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sábado, 19 de janeiro de 2013

O BEIJINHO BEIJINHO, TCHAU TCHAU DO XOU

Há 20 anos saía do ar o infantil "Xou da Xuxa"
Tudo tem um começo, meio e fim. Com "Xou da Xuxa", na TV Globo, não foi diferente. Em 31 de dezembro de 1992 a nave Xuxa fez sua última viagem nas manhãs globais. Vamos entender o que aconteceu.

A fórmula lançada em 1986 foi copiada em diversas emissoras do Brasil, e da América Latina. A apresentadora e sua empresária na época, Marlene Mattos, viram uma oportunidade de fazer uma carreira internacional. Após as apresentações na OTI (1989) em Miami, EUA, e no festival de Viña del Mar (1990) no Chile, Xuxa recebeu vários convites para levar o "Xou" para "los bajitos". A loira aceitou o convite da argentina Telefe. "El Show de Xuxa" estreou em 1991, e era retransmitido para 16 países da América Latina.

Em 1992, além do programa argentino, a apresentadora também conduzia o "Xuxa Park", na Espanha. O trabalho iria aumentar a partir do ano seguinte, pois a Rainha iria comandar o "Xuxa" nos Estados Unidos. O ritmo da carreira e o desgaste da fórmula, que se multiplicou pela concorrência, fizeram a apresentadora colocar um ponto final na trajetória do "Xou". A princípio o diretor geral da Globo na época, o Boni, não queria, mas aceitou o pedido. Xuxa passaria a comandar uma atração para toda a família, mas semanalmente.

Contudo o "Xou da Xuxa" não iria acabar sem um especial à altura. No último dia de exibição, Xuxa recebeu as primeiras Paquitas (Andreia Veiga, Andreia Faria, Letícia Spiller e Tatiana Maranhão), recordou os melhores momentos dos seis anos e meio do programa e se emocionou muito ao apresentar pela última vez um musical: Trem da Alegria, que foi a primeira atração na estreia em 1986. O grupo também encerrou a carreira em 1992, no palco do infantil.

Lágrimas rolaram no Fênix

Andreia Veiga, Patricia Marx, Angel e Simony prepararam uma surpresa e cantaram "Não diga adeus", já que diziam na época que a Rainha dos Baixinhos abandonaria seus súditos brasileirinhos. Mas as emoções não pararam por aí. A produção chamou o apresentador J. Silvestre para fazer com Xuxa o programa "Esta é a Sua Vida". Toda a família e amigos da artista compareceram, inclusive seu pai, com quem não falava há cinco anos.

A apresentadora encerrou o programa cantando "Sobreviveremos" e, pela última vez, subiu na nave que povoou o imaginário infantil. O chororô geral tomou conta do Teatro Fênix, e assim também foi na Argentina, em 1993. "Xou da Xuxa" marcou uma geração, que até hoje se lembra de diversos elementos que compunham a atração.

Curiosidades:

  • A música "Amiguinha Xuxa" foi a única executada durante toda existência do "Xou", pelo menos uma vez, além do tema de abertura; 
  • O programa teve exatamente 2000 apresentações. Xuxa cantou no programa nº 1000 que queria descer da nave mais mil vezes.


Te convido para rever a última descida da nave, a homenagem do quarteto de cantoras e a música "Sobreviveremos"

Agradecimentos: sthofen, TajoPezzini, siteworldx e Divulgação/TV Globo





sábado, 15 de dezembro de 2012

MALLANDRAGEM NA GLOBO

Sérgio Mallandro na TV Globo
Há 20 anos saia do ar o programa "Show do Mallandro", na TV Globo. O contrato de Sérgio Mallandro e a emissora carioca durou apenas dois anos e não foi renovado.

O apresentador chegou ao novo canal embalado por seu sucesso no SBT, com "Oradukapeta". Uma das grandes entusiastas da contratação de Sérgio era Xuxa Meneghel, sua amiga desde a adolescência. Seu desafio não era nada pequeno: apresentar um programa de calouros e musicais no horário deixado pelo mestre dos auditórios Abelardo Barbosa, o Chacrinha, falecido três anos antes. Quem dirigia essa ousadia era Boninho, o futuro manda-chuva do reality BBB.

Para não ficar tanto tempo sem aparecer no vídeo, antes da sua estreia, Xuxa e Marlene Mattos, diretora da Rainha dos Baixinhos, convidaram Mallandro para cobrir as férias anuais da apresentadora no "Xou da Xuxa". Deu certo, o apresentador agradou os baixinhos. Com isso, a loirinha o chamou para comandarem juntos o quadro musical "Paradão dos Baixinhos" aos sábados.

Glu-glu no lugar da "Terezinha"

"Show do Mallandro" estreou nas tardes de sábado em 1991, com duas horas, antecedendo a novela das 18h. O programa tinha aspirantes a cantores, jurados, muitas brincadeiras, prêmios e musicais. A loucura era tanta que Sérgio iniciava o programa descendo preso por uma corda, do alto do Teatro Fênix, e se despedia subindo da mesma forma. Já nessa época ele contava com as Mallandrinhas, suas assistentes de palco, muitíssimo mais comportadas do que hoje em dia seriam. O programa não durou muito. 

Com o final da atração semanal, o "Show do Mallandro" passou a ser um infantil que antecedia o "Xou". O esquema era o mesmo da loirinha: brincadeiras, musicais e desenhos. O apresentador era assessorado em cena pelos Paquitos. A direção era de Paulo Netto, primeiro diretor de Xuxa na Globo, e supervisionado por Marlene Mattos. Aliás, nesta época a Rainha, o Mallandro e Marlene trabalharam muito pelo país afora, fazendo muitos shows, e em filmes como "Lua de Cristal" e "Sonho de Verão", este último só com Paquitas e Paquitos.

Com o cancelamento do programa, Sérgio permaneceu três anos fora do ar, até retornar para o SBT. É um artista com a imagem associada a emissora de Silvio Santos. A passagem do apresentador não é muito lembrada pela emissora dos Marinho. Mas a internet está aí para aqueles que não conheciam, e para aqueles que querem matar as saudades! Vejam chamadas do programa de sábado, as Paquitas, Patrícia Marx e Biafra cantando, uma chamada da versão infantil e algumas partes dela, além de sua abertura. Agradecimentos: Brasiltelevision2010, nicolson87, andrearteiro2, 8desetembro, MundoXuxa, afeitosaafeitosa, Emanunes, adreamatheus053 e TV Globo.







quarta-feira, 11 de abril de 2012

O PLANETA DA RAINHA


Há 10 anos saía do ar o "Planeta Xuxa", a última atração realizada pela parceria da Rainha dos Baixinhos com sua ex-empresária Marlene Mattos.

O musical começou em 1994, como um quadro do também extinto "Xuxa Park". Era o bloco final da atração e atendia pelo nome de "Xuxa Hits". Foi um sucesso. A apresentadora viu então a necessidade de separar os dois, já que o "Hits" estava ficando dedicado demais para os adolescentes, e ela gostaria de dedicar o "Park" para os seus baixinhos.

Xuxa foi atendida pela Rede Globo. Em 5 de abril de 1997, a atração passou para os sábados à tarde, e passou a se chamar "Planeta Xuxa". O nome foi sugestão do público a pedido da apresentadora. O programa tinha duas horas e ocupava na grade o espaço que, no passado, foi de Abelardo Barbosa com seu "Cassino do Chacrinha", nos anos 1980.

No palco do "Planeta", Xuxa tinha a companhia de suas Paquitas New Generation, do grupo You Can Dance, da dançarina Adriana Bombom e das gêmeas Mariana e Roberta Richard (as metralhas que a acompanhavam desde o "Xou da Xuxa"). O primeiro cenário lembrava uma danceteria, e todos os grandes nomes da música passaram por ali. A partir de 1998, Xuxa abria a atração saindo de uma bola.

Dois quadros merecem destaque: o "Transformação" e "Intimidade". No primeiro, Xuxa escolhia alguém do auditório para ter seu visual completamente repaginado por uma equipe de cabeleireiros, figurinistas e maquiadores. Os resultados sempre surpreendiam. No segundo, Xuxa mergulhava fundo em uma entrevista bem particular com um convidado famoso. A Rainha dos Baixinhos disse que buscava fazer neste quadro perguntas que nenhum jornalista faria normalmente. Os mais polêmicos foram o ex-jorgador de futebol Renato Gaúcho e o cantor Leonardo, que mostraram a cueca para o público. As mais emocionantes foram com Renato Aragão, o Didi, e Noeli, esposa do cantor Xororó e mãe de Sandy e Júnior.

Com a Copa do Mundo da França em 1998, o "Planeta Xuxa" foi para os domingos, de onde nunca mais saiu. Este ano foi especial para a apresentadora, pois nasceria Sasha, sua única filha, em 28 de julho. Durante a licença-maternidade, vários amigos da loirinha a substituíram no programa: Gabriel o Pensador, Alexandre Pires, Netinho, Terra Samba, Tom Cavalcanti, Zezé di Camargo e Luciano, Claudinho e Buchecha, Daniel, Grupo Molejo, Negritude Júnior e Ivete Sangalo por duas vezes. No ano seguinte foram substituídas as meninas que compunham as Paquitas. O novo grupo era chamado de Geração 2000. Outros grupos de dançarinos também foram lançados no programa como as Garotas do Zodíaco, Manos e Minas e Papaquitos.

Em 2001 um incêndio na nave cenográfica, no final da gravação, destrói o cenário do programa "Xuxa Park", que sai do ar. Duas crianças ficaram gravemente feridas: Thamires Gomes Valleja e Marcos Vinícius Ventura. Xuxa entrevistou as duas mães no primeiro "Planeta Xuxa" daquele ano. Ainda em 2001 foi lançado o especial "Planeta Verão", que convidava artistas famosos e cantores para se apresentarem no programa, diretamente de uma ilha paradisíaca. Os convidados também desfrutavam de comidas típicas da estação e mordomias como massagem e relaxamento. Esse especial também foi ao ar no verão de 2002.

Xuxa já declarou que não se sentia à vontade sendo obrigada a fazer apenas o "Planeta". Sua então empresária e diretora Marlene Mattos não a acompanhava plenamente nos seus projetos infantis, especialmente o CD-DVD "Xuxa Só Para Baixinhos". Antes mesmo do incêndio, a apresentadora já queria reformular o "Park", mas a cabeça de Marlene estava voltada para o programa jovem. A Rainha queria voltar a se dedicar ao público que a consagrou e, para isso, encerrou o "Planeta Xuxa" em 28 de julho de 2002, além de desfazer a sociedade/amizade de quase 20 anos com Marlene Mattos.

Na carreira da loirinha, o sucesso de "Planeta Xuxa" faz dele um dos grandes programas da apresentadora, ao lado de "Xou da Xuxa", na opinião dos fãs. Dez anos depois ainda são muitos os pedidos para a volta da atração. Atualmente, em seu "TV Xuxa", ainda existem quadros de entrevistas e a transformação, mas não como no "redondinho", apelido dado por Xuxa para seu programa.

Para matar as saudades dos fãs, vamos rever um pedacinho do programa de estreia.

Agradecimentos: fadaxuxa, TV Globo


quarta-feira, 21 de abril de 2010

A LOUCA INVESTIDA DE BLOCH: A TV MANCHETE


Neste ano, se viva fosse, a Rede Manchete de Televisão completaria 27 anos. Essa emissora não sai do coração e da lembrança daqueles que acompanharam os seus 16 anos no ar.

A Manchete nasceu da divisão da pioneira Rede Tupi, em 1980. A cadeia de televisão foi dividida em duas. A outra rede virou o SBT, que entrou no ar no mesmo ano da assinatura do contrato, em 1981. Adolpho Bloch, dono da revista Manchete, não tinha pressa em inaugurar sua TV, nem experiência. Mas tinha dinheiro, e estava disposto a investir. Os lemas da emissora eram "A TV do ano 2000" e "TV de primeira classe". De fato a realidade acontecia dessa forma: dos equipamentos até a programação, o canal era de primeira linha!

O prédio sede ficava na Glória, bairro nobre do Rio de Janeiro. O projeto foi assinado por Oscar Niemayer. Coisa fina! A estrutura montada para a Manchete era pra deixar a concorrência babando. Eram as mais modernas câmeras, ampla redação para o jornalismo, e um departamento exclusivo e futurista para a criação de suas vinhetas. Chic, não é? A vinheta do M sobrevoando varios pontos do país, que ficou no ar durante toda a existência da emissora dos Bloch, foi criada neste setor.

A TV ficou pronta dois anos depois do canal de Silvio Santos, em 5 de junho 1983, dia da estréia. Um domingo inesquecível, muito esperado e anunciado pela imprensa. A Rede Manchete entrou no ar com afiliadas em São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e a TV Pampa no Rio Grande do Sul.

Mas o nosso assunto é loucura, e isso não faltou na história da emissora. Uma das primeiras atende pelo nome de Xuxa. Na época ela era conhecida pelos "filmes" que fez, seu trabalho como modelo fotográfico e por ser a namorada de Pelé. Nunca havia segurado um microfone na vida. A sexy simbol foi convidada para comandar uma atração infantil, o Clube da Criança, já com roupas que fariam o biquini de bolinha amarelinha ser muito comportado! Como televisão não é uma ciência exata, deu no que deu!

Também apostou na audiência garantida com programas eruditos, como concertos de música clássica. Mas já nos primeiros anos, desistiu da insana idéia ao ver o baixo IBOPE e a alta dívida que já possuía antes de completar 5 anos de vida. Foi investindo em programas populares que a Manchete conheceu o sucesso. As novelas, com orçamentos astronômicos, histórias grandiosas, são marcos da teledramaturgia brasileira. Kananga do Japão, Amazônia (a primeira novela produzida por kilômetro rodado, já que tinha como cenário o Brasil gigante por natureza), Tocaia Grande, Xica da Silva ("Xica qué sê Sinhá!!!), e claro Pantanal, que abalou a então inabalável audiência global, e foi reprisada quase como Chaves, nos anos seguintes. O jornalismo da emissora fez escola, já que seu forte era a transmissão ao vivo. Se acontecesse algo muito importante, a Manchete parava a programação e cobria o fato o dia inteiro, se fosse preciso . O principal noticiário da casa, o Jornal da Manchete, chegou a ter três edições diárias, com uma hora cada!!! Na mesma época, o Jornal Nacional, na Globo, tinha apenas 30 minutos. Que diferença!

Mas a grande marca era a transmissão do carnaval do Rio de Janeiro! A TV Manchete dava show na cobertura. Experiência herdada da irmã impressa, a revista Manchete, e de Fatos e Fotos, outra publicação da Bloch Editores. Porém o que se via na telinha era uma overdose carnavalesca! A programação parava para as folias de Momo de 31 de dezembro até 28 de fevereiro, isso se a festa não caísse em março!

Eu tenho um carinho especial pela programação infantil do canal. Já que os desenhos animados da Disney, da Warner e Hanna-Barbera estavam na Globo e no SBT, a Manchete investiu em séries japonesas. Ponto para os Bloch!!! Quem viveu aquela época se lembra com saudades de Jaspion, Changeman, Flashman, Black Kamen Rider, Jiraya, Spielvan, Cavaleiros do Zodíaco, Sailor Moon e outros. Foram manhãs e tardes que fizeram muitas crianças felizes. Há quem diga que não se fazem programas ou desenhos como aqueles, mas é difícil afirmar sem o sentimento e o pertencimento àquela época.

No final de sua vida, o que se via na Manchete era a programação alugada para o inesquecível Grupo Imagem, aquele do (011) 1406, das meias Vivarina, das facas Ginsu, mas isso é outra loucura...

A Rede Manchete encerrou suas atividades em 1999, afundada em uma dívida estimada em US$ 300 milhões. No seu lugar entrou a RedeTV! Mas seus fãs não deixaram a história morrer e criam sites que contam a trajetória da Manchete, além de vários vídeos postados no Youtube. Falando em vídeos, fica o protesto pela falta de cuidado com o acervo da emissora, que está se perdendo desde a lacração do prédio da Gloria, no início dos anos 2000. As fitas, com imagens históricas como a estréia de Xuxa, Angélica ou Taís Araújo, em Xica da Silva, estão se deteriorando por causa da ação do tempo e dos fungos, já que não há climatização adequada. Uma loucura para a memória da TV. Apenas as novelas reprisadas pelo SBT e Band foram restauradas. O restante do arquivo está entregue ao mofo.

A Manchete, apesar das decisões erradas, é mais um exemplo de que loucura muitas vezes é confundida com ousadia e inovação. E só não se destaca quem não ousa, quem não cria.