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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

CRÍTICA - O "SHOW DA VIDA" DEVE RECOMEÇAR AOS 40

Isadora Ribeiro na famosa abertura do "Fantástico" de 1987
No último dia 5 de agosto o "Fantástico" completou quatro décadas no ar, pela Rede Globo de Televisão. Quando nasceu, em 1973, era uma novidade, um formato novo, nunca antes visto em nossas telinhas. A ideia surgiu quando nem se cogitava em tratá-lo como "revista eletrônica".

O programa surgiu a partir do casamento das centrais Globo de produção e jornalismo. Era a primeira vez que uma atração reunia reportagens com humor e números musicais. O "Show da Vida" estreou às 20h, logo após o "Programa Silvio Santos", substituindo o lacrimoso "Só o Amor Constroi". Muitos atores importantes da emissora apresentaram a revista, assim como os locutores noticiaristas e jornalistas ficavam com as reportagens e as informações do fim de semana.

A fórmula parecia ideal para um programa de TV: reunir tudo o que o povo gosta numa embalagem moderna e sofisticada. "Fantástico" inovou em uma série de coisas: introduziu o video-clipe, além dos shows exclusivos, gravados no teatro Fênix, padronizou a grande reportagem para TV, serviu de laboratório para muitos programas e humoristas, além de trazer para o Brasil muitas produções internacionais de sucesso, como algumas séries dos canais "National Geographic" e "Discovery Channel".

Durante muitos anos o dominical não teve concorrência com outros programas semelhantes. Na maior parte das vezes, seus concorrentes eram programas de auditório, como Flávio Cavalcanti e Silvio Santos, e debates esportivos. Somente depois de dez anos de vida, surgiu uma atração que se assemelhava a ele. O "Programa de Domingo" estreou na Rede Manchete em 1983, e ficou no ar até 1998, quase apagando as luzes junto com a emissora, que fechou no ano seguinte.

Seu atual concorrente foi lançado quando o "Fantástico" atingia os 21 anos. O "Domingo Espetacular" (2004) da Record nasceu para antecipar o que seria notícia à noite na Globo. A emissora da Barra Funda por muito tempo preferiu evitar o confronto direto, mas em 2010 foi à luta, e passou a incomodar a líder. Com reportagens mais longas, investindo em temas de apelo popular como celebridades e matérias policiais, a emissora de Edir Macedo consegue, a cada domingo, chamar a atenção do público, antes toda voltada para o "Show da Vida".

Há um ditado que diz que a vida começa aos 40. Pois é, o "Fantástico" precisa se renovar. Isso não é uma tarefa das mais difíceis, já que também é uma característica do programa. A urgência do momento se deve pela concorrência. Diferente do "Programa de Domingo", voltado para as classes A e B, a revista eletrônica do canal 7 paulistano conseguiu encontrar um público cativo, que garante médias acima dos dois dígitos no IBOPE. O "Domingo Espetacular" se tornou uma opção de jornalismo ao "Show da Vida". É bom deixar claro que sua liderança continua inalterada. Embora tenha sofrido com a "Casa dos Artistas"(SBT) em 2001, as quedas foram muito pontuais. Mas os índices continuam caindo ano após ano.

Neste aniversário de 40 anos, é claro que há mais para celebrar do que para lamentar. O dominical estabeleceu um padrão para as revistas eletrônicas na TV. Com ou sem bancada, com ou sem jornalistas, com ou sem música, com ou sem humor, "da idade da pedra ao homem de plástico", a atração virou uma tradição da família brasileira no final de semana. Um hábito "Fantástico".

Veja abaixo um clipe com os principais momentos do programa. Agradecimentos: LRFMaester e Extra.


quinta-feira, 27 de junho de 2013

ESPECIAL RECORD 60 - NOTÍCIAS E BATE BOLA DO 7

Adriana Araújo e Celso Freitas na bancada do "JR"
Nos últimos dias, jornalismo e esporte nunca estiveram tão em evidência na TV. E esses dois pilares de uma programação de TV estão presentes também na história da TV Record, que completa 60 anos em setembro deste ano.

Desde sua inauguração, em 1953, a informação sempre teve espaço garantido no canal 7. A base principal de sua grade sempre foram os noticiosos, que com o passar dos anos ganharam cada vez mais espaço. Um dos primeiros telejornais foi o "Mappin Movietone", que tinha apenas um locutor lendo as notícias diante de uma câmera de TV. Como a maioria dos programas da época, era comum as atrações serem totalmente produzidas por algumas agências de propaganda. Por isso este jornal levava o nome da grande loja de departamentos de São Paulo, na época.

A emissora também contou com a ilustre presença do "Repórter Esso" nos anos 1960. Mas, rendendo-se ao formato vitorioso do "Jornal Nacional" na Globo, nasceu o "Jornal da REI", a Rede de Emissoras Independentes. A cadeia era liderada pela Record e, mais tarde, pela TVS-Rio. O noticiário não durou muito, e foi substituído pelo "Jornal da Record"(1972), que está no ar até hoje, como o carro-chefe do jornalismo da emissora.

Grandes jornalistas passaram pela casa: Ferreira Netto, Maria Lydia Flandoli, Carlos Bianchini, Adriana de Castro, Carlos Oliveira, Chico Pinheiro, Sílvia Poppovic, Celso Ming, Paulo Markun e Ricardo Carvalho. Para atrair anunciantes e trazer mais credibilidade, Boris Casoy também fez parte do time.

O povo na TV

Ney Gonçalves Dias ficou no "Cidade Alerta" de 1995 a 1997
Mas o forte da emissora é chamado jornalismo popular. "Cidade Alerta" sempre mostrou a violência das ruas e as necessidades do povo. O informativo estreou com Ney Gonçalves Dias em 1995, e por lá já passaram João Leite Netto, Gilberto Barros, José Luis Datena, Oscar Roberto Goddoy, Milton Neves, Reinaldo Gottino e Marcelo Rezende.

O jornalismo local esteve presente na Record através do "Informe Praça", do início dos anos 1990, "Praça no Ar"(2001) e "Praça Record"(2006), nos anos 2000. Hoje o grande sucesso local da casa é o "Balanço Geral"(2007), que possui sua edição municipal em cada cidade onde há uma afiliada da rede.

As grandes reportagens também ganharam espaço quando Edir Macedo assumiu o controle do canal. "Repórter Record"(1995) e "Câmera Record"(2008) foram comandados por Goulart de Andrade, Celso Freitas, Marcos Hummel, Marcelo Rezende e Roberto Cabrini. Atualmente as grandes referências do jornalismo da casa são o matinal "Fala Brasil"(1998) e "Domingo Espetacular"(2005).

O jornalismo tem uma importância tão grande no negócio da Record que, em 2007 foi lançada a Record News, o canal de notícias 24h do grupo, totalmente gratuito. Nesta emissora, é possível ver produções próprias, a reapresentação de programas da Rede Record, além de ser um braço importante na cobertura esportiva dos jogos comprados com exclusividade.

A força do esporte

Imagem do "Desafio ao Galo, torneio de futebol famoso nos
anos 1980, transmitido aos domingos pelo canal 7
Contudo, uma das marcas dos primeiros 20 anos do canal 7 foi o esporte. E não é pra menos. A emissora foi pioneira nas transmissões de futebol. A partida entre Santos e Palmeiras foi a primeira transmissão externa de um jogo, em 1955. No ano seguinte, mais uma inovação: a Record transmitiu o Grande Prêmio Brasil ao vivo, direto do Rio para São Paulo. Uma loucura, pois não existia a rede de transmissão para emissoras de televisão.

A TV do "Marechal da Vitória", como ficou conhecido o fundador Paulo Machado de Carvalho pelas campanhas do Brasil nas Copas de 1958 e 1962 era imbatível na área esportiva. Um dos primeiros programas de debate sobre futebol nasceu na Record. "Mesa Redonda" era apresentado por Geraldo José de Almeida e Raul Tabajara, no ano seguinte a inauguração. Por muitos anos, a estação conquistou altos índices de audiência exibindo as partidas dos times paulistas. Tanto que foi acusada de esvaziar os estádios, e em meados dos anos 1960 foi proibida, junto com outros canais, de transmitir os jogos.

Não tinha jeito! Assistir ao esporte bretão no conforto do seu lar virou mania nacional. Pela Record então, era quase uma obrigação. A emissora é a única que viu as cinco vitórias da seleção brasileira, em Copas do Mundo. Em 1958 na Suíça e em 1962 no Chile em filme. Já em 1970, como integrante da REI, a Record transmitiu o tricampeonato ao vivo, direto do México, num pool que reunia a também a Rede Tupi e a Rede Globo.

Já nos anos 1970, Silvio Luíz passa a integrar o time do canal 7 com os programas "De Olho no Lance"(1977) e "Clube dos Esportistas"(1982). A partir desta época, até meado dos anos 1990, as transmissões esportivas foram diminuindo. Algumas modalidades como Vôlei e Basquete ganharam destaque.

Datena, Indy e exclusividades olímpicas

Mylena Ciribelli comandou de Londres a cobertura exclusiva
da Olimpíada de 2012
A nova força do esporte surgiu em 1995, quando a emissora passou a transmitir os campeonatos paulista e carioca. Nesta época surgiu o "Com a Bola Toda", que trouxe José Luíz Datena da Band. No ano seguinte, a Record conseguiu transmitir, juntamente com Globo, SBT e Bandeirantes, os Jogos Olímpicos de Atlanta-EUA. Em 1998, numa polêmica envolvendo a compra dos direitos de transmissão, a rede ficou de fora da Copa da França.

O automobilismo não poderia faltar, já que a Fórmula Indy esteve lá em 2001, por duas temporadas. No mesmo ano, Milton Neves chegou para comandar "Debate Bola" e "Terceiro Tempo". Porém o grande salto aconteceu com a compra da exclusividade dos direitos de exibição dos Jogos Olímpicos de Inverno (Vancouver-2010), a Olimpíada de Londres (2012) e os Jogos PanAmericanos de Guadalajara (2011), sem contar que em TV aberta já está garantido pela emissora o Pan de Toronto em 2015. Desde quando a emissora de Roberto Marinho atingiu a liderança, nunca a Rede Globo deixou de exibir uma olimpíada.

Curiosidades

Murilo Antunes Alves trabalhou 63 anos na TV Record
Neste capítulo deste mês, merece destaque o jornalista que mais tempo trabalhou na Record: Murilo Antunes Alves. Formado em Direito, iniciou sua carreira ainda na Rádio Record, em 1947. Foi um dos elementos da emissora convocados para implementar a caçula da organização, o canal 7, em 1953. E nunca mais se afastou dela. Em 1973 estreou o jornal "Record em Notícias", ao lado de Hélio Ansaldo, que ficou no ar por 23 anos. Mesmo sem aparecer no vídeo, Murilo atuou na produção dos jornalísticos da estação até 2010, quando faleceu aos 91 anos.

O "Record em Notícias" era conhecido como "Jornal da Tosse", já que sempre um de seus comentaristas tossia frente às câmeras, além da idade avançada de todos os participantes.

Vamos conferir algumas imagens dos bastidores do jornalismo atual da emissora, a inauguração da Record News e a estrutura montada pela rede em Londres. Agradecimentos: historiasdopari.wordpress.com, ribeiro111, aprovacaotv, Lucas Maester e Divulgação/TV Record.









quarta-feira, 19 de junho de 2013

CRÍTICA - UM DESABAFO, PARA NÃO SER INDIFERENTE

Ninguém da equipe se feriu
Fonte: UOL
Não dá pra ficar alheio à onde de manifestações que tomaram conta do Brasil desde a semana passada. Especialmente porque o alvo de alguns se tornou a televisão. Como todos sabem, milhares de pessoas foram às ruas em várias capitais e grandes cidades brasileiras protestar contra o aumento das tarifas de transporte público. A reação violenta da polícia em São Paulo foi a gota d'água para eclodir um super movimento contra uma série de abusos dos governos estaduais e federal. Os valores astronômicos gastos com a Copa das Confederações e a Copa do Mundo de 2014 são um dos motivos da revolta da população.

Não vou fazer a defesa da TV, já que teve emissora, na semana passada, tratando os manifestantes como vândalos. Somente após o apoio retumbante da população à causa e aos protestos pacíficos, que a postura dos grandes canais mudou, e passou a fazer a cobertura do movimento, até com mais intensidade. Sem contar que, para boa parte do público, algumas históricas omissões televisivas jamais foram esquecidas. O povo não é bobo!

Mas como jornalista, não posso ficar calado diante do vandalismo praticado ontem (18/06) contra uma equipe da TV Record, diante da sede da prefeitura de São Paulo. Um pequeno grupo de marginais (sim, pois é assim que se chama quem pratica crimes como este) atirou pedras e ateou fogo em uma UMJ (Unidade Móvel de Jornalismo). Uma outra jornalista da TV Bandeirantes foi agredida no mesmo local. Um carro do SBT foi pichado. Isso sem contar as agressões a repórteres e fotógrafos, praticados na última semana.

A imprensa se rendeu aos manifestantes, quando viu que suas reivindicações eram justas e mais do que corretas. Seu papel é registrar o fato, e quem não gostar da linha editorial deste ou daquele veículo, vá para a internet. O que não pode é impedir os órgãos de imprensa de trabalhar e atacar jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas, que são tão trabalhadores quanto os manifestantes. Assistindo a uma das inúmeras reportagens durante os protestos, vi um repórter abordar um participante que se recusou a falar com o jornalista. Simples assim. É um direito dele. Essa é uma postura civilizada.

Claro que não é possível generalizar. A grande maioria das pessoas que foram lutar pelos direitos de todos, foram pacificamente. O que não pode é deixar que atitudes estúpidas de pequenos grupelhos manchem um movimento que já entrou para a história. E as ações que me refiro não são apenas as agressões às equipes de televisão, mas pelo vandalismo e os saques.

Este é um momento histórico em que, como dizem nas ruas, o gigante acordou. A força deste movimento também aumentou graças às imagens exibidas nos telejornais para todo o Brasil. Muitas emissoras abriram mão de suas programações normais para dar voz aos protestos país a fora. Vivemos mais de 20 anos sob censura. Tentar calar os meios de comunicação é uma atitude covarde de quem quer o poder à força, e tivemos exemplos do que se conquista com e sem violência nestas últimas duas semanas.


quarta-feira, 3 de abril de 2013

QUARENTA ANOS DE GRANDES REPORTAGENS

Chapellin apresenta o jornalístico há 16 anos consecutivos
Mais do que um programa, o "Globo Repórter" estabeleceu um padrão para a grande reportagem em televisão. O jornalístico completa hoje 40 anos no ar. A equipe da emissora queria mais liberdade para mostrar o Brasil aos brasileiros, diferente da visão militarista de "Amaral Neto Repórter".

Com a guerra do Vietnã acontecendo, o diretor Paulo Gil e seus profissionais resolveram produzir um documentário sobre o combate, utilizando apenas imagens fornecidas pela embaixada americana. O programa foi ao ar em 3 de abril de 1973, após passar pelo crivo dos censores da época. Mesmo assim, no dia seguinte, militares foram até a TV Globo questionar o documentário, que exibia imagens dos derrotados e abatidos soldados do "Tio Sam". Quem salvou a pele dos jornalistas foi o Marechal Odílio Denys que ligou para Roberto Marinho e pedia para que repetissem a atração. O militar queria que seus netos vestibulandos assistíssem ao programa para estarem prontos para a prova.

Um dos temas mais curiosos das primeiras edições foi o Odorico Paraguaçú da vida real. Teodorico Bezerra era dono de uma fazenda em Pernambuco. A propriedade foi transformada por ele em vila e "curral eleitoral". Os moradores viviam de graça, em troca de obediência cega a Teodorico. O coronel estabeleceu regras como a proibição de bebidas, danças, cigarro, jogo e a obrigação de votar nele. As "leis" eram anunciadas por alto-falantes no alto de todos os postes da fazenda, e estavam pintadas em todas as casas do local. A censura não barrou a exibição da reportagem.

Até o seu primeiro ano, os temas abordados eram produzidos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Os documentários eram todos narrados por um único locutor. Em 1982 os repórteres e cinegrafistas, como testemunhas oculares da reportagem, passaram a conduzir as reportagens. José Hamilton Ribeiro, jornalista respeitado por todas as suas matérias realizadas na revista "Realidade", foi o primeiro a aparecer no "Globo Repórter".

Edições especiais

O jornalístico passou a contar também com a emoção do repórter diante do imprevisto. Em 1998 Rodrigo Vianna realizava uma reportagem sobre profissionais que se arriscavam em operações de salvamento. Seu cinegrafista José de Arimatéia registrava imagens de um experiente policial civil suspenso por um helicóptero, enquanto Vianna preparava seu texto para ler no ar. De repente o policial cai de uma altura equivalente a um prédio de dez andares. A câmera gravou a queda e a reação espantada do repórter. A matéria foi ao ar, sem mostrar o impacto no chão.

"Globo Repórter" viaja pelo Brasil e o mundo a fora, em busca de histórias e curiosidades inteeressantes. O jornalístico também apresentou furos, como a denúncia da ex-primeira dama do município de São Paulo Nicéa Pitta. Na entrevista concedida a Chico Pinheiro, a ex-esposa do então prefeito Celso Pitta declarou que o antigo companheiro comprou vereadores para "abafar" um processo de impeachment, além de dar vantagens para determinadas empresas em licitações públicas.

O programa nem sempre é exibido em rede nacional. Em ocasiões especiais, a Globo abre espaço para que as afiliadas apresentem edições especiais, como nos casos das comemorações dos aniversários da RPC-TV do Paraná, e da RBS-TV no Rio Grande do Sul. Embora ultimamente o jornalistico tenha dado muita ênfase a temas que envolvam saúde ou natureza, "Globo Repórter" se tornou uma referência, sendo copiado pelas emissoras concorrentes.

Curiosidades:
  • Inspirado no programa "60 Minutes", da americana CBS, o jornalístico começou seguindo o modelo de "Globo Shell Especial";
  • A primeira edição foi apresentada por Sérgio Chapellin. Outros apresentadores passaram por lá, como Eliakim Araújo e Celso Freitas;
  • "Globo Repórter" era um programa mensal, e já foi apresentado às terças e quintas-feiras;
  • "Freedom of expression", de J.B. Pickers é a canção usada como tema de abertura;
  • O programa ficou fora do ar por cinco meses em 1981, e seis meses em 1982, devido a outros eventos comprados pela Globo, como a Copa do Mundo.
Vamos rever algumas das aberturas deste programa. Fontes: Almanaque da TV Globo, Almanaque da TV, g1.com/globoreporter. Agradecimentos: Agentev12 e TV Globo.

sábado, 1 de setembro de 2012

60 ANOS DO PRIMEIRO A DAR AS ÚLTIMAS

Gontijo Teodoro apresenta "O Seu Repórter Esso"
Este é um clássico da nossa telinha. Por muitos anos, os primeiros telejornais eram chamados de "repórter", graças à força do primeiro grande noticiário da nossa TV: "O Seu Repórter Esso". O informativo estreou em abril de 1952 na TV Tupi.

A trajetória de sucesso do programa começou no rádio, em 1935, nos Estados Unidos, e se espalhou por 15 países. Em 1941 o Brasil passa a produzir a sua versão do radiojornal, através da antológica Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Era a principal fonte de informação dos brasileiros durante a Segunda Guerra Mundial, além de testemunhar a queda do Nazismo alemão e do Estado Novo de Vargas, aqui no Brasil. Com esse currículo, o "Repórter" não poderia ficar de fora do novo meio de comunicação, então com apenas dois anos de vida.

Como o público do rádio migrou para a televisão, o sucesso do jornal também o acompanhou na Tupi. Embora as emissoras de Assis Chateaubriand fossem "Associadas", elas não transmitiam em rede nacional. Cada estação tinha o seu "Repórter Esso": Kalil Filho em São Paulo, Luiz Jatobá e Gontijo Teodoro no Rio, Luiz Cordeiro em BH, Helmar Hugo em Porto Alegre e Edson Almeida em Recife.

Toda a pauta era elaborada e escrita pela McCann-Erickson, a agência de publicidade que produzia o jornal. As notícias vinham da UPA (United Press Associations) e da Agência Nacional. Cabia à emissora apenas providenciar o estúdio e o locutor. O patrocínio exclusivo da atração era da Standard Oil Company of Brazil, a dona dos postos Esso.

Não deu no Esso, não é verdade

Um dos slogans, que eram seguidos à risca, era: "o primeiro a dar as últimas". Sua contribuição para o rádio e a televisão existe até hoje. A estrutura de texto importada pelo noticiário, seguindo o modelo norte americano, ainda pode ser vista em qualquer telejornal atualmente: simplicidade, notícias curtas e objetividade. O programa aboliu de suas matérias qualquer tipo de adjetivo, muito comum na época, e padronizou um modelo de escrita ideal para o ouvinte e o telespectador.

A "Testemunha ocular da história", outro lema do jornal, noticiou fatos importantes, como o suicídio do presidente Getúlio Vargas em 1954, a morte da cantora Carmem Miranda em 1955, as várias revoluções pelo planeta nos anos 1960, inclusive com o assassinato de um de seus maiores ícones, Che Guevara, em 1967. A credibilidade era tão grande que a população só acreditava na veracidade de uma notícia se ela tivesse sido dada pelo noticioso.

Antecessor do "Jornal Nacional" da TV Globo, o líder "Repórter Esso" foi duramente cesurado pelos militares, a partir do golpe de 1964. Daí em diante era comum ver reportagens sobre desfiles de moda, garotas na praia, resultados de futebol e outras trivialidades, no lugar das matérias sobre política nacional, internacional ou qualquer tema que fosse considerado subversivo pelos censores. Com a cobertura retaliada, o jornal perdeu audiência, e saiu do ar em 31 de dezembro de 1970. Nesta época o informativo era exibido pela Tupi e pela Record. Sua versão radiofônica encerrou suas atividades no último dia do ano de 1968, também pela pressão da censura federal.

Curiosidade: em quase 20 anos de apresentação, o telejornal sempre foi ao ar às 19:45h. Nos seus intervalos, o comercial das alegres gotinhas da Esso animavam a telinha. Com o surgimento do Video Tape (VT) em 1960 por aqui, só estariam acessíveis em acervo os últimos 10 anos do jornal... em tese. Como não existia a filosofia da preservação dos programas gravados, especialmente os jornalísticos, além da falta de grana das emissoras, suas fitas eram reaproveitadas para outras produções. Sem contar a destruição deste material devido aos incêndios que atingiram algumas instalações televisivas.

Rever um mestre em ação é sempre bom! Então confira a clássica abertura, alguns trecho de uma das últimas edições de 1970, exibida pela TV Tupi-Rio, e o comercial das gotinhas da Esso. Agradecimentos: ksommer90, 8desetembro, dvddatv, Arquivos1000 e integracaobrasil.blogspot.com.










sexta-feira, 15 de junho de 2012

JORNAL AMBIENTAL

Já pensou num telejornal que falasse só em ecologia? Pois ele já existe, e completa neste ano 20 anos no ar. Lançado para ser um boletim informativo sobre a Rio 92, a Conferência Mundial das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, o Repórter Eco está em atividade há duas décadas pela TV Cultura de São Paulo. Para ser mais exato, desde fevereiro de 1992.

Terminada a conferência, naquele mesmo ano, o programa passou a cobrir os principais eventos nacionais e internacionais sobre a natureza, além das principais notícias a respeito do assunto. O informativo é uma referência pra quem quer saber mais sobre qualidade de vida e ecologia.

No começo dos anos 1990, o programa era exibido em flashes durante a programação. Com o passar dos anos, fixou sua exibição apenas aos domingos. Atualmente, o noticiário ecológico vai ao ar às 17:30h. É uma das atrações mais antigas da Cultura.

Com a chegada da Conferência Rio +20, o "Repórter Eco" se apresenta com o mais respeitado e premiado programa ambiental da nossa telinha. Mas sua atuação não se resume apenas na cobertura jornalística. O informativo participa de campanhas que defendem a natureza como a parceria "Biodiversidade Brasil".

Confira um pouco da primeira abertura do programa e uma reportagem sobre a adaptação das aves à realidade poluída de Cubatão, em 1992.

Agradecimentos: GilbertoSmaniotto e TV Cultura

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A PRIMEIRA REVISTA DA RECORD


Muito antes do "Domingo Espetacular", a TV Record já possuía uma revista eletrônica: o "Fala Brasil". Em 1998 o então diretor de programação da emissora, Eduardo Lafond, gostava do formato de jornal informal para despertar os telespectadores, reunindo informação e discontração, que é consagrado nos Estados Unidos. Um bom exemplo disso é o "Good Morning America", no ar pela rede ABC desde 1975. Utilizando-se deste modelo, foi montado um telejornal que teria entradas ao vivo das principais cidades brasileiras. O título do informativo veio dessa integração nacional.

Os primeiros nomes da bancada nesta fase eram Rosana Hermann (atualmente no R7 e Record News), Rafael Moreno, Virgínia Nowicki, Bob Floriano (locutor dos comerciais da Casas Bahia), Duda Seidl, Renata Vianello e Doris Giesse (ex-apresentadora do "Fantástico" e do humorístico "Doris para Maiores", ambos na TV Globo). O jornal atingiu bons índices de audiência. Os diretores da Record resolveram torná-lo um "Show da Vida" da emissora da Barra Funda, criando a edição especial de domingo. Sem deixar de ser diário, Rosana Hermann, Adriana de Castro e José Luiz Datena apresentaram a atração dominical que permaneceu no ar apenas em 1999. Tentaram novamente a idéia em 2008, mas decidiram continuar com o sucesso nas manhãs de Segunda à Sexta.

O formato de telejornal tradicional, que está no ar até hoje, começou em 2001 com a contratação dos jornalistas Mônica Waldvogel e Miguel Dias, que foi substituido por Rodolfo Gamberini. Desde então muitos outros profissionais passaram pelo "Fala Brasil": entre outros, Janine Borba, Marcos Hummel, Luciana Liviero, Thalita Oliveira, e atualmente o noticiário é comandado por Carla Cecato e Roberta Piza. O foco atual no jornalismo policial rende boas audiências para o jornal, que fica no ar durante 1h20. A média de duração de um telejornal é de 40 minutos.

O que é importante valorizar é a participação das mais importantes afiliadas da Rede Record, espalhadas pelo Brasil, tornando o informativo muito mais nacional, possibilitando um trabalho maior das emissoras regionais. Porém o modelo original do "Fala Brasil" também deixou saudades e a prova de que é possível informar fugindo dos padrões estabelecidos no telejornalismo brasileiro. Curiosidade: em 1990, após sair do SBT, Silvia Poppovic apresentou um jornalístico na Record com o mesmo nome, mas que ficou pouco tempo no ar. A apresentadora logo trocou de canal, e foi para a Band.

Vejam abaixo uma chamada do "Fala Brasil", em 1998, um trechinho da edição especial de Domingo e a música que originou o primeiro tema de abrtura do jornal. A música "Balança Brasil", do grupo Copacabana Beat, foi regravada e, no lugar da palavra balança era cantado fala Brasil.

Agradecimentos: rafinhabattista, uedious, plipaty e TV Record.





quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

UM RUGIDO PELO POVO


Gilberto Barros ficou nacionalmente conhecido pelos programas de auditório que conduziu na TV Record e na TV Bandeirantes. Mas antes mesmo do "Leão Livre" na emissora de Edir Macedo, o apresentador estreou uma atração que pretendia ajudar a população paulistana.

Em 1998 estreou o "Disque Record". Esse jornalistico local tinha como gancho principal a participação do público através do telefone, usado para fazer denúncias e reclamações. Sempre ao vivo, Gilberto contava com a participação de alguns repórteres nos locais destacados pelo programa. Essa equipe era formada, entre outros, pelos "ex-Aqui Agora" Célia Serafim e Carlos Cavalcanti, e pelo repórter engraçado do "Disque" Marcos Toledo, que veio da Rádio Globo junto com o Leão.

Pouco tempo depois, Gilberto Barros assumiu o comando do policial "Cidade Alerta", em rede nacional, por um breve período. O "Disque" seguiu no ar até 1999, e o apresentador, que ficou no lugar de Ratinho após sua ida para o SBT, realizou seu maior sonho, ao conquistar o game show "Quarta Total".

"Disque Record" fez sucesso pois era conduzido da mesma forma com que o Leão apresentava seus programas no rádio. Dando voz para o população, rugindo pela povo.

Dá uma olhada em Gilberto Barros no "Disque" e estreando no "Cidade Alerta"





Agradecimentos: ricflairbol, TV Record.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

CRÍTICA: ÚTIL E FÚTIL


Na madrugada de 20 de janeiro, Carlos Nascimento criticou o destaque que temas como o suposto estupro do BBB e a frase "... menos Luiza, que está no Canadá" ganharam nos noticiários brasileiros. Muitas pessoas, nas redes sociais, se ofenderam com a indignação do jornalista que iniciou o "Jornal do SBT" com a frase: "Ou os problemas brasileiros estão todos resolvidos, ou nós nos tornamos perfeitos idiotas". Houve quem entendesse aquilo como uma agressão à todos aqueles que brincaram com a frase dita num comercial imobiliário por um colunista social da Paraíba.

O problema não está na brincadeira que virou meme na internet. Afinal, essa não foi a primeira e nem será a última. Nem mesmo no Big Brother, já que reunir gotosas, saradões e muita bebida nunca acaba bem. A questão é o espaço que essas pautas ganham nos importantes noticiários do país. Temas deste tipo são perfeitamente aceitáveis em atrações vespertinas, como "A Tarde é Sua" (RedeTV!), "Muito+" (Band), ou especializadas como o "TV Fama" (RedeTV!). E sem nenhum demérito a qualquer programa do gênero, pois são programas de entretenimento, ou seja, feitos para divertir o público, que podem trazer informação, mas sem o mesmo compromisso de um telejornal.

Não é a primeira vez que acontece essa discussão. Em 1998, o "Jornal Nacional" foi apedrejado por dar quase dez minutos para o nascimento de Sasha, filha única da apresentadora Xuxa, com direito a entrada ao vivo e tudo. Este é apenas um exemplo de vários que podem ser citados.

Nascimento não quis ofender ninguém gratuitamente (seu comentário está na primeira pessoa do plural, atentem), mas alertar sobre o perigo que a sede por vender mais jornal, garantir mais acessos ou, no caso dele, dar mais audiência, traz para um veículo informativo: exaltar o fútil e excluir o útil. Com este comentário "polêmico", o jornalista também deu uma clara demonstração da importância da liberdade de expressão. Temos o direito de brincar, mas também temos o direito de não gostar da brincadeira. Quem dera todos os jornalistas que trabalham em grandes empresas de comunicação tivessem essa mesma oportunidade.



Comentário de Carlos Nascimento no "Jornal do SBT"

segunda-feira, 4 de abril de 2011

ALMOÇAR E SE INFORMAR, TRADIÇÃO HÁ 40 ANOS


Falar com a dona de casa, com o jovem que chegou ou está indo pro colégio, pro aposentado e para aqueles apressados da hora do almoço de seus serviços. Esta é a missão resumida do "Jornal Hoje", da TV Globo.

O noticiário completa neste em 2011, quatro décadas de muita informação e prestação de serviço. No começo, lá em 1971 o "Hoje" deveria ser uma revista feminina, e era exibido apenas no Rio de Janeiro. Em 1974 passou a ser exibido em rede nacional.

Fatos importantes foram cobertos ao vivo pela equipe do JH, como o sequestro do apresentador Silvio Santos e o ataque terrorista às torres gêmeas do World Trade Center, ambos em 2001. Foi também durante o jornal que a sede da TV Globo pegou fogo, em 1976.

Muitos apresentadores passaram pela bancada do telejornal, como Léo Batista, Sônia Maria, Marcos Hummel, Márcia Peltier, Fátima Bernardes, William Bonner, Carlos Nascimento e Carla Vilhena. Atualmente Evaristo Costa e Sandra Annenberg dividem a apresentação do informativo. Um dos quadros de maior sucesso do "Jornal Hoje" foi o "Entrevista", comandado por muito tempo por Leda Nagle.

Comemorando seus 40 anos de existência, o Loucura deseja vida longa ao companheiro do almoço brasileiro! Parabéns para toda a equipe.

Assista agora todas as aberturas que o jornal já teve desde 1979 (são poucos os registros da emissora, antes de 1976, que se salvaram do incêndio), e seus apresentadores.

Agradecimentos: georgemacedo, rmrosa80, fabianofmota, gabapanda, jacksoow, claudiolessa, sfl662006, TV Globo.



Aberturas Jornal Hoje


Claudio Lessa apresenta o Jornal Hoje - 1979


Jornal Hoje com Márcial Peltier e Leila Cordeiro - 1989


"Entrevista", com Leda Nagle e seu convidado Chico Buarque - 1988


Carlos Monforte também comandou o JH - 1996


Carlos Nascimento e Sandra Annenberg ancoraavam o jornal - 2003


Bastidores do JH no Vídeo Show - 2009

sábado, 12 de fevereiro de 2011

UMA GRIFE INESQUECÍVEL


Como profissional da notícia, tenho verdadeira paixão pelo bom jornalismo. Portanto, como amante de televisão, me deleito pelo bom telejornalismo. Nesta semana me lembrei de um produto que certamente ficou na história da informação eletrônica do Brasil, pela sua competência, profissionalismo e ousadia: o "Jornal da Manchete".

Adolpho Bloch, segundo sua viúva D. Anna Bentes Bloch, não queria ter uma emissora de televisão, mas quando quis, convencido por seus sobrinhos, em especial Pedro Jack Kapeller, Bloch fez o que pôde para a emissora ser qualificada. Uma de suas exigências foi que o jornalismo fosse a grande estrela da nova emissora, já que nascia da revista Manchete, importante semanário nacional. Assim, em 1983, o "Jornal da Manchete" estreou no dia seguinte à inauguração da emissora: 6 de junho.

No início, o noticiário tinha incríveis três horas de duração! Nenhuma emissora dedicava tanto espaço para o telejornalismo. Seu maior e principal concorrente, o "Jornal Nacional" da TV Globo, durava no máximo 30 minutos. Posteriormente, esse tempo foi distribuido ao longo da programação. Foi aí que surgiram o "Edição da Tarde" e o "Jornal da Manchete - Segunda Edição". Mesmo assim, os três telejornais tinham o maior tempo de grade dentre todos os seus concorrentes nacionais: uma hora de pura informação para cada um, com qualidade e credibilidade.

Grandes nomes do jornalismo brasileiro passaram por ali como Márcia Peltier, Eliakim Araújo, Leila Cordeiro, Florestan Fernandes Jr, Augusto Xavier, e como comentaristas Alexandre Garcia e Carlos Chagas, além de vários outros. O destaque da linha editorial eram as coberturas política e econômica.

Outros detalhes que marcaram o produto foram os cenários (foi o primeiro a usar uma redação ao fundo) e a trilha de abertura, Video Game, composta pelo conjunto Roupa Nova, o mesmo que criou o tema de abertura da programação da TV Manchete.

"Jornal da Manchete" ficou no ar até 8 de maio de 1999, quando foi substituido pelo "Primeira Edição", o primeiro noticiário do canal na fase transitória para a RedeTV! Esse informativo inclusive absorveu tudo do antigo telejornal da extinta emissora, até os apresentadores. A valorização que hoje existe ao jornalismo em muito deve ser creditado a esse grande trabalho que marcou época na TV Brasileira. Uma verdadeira grife jornalística.

Assista alguns vídeos e comprove como muitas "inovações" que vemos em alguns jornais, já existiam no "Jornal da Manchete".


Agradecimentos: redemanchete.net, andreluisdeamorim, hpereira2004, carlosYOU, sfl662006




Aberturas do Jornal da Manchete


Eliakim Araújo e Leila Cordeiro na bancada


Márcia Peltier apresenta o Jornal da Manchete


Claudia Barthel revezou a apresentação do jornal com Augusto Xavier, na sua fase final





quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

TESTEMUNHA DA HISTÓRIA


Hoje, vai ao ar na Rede Globo a "Retrospectiva 2010", às 22h15. Essa é mais do que uma tradição, não só da emissora dos Marinho, mas uma obrigação dos departamentos de jornalismo da televisão. Porém a gente nota que não existe uma certa criatividade, ou um esforço para tal, em exibir os principais fatos do ano de maneira diferente das concorrentes. Até mesmo o título do programa é igual.

Mas já houve uma tentativa de se fazer algo diferenciado. Em plena virada do milênio, a rede BBC de Londres realiza um documentário, passando a limpo todo o século XX. A TV Record adquiriu os direitos de exibição no Brasil, e levou ao ar "Testemunha da História", com apresentação do jornalista Boris Casoy. Normalmente nesses especiais, os jornalistas aparecem em pé, em um cenário virtual. No caso de "Testemunha", Boris se manteve na bancada, mas até o seu "boa noite" inicial, a câmera viajava por um túnel de fotos marcantes da história recente.

A Record gostou do estilo, e "Testemunha da História" seguiu por mais dois anos como o programa especial para o jornalismo retratar o ano que se encerrava. Mas em 2003 a direção da emissora resolveu acompanhar a concorrência e o programa voltou a se chamar "Retrospectiva".

Não existem muitos vídeos do programa no YouTube, apesar da Record ter lançado o "Testemunha da História" em DVD. Abaixo, você acompanha um pedacinho da última edição do jornalístico, em 2002.

Claro que não poderia deixar de desejar um ótimo 2011 a você, leitor e leitora do Loucura. Desejo que esse ano novo seja muito melhor do que 2010, muita saúde e muita força para correr atrás de tudo o que deseja. Espero continuar com sua agradável companhia no próximo ano, afinal nossa loucura não tem limites e ainda tem muita história pra contar, relembrar, compartilhar.

Feliz 2011!!! São os votos de quem tem Loucura por TeVer!!!

Agradecimentos: AcervoIdeal

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

VAMOS DEBATER O ASSUNTO...


Estamos em período eleitoral. E sempre aconteceu um discurso muito conhecido do povo: o "vote consciente". Para conhecer melhor, a boa pedida é assistir ao debate entre os candidatos pela televisão. Em tese é a melhor maneira de se conhecer as ideias e confrontá-las para se ter certeza em quem votar ou não.

A TV brasileira começou a abrir espaço para essa arena com maior frequência a partir dos anos 80, com a morte lenta e gradual da ditadura. Mas o primeiro debate, no formato semelhante ao que conhecemos, aconteceu durante o regime militar. Foi em 9 de setembro de 1974, na TV Gaucha, a matriz da atual RBS-TV (afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul). O encontro realizado entre os dois candidatos ao senado, Nestor Jost da ARENA, e Paulo Brossard do MDB (na época só existiam dois partidos), foi transmitido apenas para Porto Alegre.

Nossa telinha só pode realizar novo embate de propostas novamente em 1982. O primeiro debate entre os candidatos ao governo paulista foi promovido em parceria pelo SBT (!) e pela TV Bandeirantes. O curioso é que nesse dia até Silvio Santos participou do encontro. A mediação foi do jornalista Ferreira Netto. A TV Globo do Rio de Janeiro também realizou, no mesmo ano, o confronto de ideias na telinha entre os candidatos ao Palácio das Laranjeiras.

Porém a grande estreia dos debates no período democrático aconteceu durante as primeiras eleições diretas para presidência, após 25 anos do golpe militar, em 1989. Nos dois turnos aconteceu algo único até hoje. As principais redes de televisão (Globo, SBT, Manchete e Bandeirantes), se uniram e transmitiram os dois debates em conjunto, o chamado "pool". O primeiro encontro aconteceu nos estúdios da TV Manchete no Rio de Janeiro, e o segundo, apenas com Collor e Lula, na TV Bandeirantes em São Paulo. Quatro jornalistas, representando suas emissoras, mediaram os confrontos: Marília Gabriela (Band), Boris Casoy (SBT), Alexandre Garcia (Globo) e Eliakim Araújo (Manchete) Esse debate guarda imagens antológicas, algumas até engraçadas.

De lá pra cá, a realização de debates tornou-se mais frequente nas eleições. Bandeirantes e Globo possuem maior tradição nesse evento. Ontem, foi ao ar pela RedeTV! o primeiro embate de propostas entre os presidenciáveis, da história da emissora mais recente do Brasil. Além de levar o brasileiro a decidir em quem votar, o programa também traz credibilidade para a TV.

Sei que muitas vezes fica difícil assistir esses debates, devido ao nível que os candidatos levam a discussão. Mas essa é uma das maneiras de analisá-los longe das "redomas" provocadas pelos seus acessores e partidos, tanto no programa eleitoral gratuito como nos emocionados comícios. Portanto, faça sua escolha e... vote consciente!

Assista aos melhores (ou piores) momentos dos debates realizados entre 1982 e 1998.

Agradecimentos: G1 e CanalMemória


Debates na TV brasileira