sábado, 15 de setembro de 2012

UM PORRETE NA MÃO, UM BIGODE NO AR... A COBRA VAI FUMAR!!!

Carlos Massa fez muito sucesso com "Ratinho Livre" na Record
Imagine um programa sem um roteiro definido pela produção, mas sim pelo povo. Assim era o programa "Ratinho Livre", exibido pela TV Record entre 1997 e 1998. O apresentador Carlos Massa, o Ratinho, comandava o  programa "190 Urgente", pela pequena rede CNT/Gazeta. Menor sim, mas não menos importante. Estar no ar em uma emissora aberta paulistana pode lhe proporcionar visibilidade, e ganhar espaço em uma rede nacional. Foi assim com esse radialista e, como ele mesmo diz, "ex- lavador de defunto".

Sua indignação contra o descaso sofrido pela população, contra a criminalidade, e de vez em quando até contra sua própria produção, chamou a atenção de Eduardo Lafond, na época diretor artístico e de programação da Record. O apresentador, que ficou famoso pelo cassetete e com bordões como "aqui tem café no bule", queria um programa de auditório. Mas quando foi contratado pela emissora de Edir Macedo, pensou que iria comandar o policial "Cidade Alerta", seu então concorrente. Lafond resgatou o formato do antigo "O Povo na TV", exibido nos primeiros anos do SBT, onde as pessoas procuravam a produção para que lhe ajudassem com qualquer tipo de problema.

"Ratinho Livre" estreou em setembro de 1997, com uma plateia pequena, pouco mais de 30 pessoas, num dos menores estúdios da Barra Funda. Seu cenário, guardadas as proporções, é claro, tinha uma estrutura de talk-show americano: mesa para o apresentador, sofá para os convidados e uma banda tocando ao vivo. O programa era exibido diariamente, e contava também com a participação de repórteres, diretamente de qualquer ponto da capital paulista.

Um mês após seu lançamento, a atração garantia o segundo lugar para a emissora dos bispos. A audiência do horário triplicou. Com o passar dos meses, Ratinho começou a incomodar muito a Rede Globo, líder no horário. A alteração gradual no horário quase intocável do "Jornal Nacional" de 20h para 20h15, depois para 20h30 aconteceu nesta época. Dessa maneira, a novela das 8 (que começava às 9) acabava mais tarde, para atrapalhar a atração do canal 7 paulistano. Não deu certo. Assim que acabava a trama global, o programa da Record disparava no IBOPE. "Ratinho Livre" chegou a alcançar 35 pontos de pico.

Azeitona, Caroço e ET

Rodolfo e ET ficaram famosos pelo programa
Um programa que adota a linha de assistência popular corre um sério risco de ser taxado de sensacionalista. Muitas vezes Ratinho foi acusado pela imprensa de ser apelativo, ao expor no palco casos como o "homem grávido". Mas seu programa foi o responsável pela popularização do exame de paternidade, o famoso DNA. O apresentador respondia aos ataques, dizendo que seu palco era a última alternativa para aquelas pessoas desesperadas, e que não pararia de ajudar os doentes que lhe procurassem. Foram vários processos contra Ratinho e a Record, proibindo a exibição desses casos.

A atração também tinha números musicais e sorteios de prêmios pelo antigo sistema 0900. Destaque para a visita que Gugu Liberato e toda sua turma fizeram, em 1998, em retribuição à participação do apresentador no "Domingo Legal", no SBT. Gugu cantou "Pintinho Amarelinho" e até hipnotizou uma galinha em cena. Com a alta audiência, e sendo um astuto empresário, Ratinho tornou conhecida no país a sua linha de produtos, os seus principais anunciantes.

Algumas figuras ficaram famosas pelo Brasil afora, aparecendo na atração. A dupla de irmãos gêmeos Caroço e Azeitona (Humberto e Alexandre de Oliveira, respectivamente), que faziam as vezes de segurança, apartando as brigas no palco. Mário Pereira, o Azulão (solta o Azulão, solta o Azulão...), que conheceu o estrelato após mais 30 anos trabalho nos bastidores da Record. O repórter Rodolfo Carlos, que acompanhou o apresentador quando este se transferiu da CNT. O saudoso Cláudio Chiriniam, o ET, falecido em fevereiro de 2010. E Luiz Carlos Ribeiro, o Rodela, antigo calouro de Silvio Santos.

Auditório não!

Com a popularidade em alta, Carlos Massa ganhou uma atração dominical, em 1998, o "Ratinho Show". Comandado diretamente do Teatro Paulo Machado de Carvalho, na antiga sede da Record, era comum ver as pessoas suando, por causa da falta de ar condicionado no auditório. Neste programa, atrações de todos os tipos desfilavam pelo palco. Os jurados eram os integrantes do programa Pânico e outros convidados, como Leão Lobo. A produção era de Valentino Guzzo, ex-produtor do "Show de Calouros", conhecida como a eterna Vovó Mafalda.

Comunicador popular, Ratinho queria estar ao lado do mais popular animador do Brasil. Este sonho se realizou em 1998, quando saiu da Record e foi para o SBT, comandar o "Programa do Ratinho", no ar até hoje. Curiosidade: Silvio Santos tinha tentado contratar o apresentador antes de Edir Macedo. O acordo só não foi fechado naquela época porque Silvio não queria dar um programa de auditório, mas sim o comando do jornal "Aqui Agora".

Vamos relembrar um pouco deste programa, com vários momentos de indignação do apresentador, polêmicos momentos como a entrevista com Inri Cristo, a primeira aparição do ET e a visita do Gugu. Agradecimentos: belohorizonte2009, leonardorecife2008, ricflairbol, growdasky2007, UOL e Divulgação/TV Record.















sábado, 8 de setembro de 2012

DE CARA A CARA COM GABI

A fórmula que consagrou Gabi nasceu na TV Bandeirantes
Marília Gabriela é o tipo da profissional completa. Faz de tudo: é atriz, cantora, apresentadora, escritora, jornalista... Mas sua faceta mais conhecida e reconhecida é a de entrevistadora. O programa "Cara a Cara", da TV Bandeirantes, consagrou o modelo de entrevista olho no olho e também sua condutora. Sua estreia aconteceu em 1987.

Por incrível que pareça, a ausência de cenário era a característica principal do programa. Seu fundo preto, sem nem mesmo mostrar a bancada, faziam com que o público ficasse atento somente na entrevista. Muitas vezes o "Cara a Cara" ganhava repercussão nacional.

Convivendo com um momento conturbado da política brasileira, e com a visita de astros e estrelas da música pop, a atração era referência para quem sonhava em ser um entrevistador. Gabi conseguia arrancar de seus convidados sempre uma declaração forte, ou entrar na intimidade e conseguir a confissão de alguns segredos.

Atores, atrizes, cantores, compositores, políticos, esportistas, líderes religiosos, enfim. Toda personalidade nacional e internacional tinha que bater um papo contundente e intimista (pelo close da câmera no entrevistado) com a jornalista. De Madonna a Fidel Castro, passando pelo líder palestino Yasser Arafat e pela conselheira sexual e apresentadora Sue Johanson.

Uma ministra, um violão...

"Cara a Cara" consolidou Marília Gabriela como a principal entrevistadora do Brasil. O programa foi indicado cinco vezes (de 1989 a 1994) ao Troféu Imprensa como melhor programa de entrevistas. A atração saiu do ar em 1994, mas seu formato acompanha Gabi em todas as emissoras por onde passou, inclusive no SBT, onde atualmente comanda o "De Frente com Gabi".

Curiosidade: uma das entrevistas mais marcantes deste programa foi com a então ministra da fazenda Zélia Cardoso de Mello. Depois de (tentar) explicar o confisco da poupança dos brasileiros em 1990, Zélia confessou estar vivendo um "amor platônico". O amado, que não foi revelado no ar, era o ministro da justiça, Bernardo Cabral. O pior (ou melhor) foi que o programa também teve um recital de violão da futura esposa de Chico Anysio!!!

Vamos conferir trechos de entrevistas com três grandes nomes da nossa música: Gal Costa, Maria Betânia e Rita Lee. Veja também a abertura do programa de entrevistas. Vídeos: You Tube. Imagem: reprodução.





sexta-feira, 7 de setembro de 2012

LOUCURA QUER SABER

Qual destas histórias poderia substituir "Carrossel"?
Este é um post especial. Em primeiro lugar, quero agradecer pelo índice de acessos que atingimos no último mês. Foram mais de 1100 clicadas em alguma das nossas viagens pelo mundo da televisão. Muito obrigado por esse carinho e respeito por esse trabalho de valorizar o que a nossa TV já produziu, ou trouxe de fora e nos fez conhecer outras culturas. Conto com sua visita e sua companhia sempre. Vamos voltar a produzir matérias exclusivas para o blog. Em breve, vem aí uma série sobre trilhas de abertura de novela. Não perca! Ah, e também vamos atrás de novos depoimentos de importantes personalidades da nossa telinha.

Em segundo lugar, vamos para os números finais da pesquisa que realizamos. Todos que acessaram viram no alto do canto direito, abaixo do título do blog, a pergunta: "O que você achou das estreias de 'Encontro' e 'Na Moral' na Rede Globo?" A maioria dos visitantes que responderam (77%) disseram que não gostaram, foi muito barulho para pouca novidade. Em seguida, com 22% dos votos, os participantes da enquete acham que é preciso melhorar os temas abordados. Nenhuma pessoa aprovou totalmente os novos programas globais. Muito obrigado a todos que participaram!

Hoje o Loucura inicia uma nova pesquisa. Diante do grande sucesso de "Carrossel" no SBT, há uma grande curiosidade por parte do público em saber qual será a substituta da novelinha infantil. Na linha dos remakes, sugerimos quatro grandes histórias, que foram apresentadas pela emissora de Silvio Santos: "Chispita" (1984, reprisada sete vezes), "Chiquititas" (1997, no ar por cinco anos consecutivos), "Carinha de Anjo" (2001, reapresentada em 2003) e "O Diário de Daniela" (2000, de volta em 2007).

Participe! Pode responder quantas vezes você quiser. Após o término da enquete, nós publicaremos os resultados. Para te ajudar a responder, confira as quatro aberturas das novelinhas. Agradecimentos: infantv, leandrorodriguesdeoo, rebelderoberta8, tvnarede.









sábado, 1 de setembro de 2012

60 ANOS DO PRIMEIRO A DAR AS ÚLTIMAS

Gontijo Teodoro apresenta "O Seu Repórter Esso"
Este é um clássico da nossa telinha. Por muitos anos, os primeiros telejornais eram chamados de "repórter", graças à força do primeiro grande noticiário da nossa TV: "O Seu Repórter Esso". O informativo estreou em abril de 1952 na TV Tupi.

A trajetória de sucesso do programa começou no rádio, em 1935, nos Estados Unidos, e se espalhou por 15 países. Em 1941 o Brasil passa a produzir a sua versão do radiojornal, através da antológica Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Era a principal fonte de informação dos brasileiros durante a Segunda Guerra Mundial, além de testemunhar a queda do Nazismo alemão e do Estado Novo de Vargas, aqui no Brasil. Com esse currículo, o "Repórter" não poderia ficar de fora do novo meio de comunicação, então com apenas dois anos de vida.

Como o público do rádio migrou para a televisão, o sucesso do jornal também o acompanhou na Tupi. Embora as emissoras de Assis Chateaubriand fossem "Associadas", elas não transmitiam em rede nacional. Cada estação tinha o seu "Repórter Esso": Kalil Filho em São Paulo, Luiz Jatobá e Gontijo Teodoro no Rio, Luiz Cordeiro em BH, Helmar Hugo em Porto Alegre e Edson Almeida em Recife.

Toda a pauta era elaborada e escrita pela McCann-Erickson, a agência de publicidade que produzia o jornal. As notícias vinham da UPA (United Press Associations) e da Agência Nacional. Cabia à emissora apenas providenciar o estúdio e o locutor. O patrocínio exclusivo da atração era da Standard Oil Company of Brazil, a dona dos postos Esso.

Não deu no Esso, não é verdade

Um dos slogans, que eram seguidos à risca, era: "o primeiro a dar as últimas". Sua contribuição para o rádio e a televisão existe até hoje. A estrutura de texto importada pelo noticiário, seguindo o modelo norte americano, ainda pode ser vista em qualquer telejornal atualmente: simplicidade, notícias curtas e objetividade. O programa aboliu de suas matérias qualquer tipo de adjetivo, muito comum na época, e padronizou um modelo de escrita ideal para o ouvinte e o telespectador.

A "Testemunha ocular da história", outro lema do jornal, noticiou fatos importantes, como o suicídio do presidente Getúlio Vargas em 1954, a morte da cantora Carmem Miranda em 1955, as várias revoluções pelo planeta nos anos 1960, inclusive com o assassinato de um de seus maiores ícones, Che Guevara, em 1967. A credibilidade era tão grande que a população só acreditava na veracidade de uma notícia se ela tivesse sido dada pelo noticioso.

Antecessor do "Jornal Nacional" da TV Globo, o líder "Repórter Esso" foi duramente cesurado pelos militares, a partir do golpe de 1964. Daí em diante era comum ver reportagens sobre desfiles de moda, garotas na praia, resultados de futebol e outras trivialidades, no lugar das matérias sobre política nacional, internacional ou qualquer tema que fosse considerado subversivo pelos censores. Com a cobertura retaliada, o jornal perdeu audiência, e saiu do ar em 31 de dezembro de 1970. Nesta época o informativo era exibido pela Tupi e pela Record. Sua versão radiofônica encerrou suas atividades no último dia do ano de 1968, também pela pressão da censura federal.

Curiosidade: em quase 20 anos de apresentação, o telejornal sempre foi ao ar às 19:45h. Nos seus intervalos, o comercial das alegres gotinhas da Esso animavam a telinha. Com o surgimento do Video Tape (VT) em 1960 por aqui, só estariam acessíveis em acervo os últimos 10 anos do jornal... em tese. Como não existia a filosofia da preservação dos programas gravados, especialmente os jornalísticos, além da falta de grana das emissoras, suas fitas eram reaproveitadas para outras produções. Sem contar a destruição deste material devido aos incêndios que atingiram algumas instalações televisivas.

Rever um mestre em ação é sempre bom! Então confira a clássica abertura, alguns trecho de uma das últimas edições de 1970, exibida pela TV Tupi-Rio, e o comercial das gotinhas da Esso. Agradecimentos: ksommer90, 8desetembro, dvddatv, Arquivos1000 e integracaobrasil.blogspot.com.










sábado, 25 de agosto de 2012

A NOVELA NA NOVELA

Tarcísio e Glória em Espelho Mágico, de 1977
A novela "Máscaras", exibida pela TV Record, não tem conquistado muita audiência. Vários podem ser os fatores. Um deles talvez seja a incompreensão da trama por parte do público. Essa não seria a primeira vez que isso acontece com um folhetim, e nem mesmo com o seu criador.

Em 1977, o autor Lauro César Muniz resolveu escrever uma novela que contava a vida dos atores de uma novela, do cinema e uma peça teatral, Cyrano de Bèrgerac, de Edmond Rostand. "Espelho Mágico" foi ao ar pela TV Globo há 35 anos, às 20 horas. A história envolvia os artistas da ficctícia trama "Coquetel de Amor", com Diogo Maia (Tracísio Meira) e Leila Lombardi (Glória Menezes). "Coquetel" era escrita por Jordão Amaral (Juca de Oliveira), apaixonado por Leila. Ele declara seu amor pela atriz através dos textos do seu folhetim.

Os dramas da novela real caminhavam com as dificuldades dos personagens da outra novela. Também estavam lá a bailarina Luíza Barbosa (Heloísa Millet), o jornalista especializado em artes e espetáculos Edgard Rabello(Carlos Eduardo Dolabella) e o comediante decadente Carijó (Lima Duarte). Os atores da novelinha atuavam na peça. As hisórias giravam em torno das dificuldades vividas pelos profissionais do meio artístico.

Duas em uma

Para mostrar como funcionava os bastidores de uma produção dramaturgica, a equipe da Globo realizou todas as etapas necessárias para colocar a novela "Coquetel..." no ar, desde escolha de elenco, figurino, até mesmo cenários próprios para a trama!

"Espelho..." usou metalinguagem, ou seja, contou a novela dentro de uma novela, e isso deu um nó na cabeça do público. Em certo momento, os telespectadores se viam torcendo pelos personagens de "Coquetel de Amor". Talvez por isso, os noveleiros de plantão tenham torcido o nariz para a trama.

Curiosidades: "Espelho Mágico" marca a estreia na Globo de Vera Fisher e Tony Ramos, este vindo com grandes sucessos da Tupi na bagagem. Ao final de cada capítulo, os atores davam depoimentos reais sobre os prazeres e as lutas enfrentadas pela classe artística e durante suas carreiras. No LP da trilha sonora estavam os dois logotipos das novelas!

Veja a chamada da novela e a abertura de "Espelho Mágico", além de uma cena com Tarcísio Meira, Carlos Eduardo Dollabela e Vera Fischer.

Agradecimentos: hclchicago, dvddatv, marcatudo22 e Divulgação/TV Globo





quarta-feira, 22 de agosto de 2012

NÃO DIGA ALÔ, DIGA ALÔ CHRISTINA!

Christina Rocha dava prêmios pelo telefone, no SBT
Embora já tenham se passado 15 anos, a atual apresentadora do programa "Casos de Família" do SBT ainda é lembrada por sua primeira atração solo na emissora de Silvio Santos: "Alô Christina".

O game show estreou em 30 de abril de 1997. Era transmitido ao vivo, direto do Teatro Silvio Santos. Mas a abertura, mostrando a apresentadora nos glamurosos preparativos para cantar e dançar a música-tema do programa, já foi produzida no estúdio 2 do Complexo Anhanguera. Jô Soares gravava seu talk show neste local.

Christina Rocha é o que podemos chamar de "prata da casa". Está na emissora antes mesmo da inauguração da rede. Comandava no final dos anos 1970 na TVS-Rio "O Povo na TV", ao lado de Wagner Montes, Sérgio Mallandro e Roberto Jefferson, então apenas um advogado. Com o fim do polêmico programa, Christina apresentou diversas atrações, entre elas "TV Powww", e foi repórter do semanal "Viva a Noite" de Gugu Liberato. Em 1991 passou para a bancada do popular jornal "Aqui Agora".

Mas a apresentadora queria mais. Tinha vontade de ter um programa só seu. Tanto insistiu ao então cunhado Silvio Santos (ela foi casada com Rubens Pássaro, irmão de Íris Abravanel), que ganhou o "Alô Christina". O formato foi inspirado no argentino "Hola Suzana", que consagrou Suzana Gimenez como a "Hebe Camargo portenha".

Números nem tão favoráveis...

A fórmula era simples: bastava o telespectador enviar uma carta com seu número de telefone, e torcer para ser sorteado. A senha para o sortudo brincar ao vivo, quando o telefone tocava, era dizer o título do programa. Só por isso o felizardo já ganhava uma quantia em dinheiro (R$50,00 ou R$100,00). Nas diversas brincadeiras, tinha prêmios de todos os valores: de uma secretária eletrônica a um carro zerinho, zerinho!!!"Alô Christina" era uma opção para quem não queria ver o futebol das quartas na Globo. Meses depois, a atração passou a ser gravada.

A apresentadora consultou particularmente uma numeróloga, que sugeriu trocar a grafia do nome. Passou a ser "Alô Christinah", e depois "Alô Chystynah". Eram três segundos só para escrever o novo nome na vinheta de abertura! Mas parece que a consultoria não funcionou. Devido a baixa audiência, o game saiu do ar em março de 1998. No entanto existem fãs do programa na internet, que montam comunidades para aqueles que assistiam e sentem saudades do semanal.

Curiosidade: A supervisora de Christina Rocha era Nelly Raymond, produtora argentina amiga do dono do SBT desde os tempos da Globo, e uma das responsáveis pela criação do "Viva a Noite". Silvio Santos não desistiu da fórmula de "Hola Suzana", e aplicou-a novamente para o programa "Charme" com Adriane Galisteu, em 2004. Lembram-se do "Como vai, Galisteu", a senha para participar dos jogos?

Vejam a abertura, cheia de muito requinte e glamour, e o trecho inicial da estreia. E lembre-se: não diga alô, diga alô Christina... se a pessoa do outro lado da linha se chamar assim!!!

Agradecimentos: EnioMarcioValle e Reprodução/SBT

sábado, 18 de agosto de 2012

TRÊS DÉCADAS DO MÉXICO NA TV

Verônica Castro, protagonista da primeira novela mexicana no SBT
Embora este blog conte sobre a trajetória da televisão brasileira, em alguns momentos é necessário falar sobre certos produtos estrangeiros que marcaram a nossa telinha nesse pouco mais de meio século. Nos 31 anos do SBT, que serão completos em 19 de agosto, uma de suas marcas registradas são as novelas mexicanas, que fazem 30 anos de aceitação nacional em 2012. A primeira produção importada para cá por Silvio Santos foi "Los Ricos También Lloran", que ganhou a tradução brasileira "Os Ricos Também Choram".

Mas por que comprar novelas prontas, e não produzí-las aqui no Brasil? Vamos entender: antes da emissora nascer, a empresa do apresentador, a Studios Silvio Santos, contratou um elenco de peso e a novelista Ivani Ribeiro, autora de "A Viagem" na Tupi, para realizar folhetins e vender para canais de TV brasileiros. Acontece que a trama "O Espantalho" foi muito cara e pouco lucrativa. Em breve nós vamos falar dela com mais detalhes.

Diante deste trauma, o animador precisava de um sucesso garantido para sua nova rede, mas que lhe custasse barato. Sempre antenado no que acontece no universo televisivo mundo afora, soube de uma trama mexicana que estava sendo muito bem aceita em vários países. Imediatamente entrou em contato com a Televisa, a emissora produtora, e comprou os direitos de exibição de "Os Ricos Também Choram", que estreou em 5 de abril de 1982.

Junto com "Os Ricos", a TVS produziu a novela "Destino", adaptação de um texto latino, com Ana Rosa, Flávio Galvão e Denis Derkian. Mas também não foi muito bem sucedida. Enquanto a trama brasileira teve 55 capítulos, a estrangeira teve 300. Um sucesso absoluto, nunca antes visto em terras tupiniquins. A protagonista mexicana, a atriz Verônica Castro virou celebridade por aqui, batendo ponto em alguns programas da casa, ao longo dos anos. Foi até jurada no concurso Miss Brasil 82.

Maria la del barrío soy...

A novela conta a história de Mariana Villareal, uma moça pobre criada na fazenda por seu pai e sua madrasta. Após o falecimento do pai, a jovem fica aos cuidados da madrasta e de seu amante. Sem saber que tinha uma fortuna a receber, Mariana decide ir para a capital, onde encontra abrigo com um padre. Sensibilizado, o sacerdote convence um bondoso milionário a levar a órfã para sua casa. Lá ela encontra a esposa do velho rico e seus dois filhos, além da inveja de uma prima, que vai se casar com o filho mais novo do senhor endinheirado. Quis o destino que este jovem rebelde se apaixonasse por Mariana, com quem se casaria, deixando a priminha mimada furiosa. Porém o casal ainda sofreria e choraria muito até descobrirem que os ricos também choram, mas no final vivem felizes para sempre.

Ficou meio difícil de entender o enredo? Embora esta novela tenha sido reprisada pelo SBT algumas vezes, na década de 1980, a emissora comprou e exibiu o remake mexicano deste folhetim, "Maria do Bairro", em 1997. A versão estrelada pela cantora mexicana Thalía tem algumas diferenças, entre elas a prima (Soraya) que não volta para atormentar o casal na versão original, e a herança, que Maria do Bairro nunca teve. A mais recente reapresentação da última novela da "trilogia das marias" acabou há pouco tempo, totalizando cinco exibições (1997, 1998, 2004, 2007 e 2012).

"Os Ricos Também Choram" foi produzida originalmente em 1979, e foi apresentada em 180 países. Seu sucesso criou uma tradição na emissora de Silvio Santos, que sempre recorreu às produções latinas para seu horário de novelas do SBT. Desde então toda e qualquer novela dublada, vinda de qualquer lugar da América Latina é chamada por aqui de "novela mexicana". Seus enredos dramáticos, lacrimósos e carregados na emoção (a essência do gênero novela) são um contra-ponto às tramas modernas da TV Globo. Sempre houve períodos em que a antiga TVS quis se livrar das "mexicanas", mas a emissora criou um hábito e um público, que gosta de uma novela mais clássica, com amores impossíveis.

Curiosidade: a primeira novela da Televisa comprada pelo ex-dono do Baú foi refeita por aqui em 2005, com Thaís Fersoza, Márcio Kieling, Ludmila Dayer, Jonas Bloch e Glauce Graieb. A diferença foi o "abrasileiramento" que a trama sofreu. Sua história se passava em 1930, época dos barões paulistas do café, na cidade de Ouro Verde. Até mesmo este jornalista que vos escreve foi figurante nesta produção!

Vejam abaixo as aberturas brasileira, mexicana (com o tema interpretado por Verônica Castro), e a vinheta da versão brasileira deste sucesso. Ah, e antes que perguntem, não tem na internet nenhum vídeo com a minha participação na trama (lamentavelmente, pois nem eu pude gravar na época da exibição). Agradecimentos: Mgbrasil1982, stephen5g, ricardosantosal