Não acho legal repetir temas, mas vale a crítica. Em comemoração aos 29 anos de sua fundação, o SBT lançou sua nova campanha, entitulada "Cidade de televisões". Ao longo de sua história, a emissora sempre teve tradição nessas vinhetas que passam ao longo da programação. São clássicas as campanhas "Quem Procura Acha Aqui" (1987), "Vem Que É Bom"(1990), "Aqui Tem" (1992), "Se Liga no SBT" (1994) e "Fique Ligado no SBT" (1995). Fizeram a cabeça de muitos telespectadores da época. Há um bom tempo não era produzida uma vinheta que resgatasse essa boa fama da emissora.
"Cidade de Televisões" foi criada pela agência Publicis Brasil e produzida pela Margarida Flores e Filmes, com aprovação final de Silvio Santos, como sempre! Esta é a primeira que não é produzida pelo SBT. A rede ou comprava os direitos de vinhetas consagradas nos Estados Unidos (são os casos de "Quem Procura Acha Aqui" e "Vem Que É Bom", por exemplo), ou elaboradas pela equipe de promoção do canal (como "A Cara do Brasil" de 1998, e "Na Nossa Frente, Só Você" de 2000).
A nova campanha é moderna, empolgante, dinâmica, e acima de tudo: inovadora, apesar de lembrar outra vinheta do canal de Silvio Santos, onde televisores formam a sigla da emissora. A equipe de criação e produção está de parabéns pois conseguiu dar um ar jovial e atual para a vinheta. Soube destacar todo o elenco da emissora. E parabéns ao SBT pela campanha e pelos 29 anos.
Curiosidade: durante toda sua existência, Silvio Santos só participou fisicamente das campanhas "Quem Procura Acha Aqui" em 1987, "Vem Que É Bom" em 1990 e "Fique Ligado no SBT" em 1995. Das outras todas foram usadas imagens de seus programas.
Nesta Quinta-Feira, dia 19 de agosto, o SBT comemora seus 29 anos de existência onde tudo começou. Engana-se quem pensa que estou falando de Silvio Santos apenas. A emissora vai promover sua festa de aniversário no programa A Praça é Nossa, com todo o elenco do canal. Não se sabe se o dono também vai comparecer. Mas o ponto onde quero chegar é a importância da Família Nóbrega para a fundação da antiga TVS.
Vamos voltar no tempo, mais precisamente para 1954. Um jovem locutor iniciava sua carreira no Rio de Janeiro. Era um tal Silvio Santos. Junto com ele trabalhava um outro rapaz chamado Fernando de Nóbrega. Silvio tinha outros negócios além da carreira artística. Ganhava dinheiro animando a travessia da Barca Rio-Niterói (naquele tempo a ponte não existia), proporcionando música, bingo, bebidas diversas, e executava comerciais por um sistema de alto-falantes que ele mesmo montou. Fernando não queria viver do rádio. Apenas juntava dinheiro para pagar a faculdade de medicina que cursava.
Naquele ano, a barca onde Silvio trabalhava quebrou, e ficaria meses no conserto. Seu negócio ficaria parado. O dono da cervejaria Antártica, a principal cliente do animador, o convidou para conhecer São Paulo, "a locomotiva do país", segundo ele. Silvio comunicou sua saída para Fernando, que decidiu indicá-lo ao irmão que vivia na capital paulista, certo de que poderia ajudá-lo, e lhe deu uma carta de recomendação. O irmão de Fernando era Manoel de Nóbrega, o deputado mais votado da época e o maior sucesso do humor no rádio brasileiro.
Silvio conta que veio para a terra da garoa com uma mala de roupa somente. Soube de uma seleção de locutores que a Rádio Nacional estava realizando e passou em primeiro lugar. Após vencer o concurso, o jovem locutor foi procurar Manoel com a carta. Nóbrega lhe disse que conseguiria colocá-lo dentro da emissora facilmente, mas Silvio disse que não precisava, pois já era um elemento da Nacional, e que queria entrar com méritos próprios. O humorista se impressionou e viu no rapaz de 24 anos uma pessoa de caráter e valor. Era o começo de uma paternal amizade.
O criador da Praça da Alegria, pai de Carlos Alberto de Nóbrega, ajudou Silvio sempre que pode. Como todos sabem, o Baú da Felicidade, a primeira empresa do animador, foi dada por Nóbrega e foi a mola propulsora do Grupo Silvio Santos. O que pouca gente sabe é que Nóbrega também deixou livre o horário das tardes de domingo, quando soube que o dono do Baú o queria para lançar o Programa Silvio Santos. O humorista também foi um dos principais responsáveis pela conquista do primeiro canal do futuro SBT, a TVS canal 11 do Rio de Janeiro.
Comemorar o aniversário da emissora na Praça é também uma forma de reconhecer mais uma vez que essa vitória é dedicada a Manoel de Nóbrega, e mostra o valor de uma gratidão e a força de uma amizade. Às portas de ser uma "trintona", a rede de Silvio Santos atrapalha bastante o sonho da vice liderança da Rede Record. Internamente, o clima entre os funcionários é de um time unido e feliz por continuar com todos os ideais propostos por Manoel de Nóbrega em seu discurso no dia da assinatura do contrato de concessão da TVS, em 22 de dezembro de 1975.
Curiosidade: O canal 11 do Rio estreou em 14 de maio de 1976, mas a rede SBT só nasceu oficialmente em 19 de agosto de 1981, quando 4 emissoras da Rede Tupi foram cassadas e se transformaram em TVS. O marco foi a transmissão da cerimônia de outorga, direto do Ministério das Comunicações em Brasília, ao vivo. Algo inédito e único até hoje no país.
Os vídeos abaixo mostram Silvio Santos na estréia de A Praça é Nossa, relembrando esses e outros fatos e reconhecendo a Manoel de Nóbrega a conquista da emissora, demosntrando sua eterna gratidão.
No próximo domingo é dia dos pais, uma data comemorada em todo Brasil, reunindo os filhos e aqueles que são "os homens da casa". Na TV, eles foram representados das mais variadas formas possíveis.
Talvez uma das maiores referências paternas televisivas seja a série americana Papai Sabe Tudo, que foi apresentada pela TV Globo e pela TV Tupi nos anos 60 e 70. Nesse programa, o patriarcaJim Anderson (Robert Young) realmente sabia tudo, dando conselhos para os filhos sobre os mais diversos assuntos. A família americana perfeita estava ali representada. Em contrapartida, Homer Simpson mostra aos filhos Bart, Lisa e Maggie como não ser um pai inteligente, no desenho Os Simpsons (TV Globo). A família americana com suas imperfeições está ali representada!
Na dramaturgia nacional, o progenitor do lar apareceu em várias facetas. Quem não se lembra do rígido Júlio, esposo de Dona Lola em Éramos Seis (SBT-1994)? Tenho certeza que muita garotinha teve pena do Caio Blat, interpretando o filho mais velho do casal, Carlos, quando ele apanhou de cinta. O juizado não permitiria essa cena hoje em dia! Mas também tivemos pais bem mais condescendentes como Arthur (Flávio Galvão), recém separado e com três filhas para criar em O Grande Pai (SBT-1991). Nessa mesma linha, porém mais moderninho do que Arthur, está o Gaspar (Nuno Leal Maia), surfista e responsável por seus cinco rebentos em Top Model (TV Globo-1989). Outra novela que marcou muito as famílias brasileiras foi Pai Herói(TV Globo-1979). A trama apresentava André Cajarana (Tony Ramos) e seu amor pelo pai falecido, que acreditava ter sido um grande homem.
A figura paterna também está presente de outras formas na telinha, não apenas na ficção. Muitos comunicadores abrem o espaço conquistado por eles para que suas crias também alcancem um lugar ao Sol. Um dos casos mais antigos é o do Velho Guerreiro Chacrinha, que por muitos anos foi dirigido por seu filho Leleco Barbosa. O animador Raul Gil também segue as ordens de seu segundo filho, Raul Gil Jr., o Raulzinho. Silvio Santos nunca direcionou suas filhas para a carreira televisiva, mas a influência falou mais alto no caso de Silvinha Abravanel. A "filha número dois", como gosta de brincar o dono do Baú, começou na TV como produtora nos anos 80 e já dirigiu o dominical do pai, Roda a Roda (SBT).
No humor, as dobradinhas se repetem: Paulo e Flávio Silvino, Moacyr e Gutto Franco, Lúcio Mauro e Lúcio Mauro Filho, sem contar Chico Anysio e seus filhos Nizo Neto, Bruno Mazzeo, e outros, e um caso de três gerações que há 60 anos fazem rir: Manoel, Carlos Alberto e Marcelo de Nóbrega (sendo o último o atual diretor de A Praça é Nossa, no SBT) .
No jornalismo, encontramos Joelmir e Mauro Beting, Milton e Fábio Lucas Neves e José Luiz e Joel Datena (que era repórter do programa No Coração do Brasil, na Band).
Eu costumo dizer que se mãe é mãe, pai também é pai! Não importa se ele é parecido com alguém da TV ou não, se ele não é o super heroi que sempre sonhamos quando criança, e que muitas vezes ele é quem cria essa imagem na cabeça do filho. Não importa se é alto, baixo, rico ou pobre, branco, negro, amarelo, vermelho... não importa nem mesmo se tem o mesmo sangue. O que realmente interessa é que ele faz parte de um capítulo importante da vida e da formação de um ser humano. Aos pais leitores deste blog, um feliz dia dos pais.
Nessa semana, vasculhando os milhares de vídeos que existem na internet, um deles me chamou a atenção e me fez recordar um período que não volta mais, porém está bem guardado no coração de todos: a infância.
Quem foi criança especialmente nos anos 80 deve se lembrar dos seriados japoneses que fizeram a cabeça da garotada, pela Rede Manchete de Televisão. Um deles foi febre no Brasil: O Fantástico Jaspion, ou simplesmente Jaspion. O guerreiro galáctico chega às telinhas brasucas para rechear a programação infantil da emissora de Adolpho Bloch, já que ela não podia contar com os desenhos animados dos grandes estúdios americanos, que estavam exclusivamente com a Globo e o SBT.
Jaspion ainda bebê sobrevive ao ataque que sua família sofreu por piratas espaciais. O órfão é criado pelo Mestre Edin, que lhe apresenta e o prepara para sua missão: destruir Satã Goss, o poderoso mutante do mal, que pretende fazer da terra um planeta dos monstros. Para ajudar, Jaspion conta com a atrapalhada andróide Anri e a alienígena Miya, que deve ter servido de inspiração para os Teletubbies. No lado negro da força, o time é composto por McGaren, o filho único de Satã Gosss (mimado como tal, e ruim de braço como ninguém!), as bruxas galácticas Kilza e Kilmaza (quem esquece aquela castanhola maldita!), Purima e Gyoru. Foram vários os vilões que passaram, mas todos iam sendo destruídos no decorrer do seriado.
Para derrotar Satã Goss, segundo a Bíblia Galáctica, era necessário reunir as cinco crianças e um bebê, irradiadas pela luz do Pássaro Dourado. Jaspion também contava com alguns brinquedinhos tecnológicos, como todo bom japonês, para cumprir sua missão, como a sua armadura Metaltex (feita com o metal mais resistente do universo), o tanque de guerra Gabin (muito mais moderno do qualquer similar da vida real, mesmo os japoneses!), a Allan Moto Space e a nave espacial, e robô gigante de batalhas nas horas vagas, Daileon.
O seriado foi produzido no início dos anos 80 pela Toei Amination, no Japão. No final da mesma década foi comprado pela Rede Manchete que o exibia dentro do programa Clube da Criança, comandado por Angélica. Já nos anos 90, tendo o mesmo problema da emissora carioca, a Rede Record reapresentou Jaspion dentro do programa Tarde Criança com Mariane, com uma vantagem: a emissora dos Bloch fez do herói japonês o seu Chaves, ou seja, era o grande coringa da sua programação, e muitas vezes não exibia o último episódio, para manter a expectativa do público mirim. A Record também tinha Jaspion como sua carta na manga, mas apresentava a saga completa, do princípio ao fim.
Jaspion não foi o primeiro e nem será o último herói da terra do sol nascente a fascinar as crianças brasileiras, os Power Ranges (que é uma co-produção entre americanos e japoneses) estão aí e não me deixam mentir. Mas para todos aqueles que o acompanharam, fica uma saudade do mundo da fantasia em que viviamos e das aventuras que nos entretinham por horas após a escola.
Matem essa danada dessa saudade com os vídeos de Jaspion.
Há algumas semanas, eu falei sobre o atual momento humorístico que vive a televisão brasileira. Uma das coisas boas que surgiu é o Furo MTV, comandado por Dani Calabresa e Bento Ribeiro.
A atração estreou despretensiosamente no ano passado, e se mostra como uma excelente opção de humor na TV. O programa apresenta as notícias mais importantes do dia, recheadas com sarcasmo, ironia e tiradas inteligentes.
A sintonia entre o casal apresentador é importante para que o jornal não tenha um ator principal e um coadjuvante, ou escada (como é chamado o colega que prepara a piada para o parceiro em cena. Carlos Alberto de Nóbrega é um bom exemplo). Aliás essa função também é dividida entre os dois.
O que é melhor: como o Furo MTV é factual, não se torna cansativo ou repetitivo. Sua equipe de redatores não tem limites. Fazem piada de tudo e de todos, inclusive deles mesmos e sua audiência no IBOPE (se Dani estivesse lendo isso diria "que audiência!"). É uma alternativa para quem não sabe o que assistir na TV.
Embora não seja essa a intenção, o programa também resgata um pouco da crítica escrachada e bem-humorada, que um dia fez despontar a turma do Casseta & Planeta Urgente, na TV Globo. Talvez seja buscando nas sua origens a porta para o caminho da renovação tão necessária para a atração global.
O Furo vai ao ar de segunda a sexta, as 22:00h, com reprise de segunda a quinta a 1:00h. Parabéns para a MTV, por colocar no ar tão bom programa, incentivando assim a busca por novos talentos, não só na frente mas também atrás das câmeras, principalmente redatores e produtores. Se não abrirem a "panelinha", o que tiver dentro um dia envelhece ou estraga, mesmo na geladeira!
Todo mundo sabe que o jornalismo nunca foi o forte do SBT, embora o primeiro gênero a ir ao ar na emissora foi a reportagem que cobria a cerimônia de concessão da própria televisão, em 19 de agosto de 1981, em Brasília. Para se ter uma idéia do heroísmo dos jornalistas e técnicos, naquele dia o único retorno da qualidade da transmissão era um telefone na portaria do Ministério das Comunicações.
Antes disso, a TVS, primeira emissora de Silvio Santos, já tinha um "telejornal", feito com notícias sem atualidade. Funcionava assim: a produção lia principalmente revistas para buscar assuntos que, na linguagem jornalística eram "frios" e poderiam ser exibidos em qualquer dia que não faria diferença. O curioso desse informativo que estreou no canal 11 do Rio em 1977 é que ele era gravado em São Paulo, onde ficavam os estúdios do animador, e reprisado de segunda à sábado! Para ilustrar as reportagens, eram exibidas fotografias recortadas das prórpias revistas!
Já com a sua rede, o dono do Baú resolveu revolucionar! Lançou o primeiro telejornal matutino em rede nacional, às 7:30 da manhã, o Noticentro. O nome é uma tradução literal do seu modelo americano (News Center). O jornal adotou uma apresentação mais descontraída, os apresentadores conversavam entre si, se despediam do publico de mãos dadas e assim saíam, na penumbra, enquanto rolavam os créditos finais. Quem apresentava eram os jornalistas Gilberto Ribeiro, Antônio Casale, Lívio Carneiro e Jorge Helal, todos vindos da extinta TV Tupi. Uma das repórteres dessa época continua no SBT até hoje. É Magdalena Bonfiglioli, que hoje está no Programa do Ratinho. Outra figura conhecida do grande público era Felisberto Duarte, o Feliz, o famoso homem do tempo. O jornal conquistou o público.
O Noticentro saiu das manhãs em 25 de fevereiro de 1982 e ganhou o horário nobre, das 18 às 19h. Apesar de ser o principal telejornal da casa, a filosofia do jornal seguia a filosofia do SBT, com uma programação popularesca. Apesar de diferente, nunca o noticiário conseguiu ser uma opção real ao seu maior concorrente, o Jornal Nacional na Globo. A estrutura que a emissora dispunha era muito menor do que a da concorrente. E tinha um outro detalhe: durante sua existência, o Noticentro conviveu com a dívida que a emissora possuía desde quando foi inaugurada. Silvio Santos só se livrou dessa dor de cabeça em 1992, quando a empresa passou a gerar resultados financeiros positivos.
O primeiro telejornal do SBT ficou no ar até 1988, quando estreou o TJ Brasil, com Boris Casoy, para elevar o nível de qualidade da programação. Por ter exatamente 29 anos, é muito difícil encontrar material do Noticentro no YouTube. O que encontrei foi essa reportagem da época em que Silvio Santos queria ser candidato a prefeito da capital paulista, e havia recebido a visita do empresário Antônio Emírio de Moraes.
Agradecimento: AndreiaM30 e marioluciodefreitas Fonte: A Fantástica História de Silvio Santos, Arlindo Silva (Ed. do Brasil, 2000)
Noticentro: Silvio Santos e Antônio Ermírio de Moraes (Parte 1)
Noticentro: Silvio Santos e Antônio Ermírio de Moraes (Parte 2)
Nesta semana, mais precisamente no dia 30, completou-se 22 da partida do grande comunicador do Brasil: José Abelardo Barbosa de Medeiros, o famoso Chacrinha.
Até este pernambucano de Surubim surgir no rádio, os programas eram muito formais, especialmente seus apresentadores. Abelardo trouxe o jeitão brasileiro de se comunicar. E olha que foi por acaso que ele foi parar na frente do microfone.
Ele iria ser médico. Enquanto estava na faculdade, adoeceu e perdeu as provas. Virou baterista de uma banda e ia viajar para a Europa com o conjunto, para ganhar uma graninha. Mas, no meio do caminho tinha uma guerra, tinha uma guerra no meio do caminho. O conflito iniciado por Hitler no velho continente mudou o rumo do navio, onde estava Abelardo, para o Rio de Janeiro. Mal sabia que sua vida também se transformaria por completo.
Na então capital federal, ele se encantou pelo rádio e pela badalação dos famosos nos cassinos. Depois de algum tempo como locutor comercial, ganha um espaço no final da programação da rádio que ficava numa chácara. Resolveu então reproduzir no rádio uma festa num cassino. Por isso o programa foi chamado de Cassino da Chacrinha. O programa era um verdadeiro sucesso, mas ninguém sabia que o locutor era Abelardo Barbosa, e sim um louco da chacrinha. Taí o apelido famoso.
Nos anos 50, Chacrinha foi para a TV, inaugurá-la com o programa Rancho Alegre. Logo, o Velho Guerreiro lançou vários de seus sucessos na telinha, como A Buzina do Chacrinha, Discoteca do Chacrinha e Cassino do Chacrinha. Durante quase trinta anos na TV, esteve com tudo e não esteve prosa no IBOPE, sendo sempre uma das maiores audiências de qualquer emissora. E passou por várias: TV Tupi, TV Record, TV Bandeirantes, TV Excelsior, TV Rio, e encerrou sua carreira na TV Globo. Foi um assíduo frequentador da ponte aérea, pois na época em que não existiam as redes, o apresentador comandava seus programas em dias alternados no Rio e em São Paulo. Além dos shows que fazia pelo Brasil inteiro.
Na emissora dos Marinho, Chacrinha passou duas temporadas. Na primeira, em 1967, juntamente com Dercy Gonçalves e Silvio Santos, formava a programação popularesca, assim definida pelo então diretor José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Ou seja, não tinha o idealizado Padrão Globo de Qualidade, mas davam audiência. O apresentador saiu da Globo em 1972, voltando só 10 anos depois, no auge da carreira.
Para ser sincero, são muito poucas as lembranças que tenho do Chacrinha na TV. Tudo o que lembro são imagens de arquivo, exibidas eventualmente. Quando descobriu que estava com câncer de pulmão, e necessitava se internar, foi substituído pelos humoristas Agildo Ribeiro e João Kleber (sim, ele foi global um dia!).
O que é muito divertido ver nos programas dele são os calouros, os concursos mais malucos da TV, os musicais e as Chacretes. Claro que todos os truques de um bom comunicador são uma veradeira aula para qualquer estudante dessa maquininha de fazer doidos, ou para quem quer ser parecido com ele. Apesar de ser dele a frase "na TV nada se cria, tudo se copia", Chacrinha foi o mais original dos apresentadores brasileiros, o mais brasileiro.
Para quem conhece e para quem não conhece, aqui está a volta de Chacrinha para a TV Globo em 1982, e o programa especial Por Toda a Minha Vida, em homenagem ao Velho Guerreiro.
Roda, Roda, Roda... e avisa!!!
Agradecimentos: friedlichf, chrisresende e TV Globo