Em tempos de conexão 24 horas, interatividade é uma palavra mais que na moda. Antes da era da banda larga ou do sinal digital, a TV se virava para fazer com que o telespectador participasse dos programas, onde quer que ele estivesse. Não existia a internet, então o jeito era apelar para a popular cartinha ou o grande invento de Alexander Graham Bell: o telefone!
Foi graças ao antigo sistema Telebrás que a TV Globo colocou no ar um de seus maiores sucessos. Imagine poder escolher pelo telefone, ao vivo, o final que você quer para uma história contada na telinha! Era assim que funcionava o programa "Você Decide", sob direção de Paulo José. Sua estreia aconteceu exatamente há vinte anos, em 1992, e de cara agradou a audiência. Segundo o Almanaque Globo, foi o primeiro programa a abrir votação popular para a escolha da conclusão da atração.
As tramas criadas semanalmente resultavam em duas possibilidades de desfecho: sim ou não. As ligações gratuitas começavam no final do primeiro bloco, quando o dilema tinha acabado de ser apresentado. E os enredos geravam discussão nos lares brasileiros.
Um jogador de futebol, escalado para bater um pênalti decisivo, deve marcar o gol que sepultaria a carreira de seu pai, técnico do time adversário, ou chuta a bola para fora? O padre deve denunciar um criminoso, que revelou em confissão que cometeu um assassinato? Um cirurgião deve salvar a vida da ex-amante que ameaça destruir seu casamento? Um delegado deve prender o filho, flagrado em um assalto por uma câmera escondida? Um desempregado deve devolver um saco cheio de dinheiro, encontrado por ele? Você escolhia o final.
O formato fez tanto sucesso que foi vendido para outros países da America Latina e Europa. A partir de 1997, o "Você Decide" passou a oferecer três finais diferentes. Vários atores apresentaram o programa: Antônio Fagundes (que causou espanto ao aparecer de cabeça raspada), Walmor Chagas, Tony Ramos, Lima Duarte, Raul Cortez, Carolina Ferraz e Luciano Szafir. Do time do jornalismo, Renata Ceribelli e Celso Freitas também comandaram a atração. Suzana Werner conduziu uma reapresentação especial do interativo dentro do "Vale a pena ver de novo", durante o mês de julho de 2001.
O programa ficou no ar oito anos, apresentou 323 casos diferentes, e sempre contou com a participação ativa do público, que opinava através de milhares de ligações.
Confira a seguir a chamada de estreia do programa, a famosa abertura e sua morificação para as três alternativas.
Agradecimentos: alxqueiroz, homemobsoleto, belohorizonte2009 e TV Globo
Com informações do Almanaque da TV Globo (Marcel Souto Maior, Editora Globo, 2006)
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sábado, 2 de junho de 2012
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
A HUGOMANIA
Interatividade em televisão não é uma coisa de agora, como muitos pensam. Vários programas nasceram ao longo dos anos 1980 e 1990 com a proposta da participação direta do telespectador por carta, telefone, fax e e-mail (já na era da informática). Quem explorou bem esse recurso foi o segmento infantil, e com muitos resultados positivos, em várias emissoras.
Um deles, sem dúvida, é o Hugo Game. O programa de origem dinamarquesa nasceu em 1990, e conquistou fãs em 40 países. A atração chegou ao Brasil em 1995, pela Rede CNT, e permaneceu no ar por aqui até 1998. O personagem Hugo apresentava o programa, produzido pela Herbert Richers, direto de uma Floresta Encantada, e teve como seus parceiros humanos os apresentadores Matheus Petinnati, Vanessa Vholker, Andrea Pujol e Rodrigo Brassolotto.
Nos games, o duende Hugo tinha que vencer os mais diversos desafios para salvar sua esposa Hugolina, e seus filhos, Rit, Rat e Rut, da perversa Bruxa Maldícia. E não eram poucos os desafios! Hugo andava de skate, pulava pedras rolantes, saltava de um avião para o outro em pleno voo, viajava de balão, e muitas outras aventuras escolhidas pela garotada em casa. Quem comandava o duende aventureiro nos jogos eram as crianças, através do teclado do telefone. Os apresentadores explicavam antes de cada aventura, quais comandos seriam usados, mas durante a brincadeira torciam pelo jogador gritando os números do telefone.
Esse duende fez muito sucesso por aqui, tanto que congestionava as linhas telefônicas da emissora. A CNT chegou a receber cerca de 1 milhão de ligações por dia, vindas do país inteiro, na sua sede no Paraná. Todos queriam ganhar o mais cobiçado prêmio: o video game, apenas conquistado pelo jogador que mais pontuasse no dia. Várias frases do Hugo caíram no gosto da molecada como "subindo a montanha, sem fazer manha", "caí no penhasco, virei churrasco", "não tem chororô, esse jogo acabou".
O que não terminou mesmo foi a saudade do programa e o sucesso do joguinho que, para alegria dos fãs, agora está disponível nas versões para Andróide, iOS, PC e PSP.
Abaixo, vamos rever alguns trechos desse programa. E em 2012 o blog Loucura por TeVer vai trazer grandes novidades. Aguardem...
Agradecimentos: interrogazao, Jorgeshow, minilua.com.
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