quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

ESPECIAL RECORD 60 - A MÚSICA ESTÁ NO AR

Elis e Jair em "O Fino da Bossa"
"Prepare o seu coração, para as coisas que eu vou contar". A Record deve muito dos seus 60 anos de sucesso à música popular brasileira, mas o cenário musical também deve ser muito grato ao canal 7 paulistano. Desde o seu começo em 1953, a emissora sempre valorizou e revelou cantores, cantoras e conjuntos nacionais e internacionais.

Já na sua inauguração, Sandra Amaral e Hélio Ansaldo apresentam o musical "Grandes Espetáculos União" (naquela época o patrocinador dava o nome para muitas atrrações, como o "Repórter Esso"). Os primeiros anos do canal foram marcados pelo glamour dos grandes nomes que se apresentavam pelos quatro cantos do mundo, e vinham para a Record com absoluta exclusividade: Bill Halley e seus Cometas, Sarah Vaughan, Louis Armstrong, Steve Wonder, Nat King Cole, Marlene Dietrich, Rita Pavone, Amália Rodrigues e muito mais.

A Rádio Record já possuía sob contrato grandes cantores brasileiros, e eles também garantiram seu espaço no programa "Astros do Disco", com Randal Juliano. A atração trazia também os grandes campeões de venda para cantar seus sucessos nas noites de Sábado da TV. Foi em "Astros do Disco" que surgiu o Troféu Chico Viola, um dos mais importantes da música, na época.

Os anos 1960 foram dourados, graças ao casamento entre a Record e a MPB. A partir de 1963, quando a novela brasileira passou a ter capítulos diários, os folhetins viraram uma febre, da qual o Brasil não se curou até hoje. Na época, Tupi e Excelsior eram as grandes produtoras do gênero. Paulo Machado de Carvalho Filho, herdeiro do fundador e diretor artístico da casa, juntamente com sua equipe de produtores, dentre eles o autor Manoel Carlos e o diretor Nilton Travesso, criou uma faixa de musicais que entrou para a história da televisão.

É uma "brasa" cantar no 7!!!

Roberto Carlos no palco do Teatro Record
A "pimentinha" Elis Regina e Jair Rodrigues comandavam "O Fino da Bossa". Os novos nomes da MPB, surgindo pela Bossa Nova, se apresentavam semanalmente no Teatro Record. Artistas como Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maysa, Vinícius de Moraes, Nara Leão, Maria Bethânia etc, marcavam presença na atração. Os saudosistas se deliciavam com os convidados dos cantores Elizete Cardoso e Ciro Monteiro em "Bossaudade". Elizete também comandou o "Sambão", onde o ritmo do morro tomava conta da telinha. Outro cantor que também ganhou programa na Record foi Wilson Simonal, que apresentava o "Show em Si...monal".

A moçada curtia carrões, brilhantina, e iê-iê-iê no programa "Jovem Guarda". Roberto Carlos, Erasmo Carlos (o "tremendão) e Wanderlea (a "ternurinha") traziam todos os domingos os lançamentos que a galera ouvia no rádio. Jerry Adriani, Waldirene, Eduardo Araújo, Os Vips, Silvinha, Martinha, e muitos outros eram recebidos aos gritos pela histérica plateia juvenil. Este programa nasceu em 1965 para preencher a lacuna deixada pelo futebol à tarde, já que a emissora tinha sido proibida de transmitir os jogos para não esvaziar os estádios. A atração foi tão forte que o movimento ganhou o nome de Jovem Guarda.

Não dá pra falar em MPB na TV sem ao menos citar os Festivais da Música Popular Brasileira. Até hoje, os melhores foram produzidos pelo canal 7 paulistano. De 1966 a 1969 o cenário musical nacional foi transformado, e nunca mais foi o mesmo. Grandes nomes e inesquecíveis canções nasceram naqueles teatros e são referência para novos talentos até hoje. De Hebe Camargo a Tom Zé, de Agnaldo Rayol a Chico Buarque, de Elis Regina a Roberto Carlos, todos os "mosntros sagrados" passaram por aqueles palcos.

"'Caba' não, mundão!!!"

Marcelo Costa recebe Wanderlea no "Especial Sertanejo"
Os comunicadores populares, que ganharam fama trazendo cantores em seus programas, também tiveram espaço na Record. Chacrinha e Bolinha, com seus inigualáveis estilos, também deram suas contribuições a essa história.

O sertanejo também não foi esquecido pela emissora. Inezita Barroso foi a primeira mulher a ter um programa solo no canal 7, trazendo seus convidados que cantavam o que havia de melhor na chamada "música raíz". Com a evolução do gênero, outros apresentadores surgem como Geraldo Meireles e, mais tarde, o cantor Marcelo Costa com seu "Especial Sertanejo". Renato Barbosa apresentou a parada de sucessos "Quem Sabe... Sábado" e também produziu "Amigos & Sucessos", onde um artista apresentava os maiores êxitos de sua carreira, recebia convidados, e ganhava uma homenagem de amigos e familiares.

Nos últimos dez anos, a televisão deixou um pouco de lado o gênero puro deste tipo de atração. Os cantores Chitãozinho & Xororó foram os últimos a apresentar na emissora um programa neste estilo, o "Raízes do Campo". Mas a história da Record mostra que, se bem produzido, uma musical pode valer muito mais do que mil imagens. No mês que vem, falamos sobre os programas de auditório.

Pra matar a saudade, vamos ver a apresentação de "Disparada", com Jair Rodrigues, e "A Banda", de Chico Buarque, as finalistas do festival de 1966. Diante do impasse, os jurados decidiram que as duas músicas eram as vencedoras daquele ano, um empate que nunca mais se repetiu na história. Agradecimentos: Bruno Kampel, naramaielis e TV Record.






domingo, 24 de fevereiro de 2013

CRÍTICA: O DESAFIO DO GUGU

Aproveitando a estreia, Gugu adotou um visual mais esportivo
Neste Domingo, a Record estreou o quadro "Desafio Musical", a nova versão do clássico "Qual é a Música", apresentado por Silvio Santos durante quase 20 anos. A disputa entre artistas foi gravada por Gugu Liberato durante a semana, e exibida no final de seu  programa dominical. O restante da atração foi ao ar ao vivo, seguindo a mecânica usada para a "Escolinha do Gugu".

Somente duas provas eram desconhecidas do público: "Kazoo", uma espécie de apito, na qual os convidados cantarolam canções que estão ouvindo por um fone, e "Foto Musical", onde os participantes, ao escolherem uma fotografia poderiam tentar adivinhar o nome da música do artista estampado ou passar a pergunta para o time adversário.

Vale ressaltar o esforço da produção em fazer com que o "Desafio Musical" em nada lembrasse o quadro conduzido pelo dono do SBT de 1976 a 1991, com volta entre 1999 e 2002 e um último retorno em 2007. Todos os jogos receberam nova roupagem. Não tem três interpretes para o jogo dos versos (apenas uma), muito menos os famosos dubladores maquiados. Até a participação da plateia foi repaginada. Duas assistentes de palco, com um microfone cada, iam até as moças do auditório que sabiam as respostas corretas.

O visual dos quadros foi modernizado. No lugar da orquestra, um DJ disparava todas as músicas usadas nas brincadeiras, inclusive as notas do leilão, a disputa final da atração. Porém algumas coisas foram mantidas, como o trio masculino e feminino que se enfrenta, e a clássica pergunta ao DJ-maestro: qual é a música?

Não é a primeira vez que a emissora da Barra Funda adapta um programa estrangeiro, já conhecido por aqui. Em 2009, o canal 7 comprou os direitos de "O Preço Certo". Apresentado pelo ator Juan Alba e pela jornalista Débora Santilli, o game show foi exibido diariamente nas tardes da programação, até meados de 2010. Mas esta atração já havia sido produzida no Brasil também por Silvio Santos, na década de 1980, inclusive com o mesmo título. 

Silvio Brito, Silvio Santos e Fafá de Belém na versão de 1976

A aquisição de "Name That Tune" (Nome desta música), o formato original da atração, é a resposta que a Record deu a uma pesquisa com telespectadores, sobre o "Programa do Gugu". O público quer o apresentador mais presente no palco do Teatro Record, e a participação maior de artistas convidados.

A audiência correspondeu durante a "novidade". Pouco tempo depois de encerrado o dominical, o diretor Homero Salles, em seu Twitter, anunciou que a atração terminou "com o dobro da terceira colocada, a quatro décimos da líder". Mas não foi o suficiente para deter Eliana e o SBT. Segundo dados preliminares, a loirinha fechou com 6,8 de média contra 5,9 da Record. A Globo liderou no período com 12,9.

Quando o apresentador surgiu na emissora de Silvio Santos como sucessor do patrão, a imagem de Gugu era idêntica a do homem do Baú. Até mesmo o microfone era o mesmo! O que o diferenciava eram as novidades que trazia no "Viva a Noite". Os quadros bolados pela equipe e pelo ex-produtor eram diferentes, mas mantinham a essência popular de Silvio. Gugu foi contratado com 14 anos pela sua criatividade.

Ainda é muito cedo para dizer se a estratégia será vencedora. Televisão é hábito. Apostar em uma atração já conhecida e consagrada é algo arriscado. O público pode se cansar muito rapidamente, ou não. Sem contar as inevitáveis comparações. Mas já é positivo o fato do programa não encerrar com lágrimas dos quadros emocionantes que vinha trazendo ultimamente. O telespectador quer terminar seu final de semana com bom humor. Afinal, tristeza por tristeza, basta lembrar que a Segunda está chegando!

Imagens: UOL e Divulgação/TV Record.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

CRÍTICA: VALE A PENA FAZER DE NOVO?

A família Bozo está de volta aos sábados do SBT
A estreia do "novo" palhaço Bozo no SBT, na manhã deste sábado, não é apenas mais uma das decisões incompreendidas de Silvio Santos. O resgate do infantil, que foi sucesso há 30 anos, é uma tendência de algumas emissoras no mundo: não arriscar em novidades.

De uns anos pra cá, vários canais de televisão tem lançado mão de textos antigos, formatos engavetados, e em algumas situações reprises puras e simples, para suprir a falta de criatividade de seus atuais roteiristas, ou a aposta em sangue novo. Você pode alegar que sempre fizeram isso. E mais, pode até me criticar: "como um jornalista que escreve sobre história da TV pode achar ruim o resgate de programas antigos?"

Calma, eu me explico. Entrevistando a ex-repórter do "Aqui Agora" Magdalena Bonfiglioli, em um dado momento, ela me disse por que não sentia saudades do telejornal popular do SBT. "Não posso sentir saudades de algo que cumpriu o seu papel e fez sucesso no seu tempo. O passado é útil demais para pautar o presente e criar o futuro. Mas o futuro deve ser criado", disse a jornalista.

Diante de um novo público, conectado à internet e com uma variedade de opções muito maior do que há 20 anos atrás, a TV aberta prefere recorrer à memória afetiva dos telespectadores. Os mais recentes remakes de novelas da Globo são antigos sucessos das 19h, uma faixa dedicada principalmente a um público mais jovem. Seus clássicos, como "O Astro", "Gabriela" e futuramente "Saramandaia" são exibidas após a primeira linha de shows, às 23h, próximo do horário da reprise de outros novelões no canal pago Viva, também da Globo.

Muitas pessoas assistem a essas produções também por influência de quem já as viu antes. Aqueles que já conhecem, querem ver se vai haver algo novo, ou se a história será mantida como a original. No caso do SBT, produtos do seu principal gênero, os programas de auditório, vez por outra voltam com nova roupagem. São vários os exemplos: "Fantasia", "TV Animal", "Roda a Roda", e o sucesso que surpreendeu a todos, a novelinha "Carrossel".

O crescimento das novelas da Record aconteceu com o remake de "A Escrava Isaura". Em seus auditórios, também já voltou a antiga "Corrida Maluca" com Gugu, e o apresentador se prepara para assumir o formato original do "Qual é a Música" de Silvio Santos. A Band também tem planos de resgatar um dos programas do dono do SBT, passando para José Luiz Datena o comando de "Quem Quer Ser um Miionário", conhecido por aqui como "Show do Milhão".

Não há problema algum em trazer de volta atrações que foram sucesso. Isso atrai ao mesmo tempo um público novo e os eternos fãs, como é o caso do Bozo. Mas também mostra que os executivos das emissoras possuem receio de apostar em novidades. Não dá pra viver só de passado, e não investir em novos talentos, capazes de reinventar a televisão. Serão esses profissionais que farão TV para seus contemporâneos, e as futuras gerações, e que poderão deter a queda livre da audiência.

Em tempo: o palhaço mais famoso do mundo estreou seu programa solo na vice-liderança. Segundo dados prévios, a atração empatou com a Record, com 4,3 pontos de média. A Globo liderou com 7,2. Imagem: Divulgação/SBT.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

A ESTREIA DE FLÁVIO CAVALCANTI NO SBT

Flávio Cavalcanti foi repórter de jornal e estreou na TV em 1955
Em seu segundo ano de existência, o SBT, atendendo popularmente pelo nome de TVS, já era vice líder de audiência em todo o Brasil. Mas seu faturamento não correspondia a todo esse IBOPE. A razão estava no mercado publicitário e em sua programação. A grade da emissora era considerada popularesca, e não popular. Os anunciantes não queriam ver seus produtos associados a atrações como "O Povo na TV" e "O Homem do Sapato Branco". Silvio Santos disse, certa vez, que fazia televisão para vender carnês do Baú, e que agora era necessário vender anúncios para sustentar o canal.

A direção monta uma boa equipe de comercialização e passa a qualificar sua programação. Para isso, resolveu contratar os melhores comunicadores do país. Um dos primeiros a integrar o novo time do SBT, em 1983, foi o apresentador Flávio Cavalcanti. Conhecido de outras emissoras, polêmico e amado ao mesmo tempo, Flávio aceita o convite de Silvio, e passa a apresentar um programa que levava o seu nome, às quintas feiras. Antes, o comunicador comandou o "Boa Noite Brasil" por um ano, na TV Bandeirantes.

Na TVS, trás de volta quadros de grande sucesso de sua trajetória, como "Um Instante, Maestro". Este espaço era dedicado principalmente à crítica musical. No passado, ficaram famosas as cenas do apresentador quebrando discos no palco, que considerasse de má qualidade. Pioneiro no uso de um júri em TV, os membros desta bancada também participavam do "Flávio Debate", onde discutiam um assunto de repercussão nacional. Ex-repórter do jornal carioca "A Manhã", o apresentador sempre fez questão de trazer o jornalismo ao seu programa. O semanal também apresentava diversas curiosidades ao público, como desfiles e revelações do cenário musical.

Em 1986, o desejo do apresentador era encerrar sua carreira artística e curtir a aposentadoria no seu futuro hotel, numa praia brasileira. Não deu tempo. Durante o programa, Flávio chama o intervalo como sempre fez: ergue o dedo indicador para o alto e diz "nossos comerciais, por favor". No bloco seguinte, ele não havia voltado. Wagner Montes foi pego de última hora, e encerrou a atração. O titular sofreu uma isquemia miocárdia aguda no palco, foi levado ao hospital e, quatro dias depois, faleceu, aos 63 anos. Como homenagem ao colega, o SBT de luto, saiu do ar por quase 24 horas. A programação só voltou a ser exibida após o sepultamento de Flávio Cavalcanti.

Curiosidades:

  • Não era a primeira vez que Flávio trabalhava para Silvio Santos. Em 1976 o apresentador comandava o programa de calouros "Um Instante, Maestro", na TVS-Rio;
  • José Messias, hoje jurado de Raul Gil, foi produtor e diretor de Flávio em algumas emissoras;
  • Sônia Abrão participou muitas vezes dos debates do programa, quando ainda era apenas uma colunista do jornal "Notícias Populares".
Veja abaixo alguns trechos do "Programa Flávio Cavalcanti", além do resumo feito pelo "Festival SBT 30 anos" e o depoimento de Sônia Abrão, que estava presente no último programa do apresentador. Como estamos no carnaval, assista também uma apresentação de marchinhas clássicas, exibido na atração com a orquestra regida pelo maestro Milani. Agradecimentos: claudiard1981, Ricardo Lippi, Estudio Danças do Mundo, Monica Poplawski, Guilherme Guidorizzi e SBT.











quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

AS GÊMEAS DE TUPI E GLOBO

Eva Wilma, Carlos Zara e a dublê da atriz em 1973
Uma das obras primas da novelista Ivani Ribeiro terá dupla comemoração neste ano: "Mulheres de Areia". A trama estreou originalmente em 26 de março de 1973, pela Rede Tupi de Televisão. Vinte anos depois, a Globo produz um remake, com elementos da novela "O Espantalho"(TV Record, 1977), escrita pela mesma autora. O primeiro capítulo da nova versão foi ao ar em 1º de fevereiro de 1993, com Glória Pires interpretando as gêmeas Ruth e Raquel. As irmãs litorâneas foram vividas por Eva Wilma nos anos 1970.

Duas mulheres lindas, de aparência absolutamente idêntica mas de personalidades totalmente contrárias, e um só amor: o empresário Marcos Assunção (Carlos Zara na Tupi, e Guilherme Fontes na Globo). Enquanto Ruth é doce, amável, compreensiva e ama de verdade o jovem milionário, Raquel é fria, má, egoísta e é realmente apaixonada pelo dinheiro do rapaz. A ambiciosa moça enfrenta tudo e todos, inclusive sua bondosa irmã e o pai de Marcos, o prepotente Virgílio Assunção (Em 1973 Cláudio Correa e Castro e em 1993 Raul Cortez).

Guilherme Fontes e Glória Pires estrelaram versão de 1993
As gêmeas sofrem um acidente em alto mar, e Raquel é dada como morta. Ruth ocupa seu lugar para não ver jovem viúvo triste pela morte da esposa, já que acreditava que Marcos de fato gostava da vilã, e também desfrutar um pouco do seu amor. Mas a gêmea má está mais viva do que nunca, e quer vingança contra todos que estiverem no seu caminho, principalmente sua irmã, a usurpadora (calma, ainda estamos tratando de Ivani Ribeiro)!!!


"Rutinha" ganha prêmio

Marcos Frota viveu o escultor apaixonado



Merece destaque o personagem Tonho da Lua, um rapaz com deficiência mental, que tinha duas paixões na vida: esculpir mulheres na areia da praia e sua protetora Ruth, que o defendia de Raquel. Quem deu vida ao Tonho da primeira versão foi Gianfrancesco Guarnieri. O ator Marcos Frota interpretou o escultor nos anos 1990. No final da história, mesmo com as tentativas da gêmea materialista de separar sua irmã de Marcos, o casal termina junto, e a víbora morre num acidente de carro. Vaso ruim é difícil de quebrar, mas quebra!!!

Tanto Eva quanto Glória tiveram que trabalhar pelo menos 4 vezes a mais do que qualquer ator na novela. Elas viveram as gêmeas, Ruth se passando por Raquel e vice-versa! Quando as irmãs apareciam juntas, suas cenas eram sempre mais complicadas e demoradas para gravar. Em 1973, a técnica era o cartão. Com a câmera travada, tapava-se com um cartão preto metade da lente, e gravava somente um lado da cena, com apenas uma personagem. Depois cobria-se o lado contrário da lente, para captar a outra protagonista. O trabalho maior era do editor de VT para montar a cena completa. A tecnologia ajudou um pouquinho, na versão global. Glória gravava usando uma tela azul de fundo que, na edição, era substituída pela sua imagem gravada antes. É o chamado Chroma key (cor chave), técnica muito usada em TV pela previsão do tempo dos telejornais.

Curiosidades:

  • As duas artistas que protagonizaram "Mulheres de Areia" ganharam, entre outros, o Troféu Imprensa de melhor atriz. Em 1973, Regina Duarte foi eleita pela votação dos jornalista pelo papel de Cecília em "Carinhoso" (TV Globo, 1973), mas deu seu prêmio para Eva Wilma como reconhecimento pelo trabalho pioneiro na TV;
  • A trilha sonora da novela da Tupi foi um sucesso de vendas, porém os temas de alguns  personagens como Alaor e Raquel (cantado por Elis Regina) não foram incluídos no disco;
  • Infelizmente restaram poucos capítulos completos do folhetim de 1973. Dos 253 produzidos pela emissora associada, 21 se encontram na Cinemateca Brasileira;
  • A história de Ivani Ribeiro rompeu fronteiras, e foi sucesso até na Rússia! Quando chegou a  eleição de lá, para impedir que as pessoas viajassem no dia do pleito, um feriado, o governo russo programou a exibição do último capítulo da trama para o dia da votação;
  • O remake global foi reapresentado duas vezes, em 1996 e 2011.
  • Em cenas onde Ruth e Raquel contracenavam, Glória gravava primeiro como Ruth. O profissionalismo e atenção da atriz foram fundamentais para uma continuidade e edição perfeitas das cenas.
Vamos conferir a primeira abertura, cenas da primeira versão, a abertura da Globo e cenas da produção de 1993. Agradecimentos: Victor Santos, Marcio Uchôa, Elizeubonitao, e TV Globo.








domingo, 27 de janeiro de 2013

ESPECIAL RECORD 60 - OS SÍMBOLOS DE UMA HISTÓRIA

Logotipo da emissora em 2012
Este é um ano muito importante para a televisão brasileira. A TV Record, a mais antiga emissora em atividade, completa 60 anos de inauguração. Para celebrar a data, o blog Loucura por TeVer vai relembrar momentos marcantes do canal 7 paulistano, sempre no dia 27 de cada mês, até o dia do aniversário, em setembro.

Como toda empresa, todo produto, e até mesmo todas as pessoas, o visual de uma emissora deve acompanhar as tendências de moda, além de transmitir a sua mensagem para o público. Uma das maneiras de se alcançar isto é através de seu logotipo, ou símbolo como muitos preferem chamar. E a Record teve vários


1953
O primeiro deles é de 1953, ano da fundação. Era simplesmente uma rosa dos ventos, ao fundo da sigla TV, e com o nome da emissora abaixo. Há uma outra versão deste logotipo, mas com o número 7 embaixo, sem a palavra RECORD. Vale lembrar que naquela época, as estações de televisão eram mais conhecidas pelos telespectadores pelos números de seus canais do que por seus "nomes de batismo". Em 1960, comemorando 7 anos, seus diretores lançaram um logo comemorativo. De certa forma, isso é uma tradição da Record, já que outros logos especiais foram criados ao longo de sua história.

O Logo e os loucos anos 1970

Logos de 1970 e 1971
A marca é totalmente transformada, valorizando o 7, canal da emissora na capital paulista, já em 1970. Em 1971 foi criado o conceito visual que acompanharia a Record por quase toda a década. O logo "Record 7", com o número do canal dentro da letra O, surgiu ainda em preto e branco.

1972
Um ano após, passou a ter o desenho da torre transmissora, localizada na Avenida Paulista até hoje.


1973
A televisão brasileira ganha cores em 1972, e o logo da Record também, nas letras C, O e R, em azul, vermelho e verde (nesta ordem), o famoso RGB (red-vermelho, green-verde e blue-azul) necessários para formar a imagem colorida da TV.


Símbolos de 1975 e 1976
Dois anos depois, o tigrinho, que antes era apenas um mascote da emissora, se tornou símbolo do canal. Em 1976, a marca voltou a ter a sigla TV no nome, e ganhou um "sol" estilizado.

A marca da Record aos 30 anos

1980
1985
Os anos 1980 chegam , e a Record transforma seu logo, adotando um arco íris acima do nome da emissora. No ano de 1985 o dourado predominou no novo símbolo do canal, um losângo arredondado, formado por quatro prismas.

 Nova gestão, novo símbolo

1990
A Record inicia a década de 1990 com muitas novidades. Seu logotipo não poderia ficar de fora. Três "faixas", nas cores do RGB, em volta de uma esfera azulada, representando o mundo, é o conceito de marca mais antigo da emissora, com 23 anos. O nome "Rede Record" entrou no logo nesta época, e foi usado até 2003.

1993

Desde então, os designers do canal apenas modernizam o símbolo com o passar do tempo. Em 1993 surge a versão prateada.

Uma nova Record

1995
2003
De 1995 até 2003 a cor dourada prevalece novamente na marca, quando a esfera central passa a ser o globo terrestre mesmo. O símbolo acompanhava o slogan da emissora na época: "A TV que todo mundo pode ver". Também marca o nascimento da Record Internacional.

2007
Em 2007, ano de lançamento da TV digital no Brasil, as "faixas" ganham cores mais uniformes, o globo passa a ser azul e ganha destaque apenas a América do Sul.

No ano passado aconteceu a mais recente evolução no logotipo. O lançamento foi ao ar no dia 26 de fevereiro, no programa "Domingo Espetacular". A marca se tornou redonda, mantendo o conceito criado em 1990. A estreia foi muito divulgada pela Record. Vale a pena conferir a reportagem exibida pela revista eletrônica. Fontes: Mundo iD, rederecord.com.br . Agradecimentos: TV Record.

Curiosidade:

  • O canal 7 da rede de televisão americana ABC possui um logo muito semelhante ao usado pela Record de 1971 a 1980.


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

ODORICO: QUATRO DÉCADAS DO MAIS AMADO

O personagem mais famoso de Paulo Gracindo
Nunca o Brasil foi tão bem representado na televisão. Hoje, a estreia da novela "O Bem Amado" (TV Globo) completa 40 anos. Uma das mais lembradas obras do dramaturgo Dias Gomes.

Inspirada na peça "Odorico, o Bem Amado ou Os Mistérios do Amor e da Morte" (1962), escrita pelo mesmo novelista e censurada pelo regime militar, a trama global das 22h era ambientada na fictícia Sucupira. Esse município baiano refletia a nação brasileira que os militares queriam esconder.

O folhetim fugiu da estrutura clássica, cuja história principal é o amor impossível de um jovem casal. Seu protagonista era o prefeito da cidade do litoral da Bahia, Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo). Demagogo, populista e corrupto, o político amado pela população chegou ao poder prometendo a construção de um cemitério. Os moradores de Sucupira tinham que enterrar seus mortos no município vizinho.

Ao tomar posse e cumprir sua principal meta de campanha, começa a espera do prefeito pelo primeiro defunto que vai inaugurar a obra. Mas ninguém na cidade morre, nem mesmo um suicida famoso no local topou estrear sua cova. Para não perder a popularidade entre seus eleitores, Odorico resolve contratar o matador Zeca Diabo (Lima Duarte) para dar fim à vida de alguém. O problema é que o assassino redimiu-se, e não comete mais crimes.

Os tipos de Sucupira

As Cajazeira: solteironas e "moralistas"
Não podemos esquecer de figuras antológicas desta novela, como o puxa-saco oficial e secretário do prefeito, Dirceu Borboleta (Emiliano Queiroz), as irmãs Cajazeira Doroteia (Ida Gomes), Dulcineia (Dorinha Durval) e Judiceia (Dirce Migliaccio), o pescador Zelão das Asas (Milton Gonçalves) empenhado em construir suas próprias asas para voar, o jornalista Neco Pedreira (Carlos Eduardo Dolabella) que fazia oposição ao prefeito em seu jornal "A Trombeta", e muitos outros.

Odorico era mulherengo, e todas as noites aparecia na casa das solteironas Cajazeira para tomar um famoso "licor de Jenipapo". As irmãs, defensoras públicas da moral e dos bons costumes da cidade, não resistiam às investidas do assanhado político.

O secretário colecionador de borboletas
Mesmo em tempos de censura, Dias Gomes sempre criticou a política brasileira, e nunca deixou de falar em atualidades. Durante a exibição de "O Bem Amado", explodiu na imprensa mundial o caso Watergate, um esquema de espionagem que derrubou o então presidente dos EUA, Richard Nixon. O prefeito baiano também protagonizou caso semelhante, o "Sucupiragate". Paraguaçu foi acusado de instalar microfones ocultos no confessionário da igreja para descobrir as intimidades dos moradores da cidade. A armação foi denunciada por Dirceu Borboleta, que colhendo as confissões descobriu que Odorico era o verdadeiro pai de seu filho com Dulcineia, sua esposa.

O "inauguramento" do cemitério

O figurino de Zeca foi criado
pelo ator
O brilhantismo de Paulo Gracindo não se resume apenas a "dar corpo" ao personagem. São de sua autoria alguns dos eufemismos, neologismos e outras barbaridades gramaticais, ditas pelo prefeito falastrão: "Pra frentemente, pra trasmente", "deverasmente", "a imprensa escrita, falada e televisada", e o clássico "botando de lado os entretantos e partindo pros finalmentes".

Quem inaugura o cemitério é o próprio Odorico, já no final da trama, assassinado por Zeca Diabo. O matador descobre que foi ele o responsável por uma falsa acusação que o levou para a cadeia. "O Bem Amado", além de ser a primeira novela colorida da TV brasileira, também marca o começo da exportação de novelas para outros países. Até então, apenas os textos eram vendidos para emissoras estrangeiras. O folhetim de Dias Gomes foi exibido em quase toda a América Latina, Estados Unidos e Portugal. Foram 30 países que acompanharam o dia a dia de Sucupira.

Curiosidades:

  • Tecnologia nova para os técnicos da Globo, os profissionais enfrentaram diversos problemas com as câmeras em cores. Em certa cena, Ida Gomes teve que maquiar suas pernas muito brancas, para não "saturar" a imagem. Emiliano Queiroz não pode usar seus óculos, devido ao reflexo de suas lentes. Os cenários, figurinos e até mesmo cabelos de alguns atores, abusavam dos tons mais fortes, mas havia certo contraste com cores mais suaves;
  • As gravações externas eram realizadas em Sepetiba, zona oeste do Rio. Os atores eram levados de ônibus do Jardim Botânico, onde fica a sede da emissora, até a locação. Lá foi alugada uma casa que servia de camarim para o elenco;
  • A trilha sonora nacional da trama foi composta especialmente para a novela, por Toquinho e Vinicius de Moraes. O tema de abertura original era "Paiol de Pólvora", mas foi proibido pelos militares por causa do verso "Estamos sentados em um paiol de pólvora".
  • Comunista declarado, Dias Gomes era considerado subversivo pela ditadura da época, portanto uma "carta marcada" pela Censura Federal. A história de Odorico Paraguaçu teve 37 dos seus 178 capítulos proibidos de ir ao ar na íntegra. As palavras "coronel" e "capitão" foram cortadas. Em reportagem ao UOL, o doutor em teledramaturgia brasileira e latino-americana pela USP, Mauro Alencar, contou que o capítulo 115, por exemplo, teve 14 páginas inteiramente censuradas. Um capítulo de novela tem aproximadamente entre 22 e 32 páginas;
  • A emissora realizou um compacto da novela em 1977, para ganhar tempo, já que "Despedida de Casado", de Walter Jorge Durst, foi vetada pelos militares. Entre 1980 e 1984, "O Bem Amado" voltou à telinha da Globo como uma série. Para isso, foi necessário que Odorico ressuscitasse do descanso eterno;
  • Em 2010, Sucupira foi para a telona, com Marco Nanini na pele do inesquecível prefeito e José Wilker como o matador arrependido. No ano passado, a Globo Marcas lançou um box com 10 DVDs, contendo quase 36 horas remasterizadas da novela de 1973, além de extras com entrevistas exclusivas.
Vamos conferir uma cena de um dos famosos e inflamados discursos de Odorico, e a abertura da novela. Fontes: Memória Globo, Guia Ilustrado TV Globo e UOL. Agradecimentos: Emanunes, Lucio Enrique e TV Globo.