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sábado, 25 de agosto de 2012

A NOVELA NA NOVELA

Tarcísio e Glória em Espelho Mágico, de 1977
A novela "Máscaras", exibida pela TV Record, não tem conquistado muita audiência. Vários podem ser os fatores. Um deles talvez seja a incompreensão da trama por parte do público. Essa não seria a primeira vez que isso acontece com um folhetim, e nem mesmo com o seu criador.

Em 1977, o autor Lauro César Muniz resolveu escrever uma novela que contava a vida dos atores de uma novela, do cinema e uma peça teatral, Cyrano de Bèrgerac, de Edmond Rostand. "Espelho Mágico" foi ao ar pela TV Globo há 35 anos, às 20 horas. A história envolvia os artistas da ficctícia trama "Coquetel de Amor", com Diogo Maia (Tracísio Meira) e Leila Lombardi (Glória Menezes). "Coquetel" era escrita por Jordão Amaral (Juca de Oliveira), apaixonado por Leila. Ele declara seu amor pela atriz através dos textos do seu folhetim.

Os dramas da novela real caminhavam com as dificuldades dos personagens da outra novela. Também estavam lá a bailarina Luíza Barbosa (Heloísa Millet), o jornalista especializado em artes e espetáculos Edgard Rabello(Carlos Eduardo Dolabella) e o comediante decadente Carijó (Lima Duarte). Os atores da novelinha atuavam na peça. As hisórias giravam em torno das dificuldades vividas pelos profissionais do meio artístico.

Duas em uma

Para mostrar como funcionava os bastidores de uma produção dramaturgica, a equipe da Globo realizou todas as etapas necessárias para colocar a novela "Coquetel..." no ar, desde escolha de elenco, figurino, até mesmo cenários próprios para a trama!

"Espelho..." usou metalinguagem, ou seja, contou a novela dentro de uma novela, e isso deu um nó na cabeça do público. Em certo momento, os telespectadores se viam torcendo pelos personagens de "Coquetel de Amor". Talvez por isso, os noveleiros de plantão tenham torcido o nariz para a trama.

Curiosidades: "Espelho Mágico" marca a estreia na Globo de Vera Fisher e Tony Ramos, este vindo com grandes sucessos da Tupi na bagagem. Ao final de cada capítulo, os atores davam depoimentos reais sobre os prazeres e as lutas enfrentadas pela classe artística e durante suas carreiras. No LP da trilha sonora estavam os dois logotipos das novelas!

Veja a chamada da novela e a abertura de "Espelho Mágico", além de uma cena com Tarcísio Meira, Carlos Eduardo Dollabela e Vera Fischer.

Agradecimentos: hclchicago, dvddatv, marcatudo22 e Divulgação/TV Globo





sábado, 28 de julho de 2012

A GATA E O PRÍNCIPE DA TUPI

Os cantores protagonistas de "Cinderela 77"
Os clássicos contos de fada também inspiraram muitas novelas brasileiras, mas nesse caso a adaptação seguiu à risca a lenda infantil. "Cinderela 77" foi ao ar pela Rede Tupi de Televisão há 35 anos. Escrita por Walter Negrão (autor de sucessos globais como "Fera Radical", "Despedida de Solteiro" e recentemente "Araguaia") e Chico de Assis, a trama apenas trouxe para os anos 1970 a história criada pelo francês Charles Perrault em 1697.

A trama se passou entre maio e agosto de 1977, e tinha como Cinderela a cantora Vanusa. Seu príncipe era ninguém menos que o também cantor Ronnie Von. O artista ganhou o papel também por causa de seu apelido, nos tempos dos musicais da TV Record: o príncipe. Nossa gata borralheira era hippie, vivia cantando o amor. Era sempre humilhada pela sua madrasta Catarina (Elizabeth Hartman) e suas meio-irmãs Cassandra (Kate Hansen) e Bárbara (Leda Senise). O passatempo preferido da megera era perseguir o pombo Rolando, criado pela órfã loira.

Muita criatividade, pouca grana

O príncipe Sid Balu, apelido de Sidnei Baluarte, era chamado assim por ser filho de Lupércio Baluarte (Mário Bevenutti), o Rei da Abóbora de Campo Dourado, cidade fictícia nos confins do Brasil rural. Como se não bastasse trazer dois ídolos dos tempos da Jovem Guarda, ainda em alta na época, "Cinderela 77" também tinha duas gangs de rua, os Gatos (os riquinhos da cidade) e os Ratos (os jovens trabalhadores dos campos), que vez por outra se confrontavam. Cinderela viu sua vida mudar a partir de um baile, promovido por Sid, onde o príncipe iria escolher uma mulher para se casar. Claro que dá pra imaginar o final dessa história! O casal fica junto no final e vive feliz para sempre.

A novela foi a primeira produção colorida das 18h na Tupi. O sucesso veio através das crianças e dos jovens que não desgrudavam da tela. Agradou tanto que era reapresentada na parte da manhã. Mesmo assim, um narrador comentava o que se passou no dia, no final do capítulo, e convidava os telespectadores para assistirem as cenas do dia seguinte! Foi uma das tramas mais baratas da emissora, que estava à beira da falência. A produção fazia verdadeira mágicas, dignas de fada madrinha, para colocar a história no ar.

Sem dúvida os dois protagonistas estavam presentes na trilha sonora, mas o tema de abertura foi interpretado pelo Quarteto Maior: "Sonho Encantado". Vale a pena conferir essa música e também algumas cenas de "Cinderela 77", incluindo a cena do sapatinho no baile.

Agradecimentos: variandoideias.blogspot.com, Hustox e dvddatv