sábado, 27 de abril de 2013

ESPECIAL RECORD 60 - HUMOR PRESENTE HÁ 60 ANOS

Manoel de Nóbrega e Golias eternizaram a "Praça" no canal 7
Rir é sempre o melhor remédio, mas também é uma receita antiga na televisão brasileira. Nos 60 anos que a TV Record completa em 2013, muitos dos maiores nomes passaram pela emissora e deixaram sua marca registrada com muitas gargalhadas.

Humoristas do nível de Chico Anysio e Pagano Sobrinho já alegraram noites especiais do canal 7 paulistano. O pioneiro do stand-up brasileiro, José Vasconcellos também se apresentou nos palcos da estação. Mas alguns dos clássicos do humor televisivo nacional nasceram ou se consagraram na Record.

Enquanto hoje em dia todo mundo sai de baixo quando uma família muito unida e ouriçada aparece por aí, o público já rolou de rir, e muito, com a "Família Trapo". Com redação de Carlos Alberto de Nóbrega e Jô Soares, o humorístico tinha um elenco de feras: Otello Zeloni, Renata Fronzi, Ricardo Corte Real, Cidinha Campos, Jô Soares e Ronald Golias. O programa ia ao ar ao vivo, direto do Teatro Record, e fez tanto sucesso que várias personalidades participaram da atração. Até Pelé teve uma passagem pra lá de especial, sendo aluno de Golias.

A "Praça" não nasceu no canal 7, mas se consolidou por lá! Manoel de Nóbrega trouxe todo seu elenco e o banco mais famoso do Brasil. Entre os personagens mais famosos, estão a Velha Surda, o Homem de Itú, o Letrado, o mendigo Caro Colega, e muitos outros. Este programa também era escrito pelo atual apresentador da "Praça é Nossa" do SBT, assim como "Bronco Total", estrelado por Golias e Carlos Alberto de Nóbrega.

Dercy e Tom

Tom Cavalcanti ficou na Record de 2004 a 2011
Um programa que misturava música e humor era "Corte Rayol Show". Comandado pelo humorista Renato Corte Real e o cantor Aguinaldo Rayol, a atração era exibida às sextas-feiras, e fez muito sucesso nos dois anos em que esteve no ar. Enquanto um levava o público às lágrimas através da emoção da sua voz, o outro fazia a platéia chorar de rir.

Nem mesmo a primeira dama da comédia poderia faltar na trajetória brilhante da Record. Dercy Gonçalves fez uma paródia do clássico teatral "A Dama das Camélias" no centro da capital paulista, em 1982. Outro marco da nossa telinha que passou pela emissora da Barra Funda foi a "Escolinha do Barulho", trazendo  de volta à ativa figurinhas inesquecíveis do humor nacional.

Já que o formato de "sitcom" familiar nasceu na casa, a emissora lançou dois programas do gênero, nos anos 2000: "Família Record", que reunia todo o elenco da TV, e "Louca Família", com um grupo de atores e comediantes integrantes do "Show do Tom". Aliás, Tom Cavalcanti foi o último grande humorista a brilhar no canal. Este cearense fez muito sucesso com as paródias "Bofe de Elite" (Tropa de Elite), onde colocou o ator Alexandre Frota usando botas cor-de-rosa, "De Mais Pra Você" (Mais Você, da Globo) com Ana Maria Bela, "Ridículos" (Ídolos, da Record) e outros.

Curiosidades:

  • Jô Soares e Carlos Alberto escreviam juntos a "Família Trapo", mas separados. Após decidirem o tema central do programa, cada um ia pra sua casa e escrevia a metade exata do roteiro. Nunca houve nenhum problema;
  • A "Escolinha do Barulho" era uma produção independente, realizada em parceria com a GGP, empresa de Gugu Liberato, na época no SBT, hoje nos domingos da Record.


Após seis décadas de muitas risadas, o canal 7 paulistano tem muito o que comemorar, e gargalhar por seu sucesso. Mas ainda tem muita piada para ser contada. Por enquanto, vamos rever a participação de Pelé na "Família Trapo" e a "Dama das Camélias" de Dercy Gonçalves. Agradecimentos: 93Fr1, SpeedMerchants e TV Record.




sábado, 13 de abril de 2013

PROMESSA DE SUCESSO

Gravada em dois meses, "O Pagador de Promessas" teve
supervisão de Daniel Filho
Neste mês de Abril, uma minissérie de grande sucesso na telinha e na telona completa 25 anos de sua exibição pela Globo. "O Pagador de Promessas" tem autoria do dramaturgo Dias Gomes, com direção da cineasta Tizuka Yamasaki. A estreia aconteceu em 5 de Abril de 1988.A trama foi inspirada na peça, de mesmo autor, originalmente escrita em 1960.

Zé do Burro (José Mayer) vê seu burro Nicolau sofrer um grave acidente, e ficar entre a vida e a morte. Desesperado, faz uma promessa para Iansã (Santa Bárbara, na religião católica): se o burro ficasse bem,  carregaria uma cruz nas costas, desde a sua roça, no interior da Bahia, até a Igreja de Santa Bárbara, na capital do estado. Nicolau se salvou e começa a saga de Zé do Burro para pagar a promessa.

O posseiro não estava sozinho. Sua esposa, Rosa (Denise Milfont) o acompanhou durante toda a jornada. O padre Olavo (Walmor Chagas), responsável pela igreja da santa em Salvador, impede Zé de entrar no templo. O sacerdote alegava que a promessa fora realizada num terreiro de candomblé. Nem adiantou o homem dizer que era temente a Deus. O padre foi firme em sua decisão, mas Zé também era, e não iria embora sem cumprir o que havia prometido.

O bafafá se instalou. Zé do Burro ganha apoio popular, especialmente de membros do candomblé, que até começam a aclamá-lo como santo e mártir. Padre Olavo decide ouvir outras opiniões de colegas sacerdotes. Uns veem a atitude do pároco da Igreja de Santa Bárbara como um ato político, mas também havia quem criticasse o sincretismo religioso do marido de Rosa.

Censura impiedosa

 A minissérie teve locações em Monte Santo e Salvador, na Bahia 
O problema se arrasta até o dia da festa da padroeira do templo, em 4 de dezembro. Uma procissão é realizada e Zé vé aí a oportunidade de finalmente pagar sua promessa. A essa altura do campeonato até a polícia local já estava envolvida na história. O padre novamente impediu a entrada do peregrino. Em meio a toda essa confusão na porta da igreja, Zé é baleado e morre na escadaria. O povo comovido coloca o corpo em cima da cruz que ele carregou, e o leva para dentro da igreja.

Em 1988 a censura também foi tão dura quanto o sacerdote baiano da história. A princípio com 12 capítulos, "O Pagador de Promessas" teve 4  cortados pelos censores. A produção tratava de temas delicados como as lutas contra grandes latifundiários. O debate também se instalou dentro da Igreja, entre os padres conservadores e os padres progressistas, representados na telinha pelo padre Mário (Felipe Pinheiro).

Curiosidades:

  • A TV Globo já havia apresentado este texto antes como teleteatro, em 1974, dentro do "Fantástico";
  • A história ganhou fama graças a sua versão cinematográfica, realizada em 1962. Com direção de Anselmo Duarte, o filme que tem o mesmo título da peça teatral e da minissérie, ganhou a Palma de Ouro em Cannes naquele ano;
  • José Mayer sabia do projeto e queria estrelar a produção. Não teve dúvidas: ao encontrar com Dias Gomes na emissora ao telefone, interrompeu a ligação e tentou convencer o autor a lhe dar o papel. Diante da insistência do ator, o encaminhou para fazer um teste para o protagonista, e passou;
  • A minissérie foi o primeiro trabalho de Tizuka Yamasaki na televisão;
  • "O Pagador de Promessas" foi vendida para vários países, reapresentada em 1991 e em 1999, como homenagem ao seu autor, que falecera no mesmo ano. Está disponível em DVD desde 2010.
Vamos conferir a abertura deste sucesso da nossa TV! Fontes: Guia Ilustrado TV Globo - Novelas e Minisséries e Memória Globo. Agradecimentos: minisserietv e TV Globo.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

QUARENTA ANOS DE GRANDES REPORTAGENS

Chapellin apresenta o jornalístico há 16 anos consecutivos
Mais do que um programa, o "Globo Repórter" estabeleceu um padrão para a grande reportagem em televisão. O jornalístico completa hoje 40 anos no ar. A equipe da emissora queria mais liberdade para mostrar o Brasil aos brasileiros, diferente da visão militarista de "Amaral Neto Repórter".

Com a guerra do Vietnã acontecendo, o diretor Paulo Gil e seus profissionais resolveram produzir um documentário sobre o combate, utilizando apenas imagens fornecidas pela embaixada americana. O programa foi ao ar em 3 de abril de 1973, após passar pelo crivo dos censores da época. Mesmo assim, no dia seguinte, militares foram até a TV Globo questionar o documentário, que exibia imagens dos derrotados e abatidos soldados do "Tio Sam". Quem salvou a pele dos jornalistas foi o Marechal Odílio Denys que ligou para Roberto Marinho e pedia para que repetissem a atração. O militar queria que seus netos vestibulandos assistíssem ao programa para estarem prontos para a prova.

Um dos temas mais curiosos das primeiras edições foi o Odorico Paraguaçú da vida real. Teodorico Bezerra era dono de uma fazenda em Pernambuco. A propriedade foi transformada por ele em vila e "curral eleitoral". Os moradores viviam de graça, em troca de obediência cega a Teodorico. O coronel estabeleceu regras como a proibição de bebidas, danças, cigarro, jogo e a obrigação de votar nele. As "leis" eram anunciadas por alto-falantes no alto de todos os postes da fazenda, e estavam pintadas em todas as casas do local. A censura não barrou a exibição da reportagem.

Até o seu primeiro ano, os temas abordados eram produzidos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Os documentários eram todos narrados por um único locutor. Em 1982 os repórteres e cinegrafistas, como testemunhas oculares da reportagem, passaram a conduzir as reportagens. José Hamilton Ribeiro, jornalista respeitado por todas as suas matérias realizadas na revista "Realidade", foi o primeiro a aparecer no "Globo Repórter".

Edições especiais

O jornalístico passou a contar também com a emoção do repórter diante do imprevisto. Em 1998 Rodrigo Vianna realizava uma reportagem sobre profissionais que se arriscavam em operações de salvamento. Seu cinegrafista José de Arimatéia registrava imagens de um experiente policial civil suspenso por um helicóptero, enquanto Vianna preparava seu texto para ler no ar. De repente o policial cai de uma altura equivalente a um prédio de dez andares. A câmera gravou a queda e a reação espantada do repórter. A matéria foi ao ar, sem mostrar o impacto no chão.

"Globo Repórter" viaja pelo Brasil e o mundo a fora, em busca de histórias e curiosidades inteeressantes. O jornalístico também apresentou furos, como a denúncia da ex-primeira dama do município de São Paulo Nicéa Pitta. Na entrevista concedida a Chico Pinheiro, a ex-esposa do então prefeito Celso Pitta declarou que o antigo companheiro comprou vereadores para "abafar" um processo de impeachment, além de dar vantagens para determinadas empresas em licitações públicas.

O programa nem sempre é exibido em rede nacional. Em ocasiões especiais, a Globo abre espaço para que as afiliadas apresentem edições especiais, como nos casos das comemorações dos aniversários da RPC-TV do Paraná, e da RBS-TV no Rio Grande do Sul. Embora ultimamente o jornalistico tenha dado muita ênfase a temas que envolvam saúde ou natureza, "Globo Repórter" se tornou uma referência, sendo copiado pelas emissoras concorrentes.

Curiosidades:
  • Inspirado no programa "60 Minutes", da americana CBS, o jornalístico começou seguindo o modelo de "Globo Shell Especial";
  • A primeira edição foi apresentada por Sérgio Chapellin. Outros apresentadores passaram por lá, como Eliakim Araújo e Celso Freitas;
  • "Globo Repórter" era um programa mensal, e já foi apresentado às terças e quintas-feiras;
  • "Freedom of expression", de J.B. Pickers é a canção usada como tema de abertura;
  • O programa ficou fora do ar por cinco meses em 1981, e seis meses em 1982, devido a outros eventos comprados pela Globo, como a Copa do Mundo.
Vamos rever algumas das aberturas deste programa. Fontes: Almanaque da TV Globo, Almanaque da TV, g1.com/globoreporter. Agradecimentos: Agentev12 e TV Globo.

quarta-feira, 27 de março de 2013

ESPECIAL RECORD 60 - PALMAS PARA ELES!!!

Mestre de cerimônias, Blota tem a cara da Record

Alô, Terezinhaaaa!!! A Record é coisa nossa!!! Nestes 60 anos milhares de telespectadores conheceram os auditórios da emissora. Outros milhões assistiram e se divertiram com os programas produzidos nos teatros que a estação já ocupou. Por suas telas, os melhores apresentadores e animadores já passaram e fizeram história. Mais fácil é dizer quem não começou ou não esteve na Record.

Dois nomes são muito lembrados na história do canal 7 paulistano, quando falamos de shows com plateia: Blota Jr. e Randhal Juliano. Esses profissionais já eram contratados pela Rádio Record e passaram a comandar atrações com o público admirador dos cantores e dos comunicadores. Em especial, Blota comandou "Esta Noite Se Improvisa", uma competição entre artistas que fazia muito sucesso nos anos 1960. Também apresentava a entrega do "Troféu Roquete Pinto", os festivais e o mensal "Show do dia 7".

A atriz Bibi Ferreira comandava o "Bibi Sempre aos Domingos", um grande sucesso na TV. Mas a filha do ator Procópio Ferreira precisou se ausentar. Para substitui-la, Hebe Camargo foi convidada a voltar para a telinha, após ter se casado e ter seu único filho Marcelo. Assim, em 1966, a Record lança "Hebe Sempre aos Domingos", que virou o famoso "Hebe". Suas entrevistas no sofá, uma novidade na época, renderam 80% de audiência.

O Velho Guerreiro também esteve lá. Após sair da Globo em 1971, Chacrinha passou por várias emissoras, e uma delas foi o canal 7. Seu substituto na Excelsior, Edson Cury, levou suas boletes para a Record e lançou "A Hora do Bolinha". Esse programa de calouros e números músicais foi o modelo para seu maior sucesso, o "Clube do Bolinha", na Band. Um instante, maestro! Flávio Cavalcanti, o criador do júri na TV, deixou sua marca na Record nos anos 1970.

Ana, Fausto e Silvio

Gugu na inauguração do Teatro Record no "Programa Ana Maria Braga"
Em 1977, o homem do Baú torna-se mais do que apresentador do "Programa Silvio Santos" e "Silvio Santos Diferente". Sócio de Paulo Machado de Carvalho, Silvio foi dono do canal, até 1989. O animador possuía secretamente as ações da empresa desde 1971. Neste período, era possível ver seus programas transmitidos pela Tupi, e depois pelo SBT, além da Record em São Paulo.

Mas este não foi o único membro da atual guerra dos domingos que esteve na emissora da Barra Funda. Fausto Silva, o Faustão, levou o "Perdidos na Noite" para a estação em 1984, meses após a estreia na TV Gazeta. O sucesso o encaminhou para a Rede Bandeirantes.

Cantores que apresentam não são novidade em TV. Ronnie Von comandou programas em duas oportunidades: nos anos 1960, com "O Pequeno Mundo de Ronnie Von" e "Sinal de Vida". Outra cantora que animou auditórios foi Sula Miranda, já nos anos 1990. Fábio Jr. esteve à frente de "Sem Limites Pra Sonhar" (1998), que posteriormente ganhou seu nome.

Seguindo a linha da Rainha da TV, Ana Maria Braga teve seu talk show, ou mehor, seu "big show" como dizia a chamada da época, sempre nas noites de terça-feira. Coube a apresentadora inaugurar o novo Teatro Record, na Barra Funda, em 1998. Márcio Garcia e Rodrigo Faro são dois atores que viraram apresentadores comandando "O Melhor do Brasil", programa das tardes de sábado que substituiu uma quase "prata da casa".

Pegue seu banquinho...e ligue na Record!

Raul Gil no comando de "Tamanho Família"
Raul Gil possui aproximadamente 50 anos de carreira na TV. Alguns deles na Record. Foram várias passagens ao longo desse período. A importância de Raul na emissora era tamanha, que seu programa foi escolhido para ser o primeiro exibido em cores pelo canal 7.

A mais importante contratação nesta área da Record sem dúvida foi Gugu Liberato, em 2009. Após 28 anos de SBT, e 35 anos ao lado ex-dono do canal 7, Gugu foi apontado como o sucessor natural de Silvio Santos. Sua chegada à nova casa foi cercada de muitos comentários na mídia especializada, e no palco, repleta de novidades tecnologicas e investimentos pesados. Tudo para brigar pelo primeiro lugar.

Muitas emoções foram vividas nos auditórios da Record. Muitos outros nomes passaram por lá, tantos que um post apenas é muito pouco, talvez até mesmo um blog. Nestes 60 anos, o canal 7 conquistou uma legião de admiradores, e frequentadores assíduos de seus programas. A emissora merece uma salva de palmas de todos os telespectadores!

Curiosidades:
  • O primeiro programa de auditório de Eliana na casa foi "Eliana no Parque", em 1998, também aos domingos;
  • Milton Neves comandou um game show com plateia, onde os participantes que errassem as perguntas caiam num buraco. "Roleta Russa" (2003) tem um formato muito parecido com o usado pelo "Quem Fica em Pé?", de José Luiz Datena na Band.
  • O programa "Ratinho Livre", que lançou Carlos Massa nacionalmente em 1997, não começou com auditório. No começo, poucas pessoas acompanhavam a atração no estúdio. O número de espectadores começou a aumentar gradativamente, até que foi necessária a mudança para um estúdio com plateia, construido para o programa;
  • Alexandre Frota comandou o juvenil "Galera", diretamente do novo Teatro Record na Barra Funda, em 1998, com Juliana Garavatti;
  • O canal 7 paulistano foi a última estação onde Otaviano Costa comandou um programa de auditório, o "Bahia 50 graus", em 2004. Antes havia comandado "Domínio Público" (2001), "Jogos de Família" (2002) e "No Vermelho" (2002);
  • O quadro "A Sua Festa é Nossa", hoje comandado por Rodrigo Faro, foi criado dentro do "É Show" (2000) com Adriane Galisteu.

A gente já conferiu rapidamente em vídeos a participação de Blota nos Festivais, ao lado de sua esposa e também apresentadora Sônia Ribeiro. Vamos agora rever esse grande comunicador conduzindo a entrega do "Troféu Roquete Pinto". Agradecimentos: CanalMemória e Divulgação/TV Record.

terça-feira, 12 de março de 2013

CIDADES MARAVILHOSAS

Antes de "Cidade", Gugu testou o "Viva a Noite" aos Domingos
Gugu Liberato teve várias atrações quando chegou a dividir o "Programa Silvio Santos" com o patrão. Uma das práticas conhecidas do SBT é resgatar um de seus inúmeros programas de auditório, dar um tapa no visual, e lançar novamente como "a volta de um grande sucesso". Com Gugu não foi diferente, e há 25 anos o apresentador estreava o "Cidade Contra Cidade".

Este programa nasceu nos primeiros anos da carreira de Silvio, ainda nos anos 1960. Foi um das primeiras atrações comandada pelo então dono do Baú, fora da Rede Globo. Alugando horário na Rede Tupi às Quartas Feiras, a disputa entre as delegações de dois municípios começava por volta de 21h e terminava além da meia-noite.

Foi nesse programa que se constatou que somente um evento de outro mundo era páreo para Silvio Santos. Em 1969, a transmissão da chegada do homem à Lua rendeu 41,1% de audiência, enquanto "Cidade Contra Cidade", exibido na mesma semana, obteve 40,1%. Tempos depois, o programa passou a se chamar "Silvio Santos Diferente", seguindo o mesmo esquema de quadros de seu irmão dominical, e saiu do ar em 1977.

Desfile de atrações

A equipe de Ribeirão Preto foi a grande recordista da atração
levando para casa 17 ambulâncias, nos tempos da Tupi.
Em 1988, o programa volta para as tardes de Domingo. Gugu comandava uma série de provas disputadas pelas delegações, sempre lideradas por uma equipe de rádio da cidade. As brincadeiras eram muitas: a mais bela moça, o melhor cantor(a), a melhor curiosidade, o chute a gol, e a torcida mais animada. Havia também as disputas realizadas no Parque do Carmo, em São Paulo, e nas futuras instalações da emissora na Anhanguera, sob o comando de Ademar de Barros.

As audiências mais altas da atração aconteciam quando Rio e São Paulo se enfrentavam. O grande prêmio de "Cidade Contra Cidade" para o município vencedor era uma ambulância, e a permanência no programa, para enfrentar outra localidade. Mas o maior ganhador era o público telespectador, que tinha a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o povo e as belezas naturais das localidades participantes. O quadro permaneceu no ar até 1989.

Curiosidades:

  • O começo da carreira profissional de Gugu como produtor está muito ligado ao "Cidade Contra Cidade". O jovem Augusto era sempre o responsável por uma das delegações que participavam da atração, na época sob o comando de Silvio Santos. O "Cidade" também foi o primeiro dominical apresentado por Gugu;
  • A apresentadora Olga Bongiovanni teve uma de suas primeiras experiências em rede nacional de televisão nesta atração. A então locutora da emissora local de Cascavel-PR fez parte da equipe que representava o município no programa;
  • "Responde ou Passe" era um quadro do dominical, nascido ainda com Silvio Santos, que virou bordão do programa "Passa ou Repassa";
  • A trilha sonora, que acompanhava todo o programa era "Happy Children", de 1984, lançada por P. Lion. Esta música foi usada de novo aproximadamente seis anos depois para o "Táxi do Gugu", dentro do "Domingo Legal". O tema de abertura era um instrumental baseada na marchinha "Cidade Maravilhosa", de André Filho;
  • "Cidade Contra Cidade" era a penúltima atração do "Programa Silvio Santos", sempre antecedendo o "Show de Calouros". 
Vamos recordar este desfile de atrações, curiosidades e cultura brasileira no dominical "Cidade Contra Cidade". Os vídeos são da participação do município de Espírito Santo do Pinhal-SP. Agradecimentos: Ricardo Mateus Olivi e claudiard1981.





















quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

ESPECIAL RECORD 60 - A MÚSICA ESTÁ NO AR

Elis e Jair em "O Fino da Bossa"
"Prepare o seu coração, para as coisas que eu vou contar". A Record deve muito dos seus 60 anos de sucesso à música popular brasileira, mas o cenário musical também deve ser muito grato ao canal 7 paulistano. Desde o seu começo em 1953, a emissora sempre valorizou e revelou cantores, cantoras e conjuntos nacionais e internacionais.

Já na sua inauguração, Sandra Amaral e Hélio Ansaldo apresentam o musical "Grandes Espetáculos União" (naquela época o patrocinador dava o nome para muitas atrrações, como o "Repórter Esso"). Os primeiros anos do canal foram marcados pelo glamour dos grandes nomes que se apresentavam pelos quatro cantos do mundo, e vinham para a Record com absoluta exclusividade: Bill Halley e seus Cometas, Sarah Vaughan, Louis Armstrong, Steve Wonder, Nat King Cole, Marlene Dietrich, Rita Pavone, Amália Rodrigues e muito mais.

A Rádio Record já possuía sob contrato grandes cantores brasileiros, e eles também garantiram seu espaço no programa "Astros do Disco", com Randal Juliano. A atração trazia também os grandes campeões de venda para cantar seus sucessos nas noites de Sábado da TV. Foi em "Astros do Disco" que surgiu o Troféu Chico Viola, um dos mais importantes da música, na época.

Os anos 1960 foram dourados, graças ao casamento entre a Record e a MPB. A partir de 1963, quando a novela brasileira passou a ter capítulos diários, os folhetins viraram uma febre, da qual o Brasil não se curou até hoje. Na época, Tupi e Excelsior eram as grandes produtoras do gênero. Paulo Machado de Carvalho Filho, herdeiro do fundador e diretor artístico da casa, juntamente com sua equipe de produtores, dentre eles o autor Manoel Carlos e o diretor Nilton Travesso, criou uma faixa de musicais que entrou para a história da televisão.

É uma "brasa" cantar no 7!!!

Roberto Carlos no palco do Teatro Record
A "pimentinha" Elis Regina e Jair Rodrigues comandavam "O Fino da Bossa". Os novos nomes da MPB, surgindo pela Bossa Nova, se apresentavam semanalmente no Teatro Record. Artistas como Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maysa, Vinícius de Moraes, Nara Leão, Maria Bethânia etc, marcavam presença na atração. Os saudosistas se deliciavam com os convidados dos cantores Elizete Cardoso e Ciro Monteiro em "Bossaudade". Elizete também comandou o "Sambão", onde o ritmo do morro tomava conta da telinha. Outro cantor que também ganhou programa na Record foi Wilson Simonal, que apresentava o "Show em Si...monal".

A moçada curtia carrões, brilhantina, e iê-iê-iê no programa "Jovem Guarda". Roberto Carlos, Erasmo Carlos (o "tremendão) e Wanderlea (a "ternurinha") traziam todos os domingos os lançamentos que a galera ouvia no rádio. Jerry Adriani, Waldirene, Eduardo Araújo, Os Vips, Silvinha, Martinha, e muitos outros eram recebidos aos gritos pela histérica plateia juvenil. Este programa nasceu em 1965 para preencher a lacuna deixada pelo futebol à tarde, já que a emissora tinha sido proibida de transmitir os jogos para não esvaziar os estádios. A atração foi tão forte que o movimento ganhou o nome de Jovem Guarda.

Não dá pra falar em MPB na TV sem ao menos citar os Festivais da Música Popular Brasileira. Até hoje, os melhores foram produzidos pelo canal 7 paulistano. De 1966 a 1969 o cenário musical nacional foi transformado, e nunca mais foi o mesmo. Grandes nomes e inesquecíveis canções nasceram naqueles teatros e são referência para novos talentos até hoje. De Hebe Camargo a Tom Zé, de Agnaldo Rayol a Chico Buarque, de Elis Regina a Roberto Carlos, todos os "mosntros sagrados" passaram por aqueles palcos.

"'Caba' não, mundão!!!"

Marcelo Costa recebe Wanderlea no "Especial Sertanejo"
Os comunicadores populares, que ganharam fama trazendo cantores em seus programas, também tiveram espaço na Record. Chacrinha e Bolinha, com seus inigualáveis estilos, também deram suas contribuições a essa história.

O sertanejo também não foi esquecido pela emissora. Inezita Barroso foi a primeira mulher a ter um programa solo no canal 7, trazendo seus convidados que cantavam o que havia de melhor na chamada "música raíz". Com a evolução do gênero, outros apresentadores surgem como Geraldo Meireles e, mais tarde, o cantor Marcelo Costa com seu "Especial Sertanejo". Renato Barbosa apresentou a parada de sucessos "Quem Sabe... Sábado" e também produziu "Amigos & Sucessos", onde um artista apresentava os maiores êxitos de sua carreira, recebia convidados, e ganhava uma homenagem de amigos e familiares.

Nos últimos dez anos, a televisão deixou um pouco de lado o gênero puro deste tipo de atração. Os cantores Chitãozinho & Xororó foram os últimos a apresentar na emissora um programa neste estilo, o "Raízes do Campo". Mas a história da Record mostra que, se bem produzido, uma musical pode valer muito mais do que mil imagens. No mês que vem, falamos sobre os programas de auditório.

Pra matar a saudade, vamos ver a apresentação de "Disparada", com Jair Rodrigues, e "A Banda", de Chico Buarque, as finalistas do festival de 1966. Diante do impasse, os jurados decidiram que as duas músicas eram as vencedoras daquele ano, um empate que nunca mais se repetiu na história. Agradecimentos: Bruno Kampel, naramaielis e TV Record.






domingo, 24 de fevereiro de 2013

CRÍTICA: O DESAFIO DO GUGU

Aproveitando a estreia, Gugu adotou um visual mais esportivo
Neste Domingo, a Record estreou o quadro "Desafio Musical", a nova versão do clássico "Qual é a Música", apresentado por Silvio Santos durante quase 20 anos. A disputa entre artistas foi gravada por Gugu Liberato durante a semana, e exibida no final de seu  programa dominical. O restante da atração foi ao ar ao vivo, seguindo a mecânica usada para a "Escolinha do Gugu".

Somente duas provas eram desconhecidas do público: "Kazoo", uma espécie de apito, na qual os convidados cantarolam canções que estão ouvindo por um fone, e "Foto Musical", onde os participantes, ao escolherem uma fotografia poderiam tentar adivinhar o nome da música do artista estampado ou passar a pergunta para o time adversário.

Vale ressaltar o esforço da produção em fazer com que o "Desafio Musical" em nada lembrasse o quadro conduzido pelo dono do SBT de 1976 a 1991, com volta entre 1999 e 2002 e um último retorno em 2007. Todos os jogos receberam nova roupagem. Não tem três interpretes para o jogo dos versos (apenas uma), muito menos os famosos dubladores maquiados. Até a participação da plateia foi repaginada. Duas assistentes de palco, com um microfone cada, iam até as moças do auditório que sabiam as respostas corretas.

O visual dos quadros foi modernizado. No lugar da orquestra, um DJ disparava todas as músicas usadas nas brincadeiras, inclusive as notas do leilão, a disputa final da atração. Porém algumas coisas foram mantidas, como o trio masculino e feminino que se enfrenta, e a clássica pergunta ao DJ-maestro: qual é a música?

Não é a primeira vez que a emissora da Barra Funda adapta um programa estrangeiro, já conhecido por aqui. Em 2009, o canal 7 comprou os direitos de "O Preço Certo". Apresentado pelo ator Juan Alba e pela jornalista Débora Santilli, o game show foi exibido diariamente nas tardes da programação, até meados de 2010. Mas esta atração já havia sido produzida no Brasil também por Silvio Santos, na década de 1980, inclusive com o mesmo título. 

Silvio Brito, Silvio Santos e Fafá de Belém na versão de 1976

A aquisição de "Name That Tune" (Nome desta música), o formato original da atração, é a resposta que a Record deu a uma pesquisa com telespectadores, sobre o "Programa do Gugu". O público quer o apresentador mais presente no palco do Teatro Record, e a participação maior de artistas convidados.

A audiência correspondeu durante a "novidade". Pouco tempo depois de encerrado o dominical, o diretor Homero Salles, em seu Twitter, anunciou que a atração terminou "com o dobro da terceira colocada, a quatro décimos da líder". Mas não foi o suficiente para deter Eliana e o SBT. Segundo dados preliminares, a loirinha fechou com 6,8 de média contra 5,9 da Record. A Globo liderou no período com 12,9.

Quando o apresentador surgiu na emissora de Silvio Santos como sucessor do patrão, a imagem de Gugu era idêntica a do homem do Baú. Até mesmo o microfone era o mesmo! O que o diferenciava eram as novidades que trazia no "Viva a Noite". Os quadros bolados pela equipe e pelo ex-produtor eram diferentes, mas mantinham a essência popular de Silvio. Gugu foi contratado com 14 anos pela sua criatividade.

Ainda é muito cedo para dizer se a estratégia será vencedora. Televisão é hábito. Apostar em uma atração já conhecida e consagrada é algo arriscado. O público pode se cansar muito rapidamente, ou não. Sem contar as inevitáveis comparações. Mas já é positivo o fato do programa não encerrar com lágrimas dos quadros emocionantes que vinha trazendo ultimamente. O telespectador quer terminar seu final de semana com bom humor. Afinal, tristeza por tristeza, basta lembrar que a Segunda está chegando!

Imagens: UOL e Divulgação/TV Record.