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sábado, 17 de agosto de 2013

NÃO VAMOS PRA CAMA SEM ELE HÁ 25 ANOS

Roberto Carlos foi enrevistado por Jô no SBT
apenas uma vez
Nesta semana, um importante entrevistador comemorou seu jubileu de prata. Jô Soares completou, na última sexta, 25 anos a frente de um talk show. Não era sua primeira experiência com entrevistas na TV. Poliglota, Jô era sempre convocado para ser o interprete das entrevistas internacionais do programa "Hebe", ainda na TV Record, nos anos 1960. Já na emissora de Roberto Marinho, tentou realizar seu sonho do programa de entrevistas através do "Globo Gente", de 1973. Mas não durou nem um ano.

Em 1987, o humorista que comandava com sucesso o programa "Viva o Gordo", queria ter seu talk show, porém a direção do Jardim Botânico não lhe abria espaço para esta atração. Nesta época, o SBT estava em franco crescimento em audiência, e buscava qualificar sua programação, tida pelas agências como "popularesca". Silvio fez a proposta: além de um programa de humor, Jô realizaria seu grande sonho na TVS. O "gordo" não teve dúvidas, se mudou rapidamente para o canal 4 paulistano e, em 16 de agosto de 1988 estreava "Jô Soares Onze e Meia".

A princípio, o apresentador imaginava a atração semanal. Silvio Santos não. O dono da emissora disse que para o programa "pegar" teria que ser diário. E assim se fez. O formato era baseado nos grandes talk show dos Estados Unidos, como o "The Tonight Show". "Jô Soares Onze e Meia" nasceu num momento em que a inteligência de Jô Soares, aliada ao seu bom humor, foram fundamentais tanto para atrair a audiência qualificada que o SBT precisava, quanto para esclarecer o povo sobre os novos rumos que o Brasil estava tomando.

Entrevistas Marcantes

Babi foi escolhida para ocupar o horário do
"Onze e Meia" a partir de 2000
Muitas importantes entrevistas foram realizadas, como com o presidenciável Fernando Collor de Mello (que irritou Jô por só responder as perguntas olhando para a câmera, como num programa político), e também com muitos parlamentares de Brasília, quando estourou o escândalo do esquema PC Farias, e a queda de Collor. Uma das primeiras entrevistas de Xuxa fora da Globo foi com Jô. A última de Raul Seixas também aconteceu lá.

Mas o talk show não ficou só no Brasil. Jô e sua equipe foram até os Estados Unidos em 1994, e de lá comandaram o "Jô na Copa", a única experiência deste tipo na carreira do entrevistador. Aliás, a equipe do programa era um show à parte. O "Quinteto Onze e Meia" era o grande apoio da face humorística das entrevistas. Destaque para o saxofonista Derico (o assessor para assuntos aleatórios) e o baixista Bira, com sua risada inconfundível.

Foram ao todo 6927 entrevistas, que foram de Ayrton Senna e Pelé a Tiririca e a gata da Banheira do Gugu, Luíza Ambiel, além de muitas figuras anônimas , mas curiosas. Após 2309 edições, em 31 de dezembro de 1999, Jô Soares encerra seu ciclo no SBT e retorna para a Globo, com seu talk show mais que consagrado pelo público, com o nome de "Programa do Jô", onde permanece até hoje. Para comemorar a data, a Globo Marcas, numa parceria inédita com a emissora de Silvio Santos, anunciou que neste ano vai lançar um DVD com as melhores entrevistas realizadas pelo apresentador nestes 25 anos. É aguardar.

Curiosidades:

  • Apesar do nome, o programa nunca começou pontualmente às 23:30h, devido às constantes mudanças de horário da programação, a não ser na edição de aniversário de 10 anos, em 1998;
  • O antigo "Quinteto", hoje "Sexteto", era formado basicamente por músicos da orquestra do SBT. Bira, por exemplo, trabalhava com Silvio Santos há mais de 20 anos;
  • "Jô Soares Onze e Meia" iniciou sendo gravado nos estúdios da Vila Guilherme. No começo da década de 1990 foi transferido para os estúdios do Sumaré, e em 1996 passou ser produzido no estúdio 2 do Complexo Anhanguera;
  • Assim como Marília Gabriela, a única celebridade que Jô não conseguiu entrevistar foi Silvio Santos. O dono do SBT sempre foi avesso a entrevistas. Mas o primeiro convidado do "Programa do Jô" na nova casa foi o jornalista Roberto Marinho, presidente das Organizações Globo;
  • O garçom chileno Alex começou no programa em 1991. Em entrevista ao site "Vírgula", ele revela o que Jô Soares bebe na famosa caneca, uma marca registrada do programa. "Semana passada ele tomou um pouco de água, mas ele já tomou até uma sopinha naquela caneca, mas, geralmente, ele toma refrigerante diet", contou Alex;
  • O programa recebeu nove estatuetas do "Troféu Imprensa" como Melhor Programa de Entrevistas da TV (de 1989 a 1996 e no ano 2000).
Não dá pra selecionar uma entrevista dentre as milhares realizadas. Mas a abertura e um trechinho de uma entrevista com o palhaço Torresmo, em 1988, é sempre possível. Agradecimentos: fitasjoia, ajcomenta e rodadosfamosos.


quinta-feira, 16 de maio de 2013

OS 25 ANOS DE VALE TUDO


Beatriz Segall como a eterna vilã
"Não me convidaram, pra esta festa pobre, que os homens armara pra me convencer". Com este verso, composto por Cazuza e com a inesquecível interpretação de Gal Costa, o país parava para assistir a mais um capítulo da novela "Vale Tudo". No dia 16 de maio de 1988 a trama de Gilberto Braga foi lançada às 20h (na verdade 20h30, 20h45, dependendo do "Jornal Nacional") para entrar para a história da teledramaturgia brasileira.

Com o país se redescobrindo, após duas décadas de regime militar, a grande pergunta da novela era se valia a pena ser honesto no Brasil. Tudo porque Maria de Fátima (Glória Pires) queria ser rica de qualquer maneira. Ela era filha de Raquel Accioli, recém-separada do marido Rubinho (Daniel Filho). As duas moram em Foz do Iguaçú-PR, na casa de Salvador (Sebastião Vasconcelos), avô paterno de Maria de Fátima, que passa o imóvel para o nome da neta, para lhe garantir o futuro. Assim que o pai de Raquel morreu, sua filha vende a residência sem consultá-la, e parte para o Rio de Janeiro, em busca de fortuna.

A ex-guia de turismo consegue duplicar sua falta de escrúpulos ao encontrar com César (Carlos Alberto Riccelli), um ex-modelo que vive como garoto de programa. O bonitão faz de Maria de Fátima uma modelo famosa, que quer casar com Afonso Roitman (Cássio Gabus Mendes), herdeiro de uma das maiores fortunas do país, que namorava com a jornalista Solange Duprat (Lídia Brondi). Afonso era filho de Odete Roitman (Beatriz Segall), dona de uma empresa de aviação, a TCA, e mantinha um caso com César. A megera entrou para o seleto clube de piores vilãs da história da TV brasileira.

Raquel não desiste da filha, e parte para a cidade maravilhosa. Lá conhece Ivan (Antônio Fagundes), e também o sucesso. Para sobreviver na capital fluminense, a mãe de Maria de Fátima resolve vender sanduíches naturais nas badaladas praias cariocas. Uma das cenas antológicas da trama é quando mãe e filha se reencontram nas areias mais famosas do país, e fingem não se conhecerem. Ao lado do novo companheiro, Fátima vira dona de uma cadeia de restaurantes, a "Paladar".

Raquel ganha o mundo

A dupla de protagonista se repetiu em 2002, em
"Desejo de Mulher" (Globo) 
Muitas tramóias e esquemas de corrupção e jogo sujo acontecem na história, até o final feliz de Raquel e Ivan, que no meio da conversa até se casou com a filha de Odete, a alcoólatra Heleninha (Renata Sorrah), por causa de mais uma arapuca criada pela empresária e a norinha Maria de Fátima.

Mas o que o país inteiro queria saber mesmo era "Quem matou Odete Roitman???" A identidade do autor dos três disparos era mais importante do que os motivos, afinal a empresária era odiada por toda a novela, e mais o país inteiro! O mistério começou no capítulo 193, no dia 24 de dezembro. A milionária foi assassinada com três tiros, e a dúvida ficou no ar até o fianl da trama. Falando assim, parece que a revelação do assassino levou un 50 dias para acontecer, mas na verdade, o público ficou sabendo que Leila (Cassia Kiss) havia cometido o crime por engano apenas 13 dias depois do ocorrido.

"Vale Tudo" conquistou o Brasil e o mundo. Foi exibida em mais de 30 países. Por aqui, o folhetim foi reapresentado em 1992, no "Vale a pena ver de novo". Esta novela foi uma das primeiras a ser adaptada para o mercado latino. "Vale Todo" foi resultado da parceria entre a Globo e a Telemundo, emissora com programação em espanhol da rede americana NBC nos Estados Unidos, em 2002. A história não repetiu o mesmo êxito da versão original.

Curiosidades:

  • Laís (Cristina Prochaska) e Cecília (Lala Deheinzelin) viveram um casal homossexual. Embora fosse 1988, e estivéssemos às portas da nova Constituição e da nova República, a velha censura deu o ar da sua graça, e retalhou vários diálogos das personagens;
  • Beatriz Segall e Glória Pires ganharam, entre outros, o Troféu Imprensa como melhor atriz de 1988. A melhor novela também ficou com "Vale Tudo";
  • A rede de restaurantes naturais de Raquel inspirou os cubanos. O sucesso da novela, exibida por lá em 1995, fez com que os patriotas de Fidel montassem estabelecimentos iguais aos da personagem, assim que o presidente de Cuba autorizou a população a abrir pequenos negócios. Esse modelo de restaurante é conhecido na ilha por "Paladar";
  • O assassinato da maior vilã da teledramaturgia nacional rendeu uma audiência de 81 pontos, com picos de 92. No último capítulo, quando o mistério seria revelado, o Brasil parou e a Globo marcou 86 com picos de 94. Até caldo de galinha fez concurso para premiar o telespectador que acertasse o nome da assassina! A média geral da novela foi de 56 pontos no IBOPE.
É bom ver que, de lá pra cá, algumas coisas melhoraram no Brasil. Já existe político quase indo pra cadeia por corrupção. Mas talvez a pergunta de Gilberto Braga, diante de certas situações, ainda é pertinente: "Vale a pena ser honesto no Brasil?" Que a sua consciência responda. Enquanto isso, vamos rever a abertura e algumas cenas deste clássico da nossa TV. Fonte: Guia Ilustrado TV Globo Novelas e Minisséries. Agradecimentos: Paula Rabello, Aurélio Araújo, cesarbrandi, gilbertobragaonline, cantinhodenotícias e Divulgação/TV Globo.











sábado, 13 de abril de 2013

PROMESSA DE SUCESSO

Gravada em dois meses, "O Pagador de Promessas" teve
supervisão de Daniel Filho
Neste mês de Abril, uma minissérie de grande sucesso na telinha e na telona completa 25 anos de sua exibição pela Globo. "O Pagador de Promessas" tem autoria do dramaturgo Dias Gomes, com direção da cineasta Tizuka Yamasaki. A estreia aconteceu em 5 de Abril de 1988.A trama foi inspirada na peça, de mesmo autor, originalmente escrita em 1960.

Zé do Burro (José Mayer) vê seu burro Nicolau sofrer um grave acidente, e ficar entre a vida e a morte. Desesperado, faz uma promessa para Iansã (Santa Bárbara, na religião católica): se o burro ficasse bem,  carregaria uma cruz nas costas, desde a sua roça, no interior da Bahia, até a Igreja de Santa Bárbara, na capital do estado. Nicolau se salvou e começa a saga de Zé do Burro para pagar a promessa.

O posseiro não estava sozinho. Sua esposa, Rosa (Denise Milfont) o acompanhou durante toda a jornada. O padre Olavo (Walmor Chagas), responsável pela igreja da santa em Salvador, impede Zé de entrar no templo. O sacerdote alegava que a promessa fora realizada num terreiro de candomblé. Nem adiantou o homem dizer que era temente a Deus. O padre foi firme em sua decisão, mas Zé também era, e não iria embora sem cumprir o que havia prometido.

O bafafá se instalou. Zé do Burro ganha apoio popular, especialmente de membros do candomblé, que até começam a aclamá-lo como santo e mártir. Padre Olavo decide ouvir outras opiniões de colegas sacerdotes. Uns veem a atitude do pároco da Igreja de Santa Bárbara como um ato político, mas também havia quem criticasse o sincretismo religioso do marido de Rosa.

Censura impiedosa

 A minissérie teve locações em Monte Santo e Salvador, na Bahia 
O problema se arrasta até o dia da festa da padroeira do templo, em 4 de dezembro. Uma procissão é realizada e Zé vé aí a oportunidade de finalmente pagar sua promessa. A essa altura do campeonato até a polícia local já estava envolvida na história. O padre novamente impediu a entrada do peregrino. Em meio a toda essa confusão na porta da igreja, Zé é baleado e morre na escadaria. O povo comovido coloca o corpo em cima da cruz que ele carregou, e o leva para dentro da igreja.

Em 1988 a censura também foi tão dura quanto o sacerdote baiano da história. A princípio com 12 capítulos, "O Pagador de Promessas" teve 4  cortados pelos censores. A produção tratava de temas delicados como as lutas contra grandes latifundiários. O debate também se instalou dentro da Igreja, entre os padres conservadores e os padres progressistas, representados na telinha pelo padre Mário (Felipe Pinheiro).

Curiosidades:

  • A TV Globo já havia apresentado este texto antes como teleteatro, em 1974, dentro do "Fantástico";
  • A história ganhou fama graças a sua versão cinematográfica, realizada em 1962. Com direção de Anselmo Duarte, o filme que tem o mesmo título da peça teatral e da minissérie, ganhou a Palma de Ouro em Cannes naquele ano;
  • José Mayer sabia do projeto e queria estrelar a produção. Não teve dúvidas: ao encontrar com Dias Gomes na emissora ao telefone, interrompeu a ligação e tentou convencer o autor a lhe dar o papel. Diante da insistência do ator, o encaminhou para fazer um teste para o protagonista, e passou;
  • A minissérie foi o primeiro trabalho de Tizuka Yamasaki na televisão;
  • "O Pagador de Promessas" foi vendida para vários países, reapresentada em 1991 e em 1999, como homenagem ao seu autor, que falecera no mesmo ano. Está disponível em DVD desde 2010.
Vamos conferir a abertura deste sucesso da nossa TV! Fontes: Guia Ilustrado TV Globo - Novelas e Minisséries e Memória Globo. Agradecimentos: minisserietv e TV Globo.

sábado, 22 de maio de 2010

JÔ SOARES 11:30

Gugu Liberato sendo entrevistado no "Jô Soares 11:30"
A única coisa que não mudou foi a inconstância no horário. O atual Programa do Jô na Globo não tem hora certa para começar como seu embrião, o Jô Soares 11:30 no SBT.

Vamos voltar a 1988, quando o humorista queria dar novos rumos para sua carreira, mas não encontrava esse espaço na emissora de Roberto Marinho. Ele comandava o bem sucedido Viva o Gordo, porém queria também um programa de entrevistas com humor, idêntico aos modelos americanos. Silvio Santos queria nomes de peso (sem nenhuma referência a forma física do Jô) para dar qualidade para sua emissora. Já tinha contratado a Hebe, o Carlos Alberto de Nóbrega e chamado o Gugu de volta. O Homem do Baú viu a grande chance de ter Jô Soares realizando seu sonho. Foi assim que em 16 de agosto de 1988 estreou o Jô Soares 11:30. O humorista também comandava o Veja o Gordo, seu último programa com personagens.

Já naquela época, Silvio mexia na grade de programação diariamente. Por isso o programa de entrevistas nunca começou às 23:30. A atração era animada pelo som do Quarteto Onze e Meia, que depois virou Quinteto Onze e Meia. Hoje é apenas o Sexteto. Mas sempre teve duas participações hilárias: Derico, o AAA (Assessor para Assuntos Aleatórios) e o Bira, com sua risada inconfundível. Todos eles eram da orquestra do SBT, que atuava em diversos programas, como o Show de Calouros.

Jô Soares 11:30 teve um papel importante na história política brasileira. Por lá passaram os primeiros candidatos à presidência, após a ditadura, os integrntes da CPI que provocou a queda do então presidente Fernando Collor e os grande nomes do poder nacional e internacional. Mas Também muitos artistas passaram pelo Talk Show. Um dos mais lembrados é o ator Carlos Villagran, o Quico do seriado Chaves. Pelo sofá do gordo também passaram nomes do esporte como Ayrton Senna e Pelé.

Após 11 anos, Jô retorna para a Globo. No dia 31 de dezembro de 1999, no último programa, os convidados foram Carlos Alberto de Nóbrega, Hebe e Gugu. Algumas das loucuras do programa: a eterna curiosidade dos convidados e do público em saber o que Jô bebia na famosa caneca, e o único dia em que a atração foi ao ar no horário, no último programa.

Boa parte do público que acompanhou esta fase prefere as pautas dessa época, pois o SBT não tinha o elenco global para rechear o programa. Exigia jogo de cintura. É muito mais facil levar entrevistados quando é na Globo, mesmo com a inconstãncia e o tardio horário (tem dia que vai ao ar às 1:45 da manhã, quase um Bom Dia Jô!). Para mim o Jô Soares 11:30 marcou época e ficará na memória dos fãs de TV feita com criatividade. Um beijo do Gordo... quero dizer, do louco!

sábado, 10 de abril de 2010

BRASIL, MOSTRA A SUA... LOUCURA!

Novela é uma loucura nacional. Todo mundo curte, apesar da crise atual que o formato vive. Foram muitas obras memoráveis, dentre elas Vale Tudo, exibida pela Globo entre 1988 e 1989.

O Brasil vivia uma época bem complicada, com o fim da ditadura, e o país aprendendo a ser uma democracia. A grande pergunta dessa trama de Gilberto Braga, autor do grande sucesso Escrava Isaura, era o quanto vale a pena ser honesto nesta nação.

Quem tem aproximadamente 30 anos, assim como eu (que loucura...), deve ser lembrar do show de interpretação de Regina Duarte e Glória Pires. Elas interpretavam Raquel Accioli e Maria de Fátima, mãe e filha respectivamente. Raquel era trabalhadora enquanto Maria de Fátima queria ser rica a qualquer custo, tanto que vendeu a casa onde a mãe morava para fugir com a grana para o Rio de Janeiro. Não satisfeita, topou separar a mãe e seu novo amor, para se casar com o filho da milionária Odete Roitman, brilhantemente vivida por Beatriz Segall. Até hoje as pessoas a reconhecem pela personagem, inclusive trocando o nome da atriz.

É justamente em Odete que está a loucura desta novela. A mulher era o cão chupando manga. Uma das maiores vilãs da história da teledramaturgia brasileira. Seu assassinato na novela foi o grande mistério de 1988. O crime só foi desvendado em janeiro de 1989, mas até aí o Brasil só queria saber QUEM MATOU ODETE ROITMAN!!! Claro que matar um personagem marcante e levar meses para revelar não era algo novo na TV, tanto que continuou a ser feito após Vale Tudo. Mas a loucura está na mobilização comercial em torno da pergunta. Diversas promoções de emissoras de rádio, revistas, bolões e até mesmo empresas alimentícias, pagariam prêmios incríveis para quem acertasse o nome da criatura que tornou mais feliz a vida da personagem de Regina Duarte.

Foram gravados cinco finais diferentes. A edição do capítulo tão esperado foi realizada minutos antes de ir ao ar. Mais uma vez o país parou para ver um capítulo de novela. Me lembro que ninguém perto de casa estava vendo outra coisa, a não ser a resposta da famosa questão QUEM MATOU ODETE ROITMAN. De outra coisa que me lembro é que nessa trama só a personagem de Beatriz Segall se deu mal. Os outros vilões ficaram muito bem. Maria de Fátima ficou rica, casada com um italiano e levou o cúmplice-amante-brazuca César, vivido por Carlos Alberto Ricelli, a tira-colo. E claro, a cena clássica da banana (o gesto!) de Marco Aurélio, interpretado por Reginaldo Faria, que fugiu após aplicar um golpe financeiro com malas de dinheiro num jatinho (puxa, naquela época não se tinha a criatividade de hoje, com dinheiro em cuecas e meias!).

As loucurasprovocadas por Vale Tudo romperam fronteiras. Na novela, após ficar sem a casa, Raquel vai vender sanduíche na praia e, como era de se esperar, vence na vida e monta um restaurante chamado "Paladar". Em Cuba, quando aconteceu a abertura econômica, a história estava sendo exibida. E em 1990 os primeiros restaurantes privados, ainda pequenos, foram batizados de "Paladar"!

Mas afinal, QUEM MATOU ODETE ROITMAN??? Para quem não sabe, não lembra, ou não foi procurar no Youtube, quem assassinou a jararaca com três tiros, por engano, foi Leila, vivida por Cássia Kiss. Que motivo ela tinha? Nenhum. Ela achou que Odete na verdade era Maria de Fátima, que também tinha um caso com seu marido Marco Aurélio. Que bela alpinista social essa Maria, não é?

Vale Tudo marcou uma geração, está na memória daqueles que assistiram depois do JN, e sua reprise no Vale a Pena Ver de Novo, tem seu espaço garantido estre as principais novelas da teledramaturgia brasileira e, é claro, foi uma grande loucura deste povo alucinado por uma boa novela. Agradecimentos: TV Globo.