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sábado, 25 de maio de 2013

FASCINAÇÃO DEBUTANTE

Antes de "Fascinação", Regiane era
 atriz de teatro, e chegou a estudar publicidade
O público do SBT sempre curtiu um bom dramalhão, regado com muitas lágrimas e sofrimento de uma linda mocinha, que ao final acaba nos braços do seu amado e vive feliz para sempre. Hoje, uma destas tramas completa 15 anos de sua estreia: "Fascinação". Escrita por Walcyr Carrasco, o mesmo autor da atual novela das 21h "Amor à Vida" na Globo, esta novela tem todos os ingredientes de uma tradicional novela mexicana.

A história se passa na década de 1930 (um ponto forte na dramaturgia da emissora, nos anos 1990, eram as produções de época). Regiane Alves, estreando como protagonista, vive Clara, uma jovem professora, filha de um leiteiro e uma dona de casa. De origem humilde, a moça conhece Carlos Eduardo (Marcos Damigo), filho de Melânia da Silva Prates (Glauce Graieb), uma importante figura da sociedade. Os Silva Prates vivam apenas da imagem de ricos. Estavam à beira da falência, e Melânia queria arrumar logo uma moça rica para casar com seu filho mais velho. Clara e Carlos Eduardo se encontraram pela primeira vez no baile de formatura da jovem, e ali, uma cigana profetizou que eles seriam muito felizes juntos, porém antes passariam por maus bocados.

De fato, os dois se apaixonaram com o tempo, e o rapaz até prometeu casamento. Diante da jura, Clara decide se entregar ao seu primeiro homem, e acaba engravidando. Ao descobrir o fato, o mundo desaba na cabeça da professora. Quando ficou sabendo da história, Melânia contratou um gigolô, Alexandre (Heitor Martinez), que armou para separar Clara de Carlos Eduardo, forjando ser o pai da criança. Pior foi quando o pai da jovem soube da gravidez! Enfurecido, o leiteiro José (Breno Bonin) expulsa a filha de casa.

Alexandre leva a mocinha para um prostíbulo e, para completar o plano de Melânia, Carlos Eduardo descobre, se decepciona e casa-se com Berenice (Samantha Monteiro). A matriarca dos Silva Prates já estava de olho nessa rica moça, que também estava apaixonada por seu filho. Quando o bebê de Clara nasce, o gigolô rapta a criança. Alexandre força a moça a trabalhar no bordel, do contrário nunca mais veria seu filho.

Correria para gravar

Capa do CD da trilha sonora, que tinha Nana Caymmi cantando
o tema-título
Muitas lágrimas e sofrimentos rolam neste folhetim, até que Clara ganha uma bolada de herança de um cliente que conheceu na casa de Madame Therèze (Adriana Ridolfi). Era Manoel Gouveia (Luís Carlos de Moraes), tutor de Berenice, que a essa altura já era alcoólatra, já que seu casamento com Carlos Eduardo era tão falso quanto nota de R$3,00. Cheia da grana, a mocinha dá a volta por cima, descobre todas as armações de Melânia, e se encarrega pessoalmente de deixar a megera na rua da amargura. Depois de tudo esclarecido, enfim, pôde viver seu amor com Carlos Eduardo e, com a morte de Berenice, casou-se e junto com seu filho viveu feliz para sempre!!!

Walcyr Carrasco escreveu esta novela após o sucesso de "Xica da Silva" na Manchete. O autor assinava como Adamo Angel. O tempo de produção de "Fascinação" é recorde: foram apenas quatro meses para gravar os 142 capítulos. Os atores tinha em média 30 cenas por dia. Para auxiliar, e dar mais agilidade às gravações, o elenco passou a usar o ponto eletrônico, um aparelho quase imperceptível na orelha, para o diretor soprar as falas. Tanta pressa tinha uma razão: Silvio Santos queria que a novela estreasse junto com "Torre de Babel", na Rede Globo. Mas não houve muito tempo de confronto direto. Com a contratação de Ratinho no mesmo ano, a novela do SBT passou a concorrer mais com o "Jornal Nacional" do que com o folhetim de Silvio de Abreu.

Curiosidades:

  • "Fascinação" não seria exibida no Brasil. A novela seria dublada e vendida para o México, mas depois que Silvio Santos assistiu alguns capítulos, decidiu que passaria no SBT;
  • Como era prática da emissora gravar novelas inteira antes de exibi-las, a história de Clara e Carlos Eduardo furou a fila de outras duas produções que já estavam prontinhas para irem ao ar há algum tempo ("Pérola Negra" e o remake de "O Direito de Nascer");
  • A produção foi vendida para mais de 20 países, inclusive Romênia e Ucrânia;
  • Além de Regiane Alves e Marcos Damigo, Mariana Ximenes também teve seu primeiro papel de destaque nesta trama. Ela interpretava Emília, filha de Manoel Gouveia, que era apaixonada pelo segundo filho de Melânia, o seminarista Gustavo (Caio Blat). As cenas do casal eram hilárias;
  •  Foi a primeira produção dramaturgica brasileira a usa o ponto nas gravações;
  • A novela se chamaria "Alma Gêmea", mas Walcyr não desistiu do título, e usou em 2005 em um de seus folhetins das 18h, na Rede Globo;
  • "Fascinação" foi reapresentada duas vezes, em 2004 e em 2011.

Vamos conferir algumas cenas desta inesquecível novela. Agradecimentos:mineironoveleiro, Simone5fulHD, MDDSbt e Divulgação/SBT.











sábado, 29 de dezembro de 2012

MULHERES, CALOR E PRÊMIOS

Primeiro time de apresentadoras do game, em 1998
Depois de uma fase de investimentos em programação qualificada, o SBT resolveu voltar às suas origens mais populares, e apostou em atrações que foram sua marca durante seus primeiros dez anos. Foi baseado neste pensamento que Silvio Santos lançou "Fantasia", em dezembro de 1997.

Inspirado no formato original do italiano "50 Mulheres", o game que dava prêmios em dinheiro para os telespectadores através do telefone ia ao ar nas tardes da emissora, de segunda a sexta. Meia centena de belas moças foram selecionadas, entre milhares de meninas que fizeram testes. Detalhe: as audições valiam tanto para as assistentes de palco, como para as apresentadoras. O número de meninas cresceu, com o passar do tempo, e chegou a ter 75 modelos, aproximadamente.

As primeiras condutoras da atração foram Adriana Colin (ex-Banana Split e futura assistente do Faustão), Débora Rodrigues (ex-sem terra, que há pouco tinha sido capa da Playboy), Jackeline Petkovic, e Valéria Balbi. Muitas brincadeiras do formato italiano, como o game do forno, e outras velhas conhecidas dos brasileiros, como a batalha naval, eram os quadros do programa. Na semana de estreia, devido ao número de chamadas promovidas pela emissora, "Fantasia" provocou duas panes no sistema telefônico de São Paulo. Eram mais de 100 mil pessoas de uma só vez tentando jogar com as meninas da TV! Foi necessário as apresentadoras pedirem para os telespectadores não ligarem mais.

Nesta primeira fase, que durou até agosto de 1998, Valéria Balbi se afastou para comandar um projeto jornalístico no canal, o "Noticidade". Jackie também saiu do vespertino no mesmo ano para assumir o lugar de Eliana, de partida para a Record, no infantil "Bom Dia & Cia". Para ocupar as vagas, duas assistentes foram promovidas a apresentadoras: Amanda Françoso e Tânia Mara, que também cantava o tema de abertura, "Fantasia no ar".

Maratona Fantasia

Daniela Mercury e Carla Perez no Fantasia, em 1998
Em novembro, ainda em 1998, a ex-dançarina Carla Perez ganhou este programa para estrear na TV como apresentadora, com algumas mudanças. A atração passa a ser dominical, contar com plateia e ter atrações musicais. Com a proibição do sistema de telefonia 0900, "Fantasia" sai do ar novamente, em agosto de 1999.

O SBT não desiste tão fácil, e com um número considerável de apresentadores contratados sem programa próprio, reúne esse time e reestreia o game em janeiro de 2000, ao vivo nos sábados, com cinco horas de duração. Essa maratona era comandada por Celso Portiolli, Christina Rocha, Lu Barsoti (descoberta por Silvio Santos na "Porta da Esperança"), Otávio Mesquita e Márcia Goldschimidt. Nesta época, houve uma mistura da primeira, com a segunda fase: o programa perde o auditório, mas continua a receber cantores e bandas. Foram incluídas brincadeiras clássicas do "Domingo no Parque", como "Bebê no Cadeirão" e "Corrida de Bebês". A atração é novamente cancelada em junho do mesmo ano.

Elenco de 2007 do programa de prêmios
Sete anos se passaram, e os fãs pediam o retorno do "Fantasia". Como uma estratégia para recuperar o segundo lugar, perdido para a TV Record, a mulherada volta ao vídeo a partir da 1h da madrugada. Este período teve como apresentadores Luiz Bacci, Hellen Ganzarolli e Caco Rodrigues. No segundo dia do programa, Luiz já estava fora. Com muito menos meninas (35 modelos), o visual das assistentes era mais praiano do que o eterno vestidinho que usavam desde 1997. No início de 2008, passou a ser  apresentado à tarde, mas pouco tempo depois voltou para premiar os sonâmbulos de plantão. No melhor estilo "Alô Christina", quem ligava para participar não podia dizer alô, mas "eu sou fã do SBT". "Fantasia" saiu do ar pela quarta vez em 17 de março, há quatro anos.

Curiosidades: desde 1997 até 2000 o cenário e o figurino das meninas foram sempre os mesmos! Em 2007, o ambiente caribenho foi repaginado, com pranchas de surf e outros elementos das praias brasileiras. Devido ao horário noturno, a cenografia desta época lembrava o antigo "Coquetel", de 1991. A ida para o intervalo comercial ficou marcada pelo elenco cantando grandes sucessos em karaokê, com letra para o telespectador acompanhar. Só não tinha a pontuação, do contrário seria uma vergonha em rede nacional! Muitos talentos foram revelados dentre as mais de 130 assistentes que por ali passaram nas quatro fases do programa. Destaque para as atrizes Ellen Roche, Lívia Andrade, Fernanda Vasconcellos, Viviane Porto e as jornalistas Izabella Camargo e Joyce Ribeiro.

Vamos rever cada uma das fases deste programa que virou mania nacional. Agradecimentos:Felipe Rubim, fitasjoia, coatelinha12, SuperMemoTV, tedcontatoss e Divulgação/SBT









sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A MARATONA DEBUTANTE

A maratona televisiva brasileira completa 15 anos
Sonhos se tornam realidade? Em 1998 um brasileiro sonhou com uma campanha para arrecadar fundos para a AACD - Associação de Assistência à Criança Deficiente. Uma instituição sem fins lucrativos, que, desde 1950, auxilia não apenas os baixinhos, mas toda pessoa que dela precisar e, na maioria dos casos, gratuitamente. Décio Goldfarb, presidente-voluntário da AACD na época, resolveu propor a um canal de televisão a realização de uma maratona de solidariedade chamada Teleton.

O nome vem do inglês Telethon (Television Marathon, maratona televisiva). O evento nasceu nos Estados Unidos em 1954, mas o nome só surgiu em 1966, quando o comediante Jerry Lewis assumiu o comando do programa. Antes era chamado WHAS Crusade for Children (cruzada pelas crianças). O sucesso mundial não demorou a acontecer. Em 1978 o Teleton chega a América do Sul. Sob o comando de Don Francisco, o maior apresentador de TV de língua espanhola, todas as emissoras de rádio e televisão do Chile se unem a favor das crianças menos favorecidas. Até mesmo uma organização internacional foi criada para unificar os Teletons realizados em toda América Latina: a ORITEL - Organização Internacional dos Teletons. Hoje a maratona está presente em mais de 20 países pelo mundo.

De volta ao Brasil. Goldfarb precisava entrar em contato com alguma emissora que topasse a ideia. Imediatamente entrou em contato com sua amiga, a apresentadora Hebe Camargo, que tomou a causa como sua. Linda, loira, de salto alto e com o projeto em mãos, e no coração, foi até o escritório de seu patrão Silvio Santos, dono do SBT, apresentar a proposta, juntamente com Décio. Silvio tornou público o desejo de fazer algo pela população que tanto amor e carinho lhe deu ao longo dos anos pela TV desde 1987, quando tentou ser prefeito da capital paulista, governador de São Paulo e presidente da República, mas sem sucesso. Segundo Hebe, o apresentador ficou "perdidamente apaixonado" pelo Teleton, e lançou o primeiro em 16 de maio de 1998, um sábado à noite. A campanha ficaria no mínimo 24 horas no ar para atingir a meta em dinheiro que a AACD necessitava naquela época.

"Contribua com apenas R$5,00"

Da esquerda Rodrigo Rodrigues (Cultura), Luciana Gimenez
(RedeTV!), Adriane Galisteu (Band), Ellen Jabour (MTV),
Maria Cristina Poli (Cultura), a cantora Claudia Leitte e
Eliana (SBT), juntos pela AACD.
O dono do SBT queria fazer por aqui a rede de solidariedade que os chilenos fazem, mas até hoje não conseguiu alcançar este objetivo plenamente. Nos primeiros anos, a maratona era exibida integralmente ao vivo. A partir de 2001, a produção passou a gravar gincanas com artistas e programas especiais apresentados por Silvio Santos, como o "Show do Milhão", com celebridades e políticos, "Roda a Roda" e "Show de Talentos".

A maratona ocupa entre 24 e 27 horas, sem interrupção, da programação do SBT. Apenas em 2008 a emissora parou o Teleton, em seus minutos iniciais, para exibir a reprise da novela "Pantanal". Em muitas oportunidades, a marca d'agua do canal foi substituído pelo logo da campanha. A TV Cultura de São Paulo, a MTV, a RedeTV!, a TV Gazeta de São Paulo, a Rede Brasil de Televisão e a Rede TV+ são algumas das emissoras que repetiram ou repetem o sinal da rede da solidariedade, nos dias da festa. Rede Record e Rede Bandeirantes já apresentaram trechos e flash, principalmente nos anos em que o evento não era transmitido dos estúdios do SBT, como em 1999, 2000 e a abertura de 2008, direto do Auditório do Ibirapuera.

O dono do SBT sempre enfatizou que se as pessoas pudessem, que contribuíssem apenas com R$5,00, o custo de uma ligação para a maratona. Esse apelo, unido ao de outros artistas e personalidades tem tido excelentes resultados. Graças aos R$5,00, valor mínimo de doação há 15 anos, a AACD arrecadou mais de 124 milhões de dólares, construiu, reformou e mantém em atividade 16 centros de reabilitação espalhados pelo Brasil, realizando mais de 6.400 atendimentos por dia, de acordo com o site da instituição. São atendimentos, na sua maioria, realizados de graça para a população carente, com equipamentos de última geração, e por profissionais altamente capacitados, e em boa parte voluntários. A entidade também conta com parcerias com grandes empresas do setor privado. Mas a realização da campanha, hoje, é indispensável para a sobrevivência da associação.

Saudades da "dinda"

Silvio Santos e Hebe Camargo durante o Teleton 2011
A comemoração pela 15ª edição do Teleton infelizmente terá uma teimosa lágrima de saudade nos olhos dos artistas, colaboradores, pacientes e voluntários. A partida da madrinha Hebe Camargo para o andar de cima, em 29 de setembro deste ano, deixará uma certa tristeza no ar, e um vazio do tamanho de uma estrela de primeira grandeza. Juntamente com Silvio e Décio, Hebe ajudou a tornar o evento um grande sucesso, convertido em milhares de sorrisos, em milhares de corações esperançosos. A produção prepara uma grande homenagem para a apresentadora. Embora não seja uma substituição, Eliana será mais uma vez a embaixadora da jornada televisiva liderada por Silvio Santos. A maratona não pode parar.

Sonho que se sonha sozinho, é apenas sonho. Sonho que se sonha junto, se torna realidade. E no caso de Décio, Silvio e Hebe, se tornou também uma esperança para milhares de pessoas.

Para doar R$ 5,00 o telefone é 0500 12345 05. Para doar R$ 15,00 o telefone é 0500 12345 15. Para doar R$ 20,00 ou mais: 0800 775 2012. As doações (acima de R$5,00) podem ser feitas também ao longo do ano, pelo telefone 0800 771 7878, ou pelo site www.teleton.org.br

Curiosidade: o primeiro mascote da campanha, o Tonzinho, surgiu em 2004. Sua companheira, a Nina, é mais nova. Ela nasceu em 2008. Os bonecos são dados para aqueles que realizam doações acima de R$ 60,00. Neste ano, com a nova bonequinha ainda sem nome, o doador pode levar o trio por no mínimo R$160,00. Todos que trabalham no Teleton, inclusive os funcionários do SBT, estão lá voluntariamente.

Agradecimentos: IG, Café com Notícias, worldteleton, REsbtista, macsp2007, eumesmobr, teletonbrasil, SBTista1 e SBT.


A história da criação do Teleton, por Hebe Camargo


A abertura do primeiro ano, com Silvio Santos em 1998


Hebe, Nair Bello e Lolita Rodrigues em 2000


Encerramento da campanha em 1999, direto da TV Cultura


Os melhores momentos do primeiros 10 anos da campanha


Homenagem à madrinha da maratona, em 2010


O "Balança caixão" de Silvio e Portiolli em Hebe, em 2010


Final da jornada de 2011

sábado, 15 de setembro de 2012

UM PORRETE NA MÃO, UM BIGODE NO AR... A COBRA VAI FUMAR!!!

Carlos Massa fez muito sucesso com "Ratinho Livre" na Record
Imagine um programa sem um roteiro definido pela produção, mas sim pelo povo. Assim era o programa "Ratinho Livre", exibido pela TV Record entre 1997 e 1998. O apresentador Carlos Massa, o Ratinho, comandava o  programa "190 Urgente", pela pequena rede CNT/Gazeta. Menor sim, mas não menos importante. Estar no ar em uma emissora aberta paulistana pode lhe proporcionar visibilidade, e ganhar espaço em uma rede nacional. Foi assim com esse radialista e, como ele mesmo diz, "ex- lavador de defunto".

Sua indignação contra o descaso sofrido pela população, contra a criminalidade, e de vez em quando até contra sua própria produção, chamou a atenção de Eduardo Lafond, na época diretor artístico e de programação da Record. O apresentador, que ficou famoso pelo cassetete e com bordões como "aqui tem café no bule", queria um programa de auditório. Mas quando foi contratado pela emissora de Edir Macedo, pensou que iria comandar o policial "Cidade Alerta", seu então concorrente. Lafond resgatou o formato do antigo "O Povo na TV", exibido nos primeiros anos do SBT, onde as pessoas procuravam a produção para que lhe ajudassem com qualquer tipo de problema.

"Ratinho Livre" estreou em setembro de 1997, com uma plateia pequena, pouco mais de 30 pessoas, num dos menores estúdios da Barra Funda. Seu cenário, guardadas as proporções, é claro, tinha uma estrutura de talk-show americano: mesa para o apresentador, sofá para os convidados e uma banda tocando ao vivo. O programa era exibido diariamente, e contava também com a participação de repórteres, diretamente de qualquer ponto da capital paulista.

Um mês após seu lançamento, a atração garantia o segundo lugar para a emissora dos bispos. A audiência do horário triplicou. Com o passar dos meses, Ratinho começou a incomodar muito a Rede Globo, líder no horário. A alteração gradual no horário quase intocável do "Jornal Nacional" de 20h para 20h15, depois para 20h30 aconteceu nesta época. Dessa maneira, a novela das 8 (que começava às 9) acabava mais tarde, para atrapalhar a atração do canal 7 paulistano. Não deu certo. Assim que acabava a trama global, o programa da Record disparava no IBOPE. "Ratinho Livre" chegou a alcançar 35 pontos de pico.

Azeitona, Caroço e ET

Rodolfo e ET ficaram famosos pelo programa
Um programa que adota a linha de assistência popular corre um sério risco de ser taxado de sensacionalista. Muitas vezes Ratinho foi acusado pela imprensa de ser apelativo, ao expor no palco casos como o "homem grávido". Mas seu programa foi o responsável pela popularização do exame de paternidade, o famoso DNA. O apresentador respondia aos ataques, dizendo que seu palco era a última alternativa para aquelas pessoas desesperadas, e que não pararia de ajudar os doentes que lhe procurassem. Foram vários processos contra Ratinho e a Record, proibindo a exibição desses casos.

A atração também tinha números musicais e sorteios de prêmios pelo antigo sistema 0900. Destaque para a visita que Gugu Liberato e toda sua turma fizeram, em 1998, em retribuição à participação do apresentador no "Domingo Legal", no SBT. Gugu cantou "Pintinho Amarelinho" e até hipnotizou uma galinha em cena. Com a alta audiência, e sendo um astuto empresário, Ratinho tornou conhecida no país a sua linha de produtos, os seus principais anunciantes.

Algumas figuras ficaram famosas pelo Brasil afora, aparecendo na atração. A dupla de irmãos gêmeos Caroço e Azeitona (Humberto e Alexandre de Oliveira, respectivamente), que faziam as vezes de segurança, apartando as brigas no palco. Mário Pereira, o Azulão (solta o Azulão, solta o Azulão...), que conheceu o estrelato após mais 30 anos trabalho nos bastidores da Record. O repórter Rodolfo Carlos, que acompanhou o apresentador quando este se transferiu da CNT. O saudoso Cláudio Chiriniam, o ET, falecido em fevereiro de 2010. E Luiz Carlos Ribeiro, o Rodela, antigo calouro de Silvio Santos.

Auditório não!

Com a popularidade em alta, Carlos Massa ganhou uma atração dominical, em 1998, o "Ratinho Show". Comandado diretamente do Teatro Paulo Machado de Carvalho, na antiga sede da Record, era comum ver as pessoas suando, por causa da falta de ar condicionado no auditório. Neste programa, atrações de todos os tipos desfilavam pelo palco. Os jurados eram os integrantes do programa Pânico e outros convidados, como Leão Lobo. A produção era de Valentino Guzzo, ex-produtor do "Show de Calouros", conhecida como a eterna Vovó Mafalda.

Comunicador popular, Ratinho queria estar ao lado do mais popular animador do Brasil. Este sonho se realizou em 1998, quando saiu da Record e foi para o SBT, comandar o "Programa do Ratinho", no ar até hoje. Curiosidade: Silvio Santos tinha tentado contratar o apresentador antes de Edir Macedo. O acordo só não foi fechado naquela época porque Silvio não queria dar um programa de auditório, mas sim o comando do jornal "Aqui Agora".

Vamos relembrar um pouco deste programa, com vários momentos de indignação do apresentador, polêmicos momentos como a entrevista com Inri Cristo, a primeira aparição do ET e a visita do Gugu. Agradecimentos: belohorizonte2009, leonardorecife2008, ricflairbol, growdasky2007, UOL e Divulgação/TV Record.















quarta-feira, 22 de agosto de 2012

NÃO DIGA ALÔ, DIGA ALÔ CHRISTINA!

Christina Rocha dava prêmios pelo telefone, no SBT
Embora já tenham se passado 15 anos, a atual apresentadora do programa "Casos de Família" do SBT ainda é lembrada por sua primeira atração solo na emissora de Silvio Santos: "Alô Christina".

O game show estreou em 30 de abril de 1997. Era transmitido ao vivo, direto do Teatro Silvio Santos. Mas a abertura, mostrando a apresentadora nos glamurosos preparativos para cantar e dançar a música-tema do programa, já foi produzida no estúdio 2 do Complexo Anhanguera. Jô Soares gravava seu talk show neste local.

Christina Rocha é o que podemos chamar de "prata da casa". Está na emissora antes mesmo da inauguração da rede. Comandava no final dos anos 1970 na TVS-Rio "O Povo na TV", ao lado de Wagner Montes, Sérgio Mallandro e Roberto Jefferson, então apenas um advogado. Com o fim do polêmico programa, Christina apresentou diversas atrações, entre elas "TV Powww", e foi repórter do semanal "Viva a Noite" de Gugu Liberato. Em 1991 passou para a bancada do popular jornal "Aqui Agora".

Mas a apresentadora queria mais. Tinha vontade de ter um programa só seu. Tanto insistiu ao então cunhado Silvio Santos (ela foi casada com Rubens Pássaro, irmão de Íris Abravanel), que ganhou o "Alô Christina". O formato foi inspirado no argentino "Hola Suzana", que consagrou Suzana Gimenez como a "Hebe Camargo portenha".

Números nem tão favoráveis...

A fórmula era simples: bastava o telespectador enviar uma carta com seu número de telefone, e torcer para ser sorteado. A senha para o sortudo brincar ao vivo, quando o telefone tocava, era dizer o título do programa. Só por isso o felizardo já ganhava uma quantia em dinheiro (R$50,00 ou R$100,00). Nas diversas brincadeiras, tinha prêmios de todos os valores: de uma secretária eletrônica a um carro zerinho, zerinho!!!"Alô Christina" era uma opção para quem não queria ver o futebol das quartas na Globo. Meses depois, a atração passou a ser gravada.

A apresentadora consultou particularmente uma numeróloga, que sugeriu trocar a grafia do nome. Passou a ser "Alô Christinah", e depois "Alô Chystynah". Eram três segundos só para escrever o novo nome na vinheta de abertura! Mas parece que a consultoria não funcionou. Devido a baixa audiência, o game saiu do ar em março de 1998. No entanto existem fãs do programa na internet, que montam comunidades para aqueles que assistiam e sentem saudades do semanal.

Curiosidade: A supervisora de Christina Rocha era Nelly Raymond, produtora argentina amiga do dono do SBT desde os tempos da Globo, e uma das responsáveis pela criação do "Viva a Noite". Silvio Santos não desistiu da fórmula de "Hola Suzana", e aplicou-a novamente para o programa "Charme" com Adriane Galisteu, em 2004. Lembram-se do "Como vai, Galisteu", a senha para participar dos jogos?

Vejam a abertura, cheia de muito requinte e glamour, e o trecho inicial da estreia. E lembre-se: não diga alô, diga alô Christina... se a pessoa do outro lado da linha se chamar assim!!!

Agradecimentos: EnioMarcioValle e Reprodução/SBT