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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

AS GÊMEAS DE TUPI E GLOBO

Eva Wilma, Carlos Zara e a dublê da atriz em 1973
Uma das obras primas da novelista Ivani Ribeiro terá dupla comemoração neste ano: "Mulheres de Areia". A trama estreou originalmente em 26 de março de 1973, pela Rede Tupi de Televisão. Vinte anos depois, a Globo produz um remake, com elementos da novela "O Espantalho"(TV Record, 1977), escrita pela mesma autora. O primeiro capítulo da nova versão foi ao ar em 1º de fevereiro de 1993, com Glória Pires interpretando as gêmeas Ruth e Raquel. As irmãs litorâneas foram vividas por Eva Wilma nos anos 1970.

Duas mulheres lindas, de aparência absolutamente idêntica mas de personalidades totalmente contrárias, e um só amor: o empresário Marcos Assunção (Carlos Zara na Tupi, e Guilherme Fontes na Globo). Enquanto Ruth é doce, amável, compreensiva e ama de verdade o jovem milionário, Raquel é fria, má, egoísta e é realmente apaixonada pelo dinheiro do rapaz. A ambiciosa moça enfrenta tudo e todos, inclusive sua bondosa irmã e o pai de Marcos, o prepotente Virgílio Assunção (Em 1973 Cláudio Correa e Castro e em 1993 Raul Cortez).

Guilherme Fontes e Glória Pires estrelaram versão de 1993
As gêmeas sofrem um acidente em alto mar, e Raquel é dada como morta. Ruth ocupa seu lugar para não ver jovem viúvo triste pela morte da esposa, já que acreditava que Marcos de fato gostava da vilã, e também desfrutar um pouco do seu amor. Mas a gêmea má está mais viva do que nunca, e quer vingança contra todos que estiverem no seu caminho, principalmente sua irmã, a usurpadora (calma, ainda estamos tratando de Ivani Ribeiro)!!!


"Rutinha" ganha prêmio

Marcos Frota viveu o escultor apaixonado



Merece destaque o personagem Tonho da Lua, um rapaz com deficiência mental, que tinha duas paixões na vida: esculpir mulheres na areia da praia e sua protetora Ruth, que o defendia de Raquel. Quem deu vida ao Tonho da primeira versão foi Gianfrancesco Guarnieri. O ator Marcos Frota interpretou o escultor nos anos 1990. No final da história, mesmo com as tentativas da gêmea materialista de separar sua irmã de Marcos, o casal termina junto, e a víbora morre num acidente de carro. Vaso ruim é difícil de quebrar, mas quebra!!!

Tanto Eva quanto Glória tiveram que trabalhar pelo menos 4 vezes a mais do que qualquer ator na novela. Elas viveram as gêmeas, Ruth se passando por Raquel e vice-versa! Quando as irmãs apareciam juntas, suas cenas eram sempre mais complicadas e demoradas para gravar. Em 1973, a técnica era o cartão. Com a câmera travada, tapava-se com um cartão preto metade da lente, e gravava somente um lado da cena, com apenas uma personagem. Depois cobria-se o lado contrário da lente, para captar a outra protagonista. O trabalho maior era do editor de VT para montar a cena completa. A tecnologia ajudou um pouquinho, na versão global. Glória gravava usando uma tela azul de fundo que, na edição, era substituída pela sua imagem gravada antes. É o chamado Chroma key (cor chave), técnica muito usada em TV pela previsão do tempo dos telejornais.

Curiosidades:

  • As duas artistas que protagonizaram "Mulheres de Areia" ganharam, entre outros, o Troféu Imprensa de melhor atriz. Em 1973, Regina Duarte foi eleita pela votação dos jornalista pelo papel de Cecília em "Carinhoso" (TV Globo, 1973), mas deu seu prêmio para Eva Wilma como reconhecimento pelo trabalho pioneiro na TV;
  • A trilha sonora da novela da Tupi foi um sucesso de vendas, porém os temas de alguns  personagens como Alaor e Raquel (cantado por Elis Regina) não foram incluídos no disco;
  • Infelizmente restaram poucos capítulos completos do folhetim de 1973. Dos 253 produzidos pela emissora associada, 21 se encontram na Cinemateca Brasileira;
  • A história de Ivani Ribeiro rompeu fronteiras, e foi sucesso até na Rússia! Quando chegou a  eleição de lá, para impedir que as pessoas viajassem no dia do pleito, um feriado, o governo russo programou a exibição do último capítulo da trama para o dia da votação;
  • O remake global foi reapresentado duas vezes, em 1996 e 2011.
  • Em cenas onde Ruth e Raquel contracenavam, Glória gravava primeiro como Ruth. O profissionalismo e atenção da atriz foram fundamentais para uma continuidade e edição perfeitas das cenas.
Vamos conferir a primeira abertura, cenas da primeira versão, a abertura da Globo e cenas da produção de 1993. Agradecimentos: Victor Santos, Marcio Uchôa, Elizeubonitao, e TV Globo.








sábado, 19 de janeiro de 2013

O BEIJINHO BEIJINHO, TCHAU TCHAU DO XOU

Há 20 anos saía do ar o infantil "Xou da Xuxa"
Tudo tem um começo, meio e fim. Com "Xou da Xuxa", na TV Globo, não foi diferente. Em 31 de dezembro de 1992 a nave Xuxa fez sua última viagem nas manhãs globais. Vamos entender o que aconteceu.

A fórmula lançada em 1986 foi copiada em diversas emissoras do Brasil, e da América Latina. A apresentadora e sua empresária na época, Marlene Mattos, viram uma oportunidade de fazer uma carreira internacional. Após as apresentações na OTI (1989) em Miami, EUA, e no festival de Viña del Mar (1990) no Chile, Xuxa recebeu vários convites para levar o "Xou" para "los bajitos". A loira aceitou o convite da argentina Telefe. "El Show de Xuxa" estreou em 1991, e era retransmitido para 16 países da América Latina.

Em 1992, além do programa argentino, a apresentadora também conduzia o "Xuxa Park", na Espanha. O trabalho iria aumentar a partir do ano seguinte, pois a Rainha iria comandar o "Xuxa" nos Estados Unidos. O ritmo da carreira e o desgaste da fórmula, que se multiplicou pela concorrência, fizeram a apresentadora colocar um ponto final na trajetória do "Xou". A princípio o diretor geral da Globo na época, o Boni, não queria, mas aceitou o pedido. Xuxa passaria a comandar uma atração para toda a família, mas semanalmente.

Contudo o "Xou da Xuxa" não iria acabar sem um especial à altura. No último dia de exibição, Xuxa recebeu as primeiras Paquitas (Andreia Veiga, Andreia Faria, Letícia Spiller e Tatiana Maranhão), recordou os melhores momentos dos seis anos e meio do programa e se emocionou muito ao apresentar pela última vez um musical: Trem da Alegria, que foi a primeira atração na estreia em 1986. O grupo também encerrou a carreira em 1992, no palco do infantil.

Lágrimas rolaram no Fênix

Andreia Veiga, Patricia Marx, Angel e Simony prepararam uma surpresa e cantaram "Não diga adeus", já que diziam na época que a Rainha dos Baixinhos abandonaria seus súditos brasileirinhos. Mas as emoções não pararam por aí. A produção chamou o apresentador J. Silvestre para fazer com Xuxa o programa "Esta é a Sua Vida". Toda a família e amigos da artista compareceram, inclusive seu pai, com quem não falava há cinco anos.

A apresentadora encerrou o programa cantando "Sobreviveremos" e, pela última vez, subiu na nave que povoou o imaginário infantil. O chororô geral tomou conta do Teatro Fênix, e assim também foi na Argentina, em 1993. "Xou da Xuxa" marcou uma geração, que até hoje se lembra de diversos elementos que compunham a atração.

Curiosidades:

  • A música "Amiguinha Xuxa" foi a única executada durante toda existência do "Xou", pelo menos uma vez, além do tema de abertura; 
  • O programa teve exatamente 2000 apresentações. Xuxa cantou no programa nº 1000 que queria descer da nave mais mil vezes.


Te convido para rever a última descida da nave, a homenagem do quarteto de cantoras e a música "Sobreviveremos"

Agradecimentos: sthofen, TajoPezzini, siteworldx e Divulgação/TV Globo





domingo, 13 de janeiro de 2013

DUAS DÉCADAS DE DOMINGO LEGAL

Chegou a hora de fazer uma grande festa! O "Domingo Legal" completa 20 anos no ar, em 2013. Uma data histórica para o dominical e para o SBT. É um dos programas mais duradouros da emissora, ficando atrás apenas de "Hebe" (24 anos), "A Praça é Nossa" (25 anos) e do "Programa Silvio Santos" (32 anos).

O semanal estreou em 17 de janeiro de 1993, como um dos quadros do domingão do patrão. Era mais uma tentativa de Gugu Liberato de se firmar no dia mais importante da televisão brasileira. O loirinho já havia apresentado várias atrações como "Corrida Maluca", "Passa ou Repassa" e "TV Animal". O novo programa estreou em pleno verão, inspirado no modelo de sucesso do "Viva a Noite".

Seu começo foi muito parecido com seu irmão dos Sábados à noite. Vários concursos e atrações musicais recheavam o dominical. Pouco tempo depois, Gugu retomou a disputa entre artistas "Eles e Elas", com provas conhecidas como "prova do tato", "prova do desenho", "o que é, o que é", entre outras.

Gugu ao vivo

Antes de agosto de 94, Gugu também tinha o "Passa ou Repassa"
A grande virada aconteceu a partir de 1994. Em 1º de maio, o piloto Ayrton Senna morreu no autódromo de Ímola, na Itália. Enquanto a Globo tinha programas ao vivo para repercutir o assunto, o SBT estava com toda sua programação gravada. A direção da emissora decidiu que Gugu Liberato passaria a comandar o "Domingo Legal" ao vivo, ao meio-dia, em 21 de agosto daquele ano. A decisão deu certo, e aumentou a audiência.

A atração passou a produzir gincanas externas nas imediações do Teatro Silvio Santos, com a participação do público, e o "Helicóptero do Gugu", que começou distribuindo prêmios, em vários locais do Brasil. O helicóptero foi útil também para inserir o jornalismo no "Domingo Legal". Sua principal cobertura foi o acidente fatal do conjunto "Mamonas Assassinas", em 2 de março de 1996. O programa foi líder de audiência durante toda sua exibição.

A busca incansável e desmedida por audiência

Primeira visita da cantora mexicana ao programa dominical
Em 1997, a emissora de Silvio Santos muda o programa de horário. Exibido às 16h, Gugu passou a enfrentar diretamente o "Domingão do Faustão", o líder do horário na Rede Globo. Começou aí a guerra dos domingos entre Globo e SBT. "Domingo Legal" foi vitorioso em muitos dias, até 2002. Os concorrentes protagonizaram cenas lamentáveis na busca pelo IBOPE, como o sushi erótico de Faustão, e os "lobisomens" de Gugu.

Com esse pensamento, e investindo principalmente em jornalismo, o apresentador se envolveu numa falsa entrevista com supostos membros de uma facção criminosa de São Paulo. Os "bandidos" fizeram ameaças a algumas personalidades, como padre Marcelo Rossi, o então vice-prefeito da capital paulista Hélio Bicudo, e apresentadores como José Luiz Datena. O ministério público investigou a entrevista e julgou tratar-se de uma farsa. Gugu e a emissora foram processados e condenados. O programa deixou de ser exibido por um domingo.

A segunda virada

Até assumir o dominical, Celso estava disposto a deixar o SBT
Desde 2003, a atração voltou a apostar mais em entretenimento, com musicais e brincadeiras com o público. Muitos artistas nacionais e internacionais passaram pelo palco do programa nestes 20 anos. Destaque para Shakira, Ricky Martín e a chegada hollywoodiana de Thalía, com direito a limousine e tudo. Um dos grandes sucessos recentes do "Domingo Legal" é o quadro "Construindo um Sonho", que reforma a casa dos telespectadores sorteados.

Em 12 de março de 2009, o dominical passa por uma grande mudança. Gugu Liberato troca de emissora, após 28 anos de SBT e 35 anos de Grupo Silvio Santos. Celso Portiolli, com 16 anos no canal 4 paulistano, comandando a "Sessão Premiada", assume o programa e transforma o "Domingo Legal", voltando às suas origens, com brincadeiras, concursos e prêmios para os telespectadores. A "Piscina Maluca" e o game "Meu pai é melhor que o seu pai" são dois dos muitos sucessos desta nova fase. O programa voltou ao horário do almoço, e hoje é um dos maiores faturamentos da emissora.

Curiosidades:
  • Antes de entrar no ar, "Domingo Legal" foi totalmente planejado pela equipe de produtores e diretores da época, liderados por Homero Salles, atual diretor do Gugu na Record, e Roberto Manzoni, diretor do programa até hoje;
  • O "Magrão" Roberto Manzoni se afastou da atração por alguns meses, em 2002. Coincidentemente foi nesta época que aconteceu a "entrevista" polêmica com os "integrantes" do grupo que atua dentro e fora dos presídios paulistas;
  • O que hoje vemos nas telas de programas globais como "Vídeo Show" e recentemente o "The Voice Brasil" já existia no SBT. O "Domingo Legal" foi o primeiro programa de auditório a ter a participação do público pela internet, com as mensagens on-line exibidas no vídeo. O recurso começou a ser usado em 1996;
  • Os quadros mais conhecidos da atração são "Taxi do Gugu", "Banheira do Gugu", "De Volta para Minha Terra", "Telegrama Legal" e "Construindo um Sonho";
  • A primeira vítima do "Bom Dia Legal", quadro que acordava famosos, foi seu conhecido algoz: Otávio Mesquita foi acordado por Zezé di Camargo, na ocasião do seu aniversário. A brincadeira foi ao ar no programa "Perfil", e reapresentada pelo Gugu. O troco foi ao ar na semana seguinte e fez tanto sucesso, que pernaceu no ar por cinco anos. A brincadeira também foi comandada pela dupla Rodolfo e ET;
  • Homero Salles queria ter um vídeo wall no programa, um telão composto por várias telas de TV. Silvio Santos e Luciano Callegari, superintendente artístico e operacional da época,  sempre lhe negaram, por ser um equipamento muito caro. Certa vez, numa viagem ao Japão, ele e Gugu trouxeram um pequeno equipamento que poderia reproduzir em um Chroma key, uma grande tela de uma cor só, a simulação de um vídeo wall. Quando "inaugurou" o equipamento, com o telão montado no auditório, Silvio e Luciano realmente acreditaram que algum diretor havia aprovado a compra daquilo. Esse telão fez parte do auditório de 1996 a 1999, mas em 1998, no Complexo Anhanguera, o "Domingo Legal" já tinha um video wall de verdade. Confira esta e outras histórias do diretor no site Tudo Sobre TV clicando aqui.
  • Quando a saída de Gugu foi confirmada, iniciou-se uma campanha maciça no Twitter para que Celso Portiolli assumisse a atração. Às vésperas de renovar seu contrato, e longe dos auditórios há alguns anos, Celso estava decidido a sair do SBT, assim como não acreditava na partida do primeiro apresentador do "Domingo Legal". Ao se reunir com Silvio Santos, já com Gugu fora do elenco da emissora, Portiolli ouviu do patrão: "essa é a grande oportunidade de sua carreira". O programa possui uma das melhores equipes de produtores da casa.  
Vamos conferir as aberturas do programa, que mostram as mudanças no visual do "Domingo Legal" e de seus apresentadores. Dentre os vídeos você pode assistir um dos últimos programas comandados por Gugu, que na ocasião já estava contratado pela Record, e a estreia de Celso no dominical. Agradecimentos: Portal SBTista, Central de Notícias, Guilherme Guidorizzi, hkuniochi, costelinha12, tedcontatoss, Vitor Soares, rededetelevisão, kassiocdd, Elienlton Lopes, SBTonline, e SBT.



















quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

"ELA NÃO VAI TER A MINHA IDADE"

A atriz Daniela Perez, morta em 1992
A novela "De Corpo e Alma" seria mais uma na trajetória da teledramaturgia brasileira. A trama de Glória Perez contava a paixão de Diogo (Tarcísio Meira) e Bettina (Bruna Lombardi). Ele, um íntegro juíz, mantinha um casamento de aparências com Antônia (Betty Faria), mas garante para a amante que irá colocar um ponto final no matrimônio.

Diogo, porém, não tem coragem de encerrar a relação. Bettina, desesperada, sai de carro e sofre um acidente. No hospital, ela é diagnosticada com morte cerebral. Seus órgãos são entregues para doação, e seu coração vai para a jovem Paola (Cristiana Oliveira). Com consciência pesada ao saber do ocorrido, o juíz vai atrás da nova dona do coração de Bettina, e os dois se apaixonam.

O folhetim provocou um aumento no número de doadores de órgãos, especialmente coração, em todo o país. Essa elevação foi constatada especialmente pelo InCor, o Instituto do Coração de São Paulo.

Além desta trama, a inversão dos papéis de homens e mulheres na sociedade foi apresentado pela boate Clube das Mulheres. Várias moças e até senhoras iam ao local acompanhar o striptease de homens fantasiados. Um deles, Juca (Victor Fasano) teve um polêmico romance com Stella (Beatriz Segall), uma frequentadora independente, rica e anos mais velha do que o rapaz.

O crime que chocou o público

Como disse no princípio, "De Corpo e Alma" seria mais uma novela, se uma morte trágica não fosse a maior lembrança do público sobre o folhetim. Em 28 de dezembro de 1992, o corpo da atriz Daniela Perez (22 anos), que vivia a personagem Yasmim, foi encontrado em uma região de floresta na Barra da Tijuca (RJ), com 18 punhaladas. No dia seguinte, as investigações da polícia concluíram que o ator Guilherme de Pádua seria o autor do assassinato. Guilherme trabalhava na mesma novela interpretando Bira, apaixonado por Yasmim. A esposa do ator, Paula Tomaz, confessou posteriormente a participação no homicídio.

O caso ganhou destaque internacional. O ator foi condenado a 19 anos de prisão, e Paula ficaria 18 anos na cadeia. Mas, na época do crime, o homicídio qualificado (praticado por motivo torpe, fútil ou com crueldade) não era considerado hediondo. A pena de seus réus poderia ser afiançada, ou ter seu tempo de regime fechado reduzido. Glória Perez, mãe de Daniela, mobilizou os veículos de comunicação, e conseguiu mais de 1 milhão de assinaturas para aprovação de emenda constitucional, que alterasse a Lei dos Crimes Hediondos.

Infelizmente a emenda não é retroativa, ou seja, em nada alterou o processo envolvendo o assassinato de Daniela. Porém existem atitudes que não são feitas para nossos contemporâneos. A mobilização da novelista nos prova que somente a vontade popular tem poder suficiente para mudar uma nação.

A repercussão 20 anos depois

Em 1999 o casal foi libertado, após ter cumprido sete anos da pena. Guilherme e Paula vieram a público, mesmo presos, através de entrevista ao "Fantástico"(TV Globo), para dar suas versões da história. Ele também falou com o "Programa do Ratinho"(SBT) e recentemente com o "Domingo Espetacular"(TV Record). A última aparição dele, já em liberdade e membro de uma igreja evangélica há alguns anos, foi duramente criticada, por não trazer nenhum fato novo. Segundo o jornal "O Globo", a Record foi processada por Glória Perez, proibida de reapresentar a matéria e, segundo a decisão da 12ª Vara Cível do Rio de Janeiro, pagará 500 mil reais por cada reprise da reportagem.

Nem todas as histórias de televisão terminam com finais felizes. Nem todo enredo ficcional pode ser mais cruel do que a realidade. Veja a homenagem que o elenco fez para a jovem atriz no dia seguinte a sua morte, e um vídeo com a música "Wishing on a Star", interpretada pelo conjunto The Cover Girls. Seria apenas mais um tema para uma personagem da novela das oito, mas se tornou uma das mais vivas lembranças de Daniela Perez.

Curiosidade: o título desta postagem foi retirada da frase dita pela atriz Beatriz Segall, na homenagem a Daniela. "Eu já tive a idade dela. Ela não vai ter a minha". Agradecimentos: danielsantosalves.blogspot.com, eltondecastro, fabiosc2010timao e TV Globo.





sábado, 15 de dezembro de 2012

MALLANDRAGEM NA GLOBO

Sérgio Mallandro na TV Globo
Há 20 anos saia do ar o programa "Show do Mallandro", na TV Globo. O contrato de Sérgio Mallandro e a emissora carioca durou apenas dois anos e não foi renovado.

O apresentador chegou ao novo canal embalado por seu sucesso no SBT, com "Oradukapeta". Uma das grandes entusiastas da contratação de Sérgio era Xuxa Meneghel, sua amiga desde a adolescência. Seu desafio não era nada pequeno: apresentar um programa de calouros e musicais no horário deixado pelo mestre dos auditórios Abelardo Barbosa, o Chacrinha, falecido três anos antes. Quem dirigia essa ousadia era Boninho, o futuro manda-chuva do reality BBB.

Para não ficar tanto tempo sem aparecer no vídeo, antes da sua estreia, Xuxa e Marlene Mattos, diretora da Rainha dos Baixinhos, convidaram Mallandro para cobrir as férias anuais da apresentadora no "Xou da Xuxa". Deu certo, o apresentador agradou os baixinhos. Com isso, a loirinha o chamou para comandarem juntos o quadro musical "Paradão dos Baixinhos" aos sábados.

Glu-glu no lugar da "Terezinha"

"Show do Mallandro" estreou nas tardes de sábado em 1991, com duas horas, antecedendo a novela das 18h. O programa tinha aspirantes a cantores, jurados, muitas brincadeiras, prêmios e musicais. A loucura era tanta que Sérgio iniciava o programa descendo preso por uma corda, do alto do Teatro Fênix, e se despedia subindo da mesma forma. Já nessa época ele contava com as Mallandrinhas, suas assistentes de palco, muitíssimo mais comportadas do que hoje em dia seriam. O programa não durou muito. 

Com o final da atração semanal, o "Show do Mallandro" passou a ser um infantil que antecedia o "Xou". O esquema era o mesmo da loirinha: brincadeiras, musicais e desenhos. O apresentador era assessorado em cena pelos Paquitos. A direção era de Paulo Netto, primeiro diretor de Xuxa na Globo, e supervisionado por Marlene Mattos. Aliás, nesta época a Rainha, o Mallandro e Marlene trabalharam muito pelo país afora, fazendo muitos shows, e em filmes como "Lua de Cristal" e "Sonho de Verão", este último só com Paquitas e Paquitos.

Com o cancelamento do programa, Sérgio permaneceu três anos fora do ar, até retornar para o SBT. É um artista com a imagem associada a emissora de Silvio Santos. A passagem do apresentador não é muito lembrada pela emissora dos Marinho. Mas a internet está aí para aqueles que não conheciam, e para aqueles que querem matar as saudades! Vejam chamadas do programa de sábado, as Paquitas, Patrícia Marx e Biafra cantando, uma chamada da versão infantil e algumas partes dela, além de sua abertura. Agradecimentos: Brasiltelevision2010, nicolson87, andrearteiro2, 8desetembro, MundoXuxa, afeitosaafeitosa, Emanunes, adreamatheus053 e TV Globo.







segunda-feira, 19 de novembro de 2012

UM ANJO CHAMADO DERCY

Edson Celulari e Cláudia Raia protagonizaram "Deus nos Acuda"
Em meio a um turbilhão de escândalos de corrupção da presidência da república, com um país em recessão e a moeda valendo menos do que a poeira da estrada, seria possível um anjo converter uma trambiqueira brasileira? Quem acredita nesses seres divinos, facilmente responde que sim. Mas e se esse enviado do Todo Poderoso for Dercy Gonçalves? A confusão estava armada. Este era o enredo principal da novela "Deus nos Acuda", da TV Globo, apresentada em 1992 e dirigida por Jorge Fernando.

Dercy vivia a anja Celestina, a responsável por cuidar do Brasil. Numa missão dada pelo Criador, ela terá que descer à Terra e, com a ajuda do anjo Gabriel (Cláudio Correa e Castro) colocar na linha a golpista Maria Escandalosa (Cláudia Raia). Celestina tem seis meses para endireitar a filha de Tomás Euclides (Jorge Dória), um trapaceiro de marca maior.

Num cruzeiro em alto mar, Maria conhece Ricardo (Edson Celulari), filho do velho empresário Otto Bismark. Pinta um clima entre a golpista e o partidão, mas ela fica com medo de ser rejeitada por ele, assim que ele descobrir que ganha a vida com trambiques... O pai do personagem de Celulari também não estava numa boa situação. Vivido por Francisco Cuoco, Otto era acusado de matar suas ex-mulheres. Uma de suas cunhadas, Baby Bueno (Glória Menezes) tenta encarcerar o milionário a qualquer custo. Porém a vilã Elvira (Marieta Severo), sua fiel e apaixonada secretária, atrapalha Baby de todas as maneiras.

A novela de Silvio de Abreu trouxe de volta uma personagem querida do público. Dona Armênia, interpretada por Aracy Balabanian em "Rainha da Sucata" (Globo, 1990), do mesmo autor, voltou na trama das 19h, sempre acompanhada por suas "filhinhas" Gera (Marcello Novaes), Gino (Jandir Ferrari) e Gérson (Gerson Brenner). A família garantia as boas risadas do público noveleiro, como proprietária do prédio onde viva a Escandalosa.

Esse país tem jeito

Os "anjos" Cláudio Correa e Castro e Dercy Gonçalves
A abertura da novela, mais uma brilhante realização de Hans Donner e sua equipe, mostrava um Brasil invadido por lama em todos os lados. A trama era uma divertida comédia em cima do momento corrupto que assolava o país. Para quem não se lembra ou não era nascido (afinal já se passaram 20 anos), o primeiro presidente eleito pelo voto direto, depois de mais de duas décadas de ditadura militar, Fernando Collor, perdeu o cargo e os direitos políticos, em meio a uma série de denúncias de corrupção.

"Deus nos Acuda" foi a última novela de Dercy Gonçalves. Foi neste folhetim que Edson Celulari e Cláudia Raia engataram um romance na vida real, que durou 18 anos. Curiosidades: esta novela só foi reprisada no "Vale a Pena Ver de Novo" em 2004, um recorde na história da Globo. Em seu último capítulo, com Maria e Ricardo felizes, e ela honesta, o elenco se reuniu para cantar o tema de abertura da novela, "Canta Brasil", interpretado por Gal Costa. Ao invés de exibir o tradicional "Fim" o autor encerrou com a mensagem "Este é apenas o começo", reafirmando a esperança brasileira de que dias melhores, e mais honestos, virão.  

Vamos rever a abertura e a chamada de apresentação de "Deus nos Acuda". Agradecimentos: marcatudo22, madlovis e TV Globo.



sábado, 22 de setembro de 2012

QUER NAMORAR PELA TV?

"Quer Namorar Comigo?" foi um quadro de relacionamento do SBT
No começo dos anos 1990 não existia internet acessível para todos. A rede social de cada um eram os amigos de carne e osso. Para um sujeito "tímido" começar um relacionamento com uma garota existiam duas opções: encarar a jovem de cara limpa ou... levar o pedido de namoro para ser assistido em rede nacional, pela televisão! Um dos clássicos da TV estreou há 20 anos, dentro do "Programa Silvio Santos", no SBT: "Quer Namorar Comigo?"

O quadro surgiu diante do volume de cartas que chegavam à "Porta da Esperança", pedindo uma ajudinha ao apresentador para desencalhar moças e rapazes envergonhados. A fórmula era bem simples: a pessoa mandava uma carta, contando sua história apaixonada para a produção. O sorteado vinha até o programa, e a equipe da atração trazia a pretendente sem que ela soubesse o motivo.

O patrão cupido 

Antes do encontro, Silvio Santos conversava com o candidato a namorado, buscando apresentar a história para o telespectador, e envolver o público de casa e as colegas de trabalho. Quando o animador conduzia a desinformada convidada para o banco do amor, um cenário todo florido, o casal tinha dois minutos para conversar. Essa era a parte mais legal para quem assistia, pois se divertiam com a timidez do par, tentando falar baixo para não serem ouvidos perante as câmeras.

No melhor estilo cupido, Silvio encerrava a conversa, pedindo à pessoa que enviou a carta para que fizesse a pergunta principal do programa: quer namorar comigo? Na maioria das vezes a resposta foi positiva. Roque entrava em cena com um buquê de flores e o dono do SBT presenteava o novo casal, em nome do programa, com um jantar em um restaurante fino, na localidade a escolher pelos dois.

Porém, as cartas pedindo reconciliação e homenagem na "Porta da Esperança" não paravam de chegar. Silvio Santos resolveu juntar também estes pedidos com os pedidos de namoro, e criou "Em Nome do Amor". "Quer Namorar Comigo?" ficou no ar apenas dois anos, quando foi substituído em 1994. Confira um trechinho deste inesquecível dominical, que antecedia "Topa Tudo Por Dinheiro". Agradecimentos: meliponarioprimavera.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

AMOR E ÓDIO EM RESPLENDOR

Lima Duarte e Renata Sorrah em cena de "Pedra Sobre Pedra"
"Quem é rico mora na praia, mas quem trabalha nem tem onde morar". A novela "Pedra Sobre Pedra", de 1992, é diretamente associada a esse primeiro verso de seu tema de abertura. Mas a trama apresentada pela TV Globo (cujo último capítulo foi ao ar em 1º de agosto daquele ano) ficou conhecida também por diversos elementos do chamado realismo mágico, e o clássico amor impossível, bem ao estilo "Romeu e Julieta".

A história se passava em Resplendor, cidade fictícia localizada na Chapada Diamantina. Só pelo visual natural as imagens já enchiam os olhos. Pilar Batista (Renata Sorrah) e Murilo Pontes (Lima Duarte) disputavam o poder político no município. Não podiam se ver nem pintados de ouro! Porém seus filhos Marina (Adriana Esteves) e Leonardo (Maurício Mattar) se apaixonaram, mesmo os dois disputando a prefeitura do local.

Na verdade, Pilar e Murilo nutriam uma paixão antiga. Ela o abandonou no altar, por pensar que o noivo havia traido. Murilo seguiu carreira política em Brasília, enquanto Pilar casa-se com Jerônimo Batista (Felipe Camargo), inimigo de Pontes. Vinte e cinco anos se passam e a chama desse amor persiste tanto nos filhos, quanto nos pais.

"Pedra Sobre Pedra" também tinha outros personagens inesquecíveis como o fotógrafo Jorge Tadeu (Fábio Jr.). O profissional das lentes conquistou quase todas as mulheres da cidade. As fotografias sensuais feitas com as moças criaram o maior bafafá! Com tanta confusão, Jorge Tadeu acabou sendo assassinado misteriosamente. Mas este não foi seu fim. Em seu túmulo nascia uma flor, na qual as damas que a comessem receberiam a visita da alma tarada... ops, penada!

Uma parceria portuguesa, com certeza!

O assassinato virou um clássico "quem matou" das novelas. O segredo só foi desvendado no último capítulo, é claro! Entre outras, Jorge seduziu Úrsula (Andréa Beltrão), filha da beata Gioconda Pontes (Eloísa Mafalda). O fotografo flagrou a irmã de Murilo Pontes surrupiando obras sacras da igreja da cidade. A beata já não gostava do rapaz, então uniu o útil ao agradável, e pôs fim a vida do conquistador. Quando foi descoberta resolveu se passar por louca, e foi parar num hospício.

Sérgio Cabeleira (Osmar Prado) tinha uma dor de cabeça muito forte, em noites de Lua cheia. Numa dessas noites foi preciso amarrá-lo ao solo para que não saísse flutuando em direção à casa de São Jorge. Miriam Pires, que ficou famosa na pele de Dona Milú em Tieta (mistéééééééério) de 1989, deu vida para Dona Quirina, uma senhora de 120 anos, com a melhor memória da história da teledramaturgia brasileira. A cultura cigana também foi retratada no folhetim, através dos personagens Yago (Humberto Martins) e Vida (Luiza Tomé).

A trama escrita por Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares foi coproduzida pela Globo e pela RTP de Portugal. Por isso teve cenas gravadas em Lisboa e contou com a participação de atores lusitanos. A abertura da novela, outra grande produção do designer Hans Donner, também não sai da lembrança do público. Destaque para a atriz Mônica Fraga, que serviu de modelo para ter sua imagem misturada às paisagens naturais.

Curiosidades: a novela se chamaria Resplendor, mas Ana Maria Moretzsohn guardou a ideia para uma futura trama sua na Globo, "Esplendor". "Pedra Sobre Pedra" foi uma das primeiras novelas a ter apenas músicas nacionais na sua trilha sonora. Destaque para a música Madana Mohana Murari, interpretada por Homem de Bem, o primeiro mantra a liderar as paradas de sucessos nas rádios. Outros talentos também estavam lá como Zé Ramalho, Roberta Miranda e Fagner. Esta foi a última novela de Armando Bogus, que interpretava Cândido Alegria.

Venha matar as saudades dessa novela! Reveja a abertura, as chamadas de elenco e a (quase) partida de Sérgio Cabeleira para a Lua.

Agradecimentos: flaviomaj, FredAstaire2, madlovis, MDDReviva e Memória Globo/TV Globo.







segunda-feira, 4 de outubro de 2010

DUAS DÉCADAS DE MTV


Não se pode deixar de lado o aniversário da primeira TV segmentada do país!

Em 1990, quando a TV brasileira completava 40 anos de existência, os moradores do bairro do Sumaré, em São Paulo, sentiam certo saudosismo. Naquele ano completava-se uma década do fechamento da pioneira TV Tupi. Todos ali presenciaram a tristeza de alguns e a alegria de outros pelo fim da agonia da emisora.

O Grupo Abril ganhou uma concessão de televisão anos antes. Então alugaram o prédio onde antes funcionava a emissora associada. Em parceria com a Viacom, empresa norte-americana, o grupo lança em 20 de outubro a filial brasuca da Music Television Network, ou simplesmente MTV. A primeira emissora "teen" e totalmente musical do país.

A linguagem da MTV sempre buscou um público jovem, e em alguns casos até alternativo. Inovou em formatos e temas. Provocou, ousou, criou e assim conquistou uma audiência cativa. Até quando tentaram tirar os videoclips da programação, a intenção era ser uma opção já que todos tem acesso ao clip antes na internet. Ainda bem que voltaram atrás! Com essa medida foi extinto um dos programas mais antigos do canal, o Disk MTV, mas que renasceu como Top 10 MTV.

Quantos talentos a emissora revelou: Astrid Fontenelle, Gastão Moreira, Maria Paula (a "8ª casseta"), Otaviano Costa, Thunderbird, Cuca Lazarotto, Marina Person, Cazé, Sabrina Parlatore, Adriane Galisteu, Edgar Picolli, Chris Couto, João Gordo e muitos outros. A maioria desses VJs estão em outras televisões, mas foi no humor atual que o canal encontrou mais um caminho para o sucesso, e apostou em caras novas como Marcelo Adnet, Dani Calabresa, Bento Ribeiro, Paulinho Serra, Tatá Werneck, Rodrigo Capella, e vários outros destaques do stand-up comedy nacional.

São 20 anos de sucesso entre o público e também no meio musical. A MTV preparou especiais que relembram a trajetória do canal como A História da MTV e MTV Ano a Ano. Vale a pena conferir não apenas aqueles clips que marcaram época, mas também os programas e esses VJs que hoje seguem fazendo história na telinha (além de se divertir com o visual anos 90 de alguns apresentadores e cantores, é hilário!!!)

Saiba em que horários são exibidos esses especiais no site: http://mtv.uol.com.br/noar/

Agradecimentos: www.mtv.com.br

Confira o primeiro videoclip apresentado pela MTV, em 20 de outubro de 1990!


Garota de Ipanema, com Marina Lima