Há algumas semanas, eu falei sobre o atual momento humorístico que vive a televisão brasileira. Uma das coisas boas que surgiu é o Furo MTV, comandado por Dani Calabresa e Bento Ribeiro.
A atração estreou despretensiosamente no ano passado, e se mostra como uma excelente opção de humor na TV. O programa apresenta as notícias mais importantes do dia, recheadas com sarcasmo, ironia e tiradas inteligentes.
A sintonia entre o casal apresentador é importante para que o jornal não tenha um ator principal e um coadjuvante, ou escada (como é chamado o colega que prepara a piada para o parceiro em cena. Carlos Alberto de Nóbrega é um bom exemplo). Aliás essa função também é dividida entre os dois.
O que é melhor: como o Furo MTV é factual, não se torna cansativo ou repetitivo. Sua equipe de redatores não tem limites. Fazem piada de tudo e de todos, inclusive deles mesmos e sua audiência no IBOPE (se Dani estivesse lendo isso diria "que audiência!"). É uma alternativa para quem não sabe o que assistir na TV.
Embora não seja essa a intenção, o programa também resgata um pouco da crítica escrachada e bem-humorada, que um dia fez despontar a turma do Casseta & Planeta Urgente, na TV Globo. Talvez seja buscando nas sua origens a porta para o caminho da renovação tão necessária para a atração global.
O Furo vai ao ar de segunda a sexta, as 22:00h, com reprise de segunda a quinta a 1:00h. Parabéns para a MTV, por colocar no ar tão bom programa, incentivando assim a busca por novos talentos, não só na frente mas também atrás das câmeras, principalmente redatores e produtores. Se não abrirem a "panelinha", o que tiver dentro um dia envelhece ou estraga, mesmo na geladeira!
Todo mundo sabe que o jornalismo nunca foi o forte do SBT, embora o primeiro gênero a ir ao ar na emissora foi a reportagem que cobria a cerimônia de concessão da própria televisão, em 19 de agosto de 1981, em Brasília. Para se ter uma idéia do heroísmo dos jornalistas e técnicos, naquele dia o único retorno da qualidade da transmissão era um telefone na portaria do Ministério das Comunicações.
Antes disso, a TVS, primeira emissora de Silvio Santos, já tinha um "telejornal", feito com notícias sem atualidade. Funcionava assim: a produção lia principalmente revistas para buscar assuntos que, na linguagem jornalística eram "frios" e poderiam ser exibidos em qualquer dia que não faria diferença. O curioso desse informativo que estreou no canal 11 do Rio em 1977 é que ele era gravado em São Paulo, onde ficavam os estúdios do animador, e reprisado de segunda à sábado! Para ilustrar as reportagens, eram exibidas fotografias recortadas das prórpias revistas!
Já com a sua rede, o dono do Baú resolveu revolucionar! Lançou o primeiro telejornal matutino em rede nacional, às 7:30 da manhã, o Noticentro. O nome é uma tradução literal do seu modelo americano (News Center). O jornal adotou uma apresentação mais descontraída, os apresentadores conversavam entre si, se despediam do publico de mãos dadas e assim saíam, na penumbra, enquanto rolavam os créditos finais. Quem apresentava eram os jornalistas Gilberto Ribeiro, Antônio Casale, Lívio Carneiro e Jorge Helal, todos vindos da extinta TV Tupi. Uma das repórteres dessa época continua no SBT até hoje. É Magdalena Bonfiglioli, que hoje está no Programa do Ratinho. Outra figura conhecida do grande público era Felisberto Duarte, o Feliz, o famoso homem do tempo. O jornal conquistou o público.
O Noticentro saiu das manhãs em 25 de fevereiro de 1982 e ganhou o horário nobre, das 18 às 19h. Apesar de ser o principal telejornal da casa, a filosofia do jornal seguia a filosofia do SBT, com uma programação popularesca. Apesar de diferente, nunca o noticiário conseguiu ser uma opção real ao seu maior concorrente, o Jornal Nacional na Globo. A estrutura que a emissora dispunha era muito menor do que a da concorrente. E tinha um outro detalhe: durante sua existência, o Noticentro conviveu com a dívida que a emissora possuía desde quando foi inaugurada. Silvio Santos só se livrou dessa dor de cabeça em 1992, quando a empresa passou a gerar resultados financeiros positivos.
O primeiro telejornal do SBT ficou no ar até 1988, quando estreou o TJ Brasil, com Boris Casoy, para elevar o nível de qualidade da programação. Por ter exatamente 29 anos, é muito difícil encontrar material do Noticentro no YouTube. O que encontrei foi essa reportagem da época em que Silvio Santos queria ser candidato a prefeito da capital paulista, e havia recebido a visita do empresário Antônio Emírio de Moraes.
Agradecimento: AndreiaM30 e marioluciodefreitas Fonte: A Fantástica História de Silvio Santos, Arlindo Silva (Ed. do Brasil, 2000)
Noticentro: Silvio Santos e Antônio Ermírio de Moraes (Parte 1)
Noticentro: Silvio Santos e Antônio Ermírio de Moraes (Parte 2)
Nesta semana, mais precisamente no dia 30, completou-se 22 da partida do grande comunicador do Brasil: José Abelardo Barbosa de Medeiros, o famoso Chacrinha.
Até este pernambucano de Surubim surgir no rádio, os programas eram muito formais, especialmente seus apresentadores. Abelardo trouxe o jeitão brasileiro de se comunicar. E olha que foi por acaso que ele foi parar na frente do microfone.
Ele iria ser médico. Enquanto estava na faculdade, adoeceu e perdeu as provas. Virou baterista de uma banda e ia viajar para a Europa com o conjunto, para ganhar uma graninha. Mas, no meio do caminho tinha uma guerra, tinha uma guerra no meio do caminho. O conflito iniciado por Hitler no velho continente mudou o rumo do navio, onde estava Abelardo, para o Rio de Janeiro. Mal sabia que sua vida também se transformaria por completo.
Na então capital federal, ele se encantou pelo rádio e pela badalação dos famosos nos cassinos. Depois de algum tempo como locutor comercial, ganha um espaço no final da programação da rádio que ficava numa chácara. Resolveu então reproduzir no rádio uma festa num cassino. Por isso o programa foi chamado de Cassino da Chacrinha. O programa era um verdadeiro sucesso, mas ninguém sabia que o locutor era Abelardo Barbosa, e sim um louco da chacrinha. Taí o apelido famoso.
Nos anos 50, Chacrinha foi para a TV, inaugurá-la com o programa Rancho Alegre. Logo, o Velho Guerreiro lançou vários de seus sucessos na telinha, como A Buzina do Chacrinha, Discoteca do Chacrinha e Cassino do Chacrinha. Durante quase trinta anos na TV, esteve com tudo e não esteve prosa no IBOPE, sendo sempre uma das maiores audiências de qualquer emissora. E passou por várias: TV Tupi, TV Record, TV Bandeirantes, TV Excelsior, TV Rio, e encerrou sua carreira na TV Globo. Foi um assíduo frequentador da ponte aérea, pois na época em que não existiam as redes, o apresentador comandava seus programas em dias alternados no Rio e em São Paulo. Além dos shows que fazia pelo Brasil inteiro.
Na emissora dos Marinho, Chacrinha passou duas temporadas. Na primeira, em 1967, juntamente com Dercy Gonçalves e Silvio Santos, formava a programação popularesca, assim definida pelo então diretor José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Ou seja, não tinha o idealizado Padrão Globo de Qualidade, mas davam audiência. O apresentador saiu da Globo em 1972, voltando só 10 anos depois, no auge da carreira.
Para ser sincero, são muito poucas as lembranças que tenho do Chacrinha na TV. Tudo o que lembro são imagens de arquivo, exibidas eventualmente. Quando descobriu que estava com câncer de pulmão, e necessitava se internar, foi substituído pelos humoristas Agildo Ribeiro e João Kleber (sim, ele foi global um dia!).
O que é muito divertido ver nos programas dele são os calouros, os concursos mais malucos da TV, os musicais e as Chacretes. Claro que todos os truques de um bom comunicador são uma veradeira aula para qualquer estudante dessa maquininha de fazer doidos, ou para quem quer ser parecido com ele. Apesar de ser dele a frase "na TV nada se cria, tudo se copia", Chacrinha foi o mais original dos apresentadores brasileiros, o mais brasileiro.
Para quem conhece e para quem não conhece, aqui está a volta de Chacrinha para a TV Globo em 1982, e o programa especial Por Toda a Minha Vida, em homenagem ao Velho Guerreiro.
Roda, Roda, Roda... e avisa!!!
Agradecimentos: friedlichf, chrisresende e TV Globo
Nesta semana, completou-se uma semana da morte de Michael Jackson. Ou melhor, em 25 de junho de 2009 Jackson saiu da vida para entrar na história e virar mito.
Você pode estar se perguntando: "Mas por que ele vai falar de Michael Jackson, se o Loucura fala de televisão?" Ora, o elemento mais novo dos Jackson Five projetou sua carreira dentro da telinha!
Em 1980, nos Estados Unidos, a MTV engatinhava e nenhum negro havia se apresentado na emissora até então. Neste ano o disco Off the Wall bombava nas paradas americanas. O canal se rendeu ao sucesso de Michael e os clipes das músicas Don´t Stop Till You Get Enough e Rock With You elevaram a estrela do cantor, e a audiência da MTV! Desde então, a emissora se tornou muito popular e expandiu sua rede para fora da terra do Tio Sam, chegando inclusive no Brasil em 1990.
Os clipes do Rei do Pop sempre estrearam por aqui através do Fantástico, na Globo. Um verdadeiro evento que reunia toda a galera na frente da TV para ver qual seria a nova surpresa, a nova coreografia, a nova plástica! Em particular me lembro de dois lançamentos no Show da Vida: Bad em 1987, e Black or White em 1991.
Michael Jackson também fez da TV sua praça para defender-se das acusasões de abuso sexual contra menores. Na primeira, em 1993, ele gravou um vídeo em que só faltou jurar que nunca tocou numa criança de modo atrevido. Em 2005, quando voltaram a indiciá-lo, a TV fez plantão na porta do tribunal e a programação tinha a "hora do juri", com as últimas do julgamento, do qual o cantor saiu inocente.
É injusto falar da relação de Michael e a TV sem citar os Jacksons Five. No ano passado, foi encontrada nos arquivos da extinta TV Tupi, a única apresentação do grupo feita em telinhas brasucas. Fazia parte da turnê, em qualquer país, uma apresentação em televisão. Pena que só exista um fragmento de pouquíssimo tempo. No vídeo Michael aparece já adolescente, e suando pra caramba, não sei se era pela falta de ar condicionado da Tupi realmente, ou medo do pai, Joe Jackson, que acompanhava a apresentação nos bastidores! A reportagem foi ao ar também no Fantástico, no ano da morte do Rei do Pop.
Reportagem do Fantástico: a única apresentação de Michael na Tv Brasileira
Em certa ocasião, Michael Jackson declarou que queria ser diretor de cinema, já que tudo em seus clipes era criado por ele. Pode até ser, mas a verdadeira mola propulsora da sua impressionante carreira de sucesso habita na maioria dos lares mundiais e atende pelo nome de televisão. Agradecimentos: TV Globo.
Não foi à toa que chamaram Chacrinha de Papa da Comunicação. Além de grande comunicador era um gênio insubstituível. Mais um louco dessa caixinha!
Mas iniciei esse post com a célebre frase por causa do atual momento do humor na TV. Tá certo, precisava de uma renovação que não acontecia desde a saudosa TV Pirata, na TV Globo em 1988. A Praça é Nossa (SBT) e Zorra Total (Globo) representam o humor clássico, vindo do rádio e que sobrevive muito bem, com mais de 50 anos de estrada. A renovação veio do teatro, de um gênero de comédia chamado Stand-up comedy, que consiste em um banquinho e um microfone, além de muitas situações engraçadas. Também aconteceu com as piadas "sem noção", o besteirol absolutamente assumido e descompromissado, também vindo do rádio.
O Pânico na TV e o CQC, respectivamente RedeTV! e Band, trouxeram esse modelos para a telinha e agora os formatos pipocam pelos canais. Essa máquina de fazer doidos às vezes tem esse problema de mais do mesmo. Se uma fórmula dá certo, vamos copiar. Disfarçadamente e/ou discaradamente! Quem perde é o telespectador, que percebe a falta de criatividade dos produtores de televisão.
Quem tem um pouco mais de idade deve se lembrar que, nos anos 90, quando o Aqui Agora (SBT) estreou, surgiram vários programas iguais. O Xou da Xuxa foi um fenômeno da emissora dos marinho, nos anos 80, e varias outras meninas beberam dessa fonte doce doce. Esses são só alguns exemplos, que todos se lembram.
Para fazer graça é preciso ter inteligência e ser inventivo. Vamos ver quanto tempo dura essa novo momento "criativo" da nossa TV.
Você colocaria um feirante, engraxate e balconista para apresentar um programa de auditório? A extina TV Excelsior topou a loucura, e lançou Edson Cury. Talvez pelo seu nome de batismo não seja muito lembrado, mas se falarmos em Bolinha, muitos vão se lembrar do programa que fez muito sucesso nos anos 80 e 90 nas tardes da TV Bandeirantes.
Bolinha entrou na TV na área dos esportes, responsável pela seleção dos melhores lances esportivos do programa Últimas Notícias. Em 1967, Chacrinha se desentendeu com os diretores da Excelsior e saiu. Edson então foi convidado a ocupar seu lugar. Estreava então a Hora do Bolinha, que ficou no ar até 1970, já na TV Record. Ainda na década de 70, Edson Cury foi para a Band, onde ficou quase 20 anos com o Clube do Bolinha, nas tardes de sábado.
O programa misturava calouros, com os quais já trabalhava desde seus tempos de rádio, com atrações musicais. Um dos quadros mais famosos era o Eles e Elas, em que transformistas se apresentavam. Outra característica do programa eram as boletes, as dançarinas que acompanhavam o animador na TV e nas caravanas. A mais famosa sem dúvida era Zulu, a bolete que não ria nem por decreto! No cenário havia uma bolete misteriosa, que dançava atrás de um biombo, aparecendo apenas sua sombra. Como substituto de Chacrinha, Bolinha manteve o tom tropicalista, mas não fantasiado, e sim nas camisas que usava, sempre estampadas.
Clube do Bolinha ocupava seis horas das tardes de sábado da Band, e saiu do ar em 1994, quando o animador foi tratar um câncer no aparelho digestivo, que o levou do nosso convívio em 1998. Seus bordões são inesquecíveis como "um Brasil de audiência" e "a imagem musical do Brasil está no Bolinha". Curiosidade: o tema de abertura do programa foi criado por outro animador, o colega Raul Gil.
Confira a abertura e início do Clube do Bolinha. Parece com um encerramento porque sobem os créditos, mas é o início mesmo! Vai entender!!!
Bolinha, Bolinha, está na hora de você entrar... no Loucura!
Clima de Copa do Mundo no ar! O Munidal da África do Sul será transmitido no Brasil pela TV Globo e TV Bandeirantes. Mas na década de 90, o SBT também transmitia os jogos. Em 1990(Itália), 1994(EUA) e 1998(França), a tela da emissora de Silvio Santos tinha um simpático mascotinho, o Amarelinho.
Seu desenho era simples: uma bola amarela, com braços e pernas e um boné amarelo e azul. A animação também deu o ar da graça nas transmissões olímpicas do SBT em 1992(Barcelona, Espanha) e 1996(Atlanta, EUA). O torcedor patriota aparecia sempre em alguma vitória brasileira, ou um gol da seleção canarinho. Amarelinho cativou especialmente o público infantil. Quem era criança nesta época se recorda com carinho dele.
Não existem muitas coisas dele no Youtube, mas os quatro vídeos que achei ilustram bem a atuação do Amarelinho no SBT. Com o fim do esporte na emissora, o mascote também ficou desempregado, pobrezinho. Mas não caiu no esquecimento de quem torceu pelo Brasil junto com ele.
Êêêêê, lê lê ô, lê lê ô, lê lê ô, lê lê ô... Brasil!!!