sábado, 25 de maio de 2013

FASCINAÇÃO DEBUTANTE

Antes de "Fascinação", Regiane era
 atriz de teatro, e chegou a estudar publicidade
O público do SBT sempre curtiu um bom dramalhão, regado com muitas lágrimas e sofrimento de uma linda mocinha, que ao final acaba nos braços do seu amado e vive feliz para sempre. Hoje, uma destas tramas completa 15 anos de sua estreia: "Fascinação". Escrita por Walcyr Carrasco, o mesmo autor da atual novela das 21h "Amor à Vida" na Globo, esta novela tem todos os ingredientes de uma tradicional novela mexicana.

A história se passa na década de 1930 (um ponto forte na dramaturgia da emissora, nos anos 1990, eram as produções de época). Regiane Alves, estreando como protagonista, vive Clara, uma jovem professora, filha de um leiteiro e uma dona de casa. De origem humilde, a moça conhece Carlos Eduardo (Marcos Damigo), filho de Melânia da Silva Prates (Glauce Graieb), uma importante figura da sociedade. Os Silva Prates vivam apenas da imagem de ricos. Estavam à beira da falência, e Melânia queria arrumar logo uma moça rica para casar com seu filho mais velho. Clara e Carlos Eduardo se encontraram pela primeira vez no baile de formatura da jovem, e ali, uma cigana profetizou que eles seriam muito felizes juntos, porém antes passariam por maus bocados.

De fato, os dois se apaixonaram com o tempo, e o rapaz até prometeu casamento. Diante da jura, Clara decide se entregar ao seu primeiro homem, e acaba engravidando. Ao descobrir o fato, o mundo desaba na cabeça da professora. Quando ficou sabendo da história, Melânia contratou um gigolô, Alexandre (Heitor Martinez), que armou para separar Clara de Carlos Eduardo, forjando ser o pai da criança. Pior foi quando o pai da jovem soube da gravidez! Enfurecido, o leiteiro José (Breno Bonin) expulsa a filha de casa.

Alexandre leva a mocinha para um prostíbulo e, para completar o plano de Melânia, Carlos Eduardo descobre, se decepciona e casa-se com Berenice (Samantha Monteiro). A matriarca dos Silva Prates já estava de olho nessa rica moça, que também estava apaixonada por seu filho. Quando o bebê de Clara nasce, o gigolô rapta a criança. Alexandre força a moça a trabalhar no bordel, do contrário nunca mais veria seu filho.

Correria para gravar

Capa do CD da trilha sonora, que tinha Nana Caymmi cantando
o tema-título
Muitas lágrimas e sofrimentos rolam neste folhetim, até que Clara ganha uma bolada de herança de um cliente que conheceu na casa de Madame Therèze (Adriana Ridolfi). Era Manoel Gouveia (Luís Carlos de Moraes), tutor de Berenice, que a essa altura já era alcoólatra, já que seu casamento com Carlos Eduardo era tão falso quanto nota de R$3,00. Cheia da grana, a mocinha dá a volta por cima, descobre todas as armações de Melânia, e se encarrega pessoalmente de deixar a megera na rua da amargura. Depois de tudo esclarecido, enfim, pôde viver seu amor com Carlos Eduardo e, com a morte de Berenice, casou-se e junto com seu filho viveu feliz para sempre!!!

Walcyr Carrasco escreveu esta novela após o sucesso de "Xica da Silva" na Manchete. O autor assinava como Adamo Angel. O tempo de produção de "Fascinação" é recorde: foram apenas quatro meses para gravar os 142 capítulos. Os atores tinha em média 30 cenas por dia. Para auxiliar, e dar mais agilidade às gravações, o elenco passou a usar o ponto eletrônico, um aparelho quase imperceptível na orelha, para o diretor soprar as falas. Tanta pressa tinha uma razão: Silvio Santos queria que a novela estreasse junto com "Torre de Babel", na Rede Globo. Mas não houve muito tempo de confronto direto. Com a contratação de Ratinho no mesmo ano, a novela do SBT passou a concorrer mais com o "Jornal Nacional" do que com o folhetim de Silvio de Abreu.

Curiosidades:

  • "Fascinação" não seria exibida no Brasil. A novela seria dublada e vendida para o México, mas depois que Silvio Santos assistiu alguns capítulos, decidiu que passaria no SBT;
  • Como era prática da emissora gravar novelas inteira antes de exibi-las, a história de Clara e Carlos Eduardo furou a fila de outras duas produções que já estavam prontinhas para irem ao ar há algum tempo ("Pérola Negra" e o remake de "O Direito de Nascer");
  • A produção foi vendida para mais de 20 países, inclusive Romênia e Ucrânia;
  • Além de Regiane Alves e Marcos Damigo, Mariana Ximenes também teve seu primeiro papel de destaque nesta trama. Ela interpretava Emília, filha de Manoel Gouveia, que era apaixonada pelo segundo filho de Melânia, o seminarista Gustavo (Caio Blat). As cenas do casal eram hilárias;
  •  Foi a primeira produção dramaturgica brasileira a usa o ponto nas gravações;
  • A novela se chamaria "Alma Gêmea", mas Walcyr não desistiu do título, e usou em 2005 em um de seus folhetins das 18h, na Rede Globo;
  • "Fascinação" foi reapresentada duas vezes, em 2004 e em 2011.

Vamos conferir algumas cenas desta inesquecível novela. Agradecimentos:mineironoveleiro, Simone5fulHD, MDDSbt e Divulgação/SBT.











quinta-feira, 16 de maio de 2013

OS 25 ANOS DE VALE TUDO


Beatriz Segall como a eterna vilã
"Não me convidaram, pra esta festa pobre, que os homens armara pra me convencer". Com este verso, composto por Cazuza e com a inesquecível interpretação de Gal Costa, o país parava para assistir a mais um capítulo da novela "Vale Tudo". No dia 16 de maio de 1988 a trama de Gilberto Braga foi lançada às 20h (na verdade 20h30, 20h45, dependendo do "Jornal Nacional") para entrar para a história da teledramaturgia brasileira.

Com o país se redescobrindo, após duas décadas de regime militar, a grande pergunta da novela era se valia a pena ser honesto no Brasil. Tudo porque Maria de Fátima (Glória Pires) queria ser rica de qualquer maneira. Ela era filha de Raquel Accioli, recém-separada do marido Rubinho (Daniel Filho). As duas moram em Foz do Iguaçú-PR, na casa de Salvador (Sebastião Vasconcelos), avô paterno de Maria de Fátima, que passa o imóvel para o nome da neta, para lhe garantir o futuro. Assim que o pai de Raquel morreu, sua filha vende a residência sem consultá-la, e parte para o Rio de Janeiro, em busca de fortuna.

A ex-guia de turismo consegue duplicar sua falta de escrúpulos ao encontrar com César (Carlos Alberto Riccelli), um ex-modelo que vive como garoto de programa. O bonitão faz de Maria de Fátima uma modelo famosa, que quer casar com Afonso Roitman (Cássio Gabus Mendes), herdeiro de uma das maiores fortunas do país, que namorava com a jornalista Solange Duprat (Lídia Brondi). Afonso era filho de Odete Roitman (Beatriz Segall), dona de uma empresa de aviação, a TCA, e mantinha um caso com César. A megera entrou para o seleto clube de piores vilãs da história da TV brasileira.

Raquel não desiste da filha, e parte para a cidade maravilhosa. Lá conhece Ivan (Antônio Fagundes), e também o sucesso. Para sobreviver na capital fluminense, a mãe de Maria de Fátima resolve vender sanduíches naturais nas badaladas praias cariocas. Uma das cenas antológicas da trama é quando mãe e filha se reencontram nas areias mais famosas do país, e fingem não se conhecerem. Ao lado do novo companheiro, Fátima vira dona de uma cadeia de restaurantes, a "Paladar".

Raquel ganha o mundo

A dupla de protagonista se repetiu em 2002, em
"Desejo de Mulher" (Globo) 
Muitas tramóias e esquemas de corrupção e jogo sujo acontecem na história, até o final feliz de Raquel e Ivan, que no meio da conversa até se casou com a filha de Odete, a alcoólatra Heleninha (Renata Sorrah), por causa de mais uma arapuca criada pela empresária e a norinha Maria de Fátima.

Mas o que o país inteiro queria saber mesmo era "Quem matou Odete Roitman???" A identidade do autor dos três disparos era mais importante do que os motivos, afinal a empresária era odiada por toda a novela, e mais o país inteiro! O mistério começou no capítulo 193, no dia 24 de dezembro. A milionária foi assassinada com três tiros, e a dúvida ficou no ar até o fianl da trama. Falando assim, parece que a revelação do assassino levou un 50 dias para acontecer, mas na verdade, o público ficou sabendo que Leila (Cassia Kiss) havia cometido o crime por engano apenas 13 dias depois do ocorrido.

"Vale Tudo" conquistou o Brasil e o mundo. Foi exibida em mais de 30 países. Por aqui, o folhetim foi reapresentado em 1992, no "Vale a pena ver de novo". Esta novela foi uma das primeiras a ser adaptada para o mercado latino. "Vale Todo" foi resultado da parceria entre a Globo e a Telemundo, emissora com programação em espanhol da rede americana NBC nos Estados Unidos, em 2002. A história não repetiu o mesmo êxito da versão original.

Curiosidades:

  • Laís (Cristina Prochaska) e Cecília (Lala Deheinzelin) viveram um casal homossexual. Embora fosse 1988, e estivéssemos às portas da nova Constituição e da nova República, a velha censura deu o ar da sua graça, e retalhou vários diálogos das personagens;
  • Beatriz Segall e Glória Pires ganharam, entre outros, o Troféu Imprensa como melhor atriz de 1988. A melhor novela também ficou com "Vale Tudo";
  • A rede de restaurantes naturais de Raquel inspirou os cubanos. O sucesso da novela, exibida por lá em 1995, fez com que os patriotas de Fidel montassem estabelecimentos iguais aos da personagem, assim que o presidente de Cuba autorizou a população a abrir pequenos negócios. Esse modelo de restaurante é conhecido na ilha por "Paladar";
  • O assassinato da maior vilã da teledramaturgia nacional rendeu uma audiência de 81 pontos, com picos de 92. No último capítulo, quando o mistério seria revelado, o Brasil parou e a Globo marcou 86 com picos de 94. Até caldo de galinha fez concurso para premiar o telespectador que acertasse o nome da assassina! A média geral da novela foi de 56 pontos no IBOPE.
É bom ver que, de lá pra cá, algumas coisas melhoraram no Brasil. Já existe político quase indo pra cadeia por corrupção. Mas talvez a pergunta de Gilberto Braga, diante de certas situações, ainda é pertinente: "Vale a pena ser honesto no Brasil?" Que a sua consciência responda. Enquanto isso, vamos rever a abertura e algumas cenas deste clássico da nossa TV. Fonte: Guia Ilustrado TV Globo Novelas e Minisséries. Agradecimentos: Paula Rabello, Aurélio Araújo, cesarbrandi, gilbertobragaonline, cantinhodenotícias e Divulgação/TV Globo.











quinta-feira, 2 de maio de 2013

A REDENÇÃO DA EXCELSIOR

Fernando (Francisco Cuoco) e Ângela (Miriam
Mehler): final feliz
Num  dia 2 de maio, de 1968, chegava ao fim um grande sucesso da teledramaturgia brasileira, e um recorde para a história da nossa TV. A novela "Redenção" foi planejada para ter apenas cem capítulos, mas a trama de Raimundo Lopes, com direção de Waldemar de Moraes e Reynaldo Boury, caiu nas graças do público telespectador da TV Excelsior.

A novela tinha como personagem principal o médico Fernando Silveira (Francisco Cuoco). Ele chegava ao município de Redenção, e a pose de galã arrebatou três corações de uma vez só: Lola (Márcia Real), Marisa (Lourdes Rocha) que era a filha má do prefeito Juvenal (Rodolfo Meyer), e Ângela (Miriam Mehler), a filha do sapateiro Carlo (Vicente Leporace).

Um mistério rondava o médico recém chegado a cidade: o que queria o jovem doutor naquele lugar? Esse segredo foi mantido durante todo o folhetim. Fernando havia ido embora de lá muito pequeno, após o assassinato de seu pai. Formou-se em medicina e retornou a localidade com o objetivo de descobrir quem havia matado o pai. Silveira conseguiu desvendar o crime: o alcoólatra Mário (Newton Prado) foi o assassino.

Pioneirismo médico

"Redenção" também foi responsável por avanços da medicina ainda inéditos no Brasil da época. Durante a história, a carismática fofoqueira Dona Maroca (Maria Aparecida Baxter) morreu, e o público reclamou. A personagem dava graça à novela, com suas intrigas e fuxicos. O autor Raimundo Lopes resolver repetir na ficção o feito do renomado doutor Christiaan Barnard, através do médico protagonista. Barnard foi o responsável, em 1967, pelo primeiro transplante de coração do mundo. Aqui no Brasil, mesmo que na ficção, doutor Fernando foi o primeiro a realizar
tal cirurgia, e a primeira paciente foi Dona Maroca, que voltou à vida de fofocas em Redenção. Na vida real, o doutor Euryclides de Jesus Zerbini foi pioneiro nos transplantes cardíacos em nosso país, em 25 de maio de 1968, meses depois da novela.

Maroca (Maria Aparecida Baxter):
primeira transplantada na ficção
A produção também é responsável pela primeira cidade cenográfica da televisão brasileira. Era composta por três ruas, algumas casas, prefeitura, praça com um obelisco, igreja, delegacia, mercearia, um pequeno hotel e um boteco. A área total era de nove mil metros quadrados, e ficava localizada atrás dos estúdios de cinema da Vera Cruz, em São Bernardo do Campo-SP.

O sucesso desta novela da TV Excelsior foi tamanho que , até hoje, nenhum outro folhetim atingiu o mesmo número de capítulos. São 596 no total. A estreia aconteceu em 16 de maio de 1966. Você pode pensar: "Ah, mas já tiveram novelas que duraram mais tempo, como "Chiquititas" no SBT, e a "Malhação", que está há 18 anos no ar!!!" Sim, mas essas produções tiveram seus elencos e histórias renovadas a cada temporada, e "Redenção" segue o estilo clássico de novela. O elenco principal foi mantido do começo ao fim.

Curiosidades:

Extensão da Estrada de Ferro Sorocaba custou ao município 100 milhões de cruzeiros
  • A prefeitura do município de São Bernardo pagou a construção de uma extensão da Estrada de Ferro Sorocaba até a cidade cenográfica da novela. A intenção era fazer do local um ponto turístico, após o fim das gravações. E assim foi. Hoje, no local, existem a Cidade da Criança e a Cidade da TV;
  • Uma vila de casas construídas próximas da cidade cenográfica ganhou o nome da novela: Vila Redenção.
Vamos rever algumas imagens da mais longa novela brasileira. Ah, e sabe com quem ficou o médico, no final da história? Fernando casou-se com Ângela. Também vale a pena conhecer um pouco mais da trajetória da nossa telinha na Cidade da TV. Saiba mais em http://www.museudatv.com.br/cidadedatv/site/. Agradecimentos: Arquivos1000 e Museu da TV.



sábado, 27 de abril de 2013

ESPECIAL RECORD 60 - HUMOR PRESENTE HÁ 60 ANOS

Manoel de Nóbrega e Golias eternizaram a "Praça" no canal 7
Rir é sempre o melhor remédio, mas também é uma receita antiga na televisão brasileira. Nos 60 anos que a TV Record completa em 2013, muitos dos maiores nomes passaram pela emissora e deixaram sua marca registrada com muitas gargalhadas.

Humoristas do nível de Chico Anysio e Pagano Sobrinho já alegraram noites especiais do canal 7 paulistano. O pioneiro do stand-up brasileiro, José Vasconcellos também se apresentou nos palcos da estação. Mas alguns dos clássicos do humor televisivo nacional nasceram ou se consagraram na Record.

Enquanto hoje em dia todo mundo sai de baixo quando uma família muito unida e ouriçada aparece por aí, o público já rolou de rir, e muito, com a "Família Trapo". Com redação de Carlos Alberto de Nóbrega e Jô Soares, o humorístico tinha um elenco de feras: Otello Zeloni, Renata Fronzi, Ricardo Corte Real, Cidinha Campos, Jô Soares e Ronald Golias. O programa ia ao ar ao vivo, direto do Teatro Record, e fez tanto sucesso que várias personalidades participaram da atração. Até Pelé teve uma passagem pra lá de especial, sendo aluno de Golias.

A "Praça" não nasceu no canal 7, mas se consolidou por lá! Manoel de Nóbrega trouxe todo seu elenco e o banco mais famoso do Brasil. Entre os personagens mais famosos, estão a Velha Surda, o Homem de Itú, o Letrado, o mendigo Caro Colega, e muitos outros. Este programa também era escrito pelo atual apresentador da "Praça é Nossa" do SBT, assim como "Bronco Total", estrelado por Golias e Carlos Alberto de Nóbrega.

Dercy e Tom

Tom Cavalcanti ficou na Record de 2004 a 2011
Um programa que misturava música e humor era "Corte Rayol Show". Comandado pelo humorista Renato Corte Real e o cantor Aguinaldo Rayol, a atração era exibida às sextas-feiras, e fez muito sucesso nos dois anos em que esteve no ar. Enquanto um levava o público às lágrimas através da emoção da sua voz, o outro fazia a platéia chorar de rir.

Nem mesmo a primeira dama da comédia poderia faltar na trajetória brilhante da Record. Dercy Gonçalves fez uma paródia do clássico teatral "A Dama das Camélias" no centro da capital paulista, em 1982. Outro marco da nossa telinha que passou pela emissora da Barra Funda foi a "Escolinha do Barulho", trazendo  de volta à ativa figurinhas inesquecíveis do humor nacional.

Já que o formato de "sitcom" familiar nasceu na casa, a emissora lançou dois programas do gênero, nos anos 2000: "Família Record", que reunia todo o elenco da TV, e "Louca Família", com um grupo de atores e comediantes integrantes do "Show do Tom". Aliás, Tom Cavalcanti foi o último grande humorista a brilhar no canal. Este cearense fez muito sucesso com as paródias "Bofe de Elite" (Tropa de Elite), onde colocou o ator Alexandre Frota usando botas cor-de-rosa, "De Mais Pra Você" (Mais Você, da Globo) com Ana Maria Bela, "Ridículos" (Ídolos, da Record) e outros.

Curiosidades:

  • Jô Soares e Carlos Alberto escreviam juntos a "Família Trapo", mas separados. Após decidirem o tema central do programa, cada um ia pra sua casa e escrevia a metade exata do roteiro. Nunca houve nenhum problema;
  • A "Escolinha do Barulho" era uma produção independente, realizada em parceria com a GGP, empresa de Gugu Liberato, na época no SBT, hoje nos domingos da Record.


Após seis décadas de muitas risadas, o canal 7 paulistano tem muito o que comemorar, e gargalhar por seu sucesso. Mas ainda tem muita piada para ser contada. Por enquanto, vamos rever a participação de Pelé na "Família Trapo" e a "Dama das Camélias" de Dercy Gonçalves. Agradecimentos: 93Fr1, SpeedMerchants e TV Record.




sábado, 13 de abril de 2013

PROMESSA DE SUCESSO

Gravada em dois meses, "O Pagador de Promessas" teve
supervisão de Daniel Filho
Neste mês de Abril, uma minissérie de grande sucesso na telinha e na telona completa 25 anos de sua exibição pela Globo. "O Pagador de Promessas" tem autoria do dramaturgo Dias Gomes, com direção da cineasta Tizuka Yamasaki. A estreia aconteceu em 5 de Abril de 1988.A trama foi inspirada na peça, de mesmo autor, originalmente escrita em 1960.

Zé do Burro (José Mayer) vê seu burro Nicolau sofrer um grave acidente, e ficar entre a vida e a morte. Desesperado, faz uma promessa para Iansã (Santa Bárbara, na religião católica): se o burro ficasse bem,  carregaria uma cruz nas costas, desde a sua roça, no interior da Bahia, até a Igreja de Santa Bárbara, na capital do estado. Nicolau se salvou e começa a saga de Zé do Burro para pagar a promessa.

O posseiro não estava sozinho. Sua esposa, Rosa (Denise Milfont) o acompanhou durante toda a jornada. O padre Olavo (Walmor Chagas), responsável pela igreja da santa em Salvador, impede Zé de entrar no templo. O sacerdote alegava que a promessa fora realizada num terreiro de candomblé. Nem adiantou o homem dizer que era temente a Deus. O padre foi firme em sua decisão, mas Zé também era, e não iria embora sem cumprir o que havia prometido.

O bafafá se instalou. Zé do Burro ganha apoio popular, especialmente de membros do candomblé, que até começam a aclamá-lo como santo e mártir. Padre Olavo decide ouvir outras opiniões de colegas sacerdotes. Uns veem a atitude do pároco da Igreja de Santa Bárbara como um ato político, mas também havia quem criticasse o sincretismo religioso do marido de Rosa.

Censura impiedosa

 A minissérie teve locações em Monte Santo e Salvador, na Bahia 
O problema se arrasta até o dia da festa da padroeira do templo, em 4 de dezembro. Uma procissão é realizada e Zé vé aí a oportunidade de finalmente pagar sua promessa. A essa altura do campeonato até a polícia local já estava envolvida na história. O padre novamente impediu a entrada do peregrino. Em meio a toda essa confusão na porta da igreja, Zé é baleado e morre na escadaria. O povo comovido coloca o corpo em cima da cruz que ele carregou, e o leva para dentro da igreja.

Em 1988 a censura também foi tão dura quanto o sacerdote baiano da história. A princípio com 12 capítulos, "O Pagador de Promessas" teve 4  cortados pelos censores. A produção tratava de temas delicados como as lutas contra grandes latifundiários. O debate também se instalou dentro da Igreja, entre os padres conservadores e os padres progressistas, representados na telinha pelo padre Mário (Felipe Pinheiro).

Curiosidades:

  • A TV Globo já havia apresentado este texto antes como teleteatro, em 1974, dentro do "Fantástico";
  • A história ganhou fama graças a sua versão cinematográfica, realizada em 1962. Com direção de Anselmo Duarte, o filme que tem o mesmo título da peça teatral e da minissérie, ganhou a Palma de Ouro em Cannes naquele ano;
  • José Mayer sabia do projeto e queria estrelar a produção. Não teve dúvidas: ao encontrar com Dias Gomes na emissora ao telefone, interrompeu a ligação e tentou convencer o autor a lhe dar o papel. Diante da insistência do ator, o encaminhou para fazer um teste para o protagonista, e passou;
  • A minissérie foi o primeiro trabalho de Tizuka Yamasaki na televisão;
  • "O Pagador de Promessas" foi vendida para vários países, reapresentada em 1991 e em 1999, como homenagem ao seu autor, que falecera no mesmo ano. Está disponível em DVD desde 2010.
Vamos conferir a abertura deste sucesso da nossa TV! Fontes: Guia Ilustrado TV Globo - Novelas e Minisséries e Memória Globo. Agradecimentos: minisserietv e TV Globo.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

QUARENTA ANOS DE GRANDES REPORTAGENS

Chapellin apresenta o jornalístico há 16 anos consecutivos
Mais do que um programa, o "Globo Repórter" estabeleceu um padrão para a grande reportagem em televisão. O jornalístico completa hoje 40 anos no ar. A equipe da emissora queria mais liberdade para mostrar o Brasil aos brasileiros, diferente da visão militarista de "Amaral Neto Repórter".

Com a guerra do Vietnã acontecendo, o diretor Paulo Gil e seus profissionais resolveram produzir um documentário sobre o combate, utilizando apenas imagens fornecidas pela embaixada americana. O programa foi ao ar em 3 de abril de 1973, após passar pelo crivo dos censores da época. Mesmo assim, no dia seguinte, militares foram até a TV Globo questionar o documentário, que exibia imagens dos derrotados e abatidos soldados do "Tio Sam". Quem salvou a pele dos jornalistas foi o Marechal Odílio Denys que ligou para Roberto Marinho e pedia para que repetissem a atração. O militar queria que seus netos vestibulandos assistíssem ao programa para estarem prontos para a prova.

Um dos temas mais curiosos das primeiras edições foi o Odorico Paraguaçú da vida real. Teodorico Bezerra era dono de uma fazenda em Pernambuco. A propriedade foi transformada por ele em vila e "curral eleitoral". Os moradores viviam de graça, em troca de obediência cega a Teodorico. O coronel estabeleceu regras como a proibição de bebidas, danças, cigarro, jogo e a obrigação de votar nele. As "leis" eram anunciadas por alto-falantes no alto de todos os postes da fazenda, e estavam pintadas em todas as casas do local. A censura não barrou a exibição da reportagem.

Até o seu primeiro ano, os temas abordados eram produzidos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Os documentários eram todos narrados por um único locutor. Em 1982 os repórteres e cinegrafistas, como testemunhas oculares da reportagem, passaram a conduzir as reportagens. José Hamilton Ribeiro, jornalista respeitado por todas as suas matérias realizadas na revista "Realidade", foi o primeiro a aparecer no "Globo Repórter".

Edições especiais

O jornalístico passou a contar também com a emoção do repórter diante do imprevisto. Em 1998 Rodrigo Vianna realizava uma reportagem sobre profissionais que se arriscavam em operações de salvamento. Seu cinegrafista José de Arimatéia registrava imagens de um experiente policial civil suspenso por um helicóptero, enquanto Vianna preparava seu texto para ler no ar. De repente o policial cai de uma altura equivalente a um prédio de dez andares. A câmera gravou a queda e a reação espantada do repórter. A matéria foi ao ar, sem mostrar o impacto no chão.

"Globo Repórter" viaja pelo Brasil e o mundo a fora, em busca de histórias e curiosidades inteeressantes. O jornalístico também apresentou furos, como a denúncia da ex-primeira dama do município de São Paulo Nicéa Pitta. Na entrevista concedida a Chico Pinheiro, a ex-esposa do então prefeito Celso Pitta declarou que o antigo companheiro comprou vereadores para "abafar" um processo de impeachment, além de dar vantagens para determinadas empresas em licitações públicas.

O programa nem sempre é exibido em rede nacional. Em ocasiões especiais, a Globo abre espaço para que as afiliadas apresentem edições especiais, como nos casos das comemorações dos aniversários da RPC-TV do Paraná, e da RBS-TV no Rio Grande do Sul. Embora ultimamente o jornalistico tenha dado muita ênfase a temas que envolvam saúde ou natureza, "Globo Repórter" se tornou uma referência, sendo copiado pelas emissoras concorrentes.

Curiosidades:
  • Inspirado no programa "60 Minutes", da americana CBS, o jornalístico começou seguindo o modelo de "Globo Shell Especial";
  • A primeira edição foi apresentada por Sérgio Chapellin. Outros apresentadores passaram por lá, como Eliakim Araújo e Celso Freitas;
  • "Globo Repórter" era um programa mensal, e já foi apresentado às terças e quintas-feiras;
  • "Freedom of expression", de J.B. Pickers é a canção usada como tema de abertura;
  • O programa ficou fora do ar por cinco meses em 1981, e seis meses em 1982, devido a outros eventos comprados pela Globo, como a Copa do Mundo.
Vamos rever algumas das aberturas deste programa. Fontes: Almanaque da TV Globo, Almanaque da TV, g1.com/globoreporter. Agradecimentos: Agentev12 e TV Globo.

quarta-feira, 27 de março de 2013

ESPECIAL RECORD 60 - PALMAS PARA ELES!!!

Mestre de cerimônias, Blota tem a cara da Record

Alô, Terezinhaaaa!!! A Record é coisa nossa!!! Nestes 60 anos milhares de telespectadores conheceram os auditórios da emissora. Outros milhões assistiram e se divertiram com os programas produzidos nos teatros que a estação já ocupou. Por suas telas, os melhores apresentadores e animadores já passaram e fizeram história. Mais fácil é dizer quem não começou ou não esteve na Record.

Dois nomes são muito lembrados na história do canal 7 paulistano, quando falamos de shows com plateia: Blota Jr. e Randhal Juliano. Esses profissionais já eram contratados pela Rádio Record e passaram a comandar atrações com o público admirador dos cantores e dos comunicadores. Em especial, Blota comandou "Esta Noite Se Improvisa", uma competição entre artistas que fazia muito sucesso nos anos 1960. Também apresentava a entrega do "Troféu Roquete Pinto", os festivais e o mensal "Show do dia 7".

A atriz Bibi Ferreira comandava o "Bibi Sempre aos Domingos", um grande sucesso na TV. Mas a filha do ator Procópio Ferreira precisou se ausentar. Para substitui-la, Hebe Camargo foi convidada a voltar para a telinha, após ter se casado e ter seu único filho Marcelo. Assim, em 1966, a Record lança "Hebe Sempre aos Domingos", que virou o famoso "Hebe". Suas entrevistas no sofá, uma novidade na época, renderam 80% de audiência.

O Velho Guerreiro também esteve lá. Após sair da Globo em 1971, Chacrinha passou por várias emissoras, e uma delas foi o canal 7. Seu substituto na Excelsior, Edson Cury, levou suas boletes para a Record e lançou "A Hora do Bolinha". Esse programa de calouros e números músicais foi o modelo para seu maior sucesso, o "Clube do Bolinha", na Band. Um instante, maestro! Flávio Cavalcanti, o criador do júri na TV, deixou sua marca na Record nos anos 1970.

Ana, Fausto e Silvio

Gugu na inauguração do Teatro Record no "Programa Ana Maria Braga"
Em 1977, o homem do Baú torna-se mais do que apresentador do "Programa Silvio Santos" e "Silvio Santos Diferente". Sócio de Paulo Machado de Carvalho, Silvio foi dono do canal, até 1989. O animador possuía secretamente as ações da empresa desde 1971. Neste período, era possível ver seus programas transmitidos pela Tupi, e depois pelo SBT, além da Record em São Paulo.

Mas este não foi o único membro da atual guerra dos domingos que esteve na emissora da Barra Funda. Fausto Silva, o Faustão, levou o "Perdidos na Noite" para a estação em 1984, meses após a estreia na TV Gazeta. O sucesso o encaminhou para a Rede Bandeirantes.

Cantores que apresentam não são novidade em TV. Ronnie Von comandou programas em duas oportunidades: nos anos 1960, com "O Pequeno Mundo de Ronnie Von" e "Sinal de Vida". Outra cantora que animou auditórios foi Sula Miranda, já nos anos 1990. Fábio Jr. esteve à frente de "Sem Limites Pra Sonhar" (1998), que posteriormente ganhou seu nome.

Seguindo a linha da Rainha da TV, Ana Maria Braga teve seu talk show, ou mehor, seu "big show" como dizia a chamada da época, sempre nas noites de terça-feira. Coube a apresentadora inaugurar o novo Teatro Record, na Barra Funda, em 1998. Márcio Garcia e Rodrigo Faro são dois atores que viraram apresentadores comandando "O Melhor do Brasil", programa das tardes de sábado que substituiu uma quase "prata da casa".

Pegue seu banquinho...e ligue na Record!

Raul Gil no comando de "Tamanho Família"
Raul Gil possui aproximadamente 50 anos de carreira na TV. Alguns deles na Record. Foram várias passagens ao longo desse período. A importância de Raul na emissora era tamanha, que seu programa foi escolhido para ser o primeiro exibido em cores pelo canal 7.

A mais importante contratação nesta área da Record sem dúvida foi Gugu Liberato, em 2009. Após 28 anos de SBT, e 35 anos ao lado ex-dono do canal 7, Gugu foi apontado como o sucessor natural de Silvio Santos. Sua chegada à nova casa foi cercada de muitos comentários na mídia especializada, e no palco, repleta de novidades tecnologicas e investimentos pesados. Tudo para brigar pelo primeiro lugar.

Muitas emoções foram vividas nos auditórios da Record. Muitos outros nomes passaram por lá, tantos que um post apenas é muito pouco, talvez até mesmo um blog. Nestes 60 anos, o canal 7 conquistou uma legião de admiradores, e frequentadores assíduos de seus programas. A emissora merece uma salva de palmas de todos os telespectadores!

Curiosidades:
  • O primeiro programa de auditório de Eliana na casa foi "Eliana no Parque", em 1998, também aos domingos;
  • Milton Neves comandou um game show com plateia, onde os participantes que errassem as perguntas caiam num buraco. "Roleta Russa" (2003) tem um formato muito parecido com o usado pelo "Quem Fica em Pé?", de José Luiz Datena na Band.
  • O programa "Ratinho Livre", que lançou Carlos Massa nacionalmente em 1997, não começou com auditório. No começo, poucas pessoas acompanhavam a atração no estúdio. O número de espectadores começou a aumentar gradativamente, até que foi necessária a mudança para um estúdio com plateia, construido para o programa;
  • Alexandre Frota comandou o juvenil "Galera", diretamente do novo Teatro Record na Barra Funda, em 1998, com Juliana Garavatti;
  • O canal 7 paulistano foi a última estação onde Otaviano Costa comandou um programa de auditório, o "Bahia 50 graus", em 2004. Antes havia comandado "Domínio Público" (2001), "Jogos de Família" (2002) e "No Vermelho" (2002);
  • O quadro "A Sua Festa é Nossa", hoje comandado por Rodrigo Faro, foi criado dentro do "É Show" (2000) com Adriane Galisteu.

A gente já conferiu rapidamente em vídeos a participação de Blota nos Festivais, ao lado de sua esposa e também apresentadora Sônia Ribeiro. Vamos agora rever esse grande comunicador conduzindo a entrega do "Troféu Roquete Pinto". Agradecimentos: CanalMemória e Divulgação/TV Record.