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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

ESPECIAL RECORD 60 - A MÚSICA ESTÁ NO AR

Elis e Jair em "O Fino da Bossa"
"Prepare o seu coração, para as coisas que eu vou contar". A Record deve muito dos seus 60 anos de sucesso à música popular brasileira, mas o cenário musical também deve ser muito grato ao canal 7 paulistano. Desde o seu começo em 1953, a emissora sempre valorizou e revelou cantores, cantoras e conjuntos nacionais e internacionais.

Já na sua inauguração, Sandra Amaral e Hélio Ansaldo apresentam o musical "Grandes Espetáculos União" (naquela época o patrocinador dava o nome para muitas atrrações, como o "Repórter Esso"). Os primeiros anos do canal foram marcados pelo glamour dos grandes nomes que se apresentavam pelos quatro cantos do mundo, e vinham para a Record com absoluta exclusividade: Bill Halley e seus Cometas, Sarah Vaughan, Louis Armstrong, Steve Wonder, Nat King Cole, Marlene Dietrich, Rita Pavone, Amália Rodrigues e muito mais.

A Rádio Record já possuía sob contrato grandes cantores brasileiros, e eles também garantiram seu espaço no programa "Astros do Disco", com Randal Juliano. A atração trazia também os grandes campeões de venda para cantar seus sucessos nas noites de Sábado da TV. Foi em "Astros do Disco" que surgiu o Troféu Chico Viola, um dos mais importantes da música, na época.

Os anos 1960 foram dourados, graças ao casamento entre a Record e a MPB. A partir de 1963, quando a novela brasileira passou a ter capítulos diários, os folhetins viraram uma febre, da qual o Brasil não se curou até hoje. Na época, Tupi e Excelsior eram as grandes produtoras do gênero. Paulo Machado de Carvalho Filho, herdeiro do fundador e diretor artístico da casa, juntamente com sua equipe de produtores, dentre eles o autor Manoel Carlos e o diretor Nilton Travesso, criou uma faixa de musicais que entrou para a história da televisão.

É uma "brasa" cantar no 7!!!

Roberto Carlos no palco do Teatro Record
A "pimentinha" Elis Regina e Jair Rodrigues comandavam "O Fino da Bossa". Os novos nomes da MPB, surgindo pela Bossa Nova, se apresentavam semanalmente no Teatro Record. Artistas como Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maysa, Vinícius de Moraes, Nara Leão, Maria Bethânia etc, marcavam presença na atração. Os saudosistas se deliciavam com os convidados dos cantores Elizete Cardoso e Ciro Monteiro em "Bossaudade". Elizete também comandou o "Sambão", onde o ritmo do morro tomava conta da telinha. Outro cantor que também ganhou programa na Record foi Wilson Simonal, que apresentava o "Show em Si...monal".

A moçada curtia carrões, brilhantina, e iê-iê-iê no programa "Jovem Guarda". Roberto Carlos, Erasmo Carlos (o "tremendão) e Wanderlea (a "ternurinha") traziam todos os domingos os lançamentos que a galera ouvia no rádio. Jerry Adriani, Waldirene, Eduardo Araújo, Os Vips, Silvinha, Martinha, e muitos outros eram recebidos aos gritos pela histérica plateia juvenil. Este programa nasceu em 1965 para preencher a lacuna deixada pelo futebol à tarde, já que a emissora tinha sido proibida de transmitir os jogos para não esvaziar os estádios. A atração foi tão forte que o movimento ganhou o nome de Jovem Guarda.

Não dá pra falar em MPB na TV sem ao menos citar os Festivais da Música Popular Brasileira. Até hoje, os melhores foram produzidos pelo canal 7 paulistano. De 1966 a 1969 o cenário musical nacional foi transformado, e nunca mais foi o mesmo. Grandes nomes e inesquecíveis canções nasceram naqueles teatros e são referência para novos talentos até hoje. De Hebe Camargo a Tom Zé, de Agnaldo Rayol a Chico Buarque, de Elis Regina a Roberto Carlos, todos os "mosntros sagrados" passaram por aqueles palcos.

"'Caba' não, mundão!!!"

Marcelo Costa recebe Wanderlea no "Especial Sertanejo"
Os comunicadores populares, que ganharam fama trazendo cantores em seus programas, também tiveram espaço na Record. Chacrinha e Bolinha, com seus inigualáveis estilos, também deram suas contribuições a essa história.

O sertanejo também não foi esquecido pela emissora. Inezita Barroso foi a primeira mulher a ter um programa solo no canal 7, trazendo seus convidados que cantavam o que havia de melhor na chamada "música raíz". Com a evolução do gênero, outros apresentadores surgem como Geraldo Meireles e, mais tarde, o cantor Marcelo Costa com seu "Especial Sertanejo". Renato Barbosa apresentou a parada de sucessos "Quem Sabe... Sábado" e também produziu "Amigos & Sucessos", onde um artista apresentava os maiores êxitos de sua carreira, recebia convidados, e ganhava uma homenagem de amigos e familiares.

Nos últimos dez anos, a televisão deixou um pouco de lado o gênero puro deste tipo de atração. Os cantores Chitãozinho & Xororó foram os últimos a apresentar na emissora um programa neste estilo, o "Raízes do Campo". Mas a história da Record mostra que, se bem produzido, uma musical pode valer muito mais do que mil imagens. No mês que vem, falamos sobre os programas de auditório.

Pra matar a saudade, vamos ver a apresentação de "Disparada", com Jair Rodrigues, e "A Banda", de Chico Buarque, as finalistas do festival de 1966. Diante do impasse, os jurados decidiram que as duas músicas eram as vencedoras daquele ano, um empate que nunca mais se repetiu na história. Agradecimentos: Bruno Kampel, naramaielis e TV Record.






sábado, 20 de outubro de 2012

O FESTIVAL DOS FESTIVAIS DO BRASIL

Marília Medalha, Edu Lobo e Quarteto Novo na final do Festival
Se para a arte moderna brasileira, o ano de 1922 representa um divisor de águas, 1967 foi um marco para a música nacional. Em 2012, o III Festival de Música Popular Brasileira, realizado pela TV Record, completa 45 anos.

Vamos entender um pouco da história deste programa. Solano Ribeiro foi o grande organizador do gênero, que estreou dois anos antes na TV Excelsior, com excelentes resultados. A Record havia encontrado nos programas de auditório um caminho de sucesso e uma solução para sua falta de estrutura, já que seus estúdios tinham sido destruidos por incêndios, sobrando apenas o teatro. Paulinho Machado de Carvalho, diretor da emissora, criou uma faixa de programas musicais, que deu muito certo. Mas para completá-la, tirou Solano da Excelsior, onde revelou Elis Regina com "Arrastão" (Edu Lobo e Vinicius de Moraes), e passou a promover festivais.

O canal 7 paulistano crescia em audiência dia a dia, sendo a líder entre as emissoras de São Paulo (naquela época ainda não existia rede). As quatro edições realizadas lá são lembradas até hoje como as mais importantes da história. Porém em 1967, graças ao contexto político nacional, os rumos da MPB foram definidos nos palcos da Record. Grandes nomes foram revelados ali: Gilberto Gil, Caetano Veloso, o quarteto MPB4, Rita Lee e Os Mutantes. Outros se firmaram como talentos inquestionáveis como Elis, Chico Buarque e Edu Lobo.

O surgimento de "Monstros Sagrados"

O Tropicalismo nasceu naquele festival, Roberto Carlos cantou um samba (talvez o único até hoje), a polêmica guitarra elétrica arrepiou o júri, e Sérgio Ricardo quebrou um violão e jogou no auditório, que vaiva sua música "Beto bom de bola". Algumas das canções desta competição são lembradas e cantadas até hoje. Curiosidades: a ordem dos festivais aconteceu independente da emissora. O primiero foi na Excelsior, mas do segundo ao quinto, com o título de Festival de Música Popular Brasileira, aconteceram na Record. Um dos jurados desta edição foi o humorista Chico Anysio.

A classificação ficou da seguinte forma:
  1. Ponteio (Edu Lobo/Capinam) - Intérpretes: Edu Lobo, Marília Medalha e Quarteto Novo
  2. Domingo no Parque (Gilberto Gil) - Intérpretes: Gilberto Gil e Os Mutantes
  3. Roda Viva (Chico Buarque) - Intérpretes: Chico Buarque e MPB4
  4. Alegria, Alegria (Caetano Veloso) - Intérpretes: Caetano Veloso e os Beat Boys
  5. Maria, Carnaval e Cinzas (Luiz Carlos Paraná) - Intérprete: Roberto Carlos
  6. Gabriela (Francisco Maranhão) - Intérprete: MPB4
Elis Regina foi escolhida a melhor intérprete, defendendo a canção "O Cantador", de Dori Caymmi e Nelson Mota. Ah, a apresentação primorosa do festival ficou por conta dos inesquecíveis Blota Júnior e Sônia Ribeiro. É engraçado ver  Blota perguntando para alguém na plateia se o violão jogado por Sérgio o havia machucado. Esse "lançamento instrumental" e toda a competição, de acordo com o livro comemorativo dos 45 anos da Record, rendeu uma audiência de 95% dos televisores, um marco até hoje imbatível.

Uma noite inesquecível

Caetano Veloso, intéprete e autor de "Alegria, Alegria"
Um registro marcante, não apenas para a nossa telinha, mas para a história da nossa música, e até mesmo da trajetória nacional. O povo encontrou uma forma de contestar todo sistema que estava instalado, e reprimindo cada vez mais, através de canções e do talento genuinamente brasileiro.

Vale a pena conferir o documentário sobre este festival, realizado por Renato Terra e Ricardo Calil: "Uma Noite em 67", de 2010. No filme, há depoimentos dos cantores que estiveram naquela noite, de Solano Ribeiro, Paulinho Machado de Carvalho, diretor geral da Record na época, além de relatos sobre os bastidores do programa e outros fatos como a passeata contra as guitarras elétricas.

Vamos rever as vencedoras do III Festival de Música Popular Brasileira, além de "O Cantador" e "Beto bom de bola". Se bem que quem saiu ganhando, na verdade, foi o público!

Agradecimentos: Arquivos1000, ponzaum, Glauco Malagoli, lumathias, Renato Boemer, aoseudisporr, TheM209 e Abril


 "O Ponteio"


 "Domingo no Parque"


 "Roda Viva"


 "Alegria, Alegria"


 "Maria, Carnaval e Cinzas"


 "Gabriela"


"O Cantador"


 A clássica cena de Sérgio Ricardo

sábado, 4 de agosto de 2012

O REI DA PARÓDIA NO SÁBADO? QUEM SABE...

Renato Barbosa no palco de "Quem Sabe... Sábado!"
Em 1995, Raul Gil estava de mudança. Seu programa de sábado perdia espaço na Record, devido aos jogos do Campeonato Paulista, que a emissora transmitia na época. Mas não era todo final de semana que tinha jogo. Era necessário preencher o espaço, depois que o torneio terminasse. Para concorrer com o experiente animador, que foi para a Manchete, o canal 7 paulistano criou o musical "Quem Sabe... Sábado", em 1996.

O apresentador era uma figurinha conhecida do público. Renato Barbosa ficou famoso criando paródias musicais no "Show de Calouros" de Silvio Santos, nos anos 1980. O compositor acabou enveredando pela produção de diversos programas no SBT. Passou para a emissora do bispo Edir Macedo em meados dos anos 1990.

"Quem Sabe... Sábado!" era um grande desfile de sucessos da parada nacional. Todos os grandes nomes, que tocavam no rádio, passaram pelo palco do programa. Fosse nacional, fosse internacional, quem estava bombando, estava lá.

Mistura quente no Sábado!

No começo, Renato Barbosa também interagia com a plateia. Haviam quadros como a visita ao artista, onde era apresentada cada parte da casa de um famoso, e as moças do auditório tentavam adivinhar quem era o dono da residência. O programa também desenvolvia diversas promoções em conjunto com as emissoras de rádio FM de São Paulo.

O ritmo em alta na época era o pagode, mas outros representantes da axé music, do forró, do sertanejo e da música romântica também batiam o ponto no semanal.

O primeiro cenário da atração foi um reaproveitamento do "Programa Raul Gil". Em 1998, com a transferência da sede da Av. Miruna para as novas instalações na Barra Funda, "Quem Sabe... Sábado!" ganhou novo estúdio e novo cenário. Destaque para o capricho na iluminação, que lembrava uma discoteca. O programa foi escolhido para comemorar os 44 anos de inauguração da emissora, com um show apresentado ao vivo, direto do Sambódromo do Anhembi.

Em 1998, "Quem Sabe... Sábado!" saiu do ar para o retorno de Raul Gil à Record. Renato Barbosa continuou na emissora, trabalhando na produção e no roteiro de um outro programa: "Amigos & Sucessos".

Curiosidade: as meninas que faziam animação nos jogos do Campeonato Paulista participavam do semanal, fazendo suas coreografias na primeira fila do Teatro Paulo Machado de Carvalho.

Você confere agora algumas apresentações que ilustram as fases do programa "Quem Sabe... Sábado!"

Agradecimentos: nilbernardes, oskarkosta, adrianisampacrew, frankyejacque







quinta-feira, 19 de abril de 2012

O ESPECIAL REAL


O cantor Roberto Carlos completa hoje 71 anos. O Rei da música brasileira atualmente, mais do que um ídolo popular, é também uma tradição anual em nossa telinha. A gente sabe que o ano está acabando, que está chegando o Natal, ou ainda que estamos vivendo aquela noite feliz, quando ouvimos as canções de "Roberto Carlos Especial".

O programa foi ao ar pela primeira vez em 1974, pela Rede Globo. Desde então o especial passou a ser o ponto alto da programação de fim de ano do canal. Somente em 1999, devido a morte de sua esposa Maria Rita, vítima de câncer, o programa não apresentado.

Quando começou a atração, Roberto completava a transição do iê-iê-iê da "Jovem Guarda", que comandou na TV Record entre 1965 e 1968. O cantor chega à Globo como um fenômeno internacional, com sucesso no cinema e carregando o título de maior vendedor de discos do Brasil. A emissora não perde tempo, e o contrata com absoluta exclusividade. A partir daí, Roberto Carlos raríssimas vezes apareceu em outro programa de outro canal, e até mesmo no plim-plim. Fora da emissora dos Marinho, o Rei só foi ao SBT no "Programa Silvio Santos" em 1992 e 1997, para receber o Troféu Imprensa, e ao "Jô Soares 11:30", em 1998. Dificilmente o artista se apresenta em mais de um programa da linha de shows, além do seu, por ano.

Roberto já recebeu inúmeros artistas e conjuntos para fazem duetos com músicas suas, ou dos próprios convidados, como no caso de Ivete Sangalo, que cantou com ele "Se eu não te amasse tanto assim". Wanderléa fez parceria com seu eterno companheiro de "Jovem Guarda" em canções como "Ternura". De Fafá de Belém a Paula Fernandes, de Leandro e Leonardo a Titãs, de Jota Quest a Caetano Veloso, a lista é grande. Os maiores nomes da música popular brasileira já passaram pelo palco do especial. E o palco da atração já passou por vários locais no país. Além de ter sido gravado nos estúdios da emissora, o programa já passou pelas mais importantes cidades do Brasil, e recentemente ganhou o mundo, sendo gravado em Jerusalém, a terra santa.

Foram muitos momentos marcantes nestes 38 anos. A maioria dos brasileiros sabe cantar uma ou outra música do cantor. As mais lembradas são "Detalhes", "Emoções" e uma canção dedicada a Erasmo Carlos: "Amigo". Roberto lançou a canção no especial de 1977, sem que Erasmo soubesse. A reação você confere no vídeo abaixo.

O Loucura saúda Roberto Carlos pelos 71 anos de muitas emoções!

Agradecimentos: wolfensteinperu, clubedorei.com.br e TV Globo.


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

SS 50 ANOS - UMA NOTA, ZEZINHO


Silvio Santos se notabilizou como apresentador de Game Show quando o termo ainda nem era tão usado. Foram vários ao longo dos seus 50 anos de carreira. Um dos que merecem destaque sem dúvida é o "Qual é a Música".


O quadro estreou em 1976, pouco depois do animador sair da TV Globo, pela TV Tupi. Era baseado no americano "Name That Tune", com algumas diferenças. Aqui a disputa era realizada entre celebridades, que buscavam alcançar 25 vitórias consecutivas. A atração agradou de cara, e também servia para promover os sorteios de prêmios para os fregueses "rigorosamente em dia" do carnê do Baú.


Quem acompanhou o "Qual é a Música" não se esquece das provas: "Jogo dos Versos", "Vitrine Musical", "Sabatina Musical", "Corrida Musical", "Toca o Sino", "Segredo Musical", "Relógio Musical", "Não Erre a Letra", "Vitrola Musical" e o "Leilão das Notas Musicais". No "Jogo dos Versos", os participantes tinham que completar uma canção interpretada pelo trio Ary Sanches, Djalma e Vera Lúcia. O grande desafio era a prova final: adivinhar uma canção com uma charada e, no máximo, sete notas ao piano do Maestro Zezinho, que substituiu Osmar Milani. A resposta era dublada por modelos com os rostos devidamente pintados com alegres desenhos e muita purpurina. Pablo e Virgínia ficaram famosos pelas interpretações.


Muito do sucesso do quadro também se deve a animação de Silvio, que o conduzia de uma maneira muito descontraída, produzindo momentos inesquecíveis.


A atração teve duas fases: de 1976 a 1991, onde o grande campeão foi Ronnie Von, que conquistou as 25 vitórias, a coroa e a viagem internacional; e de 2000 a 2008, quando a disputa era travada por times masculino e feminino que variavam seus integrantes a cada semana. "Qual é a Música" deixou saudades no público. É uma importante passagem da trajetória de Silvio Santos na televisão brasileira.
E não percam, vem aí mais posts da série SS 50 ANOS, "aguarrrrrdemmmmmmmmmm".



Agradecimentos: hkuniochi, BAUDATV, AndreiaM30, 9desetembro, 7desetembro, 8desetembro, desertfox1935, SBT.


Chamada do "Qual é a Música"


Ronnie Von e Maria Alcina na primeira fase do quadro, ainda no Teatro Manoel de Nóbrega


Vitrola Musical


Relógio Musical


Qual é a música, Pablo?


Silvio Santos de Bermuda


Silvio Santos assiste Xuxa


Qual é a música, Virgínia?


Leilão de notas musicais


Name That Tune, que inspirou o "Qual é a Música". Detalhe: o Lombardi gringo anuncia como prêmio para o concorrente, se ele vencer, uma viagem para o Rio de Janeiro!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

CLIPES MAIS QUE FANTÁSTICOS


O Fantástico foi a primeira revista eletrônica da televisão brasileira, antes mesmo que o formato ganhasse essa denominação. O dominical da TV Globo estreou em 1973, às 20h, logo após o "Programa Silvio Santos". A atração reunia tudo: jornalismo, reportagens, humor, shows e musicais. Na parte musical, o programa inovou, ao trazer para a TV brasileira a linguagem do video clip... no padrão Globo de qualidade, é verdade.

Tá certo que a emissora dos Marinho não inventou o clip nas telinhas brasucas. Eles já existiam desde 1950, quando foram gravados em película para tapar buracos na inaugural programação da TV Tupi de São Paulo. Mas foi no "Show da Vida" que eles se popularizaram. Quem estava estourado nas paradas tinha o direito de ter seu sucesso transformado em clip para a atração, inclusive artistas contratados de outras emissoras. Naquela época, as gravadoras não bancavam essas produções.

Um dos clipes mais marcantes foi da música Gita, gravada por Raul Seixas. Ele marca um avanço para a época: o uso do Chroma Key, técnica em que uma cor (azul ou verde)num fundo infinito é substituída eletronicamente por qualquer imagem.

Com a evolução que a gravação em vídeo de grandes sucessos ganhou, após Michael Jackson produzir Thriller, o "Fantástico" não podia ficar para trás e reformulou a linguagem de seus clipes. Muitos artistas lançados nos anos 1980 cantaram no dominical. Além de produzir clipes, o programa também lançava em primeira mão os novos singles internacionais de cantores como o Rei do Pop e Madonna.

A partir da década de 1990, com o investimento das gravadoras no produto e a chegada da MTV, os clipes do "Fantástico" foram saindo de cena aos poucos. Em compensação ficaram essas pérolas de uma época que não volta mais. Assista alguns deles, são fantásticos!

Agradecimentos: baudoraul, pugaman77, nandodance, calulinho, marcinpore, TV Globo.


Gita - Raul Seixas 1974


América do Sul - Ney Matogrosso 1975


Sandra Rosa Madalena - Sidney Magal 1978


Mais uma de Amor (Geme, Geme) - Blitz 1982


Serrinha - Clara Nunes 1982


Amante Profissional - Herva Doce 1985


Companheiro - Dominó (criado por Gugu Liberato, do SBT) 1985


Vou de Táxi - Angélica (na época apresentadora da TV Manchete) 1988

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

MODÃO BÃO ESSE NA RECORD!!!


Nessa época de férias muitas pessoas preferem o campo do que a praia para descansar do corre-corre das metrópoles. E nesses interiores desse país gigante por natureza, a parada de sucessos sempre foi diferente das grandes capitais. Mesmo hoje em dia, com internet, o povo de lá gosta de um gênero de música muito particular do brasileiro: a música caipira.

Para atender a esse público, já que parte dele também vive nas selvas de pedra, as emissoras também investiram em programas musicais sertanejos. Um deles, que obteve grande sucesso durante sua exibição, foi o "Especial Sertanejo", da TV Record.

O programa surgiu juntamente com o estouro das grandes duplas nacionais, como Milionário e José Rico, Chitãozinho e Xororó, e mais tarde, Leandro e Leonardo e Zezé di Camargo e Luciano. A atração teve o comando inicial do cantor Donizeti (aquele do "Galopeeeeeeeeeeeeeeeeira"), mas ficou marcada com a apresentação do sertanejo Marcelo Costa. Quem via a atração lembra do bordão "caba não, mundão" e " ô lugarzinho abafadinho"(detalhe: por muitos anos, o Teatro Paulo Machado de Carvalho, onde era gravado o "Especial", não tinha ar condicionado).

Um dos quadros mais marcantes do musical era a Sala do Tião Carreiro, em que eram reunidas duplas novatas com grandes nomes da música raíz, ou mesmo cantores consagrados cantando clássicos da moda de viola. O nome do quadro é uma homenagem a este ícone da música caipira, falecido em 1993.

"Especial Sertanejo" ficou no ar 15 anos, encerrando suas atividades em 1998, sempre às Quartas-feiras. Marcelo Costa foi para a TV Gazeta comandar o "Família Sertaneja", nos mesmos moldes do "Especial", que ficou no ar até 2001. Hoje o apresentador segue apenas com sua carreira de cantor, e o famoso programa da TV Record está agora na Rádio Record.

Assista algumas apresentações do programa e a homenagem prestada nos 50 anos da emissora.

Agradecimentos: uen11, DoctorHer, zicktuco, edmilsonmatiasrcc1.


Gilberto e Gilmar - Só mais uma vez


Marcelo Costa canta no "Especial"


Teodoro e Sampaio - Vestido de Seda


Marcelo Costa: 15 anos de "Especial Sertanejo"

domingo, 5 de setembro de 2010

O ENSAIO QUE É UM SHOW


Se na TV nada se cria, tudo se copia, é muito raro quando uma atração é absolutamente original e não é clonada por outros canais. É o caso de Ensaio, da TV Cultura. Um verdadeiro heroi da resistência em um tempo onde a televisão não investe tanto em programas musicais, nem mesmo os mais tradicionais programas de auditório dos domingos.

O programa surgiu na TV Tupi em 1968 e, de acordo com o site da emissora educativa, está no ar no canal 2 paulistano desde 1990. A cada noite um artista da MPB é chamado para cantar ao vivo. Ensaio, como o proprio nome diz, se propõe a mostrar e destacar o convidado, sem a grande produção de um show. Por isso o jogo de luzes e a ausência de cenário são características da atração, que é gravada no Teatro Franco Zampari mas também não tem plateia.

No comando está seu criador, o jornalista Fernando Faro. O destaque para música no programa é tão grande que Faro, o entrevistador, não aparece em momento algum, e suas perguntas não são captadas pelos microfones. Os closes, que são imagens de detalhes do artista, são fundamentais para criar o tom intimista do musical.

Ensaio é um espaço onde não há preconceito de gênero. Pelo programa vários nomes de sucesso já marcaram presença: Tim Maia, Caçulinha, Elis Regina, Olodum, Gal Costa, Amado Batista, Jair Rodrigues, As Gavão, Tom Zé, Cartola, Leci Brandão, Herivelto Martins, Fundo de Quintal entre outros. O acervoda atração é considerado um dos mais importantes registros da música contemporânea brasileira na TV. Alguns deles viraram DVD co-produzidos pela Cultura Marcas.

Uma excelente opção para quem gosta de boa música. Ensaio vai ao ar toda quarta, às 23h, e aos domingos você pode conferir grandes apresentações realizadas na história do programa, que inclui a fase da atração na TV Tupi, em Ensaio Acervo, às 5h, pela TV Cultura.

Escolher os vídeos para esse post foi bem difícil pela qualidade do programa, mas seguem algumas amostras que comprovam a diversidade musical e a originalidade da criação de Fernando Faro.

Agradecimentos: ecosdotelecoteco.blogspot, Trama TV e zaratrusta2009



Elis Regina canta Águas de Março - 1973


Gal Costa interpreta Baby - 1994


Amado Batista e o sucesso Amor Perfeito


O sambista Cartola em Corra e Olhe o Céu


Tim Maia canta Descobridor dos Sete Mares