter Eco está em atividade há duas décadas pela TV Cultura de São Paulo. Para ser mais exato, desde fevereiro de 1992.

Terminada a conferência, naquele mesmo ano, o programa passou a cobrir os principais eventos nacionais e internacionais sobre a natureza, além das principais notícias a respeito do assunto. O informativo é uma referência pra quem quer saber mais sobre qualidade de vida e ecologia.

No começo dos anos 1990, o programa era exibido em flashes durante a programação. Com o passar dos anos, fixou sua exibição apenas aos domingos. Atualmente, o noticiário ecológico vai ao ar às 17:30h. É uma das atrações mais antigas da Cultura.

Com a chegada da Conferência Rio +20, o "Repórter Eco" se apresenta com o mais respeitado e premiado programa ambiental da nossa telinha. Mas sua atuação não se resume apenas na cobertura jornalística. O informativo participa de campanhas que defendem a natureza como a parceria "Biodiversidade Brasil".

Confira um pouco da primeira abertura do programa e uma reportagem sobre a adaptação das aves à realidade poluída de Cubatão, em 1992.

Agradecimentos: GilbertoSmaniotto e TV Cultura

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O FOGO E A TELEVISÃO


O apresentador Blota Jr. disse uma vez, em uma entrevista para Goulart de Andrade, que "a nossa televisão não tem memória". Isso não foi um desabafo de um colega esquecido pela mídia que ajudou a criar, o que não era o caso dele. Blota se referia aos incêndios, um capítulo triste da história da TV brasileira.

De acordo com o maior Mestre de Cerimônias que a nossa telinha já teve, a TV Record foi uma das que mais sofreu com o fogo. O primeiro foi ainda nos anos 1960. A sede da emissora ficava na Av. Moreira Guimarães, próxima ao aeroporto de congonhas, na zona sul da capital paulista. Imediatamente Paulo Machado de Carvalho, primeiro dono do canal 7, ordenou que toda a programação fosse transmitida diretamente do Teatro Record, na Consolação. As poltronas foram retiradas e todo o espaço se transformou no grande estúdio da estação. No final da mesma década, este teatro se incendiara, e a Record encontrou abrigo no Teatro Paramout (atual Teatro Abril). Mas este também pegou fogo, o que provocou nova mudança, agora para um teatro na Rua Augusta. E a cada novo incêndio, novo prejuízo. Foram ao todo sete grandes destruições causadas pelas chamas.

Ouça os depoimentos de Nilton Travesso e Antônio Augusto Amaral de Carvalho, o Tuta, diretores da Record na década de 1960, relatando sobre dois incêndios que a emissora sofreu.

Em 1998 um curto circuito na iluminação de chão do "Jornal da Record", apresentado por Boris Casoy, foi rapidamente debelado e não causou nenhum dano.

A TV Globo também sofreu dois grandes incêndios. O primeiro, em sua sede paulistana em 1969, centralizou suas transmissões no Rio de Janeiro. O segundo, em 1976, descentralizou temporariamente a cabeça de rede. São Paulo voltou a gerar programação devido a um curto circuito no sistema de ar condicionado na sede do Jardim Botânico. O mais recente foi em 2001, no estúdio F do Projac em Jacarepaguá. Xuxa Menghel estava encerrando a gravação de seu "Xuxa Park" quando a nave cenográfica pegou fogo. Duas crianças e um segurança da apresentadora foram hospitalizados.

Um dos casos mais chocantes e emblemáticos foi o da TV Bandeirantes. Dois anos após a sua inauguração, um incêndio destruiu totalmente o prédio construído para abrigar o cana 13, a primeira construção própria para televisão em São Paulo. João Saad, proprietário, foi alertado por uma cigana, antes do desastre. A Band passou a transmitir do recém-inaugurado Teatro Bandeirantes, na Av. Brigadeiro Luís Antônio. Este auditório ficou famoso pelos programas de Chacrinha e Bolinha. Com o seguro, Saad comprou equipamentos em cores e reconstruiu sua estação.

A TV Cultura também teve suas instalações consumidas pelas chamas em 1986. O canal 2 paulistano permaneceu apenas 3 horas fora do ar e retornou graças a ajuda de outras emissoras, que cederam caminhões de link.

O SBT nunca sofreu com incêndios, mas suas antigas sedes, na Vila Guilherme (TV Excelsior) e no Sumaré (TV Tupi) já foram atingidas anteriormente. Mas o canal de Silvio Santos teve perdas irreparáveis com as enchentes, que levavam milhões em equipamentos, mobiliário, fitas do acervo da emissora e do dono do Baú, dos tempos em que comprava horário na Globo e na Tupi.

Na sequência, vejam alguns registros desses momentos difíceis da história da nossa TV, e um "Globo Repórter Especial", com tudo sobre o incêndio de 1976.

Agradecimentos: www.tudosobretv.com.br e www.jovempan.com.br


Rescaldo dos bombeiros após incêndio na TV Cultura - 1986


Fogo no cenário do Jornal da Record -1998


Chamas destroem cenário de Xuxa Park na Globo - 2001


Globo Repórter Especial - 1976

domingo, 5 de setembro de 2010

O ENSAIO QUE É UM SHOW


Se na TV nada se cria, tudo se copia, é muito raro quando uma atração é absolutamente original e não é clonada por outros canais. É o caso de Ensaio, da TV Cultura. Um verdadeiro heroi da resistência em um tempo onde a televisão não investe tanto em programas musicais, nem mesmo os mais tradicionais programas de auditório dos domingos.

O programa surgiu na TV Tupi em 1968 e, de acordo com o site da emissora educativa, está no ar no canal 2 paulistano desde 1990. A cada noite um artista da MPB é chamado para cantar ao vivo. Ensaio, como o proprio nome diz, se propõe a mostrar e destacar o convidado, sem a grande produção de um show. Por isso o jogo de luzes e a ausência de cenário são características da atração, que é gravada no Teatro Franco Zampari mas também não tem plateia.

No comando está seu criador, o jornalista Fernando Faro. O destaque para música no programa é tão grande que Faro, o entrevistador, não aparece em momento algum, e suas perguntas não são captadas pelos microfones. Os closes, que são imagens de detalhes do artista, são fundamentais para criar o tom intimista do musical.

Ensaio é um espaço onde não há preconceito de gênero. Pelo programa vários nomes de sucesso já marcaram presença: Tim Maia, Caçulinha, Elis Regina, Olodum, Gal Costa, Amado Batista, Jair Rodrigues, As Gavão, Tom Zé, Cartola, Leci Brandão, Herivelto Martins, Fundo de Quintal entre outros. O acervoda atração é considerado um dos mais importantes registros da música contemporânea brasileira na TV. Alguns deles viraram DVD co-produzidos pela Cultura Marcas.

Uma excelente opção para quem gosta de boa música. Ensaio vai ao ar toda quarta, às 23h, e aos domingos você pode conferir grandes apresentações realizadas na história do programa, que inclui a fase da atração na TV Tupi, em Ensaio Acervo, às 5h, pela TV Cultura.

Escolher os vídeos para esse post foi bem difícil pela qualidade do programa, mas seguem algumas amostras que comprovam a diversidade musical e a originalidade da criação de Fernando Faro.

Agradecimentos: ecosdotelecoteco.blogspot, Trama TV e zaratrusta2009



Elis Regina canta Águas de Março - 1973


Gal Costa interpreta Baby - 1994


Amado Batista e o sucesso Amor Perfeito


O sambista Cartola em Corra e Olhe o Céu


Tim Maia canta Descobridor dos Sete Mares

sábado, 15 de maio de 2010

RECORDAÇÕES DE ANOS INESQUECÍVEIS


Recentemente, foi publicado um ensaio sensual de Danica McKellar. Para os desavisados de plantão, essa gata de 36 aninhos fez muito garoto sonhar com o primeiro amor, igual ao que tinha Kevin Arnold (Fred Savage) por Winnie Kooper, personagem dessa atriz no seriado Anos Incríveis.

Essa série foi transmitida pela primeira vez no Brasil, na melhor fase da TV Cultura, entre 1994 e 1995. Foi produzida nos EUA no final dos anos 80 pela rede americana ABC. Kevin e Winnie viviam na periferia, no ano de 1968, quando acontecia a guerra do Vietnã. No primeiro episódio, Arnold já disse a que veio e, unindo o útil ao agradável, rouba o primeiro beijo consolando Winnie que chorava a morte do irmão mais velho, morto na guerra. Malandrinho...

Juntos, o casal enfrentam as dificuldades e sentem as alegrias da adolescência, até o início da fase adulta. Mas a família e os amigos de Kevin também participam, e muito de Anos Incríveis. Os pais Jack e Norma Arnold (Dan Lauria e Alley Mills), os irmãos Karen e Wayne (Olivia d'Abo e Jason Hervey) e o melhor amigo Paul Pfeiffer (que hoje em dia parece um clone do Marilyn Manson, mas na verdade é Josh Saviano).

Tem algumas curiosidade da série, que talvez o grande público não saiba. Se lembram que houve uma boa parte da série em que os jovens namorados ficaram separados? A decisão foi tomada pela produção do programa, pois Fred era menor que Danica. Era preciso esperar o tempo passar para os jovens continuarem seu romance. Alias, os interpretes de Kevin e Winnie começaram um namorico durante as gravações.

Anos incríveis tem o dom de conduzir o telespectador do riso à emoção no mesmo episódio. Digo tem porque continua sendo reprisado em vários canais, abertos ou pagos. A série termina no ano de 1973, no aniversário da independência americana. É o episódio em que o casal passa a noite em um celeiro, e que muitos juram rolou a primeira vez dos dois! Acho que essa dúvida nem os protagonistas respondem com certeza.

O único problema para a série ser lançada em DVD é uma das maiores qualidades que possui: a trilha sonora. As músicas são de primeira qualidade, de Beatles a Joe Cocker (sem atribuição de valor a ninguém, seria injusto!). Mas as canções pertencem a mais de uma gravadora, o que dificulta a liberação dos direitos para o lançamento do box. Uma pena!

Todos que assistem se emocionam e se reconhecem em algum momento, com alguma situação ou personagem da história. Alguns episódios podem ser encontrados no YouTube. Hoje em dia, Fred Savage é diretor de TV, e seu mais recente trabalho foi a série Drake e Josh, exibida no Brasil pela Globo. E Danica (ah... Danica...), atuou em vários seriados com The West Wing-Nos bastidores do poder , que foi transmitida pelo SBT.

Quem encerra hoje não sou eu, e sim Kevin Arnold, com a última fala de Anos Incríveis: "Crescer é algo muito rápido. Um dia você usa fraldas e no outro você vai embora. Mas as memórias da infância permanecem com você. Lembro-me de um lugar, uma cidade, uma casa como várias outras casas, um quintal como vários outros quintais, em uma rua como várias outras ruas. E o fato é que, após todos estes anos, eu ainda olho para trás e penso: 'foram anos incríveis'".